Entre a fé e a pós-modernidade

Entrevista exclusiva de Karl Marx para Limite XXI

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Fundamentos Ontológicos, Fé e Pós-Modernidade:
Problematizando o Natural

Emilio Enrique Dellasoppa /UERJ

Pressupostos , Saber e Verdade

 
“Uma teoria social que extraia do movimento do ser social na sociedade burguesa as suas determinações concretas (isto é, que re-produza e re-construa sua ontologia) e que, portanto, não tenha um valor puramente instrumental, é, nestas condições, função de dois vetores – precisamente os que propiciam a ultrapassagem da positividade e a apreensão da racionalidade do processo social efetivo, da sua legalidade. Em primeiro lugar, uma perspectiva de classe para a qual a dissolução da positividade se constitua como uma exigência imanente; em segundo lugar, um projeto teórico-metodológico fundado num arsenal heurístico capaz de dar conta da processualidade específica do ser social próprio à sociedade burguesa. Somente a conjugação destes vetores permite a resolução da positividade na análise concreta da sua concreta processualidade. E, nos marcos da sociedade burguesa, essa conjunção é garantida apenas pelo ponto de vista de classe do proletariado e pelo projeto teórico-metodológico crítico-dialético.” (José Paulo Netto: Capitalismo Monopolista e Serviço Social. Cortez Editora, São Paulo, 1992, p. 138).
A doutrina marxista é normalizada pela Adchss.: ela estabelece um estândar na forma de um ideal para o saber, ideal que se deve tentar alcançar por meio de um processo dialético. Observem-se as condições que devem ser cumpridas pela teoria. E apenas uma teoria preenche os requerimentos. Observe-se a subjetivação da teoria. A teoria está descrita como sujeito que faz, que, enfrentada ao “ser social”, “...re-produza e re-construa sua ontologia.” Perguntaríamos ao autor onde é que ficam essa reprodução e essa reconstrução: se na cabeça do teórico ou na realidade. Mas devemos levar em conta uma observação complementar: a validade do paradigma não está mais atrelada a um sistema conceitual com referentes empíricos concretos no presente, mas apenas ao método. “Esta adequação da articulação teórico-metodológica da perspectiva marxiana ao seu objeto (a ordem burguesa) esteve sempre na base da determinação da sua validez.” ( Netto, 1995: 61, Nota 38) Esta é uma afirmação de Lukács ( e de Gramsci, que pensava que Marx tinha iniciado intelectualmente uma idade que duraria séculos.) Lukács e Gramsci são pensadores que manifestamente estão dentro da episteme moderna, própria do século XIX.
Vamos agora examinar as garantias. O autor (Netto) utiliza-se da autoridade de Michel Löwy para aprofundar o tema do ponto de vista do proletariado:
 
“Que significa mais precisamente ‘ponto de vista do proletariado’? Não se trata necessariamente do estado de espírito empiricamente verificável no seio da massa de trabalhadores em um momento determinado. Como, portanto, identificá-lo? Entre as diferentes correntes políticas, teóricas e científicas que o reivindicam, qual seria a expressão mais autêntica do ponto de vista da classe? Evidentemente, a resposta a estas questões contém uma dimensão inevitável de subjetividade.” (Michael Löwy: As aventuras de Karl Marx contra o Barão de Münchhausen. Editora Busca Vida, São Paulo, 1987, 3a. Ed., pp. 201-202) (Itálicas EED)
(continua)
 
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