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Ricardo B. Ivanov 2007

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Krishna

Fala Krishna:

A Revelação da Verdade

23. Armas não ferem o Eu, fogo não o queima, águas não o molham, ventos não o ressecam.

25. Para além dos sentidos, para além da mente, para além dos efeitos da dualidade habita o Eu. Pelo que, sabendo que tal é o Eu, por que te entregas à tristeza, ó Arjuna?

28. Imanifesto é o princípio dos seres; manifesto o seu estado intermediário; e imanifesto é também o seu estado final. Por isso, ó Arjuna, que motivo há para tristeza?

42-44. (...) Os que estão cheios de desejos egoístas consideram o céu como meta final, louvando excessivamente complicados rituais e cerimônias multiformes, com o fim de conseguirem poder e prazer em encarnações futuras. (...) Perderam o caminho reto do seu destino. Não atingiram a experiência espiritual.

48. Penetrado do espírito de yôga, ó príncipe, realiza os teus trabalhos e mantém-te em sereno equilíbrio, na certeza de que tanto o sucesso quanto o insucesso são bons. Essa serenidade interior é o yôga.

49. (...) Os que trabalham com apego aos frutos da sua atividade são deploráveis mercenários utilitaristas.

50. Se seguires o caminho da razão pura guiada por uma visão perfeita, alcançarás a felicidade nesta vida, ultrapassando a consciência da virtude e do vício. Pelo que, segue firmemente esse caminho. Yôga dá sabedoria em tudo.

56. Quando alguém permanece calmo e sereno no meio de sofrimentos, quando não espera receber do mundo objetivo permanente felicidade e quando é livre de apego, medo e ódio -- então é ele um homem de perfeita sabedoria.

57. Quando não é apegado a um e indiferente a outro; enquanto não se alegra em excesso com o que é agradável, nem se entristece excessivamente com o que é desagradável -- então é ele um homem de perfeita sabedoria.

59. Pela prática da abstenção pode alguém amortecer os seus sentidos e torná-los insensíveis aos prazeres sensitivos; mas não se torna necessariamente insensível aos desejos dos mesmos; o desejo dos prazeres sensitivos cessa somente quando o homem entra em contato com o Espírito Supremo dentro dele.

66. Impossível a aquisição da sabedoria pela mente descontrolada; impossível a meditação para o homem inquieto! E se o homem não encontrar a paz dentro de si, como pode ser feliz?

67. O homem sem domínio sobre a sua mente e seus sentidos é como um navio levado à mercê das ondas.

71. Livre de todos os desejos, é o homem senhor, e não servo dos prazeres; livre de propriedade, une-se ele com o Todo e encontra a paz verdadeira.

Yôga de Ação

6. Quem é externamente inativo, mas cede a desejos internos, este ilude a si mesmo.

7. Mas aquele que, pelo poder do espírito, alcançou perfeito domínio sobre seus sentidos e realiza todos os atos externos, ficando internamente desapegado deles -- esse homem possui sabedoria.

26. Não se limite o sábio a querer iluminar os que estão apegados aos sentidos e aos atos sensoriais, instruindo-os com palavras -- pratique ele mesmo atos livres de apego tendentes à realização do Eu; destarte conduzirá os ignorantes à sabedoria por meio de atos.

35. Melhor é viver segundo a consciência própria, mesmo imperfeitamente, do que se guiar, com perfeição, pela consciência alheia; melhor é morrer no cumprimento do dever do que viver com temor, à mercê de instintos inferiores.

38. Assim como a chama é envolta pela fumaça, como o espelho se cobre de pó, como o embrião é circundado pela membrana no ventre materno -- assim é o Eu do homem envolto pelos desejos do mundo objetivo.

40. Os sentidos, o intelecto e as emoções são o habitáculo desses desejos objetivos; são eles que anuviam a razão e roubam ao homem que a eles sucumbe a luz do conhecimento.

41. Pelo que, nobre herói dos lutadores, controla os teus sentidos e governa o coração! Supera esse mundo objetivo, que instiga ao mal e destrói a sabedoria!

Da Experiência Espiritual

21. Não espera lucro nem receia perda; vive todo em si mesmo, senhor dos seus sentimentos e pensamentos, enquanto age, rei no reino da sua alma.

22. Habita puro no meio dos impuros; aceita com serenidade todos os acontecimentos; nenhuma adversidade o abate, nenhuma prosperidade o exalta; ele é sempre o mesmo.

A Sabedoria do Desapego

5. O reino da quietude que os sábios conquistam pela meditação é também conquistado pelos que praticam ações; sábio é aquele que compreende que estas duas coisas -- a intuição mística e a ação prática -- são uma só em sua essência.

21. Quem preserva a sua alma livre de todas as coisas que vêm de fora realiza o seu verdadeiro Eu, atinge a paz verdadeira, a beatitude do seu verdadeiro ser.

Exercícios de Meditação

5. (...) O Eu divino é o melhor amigo do homem, mas o ego humano é seu pior inimigo.

10. Imerso em Deus, em longínqua solitude, permanece o yogui liberto da escravidão  de sentimentos, pensamentos e desejos.

11. Retira-se a um lugar puro, num assento simples e firme, nem alto nem baixo demais, coberto de capim kusha e uma pele de tigre ou veado, e um tecido de seda ou lã.

12. E ali, sentado, ereto e imóvel, com os sentidos e a mente perfeitamente controlados e alma unipolarizada, pratica o homem yôga a fim de conseguir a purificação da sua alma divina.

13. Mantém o corpo, o pescoço e a cabeça eretos, com espontânea naturalidade, fazendo os olhos convergirem na base do nariz, pelo poder da visão interna.

17. Somente quem é disciplinado no comer, no dormir, no vigiar, no descansar e no divertir-se, esse auferirá do exercício de yôga a libertação de todos os males.

24. É necessário que ele arranque do coração todos os devaneios e todas as vacilações, toda a ganância, vaidade e mania de grandeza; que obstrua e vigie todas as portas por onde o mundo dos sentidos possa invadir-lhe a alma.

Extraído de: "Bhagavad Gita", Krishna, Editora Martin Claret.

 

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