Mouni Sadhu e a Meditação
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Ricardo B. Ivanov 2007

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Mouni Sadhu foi um místico que viveu na Índia. Lá, pôde vivenciar e interiorizar a sabedoria do Universo em si mesmo, e quando carregou sua bateria espiritual, adquirindo alta voltagem, em seguida descarregou-a em amperagem, auxiliando e orientando várias pessoas com seus livros e ensinamentos.

Aqui, fragmentos retirados de um livro seu estão presentes. Mui provavelmente, os fragmentos não apresentarão um nexo, pois foram retirados do meio de capítulos, sobre temas variados. São mais aforismos do que textos propriamente ditos.

Flor de Lótus

Fala Mouni Sadhu:

1. O que a meditação significa realmente? Ela é a retenção dinâmica de nossa percepção sobre um tema ou assunto escolhido. É a habilidade para manter inabalavelmente sua percepção sobre um tema escolhido, pelo tempo que você decidir continuar com ele. Acredito que não preciso dar maiores explicações, pois todo mundo descobrirá o verdadeiro nome dessa habilidade: é o poder de concentração. Sem ela, a tentativa de meditar não será nada mais que uma flutuação desgovernada nas ondas de pensamentos da própria pessoa, onda que vem de uma fonte desconhecida e desafia os esforços para colocá-los em ordem de acordo com um plano preconcebido.

2. Vem o fator mais importante, a habilidade de silenciar por completo a mente, isto é, de cessar todo o processo mental. Sim, nada menos do que isso. Não se pode ver uma imagem claramente em meio às águas turbulentas de um poço, mas somente quando a superfície tiver se tornado um espelho.

3. O grande sábio Rishi Maharshi uma vez explicou a natureza da mente: "A mente é apenas é um embrulho de pensamentos; remova-os, pare de pensar e mostre-me então onde está a mente. Quando muitos pensamentos aparecem ao mesmo tempo na mente de um homem, todos eles são extremamente fracos e ineficazes. Mas deixe um homem se concentrar em uns poucos ou em apenas um pensamento e ele se tornará uma potência com um longo raio de alcance".

4. Escolha sempre o certo, por mais breve que seja a sua escolha. É como um momento, mas ele também é eterno.

5. Só o silêncio deliberado e prolongado do pensamento principal imposto no momento desejado por vontade própria dá a iniciação, e nada mais pode substituí-lo.

6. Jamais acolhi qualquer coisa estranha ao coração e tive sempre um sentimento intuitivo de que as coisas verdadeiras são simples, puras e vêm da Fonte que não pode se deixar de reconhecer como suprema em sua santidade e Verdade.

7. Quem foi capaz de perceber e sentir uma vez o espírito do Supremo não pode esquecê-lo, confundi-lo nem negá-lo. Se vocês negassem a existência do mundo, mesmo com voz unânime, eu os abandonaria e ainda assim preservaria minha fé!

8. Dois dos mais perigosos obstáculos são a autopiedade e a auto-indulgência, que precisam ser abandonadas antes de a verdadeira meditação começar. Quando perdoamos em nós o que condenamos nos outros, barramos de modo muito eficaz o nosso caminho. Mas julgando-nos severamente ganhamos mil vezes mais, e obtemos paz interior e justiça. Não perdoe nem se permita fazer aquilo que seria ruim para você mesmo. A preguiça, a ineficácia, a insinceridade, a mente e os sentimentos impuros, tão repulsivos quando vistos nos outros, devem ser considerados mais repulsivos se estiverem em você.

9. Um homem deve ser suficientemente maduro para distinguir entre onde está a sua verdadeira herança (espiritual) e onde há apenas disfarces ilusórios da cortina material que esconde de seus olhos os horizontes mais amplos.

10. O domínio do "presente" rege o "futuro".

11. Ler excessivamente e sem um objetivo é como engolir comida sem mastigá-la, compelindo o estômago a executar o trabalho que nossos dentes deixaram de fazer.

12. A meditação é um estado de consciência no qual o elemento mais alto (isto é, o espiritual) da complexa estrutura do homem toma a liderança e age.

13. Não há nenhum propósito nem necessidade de sondar o Insondável: "...Quem pergunta é enganado, quem responde, engana..." Portanto, vamos ficar tranqüilos e tentar descobrir a resposta que não pode ser expressa em palavras.

Extraído de: "Meditação", Mouni Sadhu, Editora Círculo do Livro.

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