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O homem sempre teve inveja e quis imitar os pássaros e animais que graciosamente podiam voar. O primeiro que se tem notícia e que se imortalizou por seu atrevimento foi Ícaro que, improvisado em elegantes asas de cera, não resistiu aos apelos da vaidade e mergulhou rumo ao sul tendo caído de uma altura proporcional à sua ousadia. Júlio Verne já fantasiava em "Cinco semanas num balão" todas as peripécias de uma viagem incômoda, porém fascinante. E, os olhos de todo o Brasil acompanharam incrédulos as manobras do dirigível Zeppelin ao redor de sabiás e palmeiras da nossa terra. Até um grande sucesso de bilheteria, "A volta do mundo em 80 dias", de Vicent Minelli, mereceu os aplausos dos que ficaram em terra.
Na verdade, o homem nunca se conformou com a idéia de ficar com os pés no chão e tentou por todos os meios burlar a vigilância dos próprios pássaros.
E uma das formas que encontrou para dar vazão às suas aspirações foi o balão a gás. Eles são manobrados regulando-se a temperatura do ar que fica acumulado dentro de um enorme "envelope" aquecido. Essa temperatura, sob controle, faz com que o balão ganhe ou perca altura.
As competições são baseadas no tempo de duração do vôo, na altura conseguida ou no sucesso de uma jornada de determinada distância ou região.
Os balões de ar quente variam em tamanhos de 566 a 3.979 m3. O envelope ou bojo é feito de nylon ou dacron leve, mas muito forte, especialmente tratado para tornar-se impermeável e resistente ao calor do sol. Ele tem dois controles; um é a entrada de ar frio que pode ser aberta em vôo para deixar sair o ar quente e é operada por uma linha que fecha a válvula automaticamente; outro é uma área de tecido que pode ser rasgada formando uma enorme seção no alto do bojo, usada para esvaziar completamente o balão quando no chão. O bojo é conectado por fios metálicos e uma cesta que o matém a uma distância segura, longe das chamas. A cesta é feita de ramos de salgueiro, rotim (uma espécie de palmeira) ou vime, entremeados com fios de metal. A corda é feita de nylon trançado e mede entre 45 e 91 cm. Age como um breque estabilizador na aterrissagem.
O gás é carregado em cilindros leves, presos no interior da cesta e são operados por uma válvula de abrir e fechar, sendo usados cada um separadamente. O fogo, localizado logo acima da cabeça é alimentado por um jato constante de seis tubos de saída.
O equipamento inclui mapas, altimetros, compasso, variômetro elétrico, termômetro de temperatura ambiente, um mastro cilíndrico, etc.
Os balões podem carregar no máximo 6 pessoas, incluindo o piloto. Outros membros da tripulação podem ter funções especiais como navegação, controle de instrumentos, etc.
Para o lançamento, o balão deve ser estendido com a cesta ao seu lado e o bojo sem nenhum ar. O gargalo do balão é então agitado para capturar um pouco de ar à volta e em seguida é seguro de maneira que forme uma larga abertura. O fogo é aceso esquentando o ar de dentro do balão e levando-o assim a tomar a posição vertical.
Os movimentos do balão são determinados pelas condições atmosféricas. Os ventos variam de acordo com a altitude e o balão pode ser governado mudando-se a altitude pelo controle do fogo. É necessário mais combustível para se ganhar altura e bem menos para perdê-la. A entrada de ar pode ser usada para esfriar o ar mais rapidamente. Os balões podem voar até uma altitude de 35 mil pés (10,670m). As aterrissagens devem ser feitas na direção do vento, sendo que o balão não poderá ser levado para a direita ou esquerda. A abordagem é controlada usando-se o fogo e o vento frio. A corda de segurança deve ser usada para brecar e estabilizar o balão enquanto a aterrissagem deve se realizar com um mínimo de velocidade vertical possível.