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Fala Krishna:
A Revelação da Verdade
23. Armas não ferem o Eu,
fogo não o queima, águas não o molham, ventos não o
ressecam.
25. Para além dos sentidos,
para além da mente, para além dos efeitos da dualidade
habita o Eu. Pelo que, sabendo que tal é o Eu, por que
te entregas à tristeza, ó Arjuna?
28. Imanifesto é o princípio
dos seres; manifesto o seu estado intermediário; e
imanifesto é também o seu estado final. Por isso, ó
Arjuna, que motivo há para tristeza?
42-44. (...) Os que estão
cheios de desejos egoístas consideram o céu como meta
final, louvando excessivamente complicados rituais e
cerimônias multiformes, com o fim de conseguirem poder e
prazer em encarnações futuras. (...) Perderam o caminho
reto do seu destino. Não atingiram a experiência
espiritual.
48. Penetrado do espírito de
yôga, ó príncipe, realiza os teus trabalhos e
mantém-te em sereno equilíbrio, na certeza de que tanto
o sucesso quanto o insucesso são bons. Essa serenidade
interior é o yôga.
49. (...) Os que trabalham
com apego aos frutos da sua atividade são deploráveis
mercenários utilitaristas.
50. Se seguires o caminho da
razão pura guiada por uma visão perfeita, alcançarás a
felicidade nesta vida, ultrapassando a consciência da
virtude e do vício. Pelo que, segue firmemente esse
caminho. Yôga dá sabedoria em tudo.
56. Quando alguém permanece
calmo e sereno no meio de sofrimentos, quando não espera
receber do mundo objetivo permanente felicidade e quando
é livre de apego, medo e ódio -- então é ele um homem de
perfeita sabedoria.
57. Quando não é apegado a
um e indiferente a outro; enquanto não se alegra em
excesso com o que é agradável, nem se entristece
excessivamente com o que é desagradável -- então é ele
um homem de perfeita sabedoria.
59. Pela prática da
abstenção pode alguém amortecer os seus sentidos e
torná-los insensíveis aos prazeres sensitivos; mas não
se torna necessariamente insensível aos desejos dos
mesmos; o desejo dos prazeres sensitivos cessa somente
quando o homem entra em contato com o Espírito Supremo
dentro dele.
66. Impossível a aquisição
da sabedoria pela mente descontrolada; impossível a
meditação para o homem inquieto! E se o homem não
encontrar a paz dentro de si, como pode ser feliz?
67. O homem sem domínio
sobre a sua mente e seus sentidos é como um navio levado
à mercê das ondas.
71. Livre de todos os
desejos, é o homem senhor, e não servo dos prazeres;
livre de propriedade, une-se ele com o Todo e encontra a
paz verdadeira.
Yôga de Ação
6. Quem é externamente
inativo, mas cede a desejos internos, este ilude a si
mesmo.
7. Mas aquele que, pelo
poder do espírito, alcançou perfeito domínio sobre seus
sentidos e realiza todos os atos externos, ficando
internamente desapegado deles -- esse homem possui
sabedoria.
26. Não se limite o sábio a
querer iluminar os que estão apegados aos sentidos e aos
atos sensoriais, instruindo-os com palavras -- pratique
ele mesmo atos livres de apego tendentes à realização do
Eu; destarte conduzirá os ignorantes à sabedoria por
meio de atos.
35. Melhor é viver segundo a
consciência própria, mesmo imperfeitamente, do que se
guiar, com perfeição, pela consciência alheia; melhor é
morrer no cumprimento do dever do que viver com temor, à
mercê de instintos inferiores.
38. Assim como a chama é
envolta pela fumaça, como o espelho se cobre de pó, como
o embrião é circundado pela membrana no ventre materno
-- assim é o Eu do homem envolto pelos desejos do mundo
objetivo.
40. Os sentidos, o intelecto
e as emoções são o habitáculo desses desejos objetivos;
são eles que anuviam a razão e roubam ao homem que a
eles sucumbe a luz do conhecimento.
41. Pelo que, nobre herói
dos lutadores, controla os teus sentidos e governa o
coração! Supera esse mundo objetivo, que instiga ao mal
e destrói a sabedoria!
Da Experiência Espiritual
21. Não espera lucro nem
receia perda; vive todo em si mesmo, senhor dos seus
sentimentos e pensamentos, enquanto age, rei no reino da
sua alma.
22. Habita puro no meio dos
impuros; aceita com serenidade todos os acontecimentos;
nenhuma adversidade o abate, nenhuma prosperidade o
exalta; ele é sempre o mesmo.
A Sabedoria do Desapego
5. O reino da quietude que
os sábios conquistam pela meditação é também conquistado
pelos que praticam ações; sábio é aquele que compreende
que estas duas coisas -- a intuição mística e a ação
prática -- são uma só em sua essência.
21. Quem preserva a sua alma
livre de todas as coisas que vêm de fora realiza o seu
verdadeiro Eu, atinge a paz verdadeira, a beatitude do
seu verdadeiro ser.
Exercícios de Meditação
5. (...) O Eu divino é o
melhor amigo do homem, mas o ego humano é seu pior
inimigo.
10. Imerso em Deus, em
longínqua solitude, permanece o yogui liberto da
escravidão de sentimentos, pensamentos e desejos.
11. Retira-se a um lugar
puro, num assento simples e firme, nem alto nem baixo
demais, coberto de capim kusha e uma pele de tigre ou
veado, e um tecido de seda ou lã.
12. E ali, sentado, ereto e
imóvel, com os sentidos e a mente perfeitamente
controlados e alma unipolarizada, pratica o homem
yôga a fim de conseguir a purificação da sua alma
divina.
13. Mantém o corpo, o
pescoço e a cabeça eretos, com espontânea naturalidade,
fazendo os olhos convergirem na base do nariz, pelo
poder da visão interna.
17. Somente quem é
disciplinado no comer, no dormir, no vigiar, no
descansar e no divertir-se, esse auferirá do exercício
de yôga a libertação de todos os males.
24. É necessário que ele
arranque do coração todos os devaneios e todas as
vacilações, toda a ganância, vaidade e mania de
grandeza; que obstrua e vigie todas as portas por onde o
mundo dos sentidos possa invadir-lhe a alma.
Extraído de:
"Bhagavad Gita", Krishna, Editora Martin Claret.
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