Entre a fé e a pós-modernidade

Entrevista exclusiva de Karl Marx para Limite XXI

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Fundamentos Ontológicos, Fé e Pós-Modernidade:
Problematizando o Natural

Emilio Enrique Dellasoppa /UERJ

Episteme

“Em qualquer cultura e em qualquer momento dela, há sempre uma única episteme que define as condições de possibilidade de todo conhecimento, tanto expresso numa teoria como silenciosamente manifesto em uma prática” (tradução EED) (Foucault, 1973: 168) Não é este o lugar para discutir o conteúdo da episteme pós-moderna, para chamar de alguma forma a episteme que sucede à da modernidade. Porém, podemos assinalar sem sombra dúvida um elemento que faz parte imprescindível dela: a certeza lógica de que todas as teorias consistentes e suficientemente complexas (aqui se inclui a aritmética elemental) devem ser incompletas. (Bunge, 1998:504) (5) Este é o ponto fundamental para considerar, por exemplo, Lukács e Gramsci como pertencentes à episteme moderna, século XIX, já que este tipo de limites lhes é completamente alheio.
No caso da Adchss podemos verificar uma total aceitação da episteme moderna na forma de collage eclético das inúmeras versões do marxismo. Na verdade, o conjunto de afirmações teóricas que servem como marcos de referência e normalização à Adchss nada mais é que a prolongação eclética das diferentes versões do marxismo posteriores à implosão da União Soviética e de todo o campo socialista. Poderíamos dizer que foi elaborado a partir do capital cultural preexistente da corrente ( ou de alguns membros dela). Mas vejamos como este discurso serve para a operação do poder no conjunto de um dispositivo estratégico. Os elementos centrais deste saber, deste “discurso hegemônico” são: a) o ponto de vista de classe do proletariado como condição necessária mas não suficiente para a cientificidade (e a verdade); b) a validade do método marxiano; com independência do conteúdo empírico presente dos conceitos elaborados por Marx no século XIX no contexto da episteme moderna; c) adoção necessária do “ponto de vista da totalidade social”. Com base nestes pressupostos, é normalizada a produção teórica da Adchss. Vejamos agora as articulações do discurso deste saber com a verdade e seus pressupostos no contexto da episteme moderna.
5 “...esta é a substância de um dos teoremas de não-completude de K. Gödel. Como a consistência é um desideratum absoluto, e como queremos teorias as mais ricas possíveis, devemos abrir mão da completude formal como um desideratum para as teorias lógicas e matemáticas. A fortiori devemos abandoná-la como parte das teorias da ciência empírica, já que a última tem como pressuposto a ciências formais.” (Bunge, 1998: 504-505). A insistência nas práticas discursivas no recurso canônico ao “ponto de vista da totalidade”, apenas espelha a vinculação da Adchss à episteme do século XIX.
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