O Bob Gosta
Coisas banais que são muito legais: carta branca para Bob Marochi

Última atualização
em 20/08/2001

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Bob Marochi

Salve Salve, Amiguinhos! Em se tratando de eventos pop (e acho que na verdade qualquer outro tipo de evento cultural) Curitiba em nada se difere de qualquer cidade do interior, que vez por outra recebe o Jota Quest ou outra banda do momento. B.B King nunca veio para cá. Ray Charles não sabe o que existe ao sul de São Paulo. Há quem se belisque até hoje por ter visto o Paul McCartney na Pedreira. Só não é pior porque "das veiz" calha de acumular tudo, num intensivão quase sempre caro e cansativo. Há alguns meses foi assim: Quinta teve Funk Como Le Gusta, terminado horas bolas da sexta feira. Vinte horas depois, Man or Astroman...?, os preferidos do pessoal da Folha Teen, e só do pessoal da Folha Teen. Mais alguns pares de hora e Karnak fazia o primeiro show em Curitiba. Domingo foi dia de Unidos do Engov e Acadêmicos do Travesseiro.

Vejam que até o Karnak teve que optar entre duas capitais que ainda faltavam para seu currículum, a citar, Curitiba ou Rio Branco. Vivemos e nos divertimos em função das bandas locais, dos artistas locais, dos draumaturgos locais (ugh!). No quesito música, aos menos a oferta é boa para o padrão estudante-universitário-descolado-que-gosta-de-sons-dançantes. Antes dessa febre black que desceu de São Paulo para o sul, as festas de sábado do 21 (quando o bar é tomado por heterossexuais, vejam vocês que loucura!) tinha gente subindo literalmente pelas mesas com os queridos do Stevie Wonder, o Serviço de Preto. Se não eram eles, eram os Disco Boys do Maggie Poo. Ou os roquenrolicos do Galaxye Soul. E assim se ia, com festas aos sábados e arrependimentos etílicos aos domingos.

A coisa pegou no breu! Maggie Poo acabou pra dar origem a algo muito melhor, os já bookmark festivo do Bob, TurboFunk. Serviço de Preto mudou o nome (pena!) mas não a idéia, e hoje são conhecidos por Tio Barnablack. Essas duas bandas fizeram o melhor festerê que já presenciei, no supracitado show do Funk Como Le Gusta. E em mais uma semana que calhou de acumular tudo, deposito minhas fichas nesse povo.

Segunda tem Bob´s Grooves no Dromedário (o que por si só já é um puta evento! Vejam nota abaixo). Terça tem Free Jazz em Curitiba. OK! Se a onda é soul music e o evento é de Jazz, deveriam vir Herbie Hancock ou Quincy Jones. Aqui caberia outra discussão, alheia a minha vontade no momento (e mais indicada ao André e ao Lapão na definição do que é Jazz). Se ainda não teremos herbies ou quincies, a programação deixará qualquer black power de cabelo em pé (com o perdão do trocadilho bestão!). Tem Paula Lima, o redescoberto Gerson King Combo, Max de Castro, e fazendo companhia pra esse povo todo, os bookmarks TurboFunk.

Quem for verá. Lembrem-se da minha dica da última semana: DIVERSÃO! Não recebi um só puto dos caras pra divulgar. Não tenho ingresso na faixa. Só acho que felizmente estamos fazendo som pop pra exportação, com justa seleção de um local para evento tão badalado. E se o Bob Gosta, basta pra coluna desta semana.

Rapidinhas.

Tchau Droms!
Pois o Velho Dromedário faz sua despedida. Depois de nove anos aberto, a ex-casa de tolerância, ex-Dolores Nervosas, ex-ponto de todo o povo da comunicação da federal, ex-bar das favoritas da casa, faz grande balaco-baco em uma semana e meia de festas ininterruptas. E segunda tem Bob´s Grooves, com samba n´soul. Melhor que Tela Quente com o Van Damme! Melhor que jogo do campeonato israelense na Tv a Cabo! É a sua chance de tomar um último Poderoso Chefão ou traçar o maravilhoso Croissant dromedístico. Aos mais saidinhos, lá também tem absinto, mas não conte a ninguém. Em breve uma coluna somente com as memórias.

Dromedário Vicente Machado, 194, pertinho do antigo III Milênio.

Grande Juca I
Juca Kfouri é um cara foda. Em minha modesta opinião ele é, ao lado de José Trajano, o que de melhor nosso jornalismo esportivo oferece. Ano passado presenciei uma palestra do moço para os estudantes de jornalismo da Faculdade Opet (?) e já havia achado sensacional. Pois nesse sábado assisti ao programa "Bola da Vez", da ESPN Brasil, com o velho Juca. Fantástico! Foi de tudo um pouco: cartolagem corrupta, histórias sobre o Pelé, seleção, campeonato brasileiro, jornalistas promíscuos com o sistema. Nenhum calinho deixou de ser pisado, nenhum nome deixou de ser dito. Aos fãs de futebol é triste saber a quantas andam as coisas por aqui. Aos fãs de jornalismo, um prato cheio, mesmo sabendo que o gosto é um pouco amargo. Acho que tem reprise terça feira. Consulte sua revistinha.

Grande Juca II
Conta ele, e eu nunca tinha pensado nisso mesmo: quando o Guga começou a se destacar, a torcida em quadra vestias as indefectíveis camisas amarelas da seleção. O tempo passou e hoje, quando o Rivaldo & Cambada entram em campo, a torcida veste aquelas camisas cor "não sei" que o Guga sempre usa.

Morrison não é Morrisey
Aos amigos fãs de Morrisey. Claro que o cara em nada lembra o Porta Mor. Usei a similaridade dos nomes somente para dar continuidade na história do bem contra o mal. Efeito que me rendeu elogios de gente que escreve de verdade (Valeu, Cristovão!). Para preservar as amizades me desdigo então. Mas como isso aqui é o E-Rogerio, novamente digo que Morrison e Morrisey podem ser diferentes no estilo, mas iguais na chatura e na intensidade desta - com o agravante do segundo ter gerado o maior mala messiânico de todos os tempos no pop tupiniquim, Renato Russo.

Robson Marochi, 25, é publicitário e sócio da agência Forward.

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