|

Kahlil Gibran, um escritor
libanês, ficou famoso no mundo inteiro com seu livro de
"ficção" "O Profeta". Um livro, talvez, não tão
arrebatador, mas extremamente poético.
Aqui estão alguns textos
deste escritor que, talvez, vislumbrou a Sabedoria do
Universo que rege todas as coisas.
Fala
Kahlil Gibran:
Assaf - O Orador de Tiro:
O que direi sobre Suas palavras? Talvez houvesse alguma
coisa em Sua pessoa que desse poder às Suas palavras e
cativasse aqueles que O ouviam. Pois Ele era atraente e
o esplendor do dia iluminava Seu semblante. Homens e
mulheres fitavam-No mais do que ouviam Seus argumentos.
Mas, às vezes, Ele falava com o poder de um espírito, e
este espírito tinha autoridade sobre seus ouvintes.
Em minha mocidade, eu ouvira os oradores de Roma, de
Atenas e de Alexandria. O jovem Nazareno era diferente
de todos eles. Aqueles reuniam suas palavras com uma
arte para cativar os ouvidos, mas quando O ouvíamos,
nosso coração nos deixava para vagar por regiões nunca
antes visitadas. Ele contava uma história ou narrava uma
parábola, e histórias e parábolas como as d’Ele nunca
haviam sido ouvidas na Síria. Parecia que as tecia com
as estações, assim como o tempo fia os anos e as
gerações. Ele começava uma história assim: “O lavrador
foi ao campo para semear suas sementes”. Ou, “Certa vez,
havia um homem rico que possuía muitos vinhedos”. Ou,
“Um pastor contou suas ovelhas ao cair da tarde, e viu
que uma ovelha estava perdida.”
Tais palavras levavam Seus ouvintes para o mais simples
do seu ser, e para os mais antigos de seus dias. Em
nosso coração, somos todos lavradores, e todos amamos o
vinhedo. Na pastagem de nossa memória, há um pastor, um
rebanho, e uma ovelha perdida; e há o vômer do arado, o
lagar e a eira. Ele conhecia a nascente de nosso mais
antigo ser, o fio inquebrantável de que somos tecidos.
Oradores Gregos e Romanos falavam a seus ouvintes sobre
a vida como ela se afigura à mente. E Nazareno falava de
um anseio que se alberga no coração. Eles viam a vida
com olhos só um pouco mais claros que os vossos e os
meus. Ele via a vida na luz de Deus. Muitas vezes penso
que Ele falava à turba como uma montanha falaria à planície. Em Suas palavras havia um poder que não estava no domínio dos
oradores de Atenas e de Roma.
Extraído de:
"Jesus, O FIlho do Homem", Kahlil Gibran, Editora Martin Claret.
Contribuição de Alessandro
Hideki Shimabucuro.
Sobre o matrimônio:
Então
Almitra falou novamente e disse: "E que nos dizes sobre
o matrimônio, Mestre1?"
E ele
respondeu dizendo:
"Vocês
nasceram juntos, e devem permanecer juntos para todo
sempre.
Deveis estar
juntos quando as brancas asas da morte dispersarem
vossos dias.
Sim, estareis
juntos até na silenciosa memória de Deus.
Deixai porém
espaços em vossa união.
E deixai as
asas dos céus dançarem entre vós.
Amai um ao
outro, mas não façais do amor um cativeiro:
Deixai antes
que seja um mar ondulante por entre as praias de vossas
almas.
Enchei o copo
um do outro, mas não bebais do mesmo copo.
Dai um ao
outro do vosso pão, mas não comais do mesmo naco.
Cantai e
dançai juntos e sede alegres, deixai porém cada um de
vós estar só.
Bem como as
cordas da lira, que estão separadas, e no entanto juntas
vibram na mesma música.
Doai vossos
corações, mas não para que o outro zele.
Pois apenas as
mãos da Vida podem conter vossos corações.
E vivei
juntos, mas não juntos demais:
Pois os
pilares do templo ficam separados,
E o carvalho e
o cipreste não crescem à sombra um do outro.
1 Trata-se de "Al-Mustafa, o
'Escolhido e o Bem Amado' ", personagem fictício da obra "O
Profeta".
Extraído de:
"O Profeta", Kahlil Gibran, Editora Martin Claret. |