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Corno
ou fodão? Eis a questão
Homenagem a Felipão
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Salve Salve
Amiguinhos: fui influenciado pelo espírito por vezes iconoclasta
destes que me cercam nessa experiência internética. Pra não fugir
do hábito que se estabeleceu por essas paragens, é minha vez de
descer o pau em alguma coisa. Depois de falar bem de um corno, do
Piquet e até do Felipão, fecho meu primeiro mês chinelando o Judas
da vez: música pop. Mas não toda a música pop, que não sou louco
e gosto muito de James Brown e Supergrass pra isso. Só uma parte
que realmente me incomoda mas que insistentemente ganha destaque,
regravações e milhares de discos de ouro.
Refiro-me àquilo que chamo de Rock Messiânico, com seus odiosos
e diversos expoentes nacionais e importados. Em miúdos. No início
era a valsa, ou melhor, o nada. Então Chuck Berry fez o rock, a
música de três minutos e o mundo podia ser dividido em guitarra,
baixo e bateria. Mas Chuck pensou, pensou e viu que sua obra - por
mais perfeita e simples que fosse - ainda não estava completa. E
Ele, com a ajuda de seus anjos Little Gabriel Richards e Bill Caio
Blath Halley, fez a diversão, a bebedeira, a saia rodada e a gumalina.
Finalmente a obra estava pronta, e deixada como herança para seu
filho legítimo, Elvis Presley.
Mas o do pé redondo é ardiloso, queria o poder do mundo pop. E
aos poucos foi mandando seus anjos caídos para aumentar sua horda
e número de adoradores. O primeiro desses filhotes de cruz credo
é Jim Morrison, que mesmo após a ira divina tê-lo vitimado numa
banheira com LSD paraguaio, até hoje reúne fiéis em torno de seu
túmulo. O que ronca e fuça não se fez de rogado. Enquanto se entupia
de drogas em seus cultos, Jim Morrison teve um irmão bastardo e
caboclo e fez um filho. Eles continuavam a desviar a atenção dos
fiéis daquilo que realmente importa no mundo pop, a diversão. O
irmão caboclo era um baiano tomado pelos exus de nome Raul Seixas.
Já o filho direto de Morrison, pra não negar a raça, atende simplesmente
por Morrissey. E este último também deixou seu filho, e justo no
Brasil, que muitos dizem ser a terra de Deus. O nome da praga? Renato
Russo.
Agora sem analogias e ironias. Fujo como o diabo da cruz, o vampiro
da luz e o Marcelinho do Luxemburgo de insinuações messiânicas na
música pop. Já deixei claro e ratifico. O princípio básico das músicas
para as multidões é, apenas e tão somente, diversão. Pode ser de
maior ou melhor qualidade, bem ou mal construída. Mas é só isso.
É ser rockstar, quebrar apartamentos de hotéis, tomar litros e litros
de manguaça para mandar um "Baby I love you" e muitos "yeah, yeah,
yeah". Só! Não me interessa saber o que esses caras pensam sobre
a vida e morte, o amor e a dor, a infância e a velhice. Não é com
esses caras que vou aprender alguma coisa e que minha visão de mundo
vai mudar. Qualquer tentativa de Antônio Conselheiro da guitarra
é, pra mim, uma farsa de escritor, filósofo ou intelectual. Pena
que muitos não vejam assim. E adorem, cultuem e montem bandas e
mais bandas que perpetuem essa desgraça, nos fazendo ouvir as mesmas
músicas de 10, 20, 30 anos atrás. Faça o teste. Vá em qualquer buteco.
Se for um bar rock, você vai ouvir The Doors. Se for um bar mpb,
você irá ouvir Legião Urbana. Maldição!
O bom exemplo vem de um filho bastardo do velho Chuck e que, se
viesse ao mundo aos cachos, talvez esse fosse um lugar mais divertido.
Crianças, vão pra casa ouvir Ramones! Não tenho nenhum disco, não
sou fã de carteirinha, mas aquilo é diversão em estado bruto.
Pra terminar, pisarão vocês nos meus calinhos e dirão: pera-lá,
oh Bob maluco! E o Elvis, o único deles que tem uma igreja em seu
nome? Direi a vocês:
- Cara, ele é o Rei e filho direto do Criador. Ele pode! E além
do mais, nossa sociedade é monoteísta. Certo?!
Rápidas
1. Que Passa
Miguelito?
Alguém tem alguma resposta de por que os clubes paranaenses finalmente
começaram bem um campeonato brasileiro de futebol? Em quatro rodadas
já sambaram no ritmo polaco dos três clubes curitibanos os favoritos
Cruzeiro, Grêmio, Corínthians e Flamengo (2x). Que bons ventos soprem
por aqui por mais tempo. Sonhemos todos um pouco mais alto e um
pouco maior. Que a praia chegue logo. E que meu Paraná Clube não
me torne num cardíaco aos 25 anos.
2. Dromedário
agora é mito.
Acabou, terminou, caputz. O bar que este e seus amigos mais freqüentaram
durante a faculdade irá fechar as portas até o fim deste mês. Participem
da última semana festiva do Dromedário, entre 17 e 24 de agosto
próximo. Festas todos os dias ! Bob´s Grooves, alter ego dejota
deste fará a última segunda-feira de tão aclamado butiquim. Dia
20, discotecagem soul and samba. Em homenagem quase póstuma, chega
de notas rápidas por essa semana.
Robson Marochi, 25, é publicitário e sócio
da agência Forward.
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