Filosofia

 

 

 

 

 

 

FILOSOFIA

O QUE É NATUROSOFIA?

Naturosofia significa «Sabedoria da Natureza»!

Natureza é tudo, tendo em conta que até o que se designa por “anti–natural” tem origem na Natureza.

Todos os que mereceram o título de Sábios não fizeram outra coisa do que atingir uma maior compreensão da origem, razão de ser, e actuação, das Leis Cósmicas que deram origem e mantêm a Natureza e a Vida.

A compreensão dos mistérios que nos rodeiam é, sem dúvida, o caminho obrigatório a seguir pelos que pretendem transcender as limitações a que se sujeitam as massas ignorantes, sempre passíveis de se deixar levar pela corrente da imbecilidade colectiva. (Apolónio Alagni).

A Naturosofia pesquisa, divulga, e aplica tudo o que se harmoniza com as Leis da Natureza e, consequentemente, com a moral biológica (que Hipócrates bem explicitou no célebre aforismo:...antes que tudo, não prejudicar”).

Quando aplicada à Medicina, terá em consideração que tudo na Natureza vive e pulsa, sem haver lugar para a estagnação. Por isso, a cura terá que ser sempre um processo dinâmico e de plena interacção entre a natureza e o enfermo, sem recurso a substâncias sintéticas, que insultam a Sabedoria da Natureza (e de cuja afronta ela geralmente se liberta eliminando o enfermo, depois de o ter feito passar por grandes e longos sofrimentos).

O que queremos dizer, é que a cura deve ser essencialmente um processo de mudança e de ruptura com a forma errada de viver e de encarar a vida.

A prática Naturosófica conduz ao discernimento puro, livre de preconceitos, o qual, aplicado a todos os ramos do saber, liberta a humanidade das intrujices que estão convencionadas como “verdades”. De facto, são muito poucos os que reconhecem a grande mentira...

É fácil (e tentador) deixarmo-nos levar pela corrente. Contrariá-la e resistir-lhe é que exige muito esforço e persistência!!!

De entre os males humanos, o mais pernicioso é a ignorância – única verdadeira causa de todas as tragédias físicas e morais –, e as enfermidades não são outra coisa do que o resultado dos erros de conduta. Por outras palavras: ignorância acerca da forma correcta de viver.

Isto não tem a ver com graus académicos, mas apenas com discernimento!

Consideramos duas formas básicas de encarar a Vida: a convencional (aleatória, sem filosofia nem moral, dominada por preconceitos temporais como a moda e a personalidade, onde tudo é permitido, desde que seja legal, mesmo defendendo mesquinhos interesses egoístas, não importando se alguém ficou triste) e a filosófica (objectivada, disciplinada, moralizada, individualizada, altruísta e filantrópica), ou seja, os que são iguais a todos os outros, sem possuir uma verdadeira individualidade (ou identidade pura), deixando o colectivo imperar sobre eles, e os que estão para além das convenções e querem conhecer a origem e o significado de todo este imenso cenário com que nos deparamos e do qual somos parte indissociável – o Universo (uno+versus) –, ocupando-se da história e da evolução do homem, da origem e justificação das suas filosofias e religiões, das ciências que o materialismo forçou ao esquecimento, da evolução do pensamento, e de todos os sinais de «inteligência» detectáveis neste grão de poeira cósmica onde vivemos (e também fora dele). Nesta perspectiva, o colectivo corresponde a uma monstruosa aberração, composta pelo conjunto das aberrações que a sociedade inculcou na personalidade dos elementos que a constituem, e a cada indivíduo compete descobrir o que, afinal, está à vista de todos, embora sejam raros os que vêem. É uma descoberta pessoal, que ninguém pode fazer por outro. Mesmo que o quisesse não conseguiria.

Em vez de se fazerem campanhas de obscurecimento do discernimento, para colectivizar ideologias (fazer “encarneirar”), deveria pedir-se encarecidamente às pessoas que nunca se deixassem influenciar por ninguém, e nada decidissem antes de ter a absoluta certeza de que é mesmo o que lhes interessa.

Por último, é necessário compreender, respeitar e nivelar a diferença (ideológica, laboral, étnica, académica, ou outra), como um direito acima de todos os valores, sendo impossível o estabelecimento dos lapidares conceitos de Liberdade, Igualdade, Fraternidade, Felicidade, Paz e Saúde, enquanto um único elemento da Sociedade for considerado de menor importância. Isto também é causa de doença (já se vai falando de causas sociais da enfermidade!!!)... e uma causa que, desde o alvorecer da humanidade, tem sido mantida pela força de poderosos (e maldosos) interesses.

Como é impossível colectivizar uma solução, a pseudo–solução política nunca resultou em parte nenhuma do mundo.

O “meter tudo no mesmo saco” está fora de questão! Cada um tem que encontrar a sua própria solução, mediante o estudo e a prática que conduzem ao seu próprio desenvolvimento interior. Para mudar o mundo, é preciso mudar cada um de nós, individualmente!

 

A SOCIEDADE MODERNA COMO FONTE DE INSANIDADE

Toda a civilização que assente os seus fundamentos na negação dos princípios mais elementares do homem – instintos, desejos, possibilidades e necessidades biológicas –, irracionaliza a estrutura humana, destrói o equilíbrio interno e brutaliza as faculdades de adaptação. Assim como faz com a domesticação de animais, que retira ao meio natural e transforma em seres semi–inválidos, faz o homem a si próprio, permitindo-se a auto–domesticação civilizacional, e transformando-se num Ser falido, nos aspectos físico, psíquico e moral. A natureza não nos concebeu para participar na estúpida e irracional competição da economia–dinheiro – um jogo viciado à partida, porque há os que já nasceram ricos e aqueles que nem têm dinheiro para uma única jogada (limitando-se a limpar o lixo que os outros fazem).

“...aqueles que são capazes de reflectir tornam-se infelizes...” (afirmou Alexis Carrel (pág. 50 da edição de 1989, Publicações Europa América, da obra O Homem, Esse Desconhecido) ao referir-se às classes mais desfavorecidas) – um contexto muito próximo das nossas observações.

Para muitos investigadores, Carrel foi o descobridor dos inconvenientes da alteração da forma de viver dos Seres humanos, e não há dúvida de que foi capaz de os evidenciar e desenvolver com excelente e irrefutável argumentação, resultantes da sua sabedoria. Tratava-se de uma tese emanada da pena de uma autoridade inquestionável – um prémio Nobel da medicina. Mas o facto é que os escritores naturistas já haviam expressado estas ideias antes dele.

Não nos esqueçamos de que as leis que regem a Vida são as mesmas tanto no estado de saúde como no de morbidez. Aquilo que observamos na domesticação dos animais – as atrofias que lhes causamos – faz a sociedade ao homem, pela programação a que o submete, e todo o homem são é um potencial enfermo, enquanto nada fizer para remar contra a torrente que o projecta para o abismo.

Substâncias tão perigosas como o álcool e o tabaco, que constituem terríveis venenos e sérias causas do encurtamento da vida, chegam a ser apresentadas como aceitáveis dentro de um consumo moderado. Para a Ciência Tradicional (não a convencional), é costume chamarem-se as coisas pelos seus nomes, tanto mais quando se trata de venenos, sabendo-se quão escorregadia é a rampa que vai do uso ao abuso – ambos perigosos. Podemos considerar, por exemplo, que a maior parte dos alcoólicos são pessoas que não se embriagam, e mesmo assim não estão menos livres das cirroses, problemas cardiovasculares, metabólicos, e outros transtornos latentes. E se estamos a falar de tóxicos, porque não incluir a “aspirinomania”, já que se usa e abusa dos anti-nevrálgicos, que ainda por cima são de venda livre e retiram a dor sem que a pessoa precise de se redefinir dos seus costumes e possa assim insistir teimosamente em manter os mesmos hábitos de vida, aberrantes e irracionais, que estão na origem da dor.

Falámos dos tóxicos químicos, mas também os há noutras fontes, como o ruído – simultaneamente destruidor do sistema nervoso, e envenenador do espírito – e bem assim a literatura e os espectáculos de baixo nível ou mesmo degradantes, a paixão do dinheiro, do jogo e todos os excessos de prazeres insanos.

 

INCONVENIENTES DA ACÇÃO DO HOMEM NA NATUREZA

Domesticação de Animais

Todos os Seres Vivos da natureza, quando em estado de plena liberdade, mantêm o apogeu das suas capacidades e funções até muito próximo do limite da sua longa existência. Ao retirarmos um animal do seu estado selvagem para o submetermos à domesticação, o que fazemos é trocar as suas capacidades e instintos de sobrevivência pelas nossas mesquinhas fantasias e inadaptações, transformando-o num ser enfraquecido, dependente e susceptível de adoecer, tal como nós. As aves, por exemplo, do que são uma boa referência as migratórias como o pato e o ganso, conseguem manter-se em voo durante muito tempo, percorrer extensas distâncias sem se cansar, e exibir uma admirável inteligência quando vivem no seu estado de seres livres; depois de terem sido submetidos à vida em cativeiro, domesticados, estes animais perdem a capacidade de voo, tornam-se pesados, e o seu comportamento já não revela sinais de qualquer traço de inteligência.

Nos antropóides como o macaco, pela sua maior afinidade biológica com o homem, o que se passa é ainda mais desolador, verificando-se que em cativeiro contrai doenças semelhantes às nossas, muito em especial a tuberculose, coisas que não sucedem quando vive nas florestas, a saltar agilmente de árvore em árvore, com plena liberdade para seleccionar os frutos que mais lhe agradam.

Os que defendem a piscicultura, acreditam não estar a prejudicar a natureza das espécies, por se manter a integridade do meio, mas o que verificamos (por exemplo no caso das trutas) é que o viveiro as faz perder a vivacidade, o brilho, os reflexos luminosos, a agilidade e toda a maioria das reacções que podem observar-se na sua luta com as correntes naturais, quando em liberdade absoluta.

Concluímos com facilidade que o Ser humano envelhece e torna-se decrépito precocemente, e que ao interferir com a natureza lhe destrói a capacidade de conservação e resistência. Sem a proximidade do homem, os animais apenas têm que saber lidar com os parasitas que lhes são próprios, e qualquer hipótese de morte antecipada tem mais a ver com acidentes ou combates do que com enfermidades.

Observação da Vida dos Povos “Incivilizados”

Através dos relatos que nos deixaram alguns dos mais inteligentes e perspicazes exploradores, soubemos da beleza e da harmonia anatómica de alguns dos povos que ainda beneficiam do afastamento da civilização, e que conseguem por isso manter a sua forma natural de vida.

As necessidades inerentes à luta pela sobrevivência e conservação, conduzem-nos a uma permanente actividade, moderada, que não vai muito além da colheita de frutos para alimentação e à captura (esporádica) de uma peça de caça ou de algum peixe. Na construção de abrigos, todos colaboram, e a tarefa acaba por não exigir grande esforço para ninguém. Esta vida calma e despreocupada, com exercício regular e não cansativo, conduz à posse de corpos esculturais, fortes e decididos, e a um equilíbrio psicológico gerador da felicidade e da alegria (que os civilizados duvidam que possa existir).

Hebertismo

Um dos maiores entusiastas dos modelos naturais de vida foi Georges Hébert, a quem devemos a codificação de um método – o Hebertismo – que pretende harmonizar o homem com a natureza através da associação de exercícios físicos moderados e de uma doutrina prática, conducente à educação integral, do qual resultam efeitos físicos e morais, ou seja, psicofísicos.

Georges Hébert foi um pedagogo francês, criador de um (já referido) método de educação física, radicalmente oposto à chamada ginástica, e que consiste na execução de exercícios que reproduzam os movimentos naturais do Ser humano.

O organismo é comparável a um motor que desenvolve habitualmente tal potência e atinge excepcionalmente tal máximo. A ignorância da força do motor humano tem, por consequência, a sua utilização defeituosa sob o ponto de vista do rendimento no trabalho. Em certos casos, pede-se ao organismo para produzir esforços por demais intensos para as suas forças, o que o deteriora rapidamente; em outros casos, ao contrário, não se lhe faz produzir senão esforços muito fracos, isto é, utiliza-se dele incompletamente”. (G. Hébert – “O Código da Força”).

O Hebertismo é um dos métodos que melhores, mais seguros e mais rápidos resultados práticos permite observar.

Enquanto o civilizado não admitir a sua ignorância das leis da vida e nada fizer para se livrar da aberrante situação que teima em manter, continuarão a fazer-se sentir entre os homens a doença, a maldade, a inveja, a ganância, a prepotência, a vingança, a perfídia, a perversidade, a arrogância, a mentira, a calúnia, o orgulho, o ódio, o vício e o roubo. Isto acontece, paradoxalmente, entre os que se crêem com melhor “saúde” – os civilizados –, sendo esta irracional convicção um dos aspectos da manifestação do seu desequilíbrio psicofísico.

 

PRINCÍPIOS NATUROSÓFICOS

1.      A vida de todos os seres vivos é regida pelas leis naturais que a influenciam, condicionam e determinam;

2.      O conhecimento das leis naturais permite estabelecer princípios morais de carácter universal, relativos aos direitos individuais de conservação e pleno desfrute da existência;

3.      Os meios naturais de vida são extensivos a todos os seres vivos e susceptíveis de adopção por todos os homens, sem prejuízo de qualquer filosofia ou crença doutrinária;

4.      Na distinção entre o bem e do mal, podemos localizar o bem entre os factores que favorecem os direitos individuais de conservação e pleno desfrute da existência, dentro do maior respeito e da mais elevada moral, e o mal em tudo aquilo que possa criar obstáculos aos objectivos atrás delineados;

5.      A saúde resulta da correcta satisfação das necessidades biológicas e morais, o que se traduz no respeito pelas Leis Naturais;

6.      A enfermidade consiste no efeito da reacção de defesa/adaptação, perante condições de vida incorrectas, e representa “o pagamento de uma dívida contraída com a natureza”;

7.      Como advertências cada vez mais “coercivas”, os sintomas das enfermidades agravam-se quando não são levados a sério ou se tentam “silenciar” com drogas sintéticas, em vez de se proceder à alteração da conduta;

8.      Encontram-se entre as seguintes, as mais frequentes causas das enfermidades humanas:

a)      Introdução no organismo de morbosidades ou venenos;

b)      Adopção de alimentos fisiologicamente incorrectos para o ser humano;

c)      Ingestão de alimentos em quantidade excessiva ou em combinações impróprias;

d)      Consumo de bebidas alcoólicas;

e)      Uso de tabaco, drogas e fármacos;

f)        Falta de descanso;

g)      Ausência de exercício físico;

h)      Respiração incorrecta;

i)        Inalação de ar viciado ou tóxico;

j)        Vestuário elaborado com matérias sintéticas;

k)      Manipulação profissional de substâncias perigosas;

l)        Mau ambiente familiar ou profissional;

m)   Má higiene corporal externa.

n)      Excesso ou carência de exposição à luz solar.

o)      Enfim, a ignorância, o erro, a vaidade, o egoísmo, o vício, o preconceito, as rotinas, os excessos e as carências;

9.      A dor representa o alarme que nos avisa de que algo corre mal, e não deve ser suprimida com analgésicos ou anestésicos sintéticos (o reino vegetal possui substâncias com poder analgésico dezenas de vezes mais potente do que qualquer produto de síntese, e com a vantagem de não deixar resíduos tóxicos no organismo);

10.      Em vez de se tentar suprimir o mal, assim como a benéfica dor que o denuncia, devem-se suprimir as causas que estão na origem desse mal – única forma de o fazer desaparecer, e com ele a dor, além de se evitar a ocorrência de maiores perigos;

11.      O critério hipocrático “...não há enfermidades, apenas enfermos...”, encerra uma verdade na qual devemos reflectir;

12.      Existe no corpo uma unidade funcional orgânica, com tendência à perfeita harmonia fisiológica entre todas as funções;

13.      Não existem males exclusivamente locais, porque todos afectam o conjunto, assim como também não há males gerais que não afectem a parte, sendo qualquer sinal ou sintoma local o reflexo de reacções defensivas de todo o organismo;

14.      Toda a enfermidade tende a curar-se, pelo efeito da força vital – a mesma vis naturœ medicatrix, a que se referia Hipócrates;

15.      É a força vital individual que determina a capacidade de defesa e de adaptação, assim como a possibilidade de cura;

16.      A aplicação de drogas e tratamentos anti-naturais debilita a força vital e reduz a incidência e intensidade das absolutamente necessárias crises curativas – catarrais, febris ou eruptivas – incorrectamente designadas por “ataques”;

17.      Entende-se por higiene natural o cultivo da saúde através da harmonização com as condições naturais de vida e a utilização dos agentes naturais;

18.      A vacinação e outras formas de imunização artificial, deterioram o terreno orgânico e debilitam a saúde;

19.      Os elementos vitais que conservam a saúde são também os mais indicados para a recuperar;

20.      O terapeuta deve limitar-se ao papel de fiel intérprete e simples auxiliar da acção curativa da natureza;

21.      Todas as modificações da alimentação devem subordinar-se às características e capacidades metabólicas individuais, temperamentos, vitalidade e idade;

22.      Entre os procedimentos a adoptar, para auxiliar a cura, pode incluir-se a indução da auto-sugestão, cujo papel é geralmente muito importante;

23.      Qualquer doente recuperado conserva a predisposição a adoecer de novo, sempre que se repitam as causas que originaram a enfermidade;

24.      Para além de conduzir o enfermo à cura, cabe ao terapeuta adverti-lo dos riscos que correrá se descurar as normas de conduta que o levaram à recuperação da saúde;

25.      Cada indivíduo deve tornar-se o seu próprio médico e mestre, usando o discernimento como guia seguro, e nunca deixando que se instale a vaidade – uma perigosa causa de enfermidade;

26.      Saber, é sabedoria; crer que se sabe, é ignorância;

27.      Quando não existe uma rigorosa certeza na identificação de um problema, deve existir a suficiente humildade para recorrer a quem se encontre capacitado; é inaceitável e condenável que alguém sem conhecimentos suficientes pretenda guiar outros;

28.      Na origem dos estados enfermos não devemos procurar apenas causas físicas, mas também psíquicas;

29.      As sugestões, desejos, aspirações, auto-sugestões, desenganos, preocupações, alegrias, desgostos, amores e ódios, sentimentos de valor ou de temor, etc. gravam impressões no subconsciente, as quais são irradiadas através da imaginação e do pensamento, modelando a personalidade;

30.      O idealismo repercute sobre o consciente e nele influi em grau variável, afectando a vida vegetativa e a imaginação, e, por conseguinte, dirigindo os actos e modelando a conduta e a vida de relação do indivíduo;

31.      Muitas curas foram produzidas por auto-sugestão, e continuam a sê-lo, mas não deve ser aceite a generalização dos sistemas de cura psíquica, como é o caso da Christian Science;

32.      Tanto em estado de saúde como de enfermidade, é essencial uma cuidadosa selecção de todas as impressões, relações, e estudos

33.      A música influencia, favorável ou desfavoravelmente, sendo excitante ou calmante, tal como as cores, que exercem influência no sistema nervoso, conhecendo-se, por exemplo, a acção excitante do vermelho e do violeta, ao contrário da acção calmante do amarelo e do verde;

34.      A maior parte das neuroses têm origem psíquica e repercutem-se sobre o corpo e os seus órgãos,

35.      A libido exerce influencia sobre as enfermidades, tal como o demonstrou a Psicanálise;

36.      A vida social, com as sugestões e preocupações que gera, influi em simultâneo sobre os aspectos moral e físico do indivíduo;

37.      A sociedade garante, até certo ponto, a segurança, e facilita a cultura, mas aumenta a dependência individual, faz perder iniciativas e é causa de degeneração e debilitação das energias e do carácter;

38.      Sem a proeminência do factor individual não pode haver verdadeiro progresso social;

39.      A saúde, a harmonia e a paz entre os homens estão condicionadas aos esforços que cada indivíduo seja capaz de empreender para operar em conformidade com as leis naturais;

40.      As grandes concentrações urbanas justificaram-se em determinado período histórico, para acelerar o desenvolvimento cultural da humanidade, mas influem actualmente de forma mórbida e no sentido contrário ao do progresso da civilização;

41.      A maior segurança da vida da cidade é falsa, pelos numerosos acidentes de tráfego, pelos acidentes laborais nas indústrias e fábricas; pelas vítimas da ditadura da moda: emagrecimento e tuberculose, pelo cancro, a sida, a sífilis e a demência, pela atmosfera quase irrespirável, a agitação, os ruídos, as adulterações dos produtos de consumo determinadas pela sede de lucro, os assaltos, os homicídios e as violações;

42.      A rapidez das comunicações, os computadores em rede internacional, o cinema, a televisão, a rádio e todas as grandes facilidades de difusão cultural, reúnem o conjunto de condições que permitiriam descentralizar as cidades e remodelar as partes existentes, com ruas e avenidas largas, casas com ginásio e solário, amplos arvoredos, parques e jardins com espaços livres em cada bairro, para que pequenos e grandes pudessem dedicar-se diariamente à cura de ar e de movimento;

43.      O objectivo de uma “civilização” verdadeiramente digna de assim se classificar, deve consistir no esforço conjunto para a libertação individual;

44.      Só o espírito global de grupo permitirá eliminar todas as causas de enfermidade, proporcionar a abundância e assegurar a paz;

45.      São o egoísmo e a rotina os factores responsáveis pela anacrónica e absurda organização social onde existem os paradoxos de opulência, para quem pouco se esforça, e da miséria, para quem se farta de trabalhar e nunca consegue o suficiente para viver condignamente;

46.      A ganância produz um estúpido conceito de paz, com exércitos cada vez mais armados, e cada vez maiores perigos de guerras destruidoras;

47.      A luta pela vida deveria ser substituída pela maior cooperação de cada um para o maior bem de todos, como único meio de acabar definitivamente com a competição, a exploração e a guerra;

48.      Todo o atentado à liberdade individual é contrário à essência da sociedade e da civilização;

49.      O desenvolvimento do sentimento acompanha o da consciência, na necessidade de amar e respeitar a liberdade e a integridade da personalidade dos outros, tal como desejamos que seja respeitada a nossa;

50.      Nenhuma crueldade contra outros seres pode produzir efeitos úteis para nós;

51.      A experimentação viviseccionista é condenável, e tudo o que é verdadeiramente positivo da ciência médica já era conhecido de Hipócrates, há mais de dois mil anos, sem ter sido praticada vivissecção e nem sequer dissecção alguma;

52.      Tal como já afirmavam os estóicos, “...dentro das necessidades, distinguem-se três classes”:

A)     Primeiro, o indispensável, quase sempre fácil de conseguir;

B)     Segundo, o supérfluo, que restringe a própria liberdade sem prejudicar outros;

C)    Terceiro, os vícios, que escravizam e prejudicam o viciado e aos que o rodeiam, sem proveito de ninguém;

53.      O homem inteligente sabe contentar-se, habitualmente, com o indispensável; aceita acidentalmente algo supérfluo, mas evita sempre cair em vícios. Conserva assim a sua liberdade e a sua saúde, que são os verdadeiros bens;

54.      Consistindo a felicidade em ver preenchidos os próprios desejos, será indiscutivelmente mais feliz quem se contente com pouco, do que o escravo das necessidades fictícias;

55.      Há necessidade de harmonizar a Filosofia com a Ciência, para que se reformulem o modo de pensar, de viver, e de curar, e para que possa surgir uma verdadeira humanidade, com saúde, paz, e garantia do triunfo definitivo da civilização;

56.      É urgente libertar a personalidade humana de preconceitos, para o pleno desenvolvimento de uma maior inteligência;

57.      Deve-se orientar a atenção e a acção para a harmonia com as Leis Naturais de Vida Sã, assegurando-se assim o vigor, a beleza e a saúde do corpo humano;

58.      Só o amor à vida e à saúde nos aproximará da compreensão do Grande Princípio de Unidade e Solidariedade Humanas;

59.     Devemos realizar a cada instante uma acção consciente e decidida para uma maior expansão e o perfeito domínio da nossa própria individualidade.

 

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