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O Lapão na ilha
E eis que vos fala vosso enviado especial ao paraíso terrenal, ou
quase isso. Deférias!
Partamos
no primeiro dia livre para os poucos dias que teremos livres, certo?
À iluminada vila de nossa senhora do desterro, aliás, Fpólis, berço
de Cruz e Souza e Gustavo Kuerten. Pois.
Fui
eu e mais minha professora preferida em todo o mundo, também conhecida
como o outro terço ativo deste sítio. Se divertir, pernasproar.
Saindo
daqui, já que cansada mesmo e fèriasmerecendo estava a Sandra (sendo
por todos os que me têm por sabido sabido que eu nunca me esfalfei
com esse negócio de trabalhar), imbuído do bom espírito caridoso
e altruísta dos charruas, resolvi tocar a viagem sozinho, sem oferecer
revezo, pra ver se a branquinha descansava. Fi-lo; sossegou.
Coisa
de quatro horinhas, com parada alimentícia, e estávamos já cruzando
deixando o continente, olhando a bela e velha Hercílio Luz e prelibando
os dias que viriam, sabe como? Tinha chovido, mas acabava de não
estar mais chovendo: dia bonito, cidade encantadora que é aquela..
E,
pum.
O condutor do veículo 2, este estafermo que relata, declara que,
transitando pela ponte Pedro Ivo Campos, sentido continente-ilha,
não teve tempo de parar o automóvel depois de uma série de veículos
ter freado bruscamente, atingindo assim a traseira do veículo 1,
dirigido por Juliana Bellaguarda Nacif, boa gente. Sinistro registrado
às catorze horas e dez minutos: sexta-feira treze.
Ninguém
se machucou. Coisa pouca no Peugeot, importado. O carro da Sandra
com o nariz todo enfiado pra dentro. Orçamento serissimamente comprometido.
Férias previstas para sete ou oito dias reduzidas a dois ou três,
atravancados por visitas à DP e ao cartório, acertar as coisas com
dona Juliana.
Este
é o Babão ilhéu, senhoras e senhores, estragando a semana que era
o belo esteio da dona Sandra, que passa por um semestre do cão na
Universidade.
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Coisas
boas?
Uma
mulher adorável, que levou tudo na melhor das boas, e fez de tudo
pra que a viagem não se arrasasse inteira antes de começar.
Banho
na lagoa da Conceição.
Itapema
FM, 93.7. Recomendo.
Finalmente
termos conseguido ver o filme novo do Giorgetti, com direito a debate
com o próprio após a sessão (assunto pra outra semana).
A
Sandra ter ligado antes pra o velho dono da pousada, garantindo
assim o preço de antes da temporada: menos da metade do que estão
praticando agora.
A
avenida Beira-Mar enfeitada pro natal.
Perceber
que Curitiba está longe de ser o cu suburbano que às vezes vemos:
Florianópolis tem menos salas de cinema que o Curitiba, e
a única livraria que presta é a Catarinense, nada menos que um puxadinho
da Curitiba!
O
sotaque e o espírito daquela gente.
Ficar
pensando que vai ser legal um dia mostrar a ilha pra Biba.
Peixe
no restaurante do Gugu. Muito barato e maravilhoso.
Docinhos
na Chuvisco e Favos no café lá da Lagoa. Santa Pança, como fazem
doce bom naquela ilha!
Olhar
o mar. Saber que ele está sempre por perto.. Homme libre, toujours
tu chériras la mer.
Baudelaire
e Dante muito bem lidos por Otávio Augusto. ...
A
Sandra. A Sandra é uma coisa muito boa.
Caetano
Waldrigues Galindo, 28, é professor de Filologia Românica e História
da Língua Portuguesa na Universidade Federal do Paraná, e escreve
muito regularmente nessa coluna.
[email protected]
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