Um fundamento
epistemol�gico baseado numa fal�cia das mais banais
Emilio E. Dellasoppa
Professor Adjunto, Faculdade de Servi�o Social � UERJ
Rio de Janeiro, Julho de 2001
Resumo
Como coloquei
na reuni�o do Departamento de Pol�tica Social, estou dando
prosseguimento �s minhas considera��es acad�mico-pol�ticas, na forma
de algumas hip�teses que irei analisando sucessivamente, na esperan�a
de estimular um pequeno debate com meus colegas. Nesta primeira
ocasi�o, apresento � considera��o de Vs. algumas reflex�es sobre o que
considero um ponto interessante de ser discutido: a sustenta��o num
conjunto de fal�cias sustentadas pela �corrente hegem�nica� da chamada
�dire��o social� da orienta��o acad�mico-pol�tica da FSS, o que pela
sua vez se traduz no mais raso �positivismo ideol�gico�, t�pico das
concep��es pequeno-burguesas do marxismo perif�rico.[1]
Para fundamentar estas coloca��es vou partir da an�lise em
conjunto de dois textos, que me parecem, a partir do meu conv�vio com
o universo intelectual de meus colegas, bastante representativos deste
tipo de pensamento.
�Agora, com uma
seriedade e severidade inusitadas, a teoria � hist�ria; e, tamb�m, de
uma forma tradicionalmente evitada antes, a hist�ria � teoria, com
todas suas exig�ncias�. P. Anderson. Tras las
huellas del Materialismo Hist�rico. Siglo XXI Editores.
Madrid. 1986 (1983). P. 27. ( Tradu��o EED)
"It is almost as important to know what is not serious as to know what
is."
John Kenneth Galbraith
(1908 - )
Uma quest�o de estilo?
Inicialmente, um coment�rio sobre o estilo
em que foi apresentada a primeira vers�o, estilo que � basicamente
mantido nesta, com a retirada de alguns coment�rios que davam um certo
�color local� e nada substancial acrescentavam. Ainda, seriam
incompreens�veis para muitos leitores. Diversas considera��es foram
tecidas sobre o que seria uma apresenta��o demasiadamente dura, que
colocaria incongru�ncias metodol�gicas brutalmente expostas.
Contrariamente ao que poderia ser pensado, apareceu nas discuss�es que
este � um estilo firmemente enraizado nas tradi��es de debate
pol�tico no campo do Servi�o Social, como a seguinte cita��o (agrade�o
a GF sua sugest�o!) exemplifica cabalmente:
�� desnecess�rio dizer
que um fio extremamente pol�mico atravessa estes dois ensaios. No
primeiro, onde a gravita��o das dimens�es ideopol�ticas possui
flagrante pondera��o, afirmo um �ngulo anal�tico alternativo �
aprecia��o �esquerdista� (acad�mica ou n�o) e � avalia��o liberal
da ditadura, bem como de suas pol�ticas educacional e cultural. No
segundo, a pol�mica � direcionada para o debate profissional � e a
minha falta de �diplomacia� seguramente desagradar� a gregos e
troianos, inclusive a companheiros com quem, ao longo de tempos
turbulentos e tempos �speros, travei lutas comuns e me vinculei
solid�ria e afetuosamente. Neste ponto, s� cabe fazer notar que se
critica apenas o que se respeita e que o confronto aberto de
id�ias e posi��es � elemento constitutivo da rela��o intelectual
fraterna, que n�o tem por alicerce omiss�es gentis. E ainda: n�o se
faz pol�mica te�rico-cr�tica com salto alto e luvas de pelica �
especialmente num territ�rio como o do Servi�o Social, onde predomina
uma exasperante aus�ncia de n�tidas contraposi��es.� (Jos� Paulo Netto.
Ditadura e Servi�o Social: Apresenta��o. P�g. 10. S�o Paulo, Cortez
Editora, 1991.) (It�licas de J.P.Netto)
O que pretendo mostrar � que, com a simples
aplica��o da l�gica aos textos que se indicam a seguir, se colocam em
evid�ncia suas contradi��es internas � l�gicas, insan�veis � que
finalmente mostram que eles mesmos se constituem em exemplos das
deforma��es das ci�ncias burguesas que acreditam combater. Ou seja,
como veremos no final, o texto de M. L�wy est� t�o atolado quanto os
outros na lama que prende ao Bar�o de M�nchhausen, por mais que tente
disfar�ar o problema! M. L�wy � mais uma v�tima das limita��es que
ele acredita enxergar bem...nos outros:
�Liberar-se por um
�esfor�o de objetividade� das pressuposi��es �ticas, sociais ou
pol�ticas fundamentais de seu pr�prio pensamento � uma fa�anha que faz
pensar irresistivelmente na c�lebre hist�ria do Bar�o de M�nchhausen,
ou este her�i picaresco que consegue, atrav�s de um golpe genial,
escapar ao p�ntano onde ele e seu cavalo estavam sendo tragados, ao
puxar a si pr�prio pelos cabelos...Os que pretendem ser sinceramente
seres objetivos s�o simplesmente aqueles nos quais as pressuposi��es
est�o mais profundamente enraizadas. Para se liberar destes
�preconceitos� � necess�rio, antes de tudo, reconhece-los como tais;
ora, a sua principal carater�stica � que eles n�o s�o considerados
como tais, mas como verdades evidentes, incontest�veis, indiscut�veis.
Ou melhor, em geral eles n�o s�o sequer formulados, e permanecem
impl�citos, subjacentes � investiga��o cient�fica, �s vezes ocultos ao
pr�prio pesquisador. Eles constituem o que a sociologia do
conhecimento designa como campo comprovado como evidente, um conjunto
de convic��es, atitudes ou id�ias ( do pesquisador e de seu grupo de
refer�ncia) que escapa � d�vida, � dist�ncia cr�tica ou ao
questionamento� ( Michael L�wy: As aventuras de Karl Marx contra o
Bar�o de M�nchhausen. Editora Busca Vida, S�o Paulo, 1987, 3a.
Ed., pp. 31-32)
Mas M. L�wy est� firmemente sustentado nas suas
posi��es por Jos� Paulo Netto. Certamente analisar os dois textos em
conjunto � uma experi�ncia muito interessante. Exige-se apenas uma
pr�-condi��o: conhecer um pouco de hist�ria e a hist�ria pol�tica do
marxismo ocidental. Uma longa milit�ncia � um plus. Vamos ao
trabalho: comecemos analisando uma muito conhecida passagem de um dos
textos mais freq�entemente citados nas refer�ncias bibliogr�ficas:
�Uma teoria social que
extraia do movimento do ser social na sociedade burguesa as suas
determina��es concretas (isto �, que re-produza e re-construa sua
ontologia) e que, portanto, n�o tenha um valor puramente
instrumental, �, nestas condi��es, fun��o de dois vetores �
precisamente os que propiciam a ultrapassagem da positividade e a
apreens�o da racionalidade do processo social efetivo, da sua
legalidade. Em primeiro lugar, uma perspectiva de classe para a
qual a dissolu��o da positividade se constitua como uma exig�ncia
imanente; em segundo lugar, um projeto te�rico-metodol�gico fundado
num arsenal heur�stico capaz de dar conta da processualidade
espec�fica do ser social pr�prio � sociedade burguesa. Somente a
conjuga��o destes vetores permite a resolu��o da positividade na
an�lise concreta da sua concreta processualidade. E, nos marcos da
sociedade burguesa, essa conjun��o � garantida apenas pelo ponto de
vista de classe do proletariado e pelo projeto
te�rico-metodol�gico cr�tico-dial�tico.� ( Aqui entra a nota de
rodap� No. 145) (Jos� Paulo Netto: Capitalismo Monopolista e Servi�o
Social. Cortez Editora, S�o Paulo, 1992, p. 138).
Vejamos o que diz a nota de rodap� 145.
Textualmente: �145. Cf. especialmente Luk�cs (1974) e Kofler (1968).
A fecunda argumenta��o de L�wy (1987) desenvolve com extremo cuidado
esta problem�tica, assinalando que, em determinadas condi��es, raras
por�m ocorrentes, outras perspectivas de classe que n�o burguesas
podem oferecer uma rica angula��o cr�tica (ele aponta,
especificamente, o caso de Sismondi.�
[2]
A funda��o cir�rgica dos passos[3]
Primeira quest�o. O que Netto coloca na sua nota
de rodap� N�O � o que afirma M. L�wy. A cita��o est�
cir�rgicamente amputada. O que M.L�wy diz exatamente na p�gina
203 da edi��o citada por Netto � o seguinte: � No interior dos
limites impostos por sua ideologia de classe,( it�lico meu, EED)
Ricardo, A. Smith ou Sismondi s�o perfeitamente capazes de produzir
conhecimentos cient�ficos do maior valor� . E, j� que estamos, uma
canja: M. L�wy continua imediatamente depois: �De outro lado, a
proposi��o segundo a qual o ponto de vista do proletariado � o que
oferece a melhor possibilidade objetiva (it�lico meu, EED) de
um conhecimento da verdade n�o significa absolutamente que �
suficiente se situar deste ponto de vista para obter resultados
cient�ficos mais verdadeiros ou mais objetivos�.
Retornemos � cita��o amputada. (Esta amputa��o me
lembra aquelas velhas fotografias da �poca estalinista, em que as
personagens que apareciam em torno a Lenin iam sumindo na medida em
que o tempo passava na ex-Uni�o Sovi�tica e o controle estalinista
sobre o aparato burocr�tico se fazia mais e mais completo...) Por que
ser� que o Prof. Netto ter� modificado sem avisar-nos a cita��o do M.
L�wy? Tal vez um erro tipogr�fico? N�o parece uma explica��o
convincente, j� que na 2a. edi��o do livro (1996) ela
continua exatamente igual...
Acho que Netto �corrigiu� propositadamente a
passagem do M. L�wy ao perceber uma fraqueza insan�vel no racioc�nio
deste. Vejamos. Quando Netto admite que �outras perspectivas de
classe que n�o burguesas podem oferecer uma rica angula��o cr�tica
(ele aponta, especificamente, o caso de Sismondi.� ( que � um
economista pequeno-burgu�s!) e �esquece� sem avisar-nos dos burgueses
David Ricardo e Adam Smith o que est� fazendo � tentar fechar a porta
a uma relativiza��o e indetermina��o total no racioc�nio ( que M. L�wy
explicita logo a seguir, na passagem reproduzida acima).
Admitir a possibilidade de que os economistas
burgueses tamb�m possam ser capazes de produzir �conhecimentos
cient�ficos do maior valor�, implica que n�o apenas Ricardo e Smith
est�o nessa condi��o, mas tamb�m Cournot, Quesnay, Pareto, Marshall,
Schumpeter, Keynes, Robbins, Leontieff, Von Mises, Sraffa, Sen,
Etzioni, Thurow, Kuttner, Ormerod, Gailbraith (que al�m de economista
parece ser uma autoridade na metodologia e �tica do trabalho
intelectual) Gini, Frank, Passinetti, ....! E portanto nossos
�mirantes� se multiplicam ao assustadoramente! Duas vezes, porque
ainda temos o problema de que �estar no mirante do proletariado� n�o
garante em absoluto que nossos produtos ser�o cient�ficos e n�o
banalidades...! Portanto, ser� necess�rio um crit�rio para
decidir qual o �ponto de vista do proletariado correto�, de julgar os
produtos cient�ficos uns contra os outros, etc. etc. Quem ser� o juiz?
Uma resposta poss�vel: a vanguarda (iluminada). Mas, como identificar
a vanguarda iluminada em cada momento hist�rico? Pode-se ver que
aceitar essa possibilidade nos coloca na pr�tica perante uma regress�o
quase ao infinito....� mais ou menos como ficar na situa��o do final
do filme Indiana Jones e a arca Perdida: tire-se a tampa da
arca e os fantasmas dos economistas burgueses e seus conhecimentos
cient�ficos do mais alto valor v�o nos devorar. Apenas a vanguarda
esclarecida poder� sobreviver, porque sabe que 1) jamais deveria
tirar-se a tampa da arca; e que 2) caso uma vez tirada por um descuido
metodol�gico, o crit�rio de sobreviv�ncia � fechar os olhos para n�o
ver os fantasmas.
Certamente, a arte de apagar os problemas antes
que se apresentem � uma virtude do estalinismo, j� o utopismo
messi�nico recheado de idealismo de M. L�wy come�a a deix�-lo em maus
len��is. ...Mas ainda estamos no in�cio dos problemas originados nesta
pequena confronta��o das escrituras...
�Uma dimens�o inevit�vel de subjetividade�
Voltemos agora ao nosso segundo autor, Michael
L�wy, j� devidamente purificado e avalizado pela ortodoxia.
Acompanhemos sua argumenta��o:
�Que significa mais
precisamente �ponto de vista do proletariado�? N�o se trata
necessariamente do estado de esp�rito empiricamente verific�vel no
seio da massa de trabalhadores em um momento determinado. Como,
portanto, identific�-lo? Entre as diferentes correntes pol�ticas,
te�ricas e cient�ficas que o reivindicam, qual seria a express�o mais
aut�ntica do ponto de vista da classe? Evidentemente, a resposta a
estas quest�es cont�m uma dimens�o inevit�vel de subjetividade.�
(Michael L�wy: As aventuras de Karl Marx contra o Bar�o de M�nchhausen.
Editora Busca Vida, S�o Paulo, 1987, 3a. Ed., pp. 201-202)
(It�licas EED)
E a continua��o enumera cinco tipos diferentes de
problemas que est�o na origem das diverg�ncias entre �pensadores ou
for�as que reivindicam o proletariado e seu ponto de vista�...etc.
Como distinguir �o ponto de vista CERTO??? Novamente estamos no
problema da �regress�o ao infinito�....ainda, com uma �dimens�o
inevit�vel de subjetividade�...! ou ser� que o truque do Bar�o n�o �
t�o simples de afastar como parecia??? Mas continuemos com a
argumenta��o do L�wy:
Para M. L�wy, nenhum grupo ou indiv�duo poder�
atribuir-se o ponto de vista do proletariado em um momento hist�rico
t, porque:
�Em outras palavras: o
ponto de vista do proletariado n�o � monop�lio exclusivo de um �nico
grupo o corrente, mas representa, em cada momento hist�rico, o
horizonte comum a um conjunto de for�as pol�ticas e intelectuais,
sociais e culturais que reivindicam a vis�o prolet�ria � isto �, de
sua utopia revolucion�ria. Seria tanto mais �aut�ntico� na medida em
que soubesse escapar � influ�ncia mistificadora das ideologias
conservadoras (burguesas, patriarcais ou burocr�ticas) e unificar
dialeticamente (sob o ponto de vista da totalidade), em seu n�vel
superior, a multiplicidade das experi�ncias da classe.� ( Michael
L�wy: As aventuras de Karl Marx contra o Bar�o de M�nchhausen. Editora
Busca Vida, S�o Paulo, 1987, 3a. Ed., p. 202)
O irracionalismo messi�nico como op��o ao beco sem
sa�da positivista? Acredito que Marx e Engels jogariam estas concep��es
no saco das cr�ticas pequeno-burguesas e rom�nticas ao capitalismo...Mas
vejamos um ponto interessante: quando � que o livro de M. L�wy foi
escrito? Bom, na edi��o brasileira, que � uma tradu��o, indicam-se os
anos de 1987 na ficha catalogr�fica e 1988 na indica��o de impress�o.
N�o est� indicado o ano de publica��o do original em l�ngua estrangeira.
Ou seja, o livro foi escrito alguns anos antes de 1989, ou seja, da
queda do �Muro de Berlim� e do desabamento do �socialismo real�. Imagino
que o leitor se perguntar� comigo se o �n�cleo irredut�vel de f� e a
�aposta hist�rica� n�o foram dramaticamente esmagados � sem desaparecer,
claro- pela queda do mundo socialista na sua quase totalidade. Acredito
que podem ter sido esmagados quantitativamente, mas ao mesmo tempo penso
que foram refor�ados na sua radicalidade como op��o pol�tica da
pequena-burguesia intelectual. Quer dizer, tomada na sua total
unilateralidade a solu��o proposta por L�wy: deixa-se totalmente de lado
a an�lise emp�rica dos fatos para se enfatizar a f� e a aposta.
A vers�o mais banal de esta vers�o pequeno-burguesa dir�: �Se �
marxista ou n�o se �, that is the question�. Lembram do Marx
da Mis�ria da Filosofia? J� disse isso na minha contribui��o anterior:
aquele �por-um-lado� e �por-outro-lado� que Marx sinalizava em Proudhom
como a caracter�stica m�xima do pensamento pequeno-burgu�s, aparece
agora apresentado numa dicotomia baseada...NA F�!.
A pequena burguesia se supera constantemente...Como afirmava
acima M.L�wy, �Evidentemente, a resposta a estas quest�es cont�m uma
dimens�o inevit�vel de subjetividade.� ( Michael L�wy: As aventuras de
Karl Marx contra o Bar�o de M�nchhausen. Editora Busca Vida, S�o Paulo,
1987, 3a. Ed., pp. 201-202). De repente viramos
durkheimianos! Vamos admitir a psicologiza��o da possibilidade do
conhecimento e de suas ferramentas metodol�gicas????
�Vimos que para Marx o
ponto de vista de classe e a vis�o social do mundo correspondente
determinam um horizonte intelectual, os limites estruturais
intranspon�veis do campo de visibilidade cognitiva, o m�ximo de
conhecimento poss�vel a partir desta perspectiva.� (Michael L�wy: As
aventuras de Karl Marx contra o Bar�o de M�nchhausen. Editora Busca
Vida, S�o Paulo, 1987, 3a. Ed., p. 202)
De acordo. Finalmente, uma ultima provoca��o. De
acordo em tanto se aplique para todas as classes. Inclu�do o
proletariado, e muito mais naqueles que se consideram com direito a
�atribuir� ao proletariado sua consci�ncia, fundamentalmente os
intelectuais burgueses e pequeno-burgueses que perseveram na concep��o
leninista-estalinista e s�o decididos partid�rios da �democracia por
imposi��o�.
�Uma exasperante aus�ncia de n�tidas
contraposi��es�: o �Back to the Future� da FSS?
Como foi colocado na reuni�o do DPS, trata-se de um
debate que poder� ser enriquecedor, caso conte com a participa��o de
todos. Ainda, poder� fornecer subs�dios importantes para a discuss�o, j�
h� muito tempo protelada, sobre a reformula��o curricular.
As quest�es colocadas acredito que extrapolam o
marco da Faculdade. No �ltimo semin�rio Clacso-Instituto Gino Germani (UBA)
foi afirmado que � ...1989 colocava para o marxismo um problema
epistemol�gico� (Edgardo Lander). A quest�o foi amplamente debatida,
assim como a afirma��o do Comandante Marcos de que � ...o Movimento
Zapatista n�o era marxista porque os marxistas s�o companheiros voltados
para o passado, obcecados com o passado.� N�o � pouco dizer. As quest�es
est�o a�.