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Última atualização 29/10/2001

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Bob Marochi

Aos amigos: Foi por agora, acho que nessa última quarta. Foi sentado, no escuro de um auditório assistindo uma palestra chata. Foi com a cabeça longe, pensando na família, na namorada, no trabalho. Foi rápido e decidido o que faria com tantas divagações: tinha um tema para o próximo Nosotros, para os não habituados ainda, E-Rogerio. Pensei então: domingo continuo. Os camaradas de sempre, base de meus leitores, poderão opinar.

Pois descobri que estou ficando velho, que já estou mais para os 30 que para os 20. E não faz nem três semanas que fiz aniversário. Aos pouquinhos, sem me dar por conta porque assim são as maiores sacanagens, o que sobrou dos vinte e poucos anos vai ficando pra história e pros futuros netinhos. Imaginava-me como um daqueles "balzaquianos" festeiros que vez por outra encontrava por aí. Desisti. Não que eu seja um Borges pré arrependimento e precoce ao escrever esse texto (e há quem diga que o famoso texto não deve ser creditado ao mais bacana dos argentinos), mas percebi que coisas mudaram, shit happens e o Bob 2001, modelo 2002, pouco tem do modelo de quatro ou cinco anos atrás. Reestilização total, acompanhando as tendências de mercado principalmente no design mais redondo, hehehe.

Ouço funk e venho parando com o punk. Meus heróis já não têm a minha idade. Los Bichos Buenos virou lenda que poucos ouviram. As paixões arrebatadoras de uma semana qualquer foram todas trocadas pelo amor único da Candy Candi, e isso já faz ano e meio. Festas de sábado do 21 (as heterossexuais) já não freqüento. Trabalho aos sábados, e se nada acontecer a noite já não me apoquento. O domingo já não tem mais tanta ressaca. Sanduíche somente em última instância. Dromedário, mesmo quando aberto, já não me recebia tanto assim nos últimos tempos. Jantar com os sogros é tradicional. Os livros são mais companheiros desde agora. Minha grande mochila andina guarda somente um esquecido saco de dormir. O pagamento da tv a cabo parece que ficou mais justo. Blockbuster e Vídeo 1 têm um cliente mais fiel. Gasto menos em gasolina. As amigas virtuais foram todas para a cesta de lixo. Bob´s Grooves deve pendurar os cds e dedicar-se à culinária doméstica e ao empreendimento Bob´s Lasagna. Gabardo Bardiguez morreu.

O engraçado é que todos meus amigos de faculdade me acompanham nessa mudança. Andrucha, Marco das 16 Toneladas, Lelo das Letras, Ju Roberts. Vez por outra alguém não dorme bem e depois manda um e-mail daqueles "vamos fazer alguma coisa?". Parece inútil. Mudamos todos de comportamento. Logo acho que seremos esposos, pais e operários padrão. Alguns já são, outros se dão por conta de onde pisam por agora e adaptam-se.

Pena.

Mas saibam todos que tudo acima dito pode ser desdito semana próxima. Em poucos dias será feriado E se há uma coisa que sempre muda em mim é a opinião sobre como deve ser meu dia. Tenho uma bota nova para trekking, insistência do subconsciente. Assisti ao filme "A Ilha" dias atrás e na primeira parte da trama me lembrei de um grande carnaval longe dos batuques. Li na VIP, uma espécie de revista Claudio, a Claudia dos barbados, que o maior barato é tentar não fazer nada tão igual todo dia. Sempre achei isso meio chavão. Dessa vez entendi e poderei tentar. A conferir.

Feliz semana do Bob.

Bob Marochi, 26, é paranista, publicitário e sócio da agência Forward. Produz o "Teclas do Jazz", da Educativa FM.

 

 

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