A Abelha e o Homo sapiens
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Ricardo B. Ivanov 2007

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A natureza sempre dá-nos exemplos magníficos do Poder Supremo, da Causa Una, operando no Universo. Porém ao mesmo tempo que Maya revela, ela vela Brahman.

Esta história fabulosa da abelha é fantástica! Sintetiza a sabedoria da Causa Una que opera infalivelmente no verso.

 

A sábia abelha...

 

Conta-nos Huberto Rohden: 

Entre os prodígios realizados pela abelha, Karl Von Fritszch aponta um que ele chama "uma das maiores maravilhas da Natureza": a abelha quando volta à sua colméia, do lugar onde encontrou uma nova fonte de néctar, não o faz em linha reta, mas por rota cheia de curvas. Não obstante, ela pode comunicar a direção em linha reta a outras abelhas para o lugar onde ela encontrou aquela fonte de néctar!

Há evidência de teleologia (estudo da finalidade das coisas e dos seres) em tudo quanto a abelha faz, e nesse zigue-zaguear de volta à colméia e na comunicação em linha reta do caminho da fonte de néctar, ela desorienta o inimigo que tente achar a casa de mel e garante suprimento do néctar, dando a direção correta às outras abelhas!

Conta-nos o Prof. Huberto Rohden belíssima história em que estão presentes a abelha e o Homo sapiens. Com 3 rombos iguais em sua base piramidal, as células das colméias são geralmente hexagonais. Meditando nesta estupenda obra de tão pequeno inseto, Réaumur, renomado naturalista, desafiou os grandes cérebros matemáticos a resolver o seguinte problema:

"Construa-se um prisma hexagonal limitado por paralelogramos e base piramidal de três rombos iguais. Que tamanho deverão apresentar os respectivos ângulos da base para que o vaso comporte a maior capacidade possível, com um gasto mínimo de material?"

Entre os numerosos sábios em cuja argúcia (capacidade de raciocínio, interpretação com inteligência) a proposta foi feita, destacou-se o celebre matemático Koenig com "inconteste" solução:

a) Os ângulos maiores deviam ser de 109 graus e 26 minutos.

b) Os ângulos menores deviam ser de 70 graus e 34 minutos.

Tida como certa, ninguém contestou a resposta do sábio, com exceção da abelha! Suas células hexagonais apresentam sempre:

a) ângulos maiores com 109 graus e 28 minutos.

b) ângulos menores com 70 graus e 32 minutos.

Apreciem: a) o Homo sapiens achou 26 minutos nos ângulos maiores. b) a abelha afirmou serem 28 minutos nos ângulos maiores. c) o Homo sapiens achou 34 minutos nos ângulos menores. d) a abelha afirmou serem 32 minutos nos ângulos menores.

Uma pequeníssima e "insignificante" diferença de 2 minutos em cada ângulo! Quem errou, o Homo sapiens ou a abelha?

Examinadas e reexaminadas exaustivamente, cada célula das colméias das abelhas apresentava sempre a mesma bitola. O assunto morreu afogado no esquecimento de todos, e subestimadas ficaram as revelações geométricas do pequeno alado, desprezível himenóptero (grupo de animais da classe dos insetos entre os quais se incluem as abelhas, os marimbondos, as formigas e as vespas).

Algo notório aconteceu: Um navio mercante perdido bate num rochedo e quase vai ao fundo. Repelindo as acusações, o comandante do navio se defende dizendo: "Segui corretamente as tábuas de logaritmos das escolas náuticas do país, que culpa tenho?" Feita a defesa do experiente comandante, procedeu-se a uma rigorosa averigüação, resultando na descoberta de um insignificante erro responsável pelo desvio do navio de seu rumo primitivo.

Na solução do problema proposto por Réaumur, Koenig usou essas tabelas logarítmicas. A base dos cálculos de Koenig estava errada.

Corrigido o erro, o cálculo de Koenig – agora sobre sólida base – foi reconstruído e se igualou com a matemática das abelhas! Isto é, o humílimo inseto ensinou ao Homo sapiens que para se obter o volume proposto por Réaumur:

a) os ângulos obtusos (maiores) devem ser de 109 graus e 28 minutos, e b) os ângulos agudos (menores) devem ser de 70 graus e 32 minutos.

E conclui o Prof. Huberto Rohden: "Quantos anos de trabalhos e canseiras não passa o homem para penetrar nos segredos da matemática, das equações das raízes quadradas e cúbicas, dos cálculos diferenciais e infinitesimais! Que cabedal de esforço intelectual para desvendar os mistérios da geometria e da trigonometria! – segredos esses que uma desprezível abelhinha conhece, e sabe aproveitar com infalível segurança, desde o primeiro momento de sua existência. Que academia, que Universidade freqüentaram essas criaturinhas? Quem foi o seu professor? Pois são mais valentes em álgebra e trigonometria do que os nossos melhores profissionais".

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