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Shampoo?
Tá na bolsa... Escova? Aqui... Cd's de pagode? Peguei...
Semana
passada teve dia dos namorados. Dei bombons finos e outros mimos
pacientemente escolhidos. Em troca recebi a oficialíssima camisa
da seleção brasileira/nike para a Copa de 2002. Presentão! A mesma
que comentei ser muito feia, mas que agora, dada com tanto carinho,
não tiro do corpo desde domingo. E
depois do jogo desta segunda contra a Bélgica, aí sim é que vou
usar até ficar bem fedida (tipo o Thyrso com a sua indefectível
camiseta camuflada).
Aos
ufanistas, desculpe desapontá-los. Na minha opinião nada modesta,
sexta-feira próxima, dia 21, o Brasil faz seu último jogo nesta
Copa. Logo, visto a camisa da seleção enquanto é tempo, porque depois
de sexta somente daqui quatro anos.
Exagero
e pessimismo? Respondo com ceticismo:
Pode
um time ser campeão com um ataque brilhante, uma defesa horrorosa
e um meio campo tão inexistente que chega a ser inqualificável?
Penso que não.
Pode
um time ser campeão dependendo exclusivamente do talento e de dois
grandes atacantes (e Rivaldo vem sendo uma agradabilíssima surpresa)?
Aqui cabe uma nota positiva: a insistência de Felipão com Ronaldinho
é a melhor obra de sua gestão. Mas é pouco.
Pode
uma seleção brasileira ser campeã com Edmilson, Gilberto Silva e
Juninho Paulista como meio campo? Não se enganem, Edmilson é volante,
joga como volante, e nossa zaga é ruim mesmo. Como disse, inqualificável.
Bélgica?
Dê-me um nome de um grande jogador ou clube belga, daqueles que
tenha feito história. Eu só lembro de Preud'homme, o goleiro bonitão
que, aos 39 anos, foi desesperadamente cabecear um escanteio na
área adversária aos 90 minutos de uma oitavas de final dessas que
a Bélgica está tão acostumada a perder - acho que isso foi em 94.
Como pode um time assim nos dar o sufoco que deu?
E quem
inventou essa história de que a zaga inglesa é ruim? O Galvão Bueno?
Como podem considerar ruim uma defesa que só tomou um gol contra
times como Argentina, Nigéria, Suécia e Dinamarca? É muito diferente
das babas que encontramos, e que já carimbaram por 3 vezes nossas
redes, fora os sustos.
Denilson
é um jogador de futebol ou uma foca amestrada? Como pode um jogador
que se diz atacante, ter feito meia dúzia de gols na carreira? A
simpatia que todos tínhamos por ele na redescoberta de um suposto
futebol espetáculo, torna-se desespero quando seus dribles tornam-se
armas fatais na estruturação de um contra-ataque, adversário. Fosse
ele craque de verdade, objetivando o gol e não o malabarismo barato,
não estava encostado no Real Betis, time tão competitivo quanto
as firulas de Denilson.
Sinto-me
traído. Em minha primeira coluna para este site falava justamente
de minha admiração pelo Felipão, homem sem cabresto, que de tão
autêntico chegava a ser rude. Mas a autenticidade virou teimosia,
e esta última gerou aquela coisa que chamaram de jogo conta a Bélgica.
Não tivesse condições de resolver a parada, até entendo. Admito
bicões e bolas rifadas em situações emergenciais. Mas a emergência
durou quase dois tempos. Deu dó do Roberto Carlos. E o Júnior ali
no banco. Ricardinho? Esquece, a teimosia não deixa. Já disse isso
por aqui e coloco, novamente, em Ctrl C, Ctrl V.
"Pode
melhorar? Acho que sim, agora que o Ricardinho foi pra lá. Também
tenho certeza que não sentiremos falta do Emerson. Mas o novo camisa
7 será titular? Duvido! Felipão estaria assinando um atestado de
mediocridade ao escalá-lo. Explico: estão lá os "especialistas"
Vampeta, Gilberto Silva e Kleberson, volantes de ofício (bem feito,
quem mandou não estudar?). Felipão já se mostrou descontente como
seus cabeças de área e o único que lhe agradava, foi pro vinagre.
Fez-se então, a gambiarra. E Juninho Paulista, meia desde pequenino,
ficou improvisado. Lançar outro meia para proteger a zaga, com a
defesa que temos, é pedir para metade da população brasileira fazer
companhia ao Emerson no hospital, na ala dos cardíacos. E o gauchão
não vai admitir que selecionou mal seus jogadores. Fica Juninho.
E a outra vaga sai no palitinho." (Nosotros, 03 de junho de
2002)
Entre
o samba dos antigos e o rock inglês, fico com o primeiro. Entre
o segundo e esse pagode safado de agora, fico com o rock.
Alguma
chance contra Beckham, Owen e Butt? Respondam-me esta e as outras
perguntas acima na sexta pela manhã. Eu vou dormir e acho que não
acordo com a língua queimada.
Bob
Marochi, 26, é paranista, simpatizante do time português, e tá barrigudo
porque nunca mais jogou uma pelada entre publicitários.
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