Entre a fé e a pós-modernidade

Entrevista exclusiva de Karl Marx para Limite XXI

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A "corrente hegemônica" e Nelson Rodrigues

Falácia banal e "inevitável subjetividade"

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Trabajo Social y crisis de las ciencias sociales

Algunas Cuestiones Disciplinares del Trabajo Social en el Uruguay Contemporâneo

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Fundamentos Ontológicos, Fé e Pós-Modernidade:
Problematizando o Natural

Emilio Enrique Dellasoppa /UERJ

Disciplina, práticas classificatórias e normalização

Produz-se verdade, mas essa produção de verdade não poderá ser dissociada do poder e dos mecanismos de poder, porque este a induz e/ou produz. Poder e saber estão conectados por relações contextuais e específicas. “...esses elementos pertencem a um sistema de poder, no qual o discurso não é senão um componente religado a outros componentes. Elementos de um conjunto. A análise consiste em descrever relações recíprocas entre todos esses elementos. Fica mais claro assim?” (Foucault, 2003:254). No Anexo I, apresentamos o quadro “Dispositivo estratégico de relações de poder”, onde podem ser observados os diferentes lugares de produção dos discursos que espalham os pressupostos hegemônicos pelo conjunto de dispositivos estratégicos locais. Cada desenvolvimento do saber potencia novas formas do poder e viceversa. O mais interessante é que, em um primeiro momento, como aconteceu no caso da Adchss, o novo sistema “saber/verdade” poderá existir e afirmar-se a revelia de qualquer referente empírico para seus conceitos.
O poder para Foucault não está localizado em macro-estruturas, mas difuso no sistema social, oculto perante meios discretos e sutis, e manifestando-se nos níveis micro, em inúmeras formas locais. Existe apenas como relação, como relação de poder.
O poder foucaltiano é produtivo: conforma subjetividades particulares, e regula e conforma campos do possível pela ação e o saber. O poder é assim diferente da força, que é puramente repressiva e sufoca até a morte as autonomias individuais. Na “indicação do movimento”, temos uma complexa mistura de poder e força. Enquanto força, é uma situação de absoluta naturalidade na aceitação dos destinatários da indicação. Eles serão sufocados “até a morte”. Enquanto poder, implica a possibilidade da resistência. O poder foucaultiano, esse poder que “vem de baixo” lembra a coação weberiana no seu momento de legitimação: o consenso dos dominados.
Ocidente conta uma fábula para mascarar seu apetite gigantesco de poder através do saber. (Foucault, 2003:58). O “projeto ético-político” (PEPO) da Adchss seria uma versão local disto. Mas, contrariamente ao apresentado pela Adchss, não devemos considerar o PEPO como ponto de partida: ele é o ponto de chegada, resultado da articulação dos discursos hegemônicos nos dispositivos estratégicos. Ele é a justificativa para que as subjetividades que constrói localmente cheguem até o ponto de não se dar ao trabalho de criar o saber: o inventam. E quando não podem inventá-lo, o declaram inválido por conservador ou funcionalista ou fenomenologista ou feminista, ou inexistente simplesmente porque ignoram sua existência (acreditam que podem “declarar” inexistente até um saber que pertence ao seu próprio campo mas que não conhecem - a criminologia crítica de orientação marxista, por exemplo -, e que isto será parte do esquema de normalização, e ainda, aceito com naturalidade). Isto mostra outro momento em que o poder se sente absoluto ao falar para a plebe e pela plebe, no contexto muitas vezes de uma socialização antecipatória.
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