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Perderam uma chance de ficar quietos
Bob Marochi
Salve, salve, amiguinhos
Serei curto e breve essa semana. O assunto foge de minha linha
editorial corriqueira, mas como profissional não pude me abster.
Chamo a atenção de todos (principalmente os camaradas de profissão)
para uma barbeiragem publicitária que observei.
Tomem nota e reflitam. Fato: temos um estado inteiro contra a privatização
de sua principal empresa estatal. O manual das boas maneiras políticas
manda ficar bem quietinho nessa situação e ir comendo pelas beiradas.
Mas o que é que o governo faz? Em vez de se defender e apontar quais
são os benefícios reais em privatizar a Copel, prefere fazer troça
da oposição em equivocada campanha publicitária que assisti nesse
fim de semana.
A história é simples: oposicionistas, daqueles bem trotskistas,
logo caricatos, organizam por telefone manifestação contra a venda
da Copel. Um está num galpão, outro fuma um charuto, um terceiro
joga bilhar (a imagem de vagabundo, panfleteiro, agitador profissional
é importante que seja passada), até que termina o filme na cena
de um daqueles participantes fervorosos de DCE convidando seus colegas
de sala a matarem aula.
Elenco de primeira, filmado em película, idéia que tenta repetir
o bem sucedido e então pertinente filme da campanha eleitoral do
Taniguchi (aquele do "Guabirotuba, Guabirotuba..."), mas que dessa
vez tornou-se uma piada preconceituosa e absolutamente desnecessária.
Adicione a isso mais uma diferença: na eleição havia uma escolha
a ser feita e o dinheiro que financiava a campanha era privado (ou
deveria ser porque não vi as prestações de contas).
Agora a maior parte da população de um estado permanece contra uma
ação que o governo - desse mesmo estado - insiste em realizar. Eu
pensei que Jaime Lerner e Rafael Greca tinham dado graças e aleluias
pelos holofotes que saíram de sua frente com o incidente internacional
de Nova Iorque. Enganei-me, e eles perderam uma oportunidade única
de ficar bem quietinhos...
Sem querer ser corporativista, me parece que a culpa não foi da
agência, que, espero, deve ter alertado seu "cliente" de sua atual
imagem no mercado (Jaime Lerner sempre soube escolher os melhores
profissionais disponíveis na praça). Mas fiquei tão embasbacado
com tamanha imprudência política e de comunicação que resumo minha
participação desta semana a estes breves parágrafos.
Robson Marochi, 25, é publicitário e sócio
da agência Forward.
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