Edição de 09.12 a 15.12.2002



:: COLUNISTAS ::

André Tezza Consentino
Bob Marochi
Caetano Galindo
Rosiane C. de Freitas
Rogerio W. Galindo



Três coisinhas

Buenas, saudadosos leitores lapônicos.
Estamos de volta a esse nosso espaço privilegiado para a discussão de temas relevantes à constituição do cidadão!

Hoje, em homenagem a essas três semanas de ausência, mando aí três minibreves reflexões que se me refletiram no piríodo.
Vai.

1.
O Saramago. Alguém aí já leu o livro novo, por acaso..
Olha, coisa finíssima, como de costume, mas, por outro lado, não deixa de ser engraçado ver um grande escritor cedendo a seus próprios maneirismos. Eu sei que vai ter um monde de gente que vai dizer: caraca, só agora é que você foi perceber!
Mas estamos falando de coisas diferentes. Saramago sempre teve suas características, em todos os campos, da sintaxe à temática, que sempre fizeram seu texto imediatamente reconhecível, etc.. Mas nesse livro, que passa uma ligeirinha impressão de ter sido acabado às pressas, parece que algumas coisas atingiram um ápice.
Pressa pra capitalizar o Nobel.
Um homem velho se refestelando sobre o que já fez (deita na cama..)
O fato de que o livro é mesmo fraquinho.
Uma dessas, ou todas essas, coisas, podem muito bem ser responsáveis pela impressão final que tive de que nunca os diálogos dos personagens foram tão acabadamente anti-naturalistas e de que em nenhum outro livro ele se banqueteou tão lautamente com ditos, frases, e proverbiozinhos populares.
É quase impossível abrir o livro e olhar direito sem topar com uma frasezinha feita, ligeiramente deslocada, como é de costume pra um homem que costuma dizer que o que incomoda não é o uso do lugar-comum, mas sim seu uso em um lugar comum.

O Lobo Antunes é um puta ressentido (que já andou dizendo que não se incomoda de não ser conhecido no Brasil, já que é melhor nos deixar para o Saramago, pois somos a única coisa que ele tem!), mas que tudo isso junto dá ao livro uma puta cara de macumba portuguesa pra estrangeiro tupiniquim, lá isso dá.

P.S. O velho continua sendo o maior decifrador da psiquè canina da história da literatura.

2.
O Moretti.
Eu adoro Nanni Moretti. Finalmente no fim-de-semana passado o estaff todo desse site pôde ver Palombella Rossa, filme anterior à consagração internacional do cineasta, que veio com Caro Diário.
Ta certo que passou na Cinemateca, em vídeo, numa cópia com defeito (que suspendeu a projeção por uns minutos), com um som bisonho e SEM LEGENDAS.
Mas valeu. O filme é bem divertido. Ok, lembra Fellini. Mas, convenhamos, se a influência do velho de Rimini é pervasiva e encharca, por exemplo, o Woody Allen, o que dizer de um italiano que cresceu vendo seus filmes. O final é meio coió. É, mas o filme é todo alegórico, e é apropriado que termine por uma alegoria.
Já que andávamos falando de maneirismo. A Sandra é que comentou que, lá, já está (às vezes como defeito, ela achava) tudo o que iria fazer os dois filmes que estouraram antes do Quarto do Filho.
Vejam aí.
Tomara que numa cópia com legendas porque, Santo Dio, como se fala num filme do homem!

3.
A glória.
Exultemos. Vinde, comemoremos.
Que nosso sítio já triunfa na Sereníssima República!
Pois não é que o grande Diogo Mainardi, movido por minha tocante estória de sofrimento saramaguiano, escreveu para este mero digitador!
Sucesso!
Agora só me faltam o dinheiro, uma aparição na Caras e um Personal Trainer!
.

Caetano Waldrigues Galindo, 28, é professor de Filologia Românica e História da Língua Portuguesa na Universidade Federal do Paraná, e escreve muito regularmente nessa coluna.

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