Dr. Mani Bhaumik
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Ricardo B. Ivanov 2007

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Uma breve história da vida do Dr. Mani Bhaumik, autoridade em cirurgia a laser, está aqui apresentada. Aqui confrontamo-nos com o que Jesus antecipou-nos há 2000 anos: "De que adianta o homem ganhar o mundo se sofrer prejuízo em sua própria alma?"

Fala Dr. Mani Bhaumik:

Posso dizer que tive um modesto começo de vida, pois nasci numa pequena e remota vila da Índia, próxima do lugar onde os tigres reais de Bengala, ainda perambulam. Eu e minha família vivíamos no nível da subsistência: num dia comíamos arroz e no outro, se tivéssemos sorte, arroz com um pouco de "curry". Consegui ter um par de sapatos aos dezesseis anos.

Minha mãe era jovem quando nasci e, de acordo com a tradição da Índia, delegou minha educação à minha avó paterna, chamada Sarada, que foi o centro verdadeiro de nossa família. Vivíamos todos numa única casa: meu pai, seus irmãos e suas mulheres. Era uma espécie de vida comunitária. Além disso, meu pai se ausentava freqüentemente, pois estava servindo na revolução pela não-violência de Mahatma Gandhi.

Éramos uma família pobre, quase do nível da miséria, porém sabíamos que nosso objetivo espiritual supremo era a unicidade com Deus. Em meados de outubro de 1942, nossa própria sobrevivência se tornou um fato questionável quando um ciclone atingiu a Baía de Bengala, dizimando a população e destruindo a colheita daquele ano. Conseguimos sobreviver ao ciclone e à subseqüente devastação das ondas marítimas. A fome e as epidemias destruíram a vida de quase três milhões de pessoas.

O alimento, durante esse tempo de fome, foi estritamente racionado. A pequena quota que se destinava à nossa família não era suficiente para a sobrevivência de todos. Minha avó tomou a decisão de colocar meu bem-estar acima do dela, cedendo a mim a porção que lhe cabia. Quando ela morreu, vitimada pela inanição, prometi a mim mesmo que um dia sairia da miséria. Sabia, no entanto, que minha única saída, seria através da educação.

A escola mais próxima ficava no final de uma estrada não pavimentada e em péssimas condições. Uma longa caminhada de aproximadamente seis quilômetros. Durante a estação chuvosa, o lamaçal dificultava ainda mais meu acesso à escola. Com muito esforço me saí bem nos estudos e fui para Calcutá, para meus estudos universitários. Então, em 1954, entrei no Instituto de Tecnologia da Índia, completando o mestrado com a ajuda de uma bolsa custeada pelo governo.

Durante os seis anos anteriores à libertação da Índia, foi-me dada a oportunidade de ser voluntário no campo de Gandhi. Certamente, Gandhi era um ícone. Nunca pensei que o encontraria pessoalmente. Todavia a cada minuto que estava lá, fui capaz de vê-lo bem de perto. Este líder do movimento da não-violência para a libertação da Índia deixou uma enorme e positiva impressão na minha mente de adolescente.

Gandhi foi descrito como o porta-voz para a consciência da humanidade. Ele mesmo disse que sua mensagem era a vida dele, e tornou-se evidente que ele vivia aquilo em que acreditava. Eu tinha 14 anos quando o encontrei e, ele, 76, todavia era tão flexível e ágil como uma pessoa vinte ou trinta anos mais nova. Homem extremamente disciplinado, acordava às 4 horas da manhã e dirigia um encontro de oração. Sua ênfase era sobre o único Deus e a unidade de todas as pessoas – hindus, cristãos ou mulçumanos. Gandhi era praticante do hinduísmo, porém tinha um quadro do Cristo sobre sua parede. Sobre o quadro escreveu: "Ele é nossa paz".

Emigrei para os Estados Unidos com a idade de vinte e oito anos e com apenas três dólares no bolso. Fui para lá a fim de estudar com o Professor McMillan, renomado professor de físico-química da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). Em Los Angeles, lugar muito diferente de onde nasci, sentia-me como se vivesse num outro planeta. Achei que estava na terra de leite e mel. Na América o que era mais impressionante para mim era o cultivo ao trabalho. Parecia não importar se uma pessoa havia nascido num castelo ou numa cabana. Se essa pessoa desejasse trabalhar duro, as portas da oportunidade seriam abertas para ela. Trabalhei com afinco, como físico, para uma grande corporação e recebi um conjunto de variadas opções, que apliquei em outros investimentos.

Como co-inventor da tecnologia a laser, que tornou possível a cirurgia óptica a laser, tornei-me independente financeiramente. Mais de quinze milhões de pessoas têm feito a cirurgia a laser no olho eliminando ou reduzindo sua dependência de óculos ou de lentes de contato.

Aquele que uma vez fora um pobre emigrante possuía agora todas as coisas. Mergulhei na vida à moda de Los Angeles. Minha casa, no topo de uma colina, tornou-se o cenário de festas espetaculares com a presença de muitas celebridades.

O deslumbramento por meu estilo de vida era inebriante. Contudo, havia um sentido perturbador de ter perdido o caminho. Pensei: "Se tenho todas as coisas, devo ser feliz. Então, por que estou sentindo como se tivesse um vazio no meu coração?" Como muitas pessoas, tinha aquele falso conceito que, se tivesse uma enorme soma de dinheiro, viveria depois sempre feliz. Entretanto, aprendi que o dinheiro não é uma panacéia para a felicidade.

O que me salvou de uma possível fatídica autodestruição foi aquilo que trouxe como ferramenta espiritual em minha bagagem da infância e de meus dias com Gandhi. Recordei como ele se referia à Única Fonte de tudo e de todos. Ele explicava que a felicidade verdadeira era proveniente da Única Fonte no interior de cada um, unindo todos no Espírito.

Como cientista ávido, era uma creatura cética. Assim, a parte cética em mim começou a perguntar: "Pode a ciência dar credito à crença de que existe unicidade na creação?" Havia mergulhado por mais de uma década nas pesquisas em tempo integral e estava surpreso ante minhas descobertas. O mesmo método cientifico, que em determinada ocasião nos compeliu a questionar a existência de Deus, está agora – por meio da física moderna, da cosmologia e da física quântica – desenvolvendo a evidência da antiga crença num poder mais alto, por trás de toda a creação.

Como está detalhado em meu livro "O Código Chamado Deus", a crença de que possuímos a mente apoiada na Fonte Única, presente em todas as tradições espirituais, está fundamentada na realidade científica.

Somos, cada um, parte daquela Fonte Única e, quando estamos sintonizados com essa unidade sagrada, compreendemos nosso pleno potencial. Tornamo-nos sintonizados através da meditação, da prece, da ioga ou de outra atividade que sustenta nossa unicidade com Deus. A felicidade é um trabalho interior.

Algumas pessoas pensam que a ciência e a espiritualidade são tão diferentes, tal como maçãs e laranjas e, portanto, não compatíveis. Acredito que a ciência e a espiritualidade são compatíveis e que podemos fazer uma deliciosa salada de frutas delas. Na realidade, devemos fazê-lo.

Minha contribuição cientifica para a tecnologia laser tornou a cirurgia ótica LASIK possível. Minha esperança é que todas as pessoas não apenas enxerguem melhor com seus olhos humanos, mas também vejam a si mesmas completas e unidas ao inteiro universo. Essa é a verdade sobre a nossa unicidade com Deus e de um para com o outro.

Extraído de: texto copiado da "Leitura Diária da Associação Unidade do Cristianismo", tradução de Rosa Maria.

Contribuição de Iris Helena Gomes.

O Dr. Bhaumik, autor do livro best-seller "O Código Chamado Deus", é recebedor do prestigiado prêmio Humanitário Mahatma Gandhi e é sobejamente referenciado por suas contribuições para a cirurgia a laser.

 

 

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