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c. 196 Tertuliano começa a escrever
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270 Antão começa sua vida de eremita
312 A conversão de Constantino
313 Eusébio de Cesaréia O Historiador
da Igreja
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367 A carta de Atanásio reconhece o cânon
do Novo Testamento
385 O bispo Ambrosio desafia a imperatriz
387 Conversão de Agostinho
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405 Jerónimo completa a Vulgata
432 Patrício é enviado como missionário
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451 O Concilio de Calcedonia
590 Gregorio I se torna papa
800 Carlos Magno é coroado imperador
863 Cirilo e Metódio evangelizam os eslavos
988 Conversão de Vladimir, príncipe
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1073 Papa GregórioVII ou Hildebrando
1093 Anselmo é escolhido arcebispo de
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c. 1150 Fundação das universidades
de Paris e de Oxford
1173 Pedro Valdo funda o movimento valdense
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1273 Tomás de Aquino completa sua Suma
teológica
1378 Catarina de Sena vai a Roma para solucionar
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1478 O estabelecimento da Inquisição
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1498 Savonarola é executado
1517 Martinho Lutero afixa As noventa e cinco
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1523 Zuínglio lidera a Reforma na Suíça
1525 Início do movimento anabatista
1534 O Ato de Supremacia de Henrique VIII
1536 João Calvino publica As instituías
da religião cristã
1540 O papa aprova os jesuítas
1559 John Knox volta à Escócia para
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1611 Publicação da Versão
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1738 Conversão de John Wesley
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1855 Conversão de Dwieht L. Moodv
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1919 Publicação do Comentário
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O Crescimento Da Igreja no Mundo
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A Concepção Pós-moderna de Igreja
|
Lutero
Martinho Lutero
Este ilustre alemão, teólogo e reformador da Igreja, foi
filho de João Lutero e de Marguerite Ziegler, e nascer em Eisleben,
uma cidade da Saxônia, no condado de Mansfield, o 10 de novembro
de 1483. a posição e condição de seu pai eram
originalmente humildes, e seu ofício era o de mineiro; mas é
provável que por seu esforço e trabalho melhorasse a fortuna
de sua família, porquanto posteriormente chegou a ser um magistrado
de categoria e dignidade. Lutero foi cedo iniciado nas letras, e aos treze
anos de idade foi enviado a uma escola em Magdewburgo, e dali a Eisenach,
na Turíngia, onde permaneceu por quatro anos, exibindo os primeiros
indícios de sua futura eminência.
Em 1501 foi enviado à Universidade de Erfurt, onde passou pelos
costumeiros cursos de lógica e filosofia. Aos vinte anos de idade
recebeu o título de licenciado, e depois passou a ensinar a física
de Aristóteles, ética, e outros departamentos de filosofia.
Depois, por indicação de seus pais, se dedicou à
lei civil, com vistas a dedicar-se à advocacia, porém foi
afastado desta atividade pelo seguinte incidente. Andando um dia pelos
campos, foi tocado por um raio, sendo precipitado no chão, enquanto
seu companheiro foi morto justo a seu lado; isto o afetou de tal modo
que, sem comunicar seu propósito a nenhum de seus amigos, se retirou
do mundo, e se acolheu à ordem dos eremitas de santo Agostinho.
Aqui se dedicou a ler a santo Agostinho e os escolásticos; porém,
rebuscando na biblioteca, achou acidentalmente uma cópia da bíblica
latina, que nunca tinha visto antes. Isto atraiu poderosamente sua curiosidade;
a leu ansiosamente, e sentiu-se atônito ao ver que escassa porção
das Escrituras era ensinada ao povo.
Fez sua profissão no convento de Erfurt, depois de ter sido novicio
durante um ano; e tomou ordens sacerdotais e celebrou sua primeira missa
em 1507. um ano depois foi trasladado do mosteiro de Erfurt à Universidade
de Wittenberg, porque tendo acabado de fundar-se a universidade, se pensava
que nada seria melhor para dá-lhe reputação e fama
imediatas que a autoridade da presença de um homem tão célebre
por sua grande coragem e erudição, como Lutero.
Nesta universidade de Erfurt havia um certo ancião no convento
dos agostinianos com quem Lutero, que era então da mesma ordem,
conversou acerca de diversas coisas, especialmente acerca da remissão
dos pecados. Acerca deste artigo, este sábio padre se franqueou
com Lutero, dizendo-lhe que o expresso mandamento de Deus é que
cada homem creia particularmente que seus pecados lhe são perdoados
em Cristo; disse-lhe além disso que esta particular interpretação
estava confirmada por são Bernardo: "Este é o testemunho
que te dá o Espírito Santo em teu coração,
dizendo: Teus pecados te são perdoados. Porque este é o
ensino do apóstolo, que o homem é livremente justificado
pela fé".
Estas palavras não só serviram para fortalecer a Lutero,
senão também para ensiná-lhe o pleno sentido de são
Paulo, que insiste tantas vezes nesta frase: "Somos justificados
pela fé"> E tendo lido as exposições de muitos
acerca desta passagem, logo percebeu, tanto pelo discurso do ancião
como pelo consolo que recebeu em seu espírito, a vaidade das interpretações
que antes tinha acreditado dos escolásticos. E assim, aos poucos,
lendo e comparando os ditados e exemplos dos profetas e dos apóstolos,
com uma contínua invocação a Deus, e a excitação
da fé pelo poder da oração, percebeu esta doutrina
com a maior evidência. Assim prosseguiu seu estudo em Erfurt por
espaço de quatro anos no convento dos agostinianos.
Em 1512, ao ter uma pendência sete conventos de sua ordem com seu
vicário geral, Lutero foi escolhido para ir a Roma para manter
sua causa. Em Roma viu o Papa e sua corte, e teve também a oportunidade
de observar os costumes do clero, cuja maneira apressada, superficial
e ímpia de celebrar a missa observou com severidade. Tão
pronto como teve ajustado a disputa que tinha sido motivo de sua viagem,
voltou a Wittenberg, e foi constituído doutor em teologia, a custa
de Frederico, eleitor da Saxônia, quem o havia ouvido predicar com
freqüência, estava perfeitamente familiarizado com seu mérito,
e o reverenciava sumamente.
Continuou na Universidade de Wittenberg, onde, como professor de teologia,
se dedicou à atividade de sua vocação. Aqui começou
da forma mais intensa a ler conferencias sobre os livros sagrados. Explicou
a Epístola aos Romanos e os Salmos, que aclarou e explicou de uma
maneira totalmente nova e diferente do que tinha sido o estilo dos anteriores
comentaristas, que "parecia, após uma longa e escura noite,
que amanhecia um novo dia, a juízo de todos os homens piedosos
e prudentes".
Lutero dirigia diligentemente as mentes dos homens ao Filho de Deus, como
João Batista anunciava o Cordeiro de Deus que tira o pecado do
mundo; do mesmo modo Lutero, resplandecendo na Igreja como uma luz brilhante
após uma longa e tenebrosa noite, mostrou de forma clara que os
pecados são livremente remitidos pelo amor do Filho de Deus, e
que deveríamos abraçar fielmente este generoso dom.
Sua vida se correspondia com sua profissão; e se evidenciou de
maneira clara que suas palavras não era atividade meramente de
seus lábios, senão que procediam de seu mesmo coração.
Esta admiração de sua santa vida atraiu muito os corações
de seus ouvintes.
Para preparar-se melhor para a tarefa que tinha empreendido, se aplicou
atentamente ao estudo das línguas hebraica e grega; e a isto estava
dedicado quando se publicaram as indulgências gerais em 1517.
Leão X, que sucedeu a Julio II em março de 1513, teve o
desígnio de construir a magnífica Igreja de são Pedro
em Roma, que desde logo tinha sido começada por Julio, mas que
ainda precisava de muito dinheiro para poder ser acabada. Por isso, leão,
em 1517, publicou indulgências gerais por toda a Europa, em favor
de todos os que contribuíssem com qualquer suma para a edificação
de são Pedro; e designou pessoas de diferentes países para
proclamar estas indulgências e para receber o dinheiro das mesmas.
Estes estranhos procedimentos provocaram muito escândalo em Wittenberg,
e de maneira particular inflamaram o piedoso zelo de Lutero, o qual, sendo
de natural ardoroso e ativo, e incapaz neste caso de conter-se, estava
decidido a declarar-se em contra de tais indulgências em todas as
circunstâncias.
Portanto, na véspera do dia de Todos os Santos, em 1517, fixou
publicamente, na igreja adjacente ao castelo daquela cidade, uma tese
sobre as indulgências; no começo das mesmas desafiava a qualquer
que se opusesse a elas bem por escrito, bem por debate oral. Apenas se
tinham-se publicado as proposições de Lutero acerca das
indulgências que Tetzel, um frade dominicano e comissionado para
sua venda, manteve e publicou uma tese em Frankfurt, na qual sustentava
um conjunto de proposições diretamente contrárias
a elas. Fez mais: agitou o clero de sua ordem contra Lutero; o anatematizou
desde o púlpito como um herege condenável, e queimou sua
tese de forma pública em Frankfurt. A tese de Tetzer foi também
queimada, em reação, pelos luteranos em Wittenberg; mas
o próprio Lutero negou ter tomado parte nesta ação.
Em 1518, Lutero, embora dissuadido disso por seus amigos, mas para mostrar
obediência à autoridade, acudiu ao convento de santo Agostinho
em Heidelberg, onde se celebrava capítulo; e ali manteve, o 26
de abril, uma disputa acerca da "justificação pela
fé" que Bucero, que então estava presente, tomou por
escrito, comunicando-a depois a Beatas Rhenanus, não sem os maiores
elogios.
Enquanto isso, o zelo de seus adversários foi crescendo mais e
mais contra ele; finalmente foi acusado diante de Leão X como herege.
Então, tão logo como houve voltado de Heidelberg, escreveu
uma carta àquele Papa nos termos mais submissos; lhe enviou, ao
mesmo tempo, uma explicação de suas proposições
acerca das indulgências. Esta carta está datada no Domingo
da Trindade de 1518, e ia acompanhada de um protesto no qual se declara
que "não pretendia ele propor nem defender nada contrário
às Sagradas Escrituras nem à doutrina dos padres, recebida
e observada pela Igreja de Roma, nem aos cânones ou decretos dos
Papas; contudo, achava que tinha a liberdade bem para aprovar ou para
desaprovar aquelas opiniões de santo Tomás, Boaventura e
outros escolásticos e canonistas que não se baseavam em
texto algum".
O imperador Maximiliano estava igual de solícito que o Papa acerca
de deter a propagação das opiniões de Lutero na Saxônia,
que eram perturbadoras tanto para a Igreja como para o Império.
Por isso, Maximiliano escreveu a Leão uma carta datada em 5 de
agosto de 1518, pedindo-lhe que proibisse, por sua autoridade, estas inúteis,
desconsideradas e perigosas disputas; também lhe assegurava que
cumpriria estritamente em seu império tudo aquilo que Sua santidade
ordenasse.
Enquanto isso, Lutero, assim que soube o que estava-se executando acerca
dele em Roma, empregou todos os meios imagináveis para impedir
ser levado lá, e para obter que sua causa fosse ouvida na Alemanha.
O eleitor também se opunha a que Lutero fosse a Roma, e pediu ao
cardeal Caetano que pudesse ser ouvido diante dele, como legado do Papa
na Alemanha. Com isto, o Papa consentiu em que sua causa fosse julgada
diante do cardeal Caetano, a quem dera poderes para decidi-la.
Portanto, Lutero se dirigiu de imediato a Augsburgo, levando consigo cartas
do eleitos. Chegou lá em outubro de 1518, e, tendo-lhe dado seguridades,
foi admitido em presença do cardeal. Porém Lutero logo viu
que tinha mais a temer do cardeal que de disputas de qualquer tipo; por
isso, temendo um arresto se não se submetia, se retirou de Augsburgo
o dia vinte. Todavia, antes de partir, publicou uma apelação
formal ao Papa, e vendo-se protegido pelo eleitor, prosseguiu predicando
as mesmas doutrinas em Wittenberg, e enviou um desafio a todos os inquisidores
a que acudissem e contendessem com ele.
A respeito de Lutero, Miltitius, o assistente do Papa, tinha ordem de
demandar o eleitor que o obrigasse a desdizer-se, ou que lhe negasse sua
proteção; porém as coisas não poderiam ser
efetuadas com tanta soberba, sendo que o crédito de Lutero estava
demasiado bem estabelecido. Além disso, aconteceu que o imperador
Maximiliano morreu o 12 daquele mês, o que alterou muito o aspecto
das coisas, e deixou o eleitor mais capaz de decidir a sorte de Lutero.
Por isso, Miltitius pensou que o melhor seria ver que se poderia fazer
com meios limpos e gentis, e para este fim começou a conversar
com Lutero.
Durante todos estes acontecimentos a doutrina de Lutero foi-se espalhando
e prevalecendo muito; e ele mesmo recebeu alentos de sua terra e desde
fora. Por aquele tempo, os boêmios lhe enviaram um livro do célebre
John Huss, quem tinha caído mártir na obra da reforma, e
também cartas nas que o exortavam à constância e à
perseverança, reconhecendo que a teologia que ele ensinava era
a pura teologia, sã e ortodoxa. Muitos homens eruditos e eminentes
se puseram de sua parte.
Em 1519 teve uma célebre disputa em Leipzig com John Eccius. Mas
esta disputa terminou no final como todas as outras, não tendo-se
aproximado as posturas das partes em absoluto, senão que se sentiam
mais inimigos pessoais que antes.
Por volta do final desse ano, Lutero publicou um livro no qual defendia
que a Comunhão se celebrasse sob ambas espécies; isto foi
condenado pelo bispo de Misnia o 24 de janeiro de 1520.
Enquanto Lutero trabalhava para defender-se ante o novo imperador e os
bispos da Alemanha, Eccius tinha ido a Roma para pedir sua condena, o
qual, como poderá conceber-se, agora não seria tão
difícil de conseguir. O certo é que a contínua importunidade
dos adversários de Lutero ante Leão o levaram afinal a publicar
uma condena contra ele, e fez isto numa bula com data de 15 de junho de
1520. isto teve lugar na Alemanha, publicada ali por Eccius, quem a havia
solicitado a Roma, e que estava encarregado, junto com Jerônimo
Alessandro, pessoa eminente por sua erudição e eloqüência,
da execução da mesma. Enquanto isso, Carlos I da Espanha
e V da Alemanha, depois de ter resolvido suas dificuldades nos Países
Baixos, passou para a Alemanha, e foi coroado imperador o 21 de outubro
em Aquisgrão.
Martinho Lutero, depois de ter sido acusado por vez primeira em Roma em
Quinta-Feira Santa pela censura papal, se dirigiu pouco depois da Páscoa
para Worms, onde, comparecendo ante o imperador e todos os estados da
Alemanha, se manteve constante na verdade, se defendeu a si mesmo, e deu
respostas a seus adversários.
Lutero permaneceu alojado, bem obsequiado e visitado por muitos condes,
barões, cavalheiros da ordem, gentis-homens, sacerdotes e dos comuns,
que freqüentavam seu alojamento até a noite.
Veio, em contra das expectativas de muitos, tanto adversários como
amigos. Seus amigos deliberaram juntos, e muitos trataram de persuadi-lo
para não aventurar-se a tal perigo, considerando que tantas vezes
não se tinha respeitado a promessa feita de segurança. Ele,
após ter ouvido todas suas persuasões e conselhos, respondeu
deste jeito: "No que a mim respeita, já que me chamaram, estou
resolvido e certamente decidido a acudir a Worms, em nome de nosso Senhor
Jesus Cristo; sim, ainda que soubesse que há tantos demônios
para resistir-me ali como telhas para cobrir as casas de Worms".
No dia seguinte, o arauto o levou de seu alojamento até a corte
do imperador, onde ficou até as seis da tarde, porque os príncipes
estavam ocupados em graves consultas; estando ali, e rodeado de um grande
número de pessoas, e quase amassado por tanta multidão.
Depois, quando os príncipes sentaram, entrou Lutero e Eccius, o
oficial, falou da seguinte forma:
"Responde agora à demanda do Imperador. Manterás tu
todos os livros que reconheceste como teus, ou revogarás algumas
partes dos mesmos e te submeterás?"
Martinho Lutero respondeu modesta e humildemente, todavia não sem
uma certa firmeza e constância cristãs: "Considerando
que vossa soberana majestade e vossas honras demandam uma resposta direta,
isto digo e professo tão resolutamente como posso, sem dúvidas
nem sofisticações, que se não me convencerdes pelo
testemunho das Escrituras (porque não acredito nem no Papa nem
em seus Concílios gerais, que têm errado tantas vezes, e
que têm sido contraditórios entre si), minha consciência
está tão ligada e cativa por estas Escrituras e a Palavra
de Deus, que não me desdigo nem me posso desdizer de nada em absoluto,
considerando que não é nem piedoso nem legítimo fazer
nada em contra de minha consciência. Aqui estou e nisto descanso:
nada mais tenho a dizer. Que Deus tenha misericórdia de mim!"
Os príncipes consultaram entre si acerca desta resposta dada por
Lutero, e após terem interrogado diligentemente o mesmo, o pró-locutor
começou e interpelá-lo assim: "A Majestade Imperial
demanda de ti uma simples resposta, seja negativa, seja afirmativa, se
pretendes defender todos teus livros como cristãos ou não".
Então Lutero, dirigindo-se ao imperador e aos nobres, rogou-lhes
que não o forçassem a ceder contra sua consciência,
confirmada pelas Sagradas Escrituras, sem argumentos manifestos que alegassem
seus adversários. "Estou amarrado pelas Escrituras".
Antes de se dissolver a Dieta de Worms, Carlos V fez redigir um édito,
datado o 8 de maio, decretando que Martinho Lutero fosse, em conformidade
com a sentença do Papa, considerado desde então membro separado
da Igreja, cismático, e herege obstinado e notório. Enquanto
a bula de Leão X, executada por Carlos V trovejava por todo o Império,
Lutero foi encerrado a salvo no castelo de Wittenberg; mas cansado afinal
de seu retiro, voltou aparecer em público em Wittenberg o 6 de
março de 1522. depois de uma ausência de uns dez meses.
Lutero fez agora abertamente a guerra ao Papa e aos bispos; e a fim de
lograr que o povo menosprezasse a autoridade dos mesmos tanto como for
possível, escreveu um livro contra a bula do Papa, que outro contra
a Ordem, falsamente chamado "A Ordem Episcopal". Publicou também
uma tradução do Novo Testamento na língua alemã,
que foi posteriormente corrigida por ele mesmo e Melanchton.
Agora reinava a confissão na Alemanha, e não menos na Itália,
porque surgiu uma contenda entre o Papa e o Imperador, durante a qual
Roma foi tomada duas vezes, e o Papa feito prisioneiro. Enquanto os príncipes
estavam assim ocupados em suas mútuas pendências, Lutero
prosseguiu efetuando a obra da Reforma, opondo-se também aos papistas
e combatendo os anabatistas e outras seitas fanáticas que, aproveitando
seu enfrentamento com a Igreja de Roma, tinham surgido e estabelecido
em diversos lugares.
Em 1527, Lutero sofreu um ataque de coagulação do sangue
em volta do coração, que quase deu fim a sua vida. Parecendo
que as perturbações na Alemanha não tinham fim, o
Imperador viu-se obrigado a convocar uma dieta em Spira, em 1529, para
pedir a ajuda dos príncipes do império contra os turcos.
Quatorze cidades — Estrasburgo, Nuremberg, Ulm, Constanza, Retlingen,
Windsheim, Merumingen, Lindow, Kempten, Hailbron, Isny, Weissemburg, Norlingen,
St. Gal— se uniram contra o decreto da dieta, emitindo um protesto
que foi escrito e publicado em abril de 1529. Este foi o célebre
protesto que deu o nome de "Protestantes" aos reformadores na
Alemanha.
Depois disto, os príncipes protestantes empreenderam a formação
de uma aliança firme, e instruíram o eleitor da Saxônia
e seus aliados para aprovarem o que a Dieta tinha feito; porém
os deputados redigiram uma apelação, e os protestantes apresentaram
depois uma apologia por sua "Confissão", a famosa confissão
que tinha sido redigida pelo moderado Melanchton, como também a
apologia. Tudo isto foi assinado por vários dos príncipes,
e a Lutero não restou nada mais por fazer senão sentar-se
e contemplar a magna obra que se executara; porque que um único
monge puder dar à Igreja de Roma um golpe tão rude que se
necessitasse somente de mais um parecido para derrubá-la de vez,
bem pode considerar-se uma magna obra.
Em 1533 Lutero escreveu uma epístola consoladora aos cidadãos
de Oschatz, que tinham sofrido algumas penalidades por terem aderido à
confissão de fé de Augsburgo; e em 1534 se imprimiu a Bíblia
que ele havia traduzido ao alemão, como o mostra o antigo privilégio
datado em Bibliópole, de mão do próprio eleitor,
e foi publicada no ano seguinte. Também naquele ano publicou um
livro: "Contra as Missas e a Consagração dos Sacerdotes".
Em fevereiro de 1537 se celebrou uma assembléia em Smalkalda acerca
de questões religiosas, à qual foram chamados Lutero e Melanchton.
Nesta reunião Lutero caiu tão doente que não havia
esperanças de sua recuperação. Enquanto o levavam
de volta escreveu seu testamento, no qual legada seu desdém pelo
papado a seus amigos e irmãos. E assim esteve ativo até
sua morte, em 1546.
Naquele ano, acompanhado por Melanchton, tinha visitado seu próprio
país, que não tinha vito por muitos anos, e voltara são
e salvo. Porém, pouco depois foi chamado de novo pelos condes de
Masfelt, para que arbitrasse umas diferenças que tinham surgido
acerca de seus limites, e ao chegar foi recebido por mais de uma centena
de cavalheiros, e conduzido de forma sumamente honrosa. Mas naquele tempo
adoeceu tão violentamente que se temeu pudesse morrer. Disse então
que estes ataques de doença sempre lhe sobrevinham quando tinha
uma grande obra para empreender. Todavia, nesta ocasião não
se recuperou, e morreu o 18 de fevereiro, à idade de setenta e
três anos. Pouco antes de expirar, admoestou àqueles que
estavam a sua volta para que orassem pela propagação do
Evangelho, "porque o Concílio de Trento", disse-lhes,
"que teve uma ou duas sessões, e o Papa, inventarão
estranhas coisas contra ele". Sentindo que se aproximava o fatal
desenlace, antes das nove da manhã se encomendou a Deus com esta
devota oração: "Meu Pai celestial, Deus eterno e misericordioso!
Tu me manifestaste teu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. O tenho
ensinado, o tenho conhecido; o amo como a minha vida, minha saúde
e minha redenção, Àquele a quem os malvados perseguiram,
caluniaram e afligiram com vitupérios. Leva minha alma a Ti".
Por disto disse o que se segue, repetindo-o três vezes: "Em
tuas mãos encomendo meu espírito, Tu me remiste, oh Deus
da verdade! Porque de tal forma amou Deus ao mundo, que deu seu Filho
unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça,
mas tenha vida eterna". Tendo repetido suas orações
várias vezes, foi chamado a Deus. assim, orando, sua limpa alma
foi separada pacificamente do corpo terreno.
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