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Uma
breve história da vida do Dr. Mani Bhaumik, autoridade em cirurgia a laser, está
aqui apresentada. Aqui confrontamo-nos com o que Jesus antecipou-nos há 2000
anos: "De que adianta o homem ganhar o mundo se sofrer prejuízo em sua própria
alma?"
Fala Dr. Mani Bhaumik:
Posso dizer que tive um modesto começo de vida, pois nasci
numa pequena e remota vila da Índia, próxima do lugar onde os tigres reais de
Bengala, ainda perambulam. Eu e minha família vivíamos no nível da subsistência:
num dia comíamos arroz e no outro, se tivéssemos sorte, arroz com um pouco de "curry".
Consegui ter um par de sapatos aos dezesseis anos.
Minha mãe era jovem quando nasci e, de acordo com a
tradição da Índia, delegou minha educação à minha avó paterna, chamada Sarada,
que foi o centro verdadeiro de nossa família. Vivíamos todos numa única casa:
meu pai, seus irmãos e suas mulheres. Era uma espécie de vida comunitária. Além
disso, meu pai se ausentava freqüentemente, pois estava servindo na revolução
pela não-violência de Mahatma Gandhi.
Éramos uma família pobre, quase do nível da miséria, porém
sabíamos que nosso objetivo espiritual supremo era a unicidade com Deus. Em
meados de outubro de 1942, nossa própria sobrevivência se tornou um fato
questionável quando um ciclone atingiu a Baía de Bengala, dizimando a população
e destruindo a colheita daquele ano. Conseguimos sobreviver ao ciclone e à
subseqüente devastação das ondas marítimas. A fome e as epidemias destruíram a
vida de quase três milhões de pessoas.
O alimento, durante esse tempo de fome, foi estritamente
racionado. A pequena quota que se destinava à nossa família não era suficiente
para a sobrevivência de todos. Minha avó tomou a decisão de colocar meu
bem-estar acima do dela, cedendo a mim a porção que lhe cabia. Quando ela
morreu, vitimada pela inanição, prometi a mim mesmo que um dia sairia da
miséria. Sabia, no entanto, que minha única saída, seria através da educação.
A escola mais próxima ficava no final de uma estrada não
pavimentada e em péssimas condições. Uma longa caminhada de aproximadamente seis
quilômetros. Durante a estação chuvosa, o lamaçal dificultava ainda mais meu
acesso à escola. Com muito esforço me saí bem nos estudos e fui para Calcutá,
para meus estudos universitários. Então, em 1954, entrei no Instituto de
Tecnologia da Índia, completando o mestrado com a ajuda de uma bolsa custeada
pelo governo.
Durante os seis anos anteriores à libertação da Índia,
foi-me dada a oportunidade de ser voluntário no campo de Gandhi. Certamente,
Gandhi era um ícone. Nunca pensei que o encontraria pessoalmente. Todavia a cada
minuto que estava lá, fui capaz de vê-lo bem de perto. Este líder do movimento
da não-violência para a libertação da Índia deixou uma enorme e positiva
impressão na minha mente de adolescente.
Gandhi foi descrito como o porta-voz para a consciência da
humanidade. Ele mesmo disse que sua mensagem era a vida dele, e tornou-se
evidente que ele vivia aquilo em que acreditava. Eu tinha 14 anos quando o
encontrei e, ele, 76, todavia era tão flexível e ágil como uma pessoa vinte ou
trinta anos mais nova. Homem extremamente disciplinado, acordava às 4 horas da
manhã e dirigia um encontro de oração. Sua ênfase era sobre o único Deus e a
unidade de todas as pessoas – hindus, cristãos ou mulçumanos. Gandhi era
praticante do hinduísmo, porém tinha um quadro do Cristo sobre sua parede. Sobre
o quadro escreveu: "Ele é nossa paz".
Emigrei para os Estados Unidos com a idade de vinte e oito
anos e com apenas três dólares no bolso. Fui para lá a fim de estudar com o
Professor McMillan, renomado professor de físico-química da Universidade da
Califórnia em Los Angeles (UCLA). Em Los Angeles, lugar muito diferente de onde
nasci, sentia-me como se vivesse num outro planeta. Achei que estava na terra de
leite e mel. Na América o que era mais impressionante para mim era o cultivo ao
trabalho. Parecia não importar se uma pessoa havia nascido num castelo ou numa
cabana. Se essa pessoa desejasse trabalhar duro, as portas da oportunidade
seriam abertas para ela. Trabalhei com afinco, como físico, para uma grande
corporação e recebi um conjunto de variadas opções, que apliquei em outros
investimentos.
Como co-inventor da tecnologia a laser, que tornou possível
a cirurgia óptica a laser, tornei-me independente financeiramente. Mais de
quinze milhões de pessoas têm feito a cirurgia a laser no olho eliminando ou
reduzindo sua dependência de óculos ou de lentes de contato.
Aquele que uma vez fora um pobre emigrante possuía agora
todas as coisas. Mergulhei na vida à moda de Los Angeles. Minha casa, no topo de
uma colina, tornou-se o cenário de festas espetaculares com a presença de muitas
celebridades.
O deslumbramento por meu estilo de vida era inebriante.
Contudo, havia um sentido perturbador de ter perdido o caminho. Pensei: "Se
tenho todas as coisas, devo ser feliz. Então, por que estou sentindo como se
tivesse um vazio no meu coração?" Como muitas pessoas, tinha aquele falso
conceito que, se tivesse uma enorme soma de dinheiro, viveria depois sempre
feliz. Entretanto, aprendi que o dinheiro não é uma panacéia para a felicidade.
O que me salvou de uma possível fatídica autodestruição foi
aquilo que trouxe como ferramenta espiritual em minha bagagem da infância e de
meus dias com Gandhi. Recordei como ele se referia à Única Fonte de tudo e de
todos. Ele explicava que a felicidade verdadeira era proveniente da Única Fonte
no interior de cada um, unindo todos no Espírito.
Como cientista ávido, era uma creatura cética. Assim, a
parte cética em mim começou a perguntar: "Pode a ciência dar credito à crença de
que existe unicidade na creação?" Havia mergulhado por mais de uma década nas
pesquisas em tempo integral e estava surpreso ante minhas descobertas. O mesmo
método cientifico, que em determinada ocasião nos compeliu a questionar a
existência de Deus, está agora – por meio da física moderna, da cosmologia e da
física quântica – desenvolvendo a evidência da antiga crença num poder mais
alto, por trás de toda a creação.
Como está detalhado em meu livro "O Código Chamado Deus", a
crença de que possuímos a mente apoiada na Fonte Única, presente em todas as
tradições espirituais, está fundamentada na realidade científica.
Somos, cada um, parte daquela Fonte Única e, quando estamos
sintonizados com essa unidade sagrada, compreendemos nosso pleno potencial.
Tornamo-nos sintonizados através da meditação, da prece, da ioga ou de outra
atividade que sustenta nossa unicidade com Deus. A felicidade é um trabalho
interior.
Algumas pessoas pensam que a ciência e a espiritualidade
são tão diferentes, tal como maçãs e laranjas e, portanto, não compatíveis.
Acredito que a ciência e a espiritualidade são compatíveis e que podemos fazer
uma deliciosa salada de frutas delas. Na realidade, devemos fazê-lo.
Minha contribuição cientifica para a tecnologia laser tornou a cirurgia ótica LASIK possível. Minha esperança é que todas as pessoas não apenas enxerguem
melhor com seus olhos humanos, mas também vejam a si mesmas completas e unidas
ao inteiro universo. Essa é a verdade sobre a nossa unicidade com Deus e de um
para com o outro.
Extraído de: texto copiado da "Leitura
Diária da Associação Unidade do Cristianismo", tradução de Rosa Maria.
Contribuição de Iris Helena Gomes.
O Dr. Bhaumik, autor do livro best-seller "O
Código Chamado Deus", é recebedor do prestigiado prêmio Humanitário Mahatma
Gandhi e é sobejamente referenciado por suas contribuições para a cirurgia a
laser.
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