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Ano Acontecimento |
Irineu Irineu (c. 130-202) Nasceu na Ásia Menor, provavelmente em Esmirna. Encontramo-lo como bispo da Igreja de Lyon na perseguição de Marco Aurélio, durante a qual, segundo a tradição, foi martirizado. Recebeu uma educação esmerada e cristã. Supõe-se geralmente que o relato das perseguições em Lyon foi escrito por ele mesmo. sucedeu ao mártir Potino como bispo de Lyon, e governou sua diocese com grande discrição; era um zeloso oponente das heresias em geral, e por volta de 187 d.C. escreveu um célebre tratado contra as heresias. Vitor, bispo de Roma, querendo impor nessa cidade a observância da Páscoa, dando-lhe preferência sobre outros lugares, ocasionou algumas desordens entre os cristãos. De modo particular, Irineu escreveu-lhe uma epístola sinódica, em nome das igrejas galicianas. Este zelo em favor do cristianismo o indicou como objeto de ressentimento ante o imperador, e foi decapitado em 202 d.C.
ENSINOS Das diferentes obras que Eusébio atribui a Irineu somente nos chegaram alguns fragmentos (PG 7, 1225-1274). Permanece, no entanto, uma grande obra contra o gnosticismo, intitulada Refutação e desmascaramento da falsa gnosis, conhecida comumente como Adversus haereses, versão latina do original que data do séc. IV. Irineu preocupou-se em defender a doutrina cristã frente ao gnosticismo (Gnósticos). — A verdadeira gnose é a que nos transmitiram os apóstolos da Igreja. Mas essa gnose não tem a pretensão de superar os limites do homem, como a falsa gnose dos heréticos. — Deus é incompreensível e não pode ser pensado. Todos os nossos conceitos são inadequados. “É melhor não saber nada, mas acreditar em Deus, e permanecer no amor de Deus, do que arriscar-se a perdê-lo com pesquisas sutis” (Ad. haer., II, 28, 3). — O que nós podemos conhecer sobre Deus, podemos conhecê-lo somente por revelação: sem Deus não se pode conhecer Deus. — A blasfêmia mais grave dos gnósticos é afirmar que o criador do mundo não é Deus, mas uma emanação dele. — Afirma a igualdade de essência e de digni dade entre o Filho, o Espírito Santo e o Pai, frente à doutrina gnóstica de que o logos e o Espírito são cones subordinados. Não se pode admitir a emanação do Filho e do Espírito, do Pai. A simplicidade da essência divina não permite tal separação. — O homem é composto de alma e corpo, contra a distinção gnóstica de corpo, alma e espírito. O espírito é somente uma capacidade da alma, pela qual o homem chega a ser perfeito e se constitui em imagem de Deus. O corpo, assim como a alma, é uma criação divina e não pode, portanto, causar o mal à sua natureza. A origem do mal está no abuso da liberdade, e é fruto não da natureza, mas do homem e de sua escolha.— O bem conduz o homem à imortalidade, que é concedida à alma por Deus, mas que não é intrínseca à sua natureza. O mal é castigado com a morte eterna. Também os corpos ressuscitarão, mas o farão na nova vinda de Cristo, que se verificará depois do Reino do anticristo. A principal contribuição de Irineu foi ter lutado contra o gnosticismo, ter servido de ponte entre a teologia oriental (grega) e a ocidental (latina).Com relação aos gnósticos, escreveu: "Tão logo um homem é convencido a aceitar a forma da salvação deles [dos gnósticos], se torna tão orgulhoso com o conceito e a importância de si mesmo, que passa a andar como se fosse um pavão". Porém, os cristãos deveriam humildemente aceitar a graça de Deus, e não se envolver em exercícios intelectuais que levavam à vaidade. Uma segunda obra de Irineu chegou-nos através de uma tradução armênia recentemente encontrada. Intitula-se Demonstração da pregação apostólica. Nela se enfatizam os elementos principais da Igreja: a) A verdadeira Igreja está baseada nos ensinos dos apóstolos. b) Esses ensinos podem ser comprovados em todas as Igrejas que professam a fé cristã. c) Esses ensinos encontram-se no Credo dos Apóstolos, que contém o Antigo e o Novo Testamento. Irineu é um dos primeiros que falam do NT como fonte de fé no mesmo nível do AT.
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