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Anabatistas
Os movimentos reformados luterano e suíço tiveram conexões
com o sistema político em seu início. Lutero era o protegido
de Frederico, o Sábio, e de vários príncipes alemães,
que buscavam a liberdade política e, em conseqüência,
começaram a apoiar sua causa. A cidade de Zurique, diante da oposição
católica, colocou-se ao lado de Zuínglio.
Para um grupo de cristãos que estavam sob a orientação
de Zuínglio, substituir Roma por Zurique não era aceitável.
Eles queriam que a igreja realizasse rapidamente as reformas que fariam
com que a igreja voltasse ao ideal do século I. Em vez de se concentrar
na hierarquia da igreja ou em sistemas políticos, esse grupo mais
radical buscava uma igreja autônoma, dirigida pelo Espírito
Santo.
A questão que causava a maior discussão era a do batismo
infantil. O grupo dissidente afirmava que a Bíblia apresentava
apenas o batismo de adultos e queria que isso se tornasse prática
geral. Em 21 de janeiro de 1525, o conselho de Zurique ordenou aos líderes
que encerrassem a altercação. Os radicais, contudo, viam
essa atitude apenas como outro caso em que o poder político tentava
controlar sua vida espiritual. Em uma noite em que nevava muito, em uma
vila próxima, eles se encontraram e batizaram uns aos outros. Receberiam,
mais tarde, a alcunha de anabatistas ("rebatizadores"), que
lhes foi dado por seus detratores.
Os anabatistas queriam fazer mais do que reformar a igreja: pretendiam
levá-la de volta ao modelo inicial, retratado nas Escrituras. Em
vez de uma instituição poderosa, queriam uma irmandade,
uma família de fé, criada por Deus, que trabalhava no coração
das pessoas.
Os anabatistas propuseram a separação entre a igreja e o
Estado, pois viam a igreja como algo distinto da sociedade — até
mesmo da sociedade denominada "cristã". Eles não
queriam, sob hipótese alguma, a presença de poderes políticos
que coagissem a consciência do crente em qualquer aspecto de sua
vida.
Eles também não eram favoráveis à burocracia
eclesiástica. Como foram as primeiras pessoas a praticar a democracia
na congregação, acreditavam que Deus não apenas falava
por intermédio dos bispos e dos concilios, mas também por
meio de cada uma das congregações.
Em uma época em que os turcos muçulmanos estavam às
portas da Europa, os anabatistas pregavam uma doutrina nada popular, o
pacifismo. Por mais estranho que possa parecer, esse conceito não
evitou que alguns seguidores se desviassem de seu destino. O nome anabatista
se tornou sinônimo de "ruptura". Os novos pregadores protestantes
eram interrompidos pelos anabatistas durante a pregação,
e alguns dos radicais provocavam tumultos. Além disso, algumas
ocorrências da prática de poligamia, assim como a procla-mação
de revelações bizarras como proclamações de
Deus, fizeram com que tanto católicos quanto protestantes acreditassem
que precisavam livrar o mundo desse grupo desatinado. Assim, iniciou-se
uma grande perseguição e muitos anabatistas foram mortos
— queimados em fogueiras ou afogados.
Ainda assim o movimento se espalhou, especialmente entre as classes mais
baixas. A evangelização trouxe novos crentes, e alguns protestantes
foram atraídos pela ênfase anabatista nas questões
da pureza e da pregação bíblica.
Nenhum homem conseguiu reunir essa coleção tão diversa
de igrejas, mas é possível que o nome mais conhecido entre
os líderes anabatistas seja o de Menno Simons (1496-1559), que
deu origem à designação "menonita".
Os anabatistas deram ao mundo a idéia de que a separação
entre igreja e Estado é necessária. Entre seus descendentes,
os menonitas e as Igrejas dos Irmãos, o pacifismo ainda permanece
como doutrina importante
Surgiram os batistas pouco depois da Reforma, na Suíça,
e espalharam-se rapidamente no norte da Alemanha e na Holanda. No princípio
foram chamados anabatistas, porque batizavam novamente aqueles que haviam
sido batizados na infância. Na Inglaterra, a princípio, estavam
unidos com os independentes ou congregacionais, mas pouco a pouco tornaram-se
um corpo independente. Com efeito, a igreja de Bedford, da qual João
Bunyan era pastor, cerca do ano 1660, e que existe até hoje, considera-se
tanto batista como congregacional.
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