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Os Valdenses
A perseguição contra os valdenses na França
Tendo o papado introduzido várias inovações na Igreja,
e havendo coberto ao mundo cristão com trevas e superstição,
uns poucos, percebendo claramente a tendência perniciosa de tais
erros, decidiram exibir a luz do Evangelho em sua verdadeira pureza, e
dispersar aquela nuvens que uns astutos sacerdotes haviam estendido sobre
ele, a fim de cegar o povo e obscurecer seu verdadeiro resplendor.
O principal entre estes foi Berengário, quem, por volta do ano
1000, predicou denodadamente as verdades do Evangelho, segundo sua primitiva
pureza. Muitos, convencidos, assentiram à sua doutrina e foram,
por isso, chamados de berenganos. Berengário foi sucedido por Pedro
Bruis, que predicou em Toulouse, sob a proteção de um conde
chamado Ildefonso; todos os pontos dos reformadores, com suas razões
para separar-se da Igreja de Roma, foram publicados num livro escrito
por Bruis, sob o título de ANTICRISTO.
Para o ano 1140 de Cristo, o número de reformados era muito grande,
e a probabilidade de seu crescimento alarmou o Papa, que escreveu a vários
príncipes para que os desterrassem de seus domínios, e que
empregassem a muitos eruditos para que escrevessem contra suas doutrinas.
No 1147 eram chamados de henericianos, devido a Henrique de Toulouse,
considerado como seu mais eminente predicador, e devido a que não
admitiam nenhuma prova de religião além do que pudessem
deduzir das próprias Escrituras, o partido papista lhes deu o nome
de apostólicos. No final, Pedro Waldo ou Valdo, natural de Lyon,
eminente por sua piedade e erudição, deveio um enérgico
oponente do papado; e desde aquele então, os reformados receberam
a apelação de valdenses.
O Papa Alexandre III, informado destes sucessos pelo bispo de Lyon, excomungou
a Waldo e seus seguidores, e ordenou ao bispo que os exterminasse, se
possível, de sobre a faz da terra; assim começaram as perseguições
papais contra os valdenses.
As atividades de Waldo e dos reformados suscitaram a primeira aparição
dos inquisidores, porque o Papa Inocente III autorizou a certos monges
como inquisidores, para que fizessem inquisição e entregassem
os reformados ao braço secular. O processo era breve, por quanto
uma acusação era considerada como prova de culpa, e nunca
se concedeu um juízo aos acusados.
O Papa, percebendo que estes cruéis médios não surtiam
o efeito desejado, enviou vários eruditos monges a predicar entre
os valdenses, e a tratar de convencê-los do errôneo de suas
opiniões. entre estes monges havia um chamado Domingo, que se mostrou
muito zeloso pela causa do papado. Este Domingo instituiu uma ordem, que
foi chamada pelo seu nome, a ordem dos frades dominicanos, e os membros
desta ordem foram desde então os principais inquisidores nas várias
inquisições do mundo. O poder dos inquisidores era ilimitado.
Procediam em contra de quem queriam, sem consideração de
idade, sexo ou categoria. Por infames que fossem os acusadores, a acusação
era considerada válida, incluso quando se recebiam informações
anônimas, enviadas por carta, eram consideradas evidência
suficiente. Ser rico era um crime igual à heresia; por isso, muitos
que tinham dinheiro eram acusados de hereges, ou de protetores de hereges,
para poder obrigá-los a pagar por suas opiniões. o mais
queridos amigos, os parentes mais próximos, não podiam servir
sem perigo a ninguém que estiver encarcerado devido a questões
religiosas. Levar algo de palha aos prisioneiros, ou dar-lhes um copo
de água, caia sob a consideração de favorecer os
hereges, e eram por isso mesmo perseguidos. Nenhum advogado ousava defender
a seu próprio irmão, e a malícia perseguidores chegava
inclusive além do túmulo; se exumavam os restos dos já
mortos, e eram queimados, como exemplo para os vivos. Se alguém
era acusado em seu leito de morte de ser seguidor de Waldo, suas possessões
eram confiscadas, e o herdeiro ficava privado de sua herança; e
alguns foram enviados à Terra Santa, enquanto os dominicanos se
apoderavam de suas casas e propriedades, e quando os donos voltavam, amiúde
pretendiam não reconhecê-los. Estas perseguições
persistiram durante vários séculos sob diferentes Papas
e outros grandes dignitários da Igreja Católica.
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