Kahlil Gibran
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Ricardo B. Ivanov 2007

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Kahlil Gibran

Kahlil Gibran, um escritor libanês, ficou famoso no mundo inteiro com seu livro de "ficção" "O Profeta". Um livro, talvez, não tão arrebatador, mas extremamente poético.

Aqui estão alguns textos deste escritor que, talvez, vislumbrou a Sabedoria do Universo que rege todas as coisas.

Fala Kahlil Gibran:

Assaf - O Orador de Tiro:

O que direi sobre Suas palavras? Talvez houvesse alguma coisa em Sua pessoa que desse poder às Suas palavras e cativasse aqueles que O ouviam. Pois Ele era atraente e o esplendor do dia iluminava Seu semblante. Homens e mulheres fitavam-No mais do que ouviam Seus argumentos. Mas, às vezes, Ele falava com o poder de um espírito, e este espírito tinha autoridade sobre seus ouvintes.

Em minha mocidade, eu ouvira os oradores de Roma, de Atenas e de Alexandria. O jovem Nazareno era diferente de todos eles. Aqueles reuniam suas palavras com uma arte para cativar os ouvidos, mas quando O ouvíamos, nosso coração nos deixava para vagar por regiões nunca antes visitadas. Ele contava uma história ou narrava uma parábola, e histórias e parábolas como as d’Ele nunca haviam sido ouvidas na Síria. Parecia que as tecia com as estações, assim como o tempo fia os anos e as gerações. Ele começava uma história assim: “O lavrador foi ao campo para semear suas sementes”. Ou, “Certa vez, havia um homem rico que possuía muitos vinhedos”. Ou, “Um pastor contou suas ovelhas ao cair da tarde, e viu que uma ovelha estava perdida.”

Tais palavras levavam Seus ouvintes para o mais simples do seu ser, e para os mais antigos de seus dias. Em nosso coração, somos todos lavradores, e todos amamos o vinhedo. Na pastagem de nossa memória, há um pastor, um rebanho, e uma ovelha perdida; e há o vômer do arado, o lagar e a eira. Ele conhecia a nascente de nosso mais antigo ser, o fio inquebrantável de que somos tecidos. Oradores Gregos e Romanos falavam a seus ouvintes sobre a vida como ela se afigura à mente. E Nazareno falava de um anseio que se alberga no coração. Eles viam a vida com olhos só um pouco mais claros que os vossos e os meus. Ele via a vida na luz de Deus. Muitas vezes penso que Ele falava à turba como uma montanha falaria à planície. Em Suas palavras havia um poder que não estava no domínio dos oradores de Atenas e de Roma.

Extraído de: "Jesus, O FIlho do Homem", Kahlil Gibran, Editora Martin Claret.

Contribuição de Alessandro Hideki Shimabucuro.

Sobre o matrimônio:

Então Almitra falou novamente e disse: "E que nos dizes sobre o matrimônio, Mestre1?"

E ele respondeu dizendo:

"Vocês nasceram juntos, e devem permanecer juntos para todo sempre.

Deveis estar juntos quando as brancas asas da morte dispersarem vossos dias.

Sim, estareis juntos até na silenciosa memória de Deus.

Deixai porém espaços em vossa união.

E deixai as asas dos céus dançarem entre vós.

Amai um ao outro, mas não façais do amor um cativeiro:

Deixai antes que seja um mar ondulante por entre as praias de vossas almas.

Enchei o copo um do outro, mas não bebais do mesmo copo.

Dai um ao outro do vosso pão, mas não comais do mesmo naco.

Cantai e dançai juntos e sede alegres, deixai porém cada um de vós estar só.

Bem como as cordas da lira, que estão separadas, e no entanto juntas vibram na mesma música.

Doai vossos corações, mas não para que o outro zele.

Pois apenas as mãos da Vida podem conter vossos corações.

E vivei juntos, mas não juntos demais:

Pois os pilares do templo ficam separados,

E o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro.

1 Trata-se de "Al-Mustafa, o 'Escolhido e o Bem Amado' ", personagem fictício da obra "O Profeta".

Extraído de: "O Profeta", Kahlil Gibran, Editora Martin Claret.

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