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1273 Tomás de Aquino completa sua Suma
teológica
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da Biblia para o inglés
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1478 O estabelecimento da Inquisição
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1498 Savonarola é executado
1517 Martinho Lutero afixa As noventa e cinco
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da religião cristã
1540 O papa aprova os jesuítas
1559 John Knox volta à Escócia para
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1735 Grande despertamento sob a liderança de
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1738 Conversão de John Wesley
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1855 Conversão de Dwieht L. Moodv
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Kierkegaard
A teologia do século XX poderia ter sido bastante diferente, não
fosse por uma jovem chamada Regina Olsen. Ela era a futura noiva de um
dinamarquês brilhante, Soren Kierkegaard. O noivado e a ruptura
desse compromisso fizeram com que Soren iniciasse uma produção
frenética de escritos filosóficos. As obras que ele produziu
contribuíram, de modo significativo, para mudar a forma do pensamento
moderno.
Kierkegaard nasceu em uma família influente, em 1813. Seu pai,
um empresário bem-sucedido, aposentou-se precocemente. Nessa fase
de sua vida, o pai gostava de convidar professores para jantar a fim de
que pudessem compartilhar suas idéias. Soren, o filho mais novo,
era o predileto da família. Seu pai o amava de modo muito especial,
assim como admirava o raciocínio rápido do filho.
Aos dezessete anos, Kierkegaard foi enviado para a Universidade de Copenhague.
Seu pai queria que ele estudasse para o sacerdócio, mas o jovem
se recusou. Essa foi apenas uma das muitas discussões que teve
com seu pai, que sempre financiou a educação de Soren, bem
como seu estilo de vida esbanjador. O jovem Kierkegaard tornou-se um tipo
de "estudante perpétuo". Pouco antes da morte de seu
pai, Soren conseguiu reconciliar-se com ele, e o jovem terminou por estudar
Teologia, embora nunca tenha sido ordenado.
Nessa época, Regina Olsen chamou sua atenção. Ela
era apenas uma adolescente, mas Soren estava decidido a se casar com ela.
O único problema era que ela estava interessada em outra pessoa.
Soren continuou sua ofensiva, encantando Regina e sua família e
levando-a a romper com o outro pretendente, para, a seguir, pedir sua
mão em casamento.
Agora, porém, ele não a queria mais. Ou talvez se considerasse
indigno dela. Parece que ele tinha algum segredo profundo e obscuro que
o impedia de se aproximar dela. O que deveria fazer? Se rompesse o noivado,
isso seria uma desgraça para ela. Não seria justo. Porém,
se ela rompesse, seria a melhor solução. Desse modo, Soren
tentou fazer com que ela desmanchasse o noivado com ele. Ele se tornou
uma pessoa amarga e desagradável. Ela conseguiu suportar isso por
bastante tempo, mas, por fim, se cansou.
Todo esse episódio teve um grande peso no coração
já pessimista de Kierkegaard. Ele era o vilão e a vítima
de sua própria vilania. Começou a escrever uma série
de textos filosóficos, questionando as pressuposições
daqueles dias. Essas obras foram publicadas sob pseudônimos. Depois,
assinando seu verdadeiro nome, ele lançava livros que respondiam
àquelas questões.
Uma das primeiras dessas obras — Um ou outro — foi saudada
por um jornal satírico chamado O Corsário, periódico
que raramente aplaudia alguma coisa. Kierkegaard ficou perturbado pela
api-ovação e pediu que o jornal se retratasse. O Corsário
simplesmente zombou de seu pedido e começou a expor Kierkegaard
ao ridículo.
Isso isolou ainda mais o filósofo solitário. O fiasco com
Regina Olsen maculara seu nome em diversos círculos da sociedade,
e, agora, O Corsário o insultava em público.
Ele, no entanto, continuou a escrever, voltando sua atenção
para temas religiosos. De que maneira alguém pode ser um cristão
verdadeiro em um mundo caído? Suas respostas eram desesperadoras.
Ele não tinha esperança nos sistemas ou nas instituições
de sua época. Somente, conforme se posicionara, os milagres de
Deus poderiam nos salvar.
Ele ainda não planejava um ataque devastador sobre a igreja organizada,
mas seus pensamentos caminhavam nessa direção. A igreja
dinamarquesa daquela época era influente e próspera, assim
como foi a defensora da boa teologia luterana e de seus rituais. Porém,
Kierkegaard via pouca vida nisso tudo. Kierkegaard deixou de escrever
em 1850, talvez por temer o ponto ao qual seus escritos o levariam.
A morte de seu amigo J. P. Mynster, bispo de Zealand, o pôs novamente
em ação. A seu modo, Myns-ter, tentara soprar nova vida
na igreja dinamarquesa, mas obtivera resultados limitados. Kierkegaard
aproveitou a ocasião para ralhar rudemente com a igreja por sua
negligência aos verdadeiros ensinamentos de Cristo, por sua devoção
à forma e aos sistemas filosóficos e por sua adoração
ao dinheiro e ao poder. Entre dezembro de 1854 e maio de 1855, ele publicou
21 artigos no jornal A Pátria, além de outros textos que
foram publicados de maneira independente.
Em outubro de 1855, Kierkegaard sofreu um derrame, vindo a morrer um mês
depois.
Seus textos influenciaram alguns pensadores-chave do século xix,
mas sua maior influência só apareceu bastante tempo depois.
Kierkegaard foi saudado como o pai do "exietencialismo", corrente
filosófica que ganhou preeminencia no século XX. Filósofos
e teólogos desenvolveram as idéias de Kierkegaard de muitas
maneiras, e algumas delas fariam com que ficasse bastante irado, mas outras,
até aprovaria.
Kierkegaard é o responsável por muito da subjetividade da
teologia moderna, mas sua subjetividade resultou de sua humildade. Ele
defendia que Deus não é um objeto que podemos dissecar e
analisar cientificamente, pois o Senhor é um Ser vivo e ativo que
nos confronta com o objetivo de nos salvar.
Do mesmo modo, nós, os humanos, não somos simplesmente uma
peça dentro de um quebra-cabeça. Somos seres, disse Kierkegaard,
com vontades, esperanças e tristezas. Ele lutou contra os sistemas
abstratos — quer fossem filosóficos, quer fossem religiosos
— que buscassem algum tipo de verdade abstrata. Ele insistia em
que a religião precisava nos dizer de que maneira deveríamos
viver.
O pensador dinamarquês também se desesperou diante de nossa
inabilidade, como seres humanos, de alcançar Deus pelo intelecto.
Nossa razão somente nos leva até determinado ponto, disse
ele, e, desse ponto em diante, precisamos dar um salto no escuro, na fé
de que Deus se encontrará conosco ali. Esse salto exige de nós
total compromisso, uma rejeição dos valores do mundo e,
às vezes, até mesmo dos valores da igreja.
O desespero de Kierkegaard, caso consideremos o apogeu inebriante do Iluminismo,
foi praticamente uma surpresa para as pessoas de sua época.
Contudo, ele antecipou a desumani-dade da Revolução Industrial,
assim como a ascensão e a queda do modernismo. Esse grande dinamarquês
estava um século à frente de seu tempo.
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