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Albert Einstein é, talvez, a
maior personalidade da ciência no século XX e, quiçá, ao
longo dos tempos. As suas contribuições no campo da
Física foram tão grandes que não se poderia conceber,
talvez, o atual mundo moderno se este judeu-alemão, de
cabelos revoltos, não tivesse passado pela face da
terra.
O título desta página é uma alusão ao magnífico livro escrito pelo Prof. Huberto
Rohden, sobre a vida de Einstein. Rohden teve o privilégio de conviver com
Einstein em Princeton, nos Estados Unidos, onde pôde colher informações e
construir os alicerces da Filosofia Univérsica.
Einstein estava a frente de seu tempo. Quanta imaginação! Quanta sabedoria!
Antes de relacionar os textos escritos pelo célebre físico-matemático
judeu-alemão, coloco as felizes palavras do filósofo-professor brasileiro
Huberto Rohden.

Fala
Huberto Rohden:
Os anos de 1945 a 1946 passei na Universidade de Princeton, Estados Unidos,
aceitando uma bolsa de estudos para "Pesquisas Científicas", oferecida por essa
Universidade.
Quase nada sabia eu, até essa data, do maior matemático do século - e talvez de
todos os tempos - que lançou as bases para a Era Atômica. Nem mesmo sabia da sua
presença em Princeton, pequena cidade derramada no meio de vasto descampado, a
uma hora de trem de New York. Cerca de um mês após minha chegada a Princeton,
passando um dia pela Mercer Street, meu companheiro mostrou-me um sobradinho
modesto em pleno bosque e quase totalmente coberto de trepadeiras, dizendo que
lá morava Albert Einstein.
Mais tarde, em companhia de outro brasileiro, consegui uma rápida visita a esse
homem solitário e taciturno. Cabeleira desgrenhada, barba por fazer, sapatos sem
meias, todo envolto em um vasto manto cinzento, com olhar longínquo de esfinge
em pleno deserto - lá estava esse homem cujo corpo ainda vivia na terra, mas
cuja mente habitava nas mais remotas plagas do cosmos, ou no centro invisível
dos átomos.
(...)
Fala Albert
Einstein:
A religiosidade da pesquisa
O espírito científico, fortemente armado com seu método, não existe sem a
religiosidade cósmica. Ela se distingue da crença das multidões ingênuas que
consideram Deus um Ser de quem esperam benignidade e do qual temem o castigo -
uma espécie de sentimento exaltado da mesma natureza que os laços do filho com o
pai - um ser com quem também estabelecem relações pessoais, por respeitosas que
sejam.
Mas o sábio, bem convencido da lei de causalidade de qualquer acontecimento,
decifra o futuro e o passado submetidos às mesmas regras de necessidade e
determinismo. A moral não lhe suscita problemas com os deuses, mas simplesmente
com os homens. Sua religiosidade consiste em espantar-se, em extasiar-se diante
da harmonia, das leis da natureza, revelando uma inteligência tão superior que
todos os pensamentos humanos e todo seu empenho não podem desvendar, diante
dela, a não ser seu nada irrisório. Este sentimento desenvolve a regra dominante
de sua vida, de sua coragem, na medida em que supera a servidão dos desejos
egoístas. Indubitavelmente, este sentimento se compara àquele que animou os
espíritos criadores religiosos em todos os tempos.
O valor do homem
O valor do homem é determinado, em primeira linha, pelo grau e pelo sentido em
que ele se libertou do seu ego.
O que, a meu ver, há de propriamente valioso na vivência humana, não é o Estado,
mas sim o indivíduo humano, dotado de sentimento e creatividade. O rebanho
humano como tal permanece embotado no seu pensar e sentir.
Qual o sentido da vida?
Tem um sentido a minha vida? A vida de um homem tem sentido? Posso responder a
tais perguntas se tenho espírito religioso. Mas, "fazer tais perguntas tem
sentido"? Respondo: "Aquele que considera sua vida e a dos outros sem qualquer
sentido é fundamentalmente infeliz, pois não tem motivo algum para viver".
Como julgar um homem?
De acordo com uma única regra determino o autêntico valor de um homem: em que
grau e com que finalidade o homem se libertou de seu eu?
Para quê as riquezas?
Todas as riquezas do mundo, ainda mesmo nas mãos de um homem inteiramente
devotado à idéia do progresso, jamais trarão o menor desenvolvimento moral para
a humanidade. Somente seres humanos excepcionais e irrepreensíveis suscitam
idéias generosas e ações elevadas. Mas o dinheiro polui tudo e degrada sem
piedade a pessoa humana. Não posso comparar a generosidade de um Moisés, de um
Jesus ou de um Gandhi com a generosidade de uma Fundação Carnegie qualquer.
A experiência cósmica
Impressão de um assombro desse tipo experimentei eu, sendo criança de uns quatro
ou cinco anos, quando meu pai me mostrou uma bússola. O fato daquele ponteiro
comportar-se de maneira tão determinada não se casava com a natureza dos
acontecimentos possíveis de localizarem no mundo inconsciente dos conceitos
(efeito relacionado com o "contato direto"). Lembro - ou, pelo menos, creio
lembrar - que essa experiência produziu em mim uma impressão profunda e
duradoura. Devia existir algo oculto por detrás das coisas. O que a pessoa vê
desde sempre não causa impressão desse tipo: ela não se preocupa com a queda dos
corpos, com o vento ou com a lua, ou com o fato de a lua não tombar, nem com as
diferenças entre matéria viva e não-viva.
Aos doze anos de idade, experimentei uma segunda sensação de assombro, de
natureza inteiramente diversa - deveu-se a um livrinho de geometria euclidiana
plana, que me veio às mãos no começo de um ano letivo. Ali figuravam asserções
como, por exemplo, as referentes às intersecções das três alturas de um
triângulo em um determinado ponto que - embora de modo algum evidentes - podiam
ser demonstradas com tal segurança que se colocavam para além de qualquer
dúvida. Essa clareza e certeza causaram-me uma sensação indescritível. E não me
perturbou o fato de o axioma ter de ser aceito sem prova. Bastava-me poder
construir demonstrações a partir de proposições cuja validade não parecia
discutível. Lembro que um tio me falou do teorema de Pitágoras antes que o
sagrado livrinho me caísse nas mãos. Depois de muito esforço, consegui
"demonstrar" o teorema, com base na similaridade de triângulos; ao fazê-lo,
pareceu-me "evidente" que as relações entre os lados dos triângulos-retângulos
estariam completamente determinadas por um dos ângulos agudos. Só o que não se
apresentava como igualmente evidente parecia-me exigir demonstração. Os objetos
com que lida a geometria não se afiguravam diferentes dos objetos da percepção
sensorial, "que podem ser vistos e tocados". Essa primitiva idéia -
provavelmente presente na base da conhecida problemática levantada por Kant
relativamente à possibilidade de juízos sintéticos a priori - apoiava-se,
obviamente, no fato de que a relação dos conceitos geométricos para com os
objetos da experiência direta (barras rígidas, intervalo finito, etc) estava,
inconscientemente, em mim.
O que é pensar?
Que é, precisamente, "pensar"? Quando recebidas impressões sensoriais, quadros
de memória emergem, isto ainda não é "pensar". É quando esses quadros se
acomodam em séries, cada um dos elementos reclamando o outro, isso também ainda
não é "pensar". Quando, porém, um quadro se apresenta em muitas dessas séries,
então - precisamente por força dessa manifestação repetida - torna-se ele um
elemento de ordenação das mesmas séries, no sentido de que une séries que, por
si, não mantêm ligação. Esse elemento se transforma em instrumento, em conceito.
Entendo que a passagem da livre associação, ou do "sonhar", para o pensar se
caracteriza pelo papel mais ou menos dominante que desempenha o "conceito". Não
é de maneira alguma necessário que o conceito apareça preso a um signo
sensorialmente cognoscível e possível de reprodução (palavra); todavia, quando
isso ocorre, o pensamento se torna, por esse meio, comunicável.
Com que direito - perguntará o leitor - em tão problemático terreno, esse homem
trata dessa maneira descuidosa e primitiva as idéias, sem fazer sequer o mínimo
esforço para evidenciar alguma coisa? Minha defesa: todo nosso pensamento tem a
natureza de livre jogo com os conceitos; justificação desse jogo está na medida
em que, ajudados por ele, possamos alcançar perspectiva que se alteie sobre a
experiência. O conceito de "verdade" não pode ser aplicado a essa estrutura; a
meu ver, esse conceito só pode colocar-se em pauta quando já se encontra a nosso
dispor uma concordância ampla (convenção) concernente aos elementos e
regras do jogo... De minha parte, não duvido de que o pensamento opere, em
grande parte, sem recurso a signos (palavras) e seja, em grau considerável,
inconsciente. De outra forma, como se explicaria que, por vezes, "conjeturamos"
espontaneamente a propósito de alguma experiência? Esse "conjeturar" ocorre, ao
que parece, quando uma experiência entra em conflito com um mundo de conceitos
que em nós já se acha sedimentado. Sempre que esse conflito é sentido penosa e
intensamente, ocorre uma reação que atinge nosso mundo mental de maneira
decisiva. O desenvolvimento desse mundo mental é, em certo sentido, um contínuo
vôo de imaginação brotado do "conjeturar".
Palavras lapidares de
Einstein
1. Não existe nenhum caminho
lógico para o descobrimento das leis elementares - o único caminho é o da
intuição.
2. Do mundo dos fatos não
conduz nenhum caminho para o mundo dos valores - estes vêm de outra região.
3. O princípio creador reside
na Matemática; a sua certeza é absoluta, enquanto se trata de matemática
abstrata, mas diminui na razão direta da sua concretização.
4. Deus é a Lei e o Legislador
do Universo.
5. O homem erudito é um
descobridor de fatos que já existem - mas o homem bom é um creador de valores
que não existiam, e que ele faz existir.
6. Saber que existe algo
insondável, sentir a presença de algo profundamente racional, radiantemente
belo, algo que compreendemos apenas em forma rudimentar - é esta a experiência
que constitui a atitude genuinamente religiosa. Neste sentido, e neste sentido
somente, eu pertenço aos homens profundamente religiosos.
7. Gerações vindouras
dificilmente acreditarão que tenha passado pela face da terra, em carne e osso,
um homem como Mahatma Gandhi.
8. Penso 99 vezes e nada
descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio - e eis que a verdade
me é revelada.
9. A maioria de nós prefere
olhar para fora e não para dentro de si próprio.
10. A mente avança até o ponto
onde pode chegar; mas depois passa para uma dimensão superior, sem saber como lá
chegou. Todas as grandes descobertas realizaram esse salto.
11. A coisa mais bela que o
homem pode experimentar é o mistério. É esta a emoção que está na raiz de toda
ciência e arte. O homem que desconhece esse encanto, incapaz de sentir admiração
e estupefação, esse já está, por assim dizer, morto, e tem os olhos extintos.
Extraído de:
"Einstein - O Enigma do Universo", Huberto Rohden, Editora Martin Claret.
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