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Os textos de Jiddu Krishnamurti são, talvez, os mais
enigmáticos e de mais difícil compreensão. Os poucos fragmentos aqui presentes
procuram encerrar as conclusões do autor, porém vale lembrar que só se consegue
entendê-los por inteiros se se ler os capítulos completos escritos pelo autor.
Aquele que compreendeu sua mensagem, este já vive na
felicidade verdadeira, sem sombra de dúvidas.
Fala Krishnamurti:
1. Para conhecer-vos
-- e deveis conhecer a vós mesmos completamente, de
ponta a ponta -- o processo de acumulação de
conhecimento a respeito de vós mesmos deve terminar; e
esse término pode verificar-se quando deixardes de
julgar, de avaliar, de condenar, de justificar. Isso
parece muito simples, mas para a maioria de nós não o é
(...)
2. Lançar a base (da
meditação verdadeira) é ficar livre do medo, da aflição,
do esforço, da inveja, da avidez, da ambição; livre de
toda a estrutura psicológica da sociedade. Quando,
graças ao autoconhecimento, o cérebro já não é uma
máquina acumuladora, ele está quieto, tranqüilo,
silencioso. Deveis alcançar esse estado de silêncio,
porque, do contrário, não sereis realmente uma pessoa
religiosa. Estareis apenas brincando com as coisas que
nada significam.
3. A casual
observação de um pensamento não conduz a parte alguma.
Mas, se observardes o processo de pensar, sem vos tornar
um observador separado da coisa observada; se
perceberdes o inteiro movimento do pensamento, sem
aceitá-lo nem condená-lo -- então, essa própria
observação dará fim imediato ao pensamento -- e a mente,
por conseguinte, se tornará compassiva, se achará num
estado de constante mutação.
4. O saber escutar é
algo muito importante; mas, em geral, temos inúmeras
opiniões, idéias, experiências e conclusões antecipadas,
através das quais filtramos tudo o que ouvimos, e por
essa razão nunca ouvimos nada de maneira nova;
traduzimos sempre o que vimos de acordo com uma
determinada tendência. Assim, é de real importância
saber ouvir sem interpretar; porém, isto é, sem dúvida,
um problema dificílimo.
5. Só somos
indivíduos quando cessa completamente o temor: o temor
da morte, da opinião alheia, o temor que resulta de
nossos próprios desejos e ambições, o temor da
frustração, o temor do não-ser. (...) Ser livre de temor
significa, com efeito, estar isento de todo desejo de
segurança econômica ou social, ou do desejo de encontrar
segurança em nossa experiência pessoal. (...) Porque só
quando não existe temor pode existir amor. (...) E para
ser livre de temor não se requer presteza de raciocínio,
mas vigilância constante, e um considerável
percebimento, paciente, persistente, do inteiro processo
do pensamento, o qual pode ser observado apenas nas
relações, em nossas atividades de cada dia.
Extraído de:
"Krishnamurti, o Libertador da Mente", Krishnamurti, Editora Martin Claret.
(Livro clipping).
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