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SUMÔ

Aos olhos leigos, o sumô não vai além de um combate até certo ponto estático, pela aparente igualdade de forças dos lutadores, e que surpreende pela rapidez do golpe com que um dos contendores derruba o outro e vence.
Luta, na verdade, não serve como definição do sumô. Mais que arte marcial, o sumô tem facetas essenciais da religião, filosofia e história do Japão. Afinal, os "rikishi" (os lutadores de sumô) são vistos como modernos samurais, os legendários grerreiros do Japão feudal. Mas é inegável que hoje esta auréola romântica em torno dos "rikishi" perdeu encanto, embora os ritos de preparação e execução do sumô ainda sejam seguidos à risca. A razão é que, até hoje, os "rikishi" lutam sob patrocínio de entidades políticas ou empresas, que podiam pagar até o ano de 1980 mais de Cr$ 500 mil por vitória, isto é, até 1980, imaginem quanto pagam hoje em dia, então!
Os historiadores não vacilam em apontar no sumô a própria essência do Japão. Afinal, ele tem raízes, como todos os costumes nipônicos, na época feudal e no xintoísmo - religião nativa que ainda se mantém, apesar do budismo, e que prega a reverência à natureza e aos antepassados. Os livros dão que o primeiro combate de sumô aconteceu em 23 a.C., e Sukune foi o vencedor, tornando-se o deus protetor dos lutadores. E como falamos em feudalismo, não custa relembrar que foi a época de ouro dos samurais, de cujo treinamento o sumô fazia parte.
Depois do período feudal, o sumô só voltou aos torneios nacionais em 1624, e até hoje a luta figura entre os campeões de bilheteria. Nos seis campeonatos anuais, a média de público é de 15 mil pessoas, com boa percentagem feminina.
Apesar de ídolos, os "rikishi" levam vida de monge. São confinados em alojamentos, sob a guarda de um supervisor, onde comem, dormem e treinam por uns 15 anos. Nestes alojamentos, os lutadores, numa herança do feudalismo, juram fidelidade aos líderes mais velhos e os aprendizes passam por agruras como dormir menos e fazer as tarefas mais duras. E para chegarem ao peso ideal (superior a 150 Kg), os "rikishi", que tem 1,80m em média, devem comer grandes quantidades de alimentos, o que lhes traz graves danos à saúde. Tanto que a maioria morre cedo, entre os 49 e 58 anos.
Apesar da compleição dos "rikishi", o sumô não é violento. O objetivo é forçar o oponente para fora do ringue ou tentar encostar no chão qualquer parte do seu corpo que não sejam os pés. Se um deles se machuca, a luta é suspensa até sua recuperação.
Mais interessante ainda é o ritual de preparação. Na véspera do torneio, o ringue é abençoado por sacerdotes xintoístas. E antes da luta, o juíz chega, em quimono de seda, empunhando uma espada samurai. Os lutadores surgem com um avental que vai até os joelhos, espalham sal pelo ringue, para purificá-lo, e batem forte seus pés no chão de argila, para se aquecerem e espantarem os maus espíritos.
Depois limpam a boca com água e se despem, ficando apenas com uma faixa de seda que cobre só as partes íntimas. A luta começa sem eles se tocarem com as mãos. De repente, como se fosse combinado, um agarra a faixa do outro. Daí em diante é uma questão de força e agilidade mental até o golpe que derrubará em segundos o adversário.

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