O Bob Gosta
Coisas banais que são muito legais: carta branca para Bob Marochi

Última atualização
em 24/09/2001

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Bob Marochi

Salve, salve, amiguinhos

Serei curto e breve essa semana. O assunto foge de minha linha editorial corriqueira, mas como profissional não pude me abster. Chamo a atenção de todos (principalmente os camaradas de profissão) para uma barbeiragem publicitária que observei.

Tomem nota e reflitam. Fato: temos um estado inteiro contra a privatização de sua principal empresa estatal. O manual das boas maneiras políticas manda ficar bem quietinho nessa situação e ir comendo pelas beiradas. Mas o que é que o governo faz? Em vez de se defender e apontar quais são os benefícios reais em privatizar a Copel, prefere fazer troça da oposição em equivocada campanha publicitária que assisti nesse fim de semana.

A história é simples: oposicionistas, daqueles bem trotskistas, logo caricatos, organizam por telefone manifestação contra a venda da Copel. Um está num galpão, outro fuma um charuto, um terceiro joga bilhar (a imagem de vagabundo, panfleteiro, agitador profissional é importante que seja passada), até que termina o filme na cena de um daqueles participantes fervorosos de DCE convidando seus colegas de sala a matarem aula.

Elenco de primeira, filmado em película, idéia que tenta repetir o bem sucedido e então pertinente filme da campanha eleitoral do Taniguchi (aquele do "Guabirotuba, Guabirotuba..."), mas que dessa vez tornou-se uma piada preconceituosa e absolutamente desnecessária. Adicione a isso mais uma diferença: na eleição havia uma escolha a ser feita e o dinheiro que financiava a campanha era privado (ou deveria ser porque não vi as prestações de contas). Agora a maior parte da população de um estado permanece contra uma ação que o governo - desse mesmo estado - insiste em realizar. Eu pensei que Jaime Lerner e Rafael Greca tinham dado graças e aleluias pelos holofotes que saíram de sua frente com o incidente internacional de Nova Iorque. Enganei-me, e eles perderam uma oportunidade única de ficar bem quietinhos...

Sem querer ser corporativista, me parece que a culpa não foi da agência, que, espero, deve ter alertado seu "cliente" de sua atual imagem no mercado (Jaime Lerner sempre soube escolher os melhores profissionais disponíveis na praça). Mas fiquei tão embasbacado com tamanha imprudência política e de comunicação que resumo minha participação desta semana a estes breves parágrafos.

Robson Marochi, 25, é publicitário e sócio da agência Forward.

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