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Com alguns ajustes, tal como correr e saltar, a natação entrou na agenda das Olimpíadas como resultado de um trajetória que começa na pré-história. Trocando em miúdos, o homem é o único mamífero que nasce sem saber nadar. Aprender isso, além de ser um modo de se integrar ao meio ambiente, também era uma saída de sobrevivência para escapar de uma ameaça ou por precisar cruzar a margem para buscar alimentos.
Num processo de evolução natural, a natação ingressou como complemento na educação. No Egito dos faraós, era status entre a nobreza ter professores de natação para a filharada. Na Grécia Antiga, por seu turno, Platão deitava a regra que só considerava bem educado o homem que soubesse ler e nadar (natural, portanto, que a natação fosse disputada nos Jogos Istmicos em honra a Poseidon - deus do mar). Já na Roma dos Césares, era comum piscinas com até 100m de comprido. E na Idade Média, era crença corrente que nadar era santo remédio contra a peste e cia. Crença renegada só no início do nosso século, pois, em 1837, ainda existiam seis piscinas em Londres, especialmente recomendadas para fins medicinais.
Com tal "pedigree" era natural o ingresso da natação nas Olimpíadas, que se deu a partir de 1896, durante o surto de renovação no perfil do torneio. E de lá para cá, a natação evoluiu que foi um despropósito. Só para um toque, vejam só que nos Jogos de 1896 (Atenas), havia uma prova de 100m no mar, para as tripulações dos navios de guerra ancorados no porto de Pireu. E nas Olimpíadas de Paris (1900), o folclore da natação, se enriqueceu com uma prova de 60m debaixo d'água.
Em 1904, com a revolução do estilo crawl, até então desconhecido e inventado por nadadores havaianos, foi feita uma regulamentação da natação. Foram separados os estilos; nado livre (crawl), clássico (peito) e costas. E só em 1956 é que as Olimpíadas passaram a contar com o nado borboleta.
O que importa nisto tudo é que a natação de hoje e a de 80 anos atrás não diferem só nos estilos, mas, sobretudo, no preparo do atleta. Na prática, Alfred Llajos, recordista dos 100m livres em 1896, treinava na baia de Zea, naquele porto do Pireu, na Grécia. Depois, o sul-africano Jonty Skinner, foi recordista na mesma categoria, treinava numa piscina própria para competições.
Some-se a isto o próprio treinamento científico, como é chamado. Ele inclui desde controle alimentar do atleta até macetes como raspar os pelos do corpo para deslizar melhor na água. Foi com um esboço deste treino que Johnny Weeissmuller, o Tarzan do cinema, quebrou a barreira do minuto, nadando 100m em 59s. O recorde de Skinner andava 10s abaixo. Vem daí o rótulo de supernadadores, na idade ideal de 15 a 20 anos, e cujos protótipos, ditados principalmente pelos EUA, Alemanha e URSS, tem sua glória máxima no recorde mundial nos Jogos onde uma prova pode ser ganha pela diferença dos décimos de segundo na última batida de mão.