Edição de 17.6 a 23.6.2002



:: COLUNISTAS ::

André Tezza Consentino
Bob Marochi
Caetano Galindo
Rosiane C. de Freitas
Rogerio W. Galindo



Shampoo? Tá na bolsa... Escova? Aqui... Cd's de pagode? Peguei...

Semana passada teve dia dos namorados. Dei bombons finos e outros mimos pacientemente escolhidos. Em troca recebi a oficialíssima camisa da seleção brasileira/nike para a Copa de 2002. Presentão! A mesma que comentei ser muito feia, mas que agora, dada com tanto carinho, não tiro do corpo desde domingo. E depois do jogo desta segunda contra a Bélgica, aí sim é que vou usar até ficar bem fedida (tipo o Thyrso com a sua indefectível camiseta camuflada).

Aos ufanistas, desculpe desapontá-los. Na minha opinião nada modesta, sexta-feira próxima, dia 21, o Brasil faz seu último jogo nesta Copa. Logo, visto a camisa da seleção enquanto é tempo, porque depois de sexta somente daqui quatro anos.

Exagero e pessimismo? Respondo com ceticismo:

Pode um time ser campeão com um ataque brilhante, uma defesa horrorosa e um meio campo tão inexistente que chega a ser inqualificável? Penso que não.

Pode um time ser campeão dependendo exclusivamente do talento e de dois grandes atacantes (e Rivaldo vem sendo uma agradabilíssima surpresa)? Aqui cabe uma nota positiva: a insistência de Felipão com Ronaldinho é a melhor obra de sua gestão. Mas é pouco.

Pode uma seleção brasileira ser campeã com Edmilson, Gilberto Silva e Juninho Paulista como meio campo? Não se enganem, Edmilson é volante, joga como volante, e nossa zaga é ruim mesmo. Como disse, inqualificável.

Bélgica? Dê-me um nome de um grande jogador ou clube belga, daqueles que tenha feito história. Eu só lembro de Preud'homme, o goleiro bonitão que, aos 39 anos, foi desesperadamente cabecear um escanteio na área adversária aos 90 minutos de uma oitavas de final dessas que a Bélgica está tão acostumada a perder - acho que isso foi em 94. Como pode um time assim nos dar o sufoco que deu?

E quem inventou essa história de que a zaga inglesa é ruim? O Galvão Bueno? Como podem considerar ruim uma defesa que só tomou um gol contra times como Argentina, Nigéria, Suécia e Dinamarca? É muito diferente das babas que encontramos, e que já carimbaram por 3 vezes nossas redes, fora os sustos.

Denilson é um jogador de futebol ou uma foca amestrada? Como pode um jogador que se diz atacante, ter feito meia dúzia de gols na carreira? A simpatia que todos tínhamos por ele na redescoberta de um suposto futebol espetáculo, torna-se desespero quando seus dribles tornam-se armas fatais na estruturação de um contra-ataque, adversário. Fosse ele craque de verdade, objetivando o gol e não o malabarismo barato, não estava encostado no Real Betis, time tão competitivo quanto as firulas de Denilson.

Sinto-me traído. Em minha primeira coluna para este site falava justamente de minha admiração pelo Felipão, homem sem cabresto, que de tão autêntico chegava a ser rude. Mas a autenticidade virou teimosia, e esta última gerou aquela coisa que chamaram de jogo conta a Bélgica. Não tivesse condições de resolver a parada, até entendo. Admito bicões e bolas rifadas em situações emergenciais. Mas a emergência durou quase dois tempos. Deu dó do Roberto Carlos. E o Júnior ali no banco. Ricardinho? Esquece, a teimosia não deixa. Já disse isso por aqui e coloco, novamente, em Ctrl C, Ctrl V.

"Pode melhorar? Acho que sim, agora que o Ricardinho foi pra lá. Também tenho certeza que não sentiremos falta do Emerson. Mas o novo camisa 7 será titular? Duvido! Felipão estaria assinando um atestado de mediocridade ao escalá-lo. Explico: estão lá os "especialistas" Vampeta, Gilberto Silva e Kleberson, volantes de ofício (bem feito, quem mandou não estudar?). Felipão já se mostrou descontente como seus cabeças de área e o único que lhe agradava, foi pro vinagre. Fez-se então, a gambiarra. E Juninho Paulista, meia desde pequenino, ficou improvisado. Lançar outro meia para proteger a zaga, com a defesa que temos, é pedir para metade da população brasileira fazer companhia ao Emerson no hospital, na ala dos cardíacos. E o gauchão não vai admitir que selecionou mal seus jogadores. Fica Juninho. E a outra vaga sai no palitinho." (Nosotros, 03 de junho de 2002)

Entre o samba dos antigos e o rock inglês, fico com o primeiro. Entre o segundo e esse pagode safado de agora, fico com o rock.

Alguma chance contra Beckham, Owen e Butt? Respondam-me esta e as outras perguntas acima na sexta pela manhã. Eu vou dormir e acho que não acordo com a língua queimada.

Bob Marochi, 26, é paranista, simpatizante do time português, e tá barrigudo porque nunca mais jogou uma pelada entre publicitários.

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