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Preven��o
Vascular
CONSULTA EXTERNA DE
PROFILAXIA
DA ATEROSCLEROSE
E DAS DISLIPIDEMIAS DOS HUC
Na semana passada,
com um artigo sobre a menopausa, acab�mos de percorrer, consigo, o trajecto dos
principais factores de risco da doen�a vascular. Esse "dec�logo" pretendeu
acima de tudo chamar-lhe a aten��o para o maior flagelo social dos tempos modernos, que
� a aterosclerose. De facto, pelas suas implica��es socio-econ�micas, a aterosclerose
� o chefe de fila das preocupa��es em mat�ria de Sa�de P�blica. Os acidentes
arteriais, duma maneira crescente e inquietante, roubam homens jovens a toda a vida
activa. Verifica-se tamb�m uma frequ�ncia crescente da mortalidade masculina prematura,
com uma relativa frequ�ncia dos acidentes vasculares nos homens com menos de 50 anos.
A aterosclerose �
das mais preocupantes doen�as da civiliza��o, o modo de vida tem um importante papel no
seu aparecimento, e s�o os pa�ses ricos quem lhe paga o maior tributo.
A
ocidentaliza��o do modo de vida aumenta o risco coron�rio.
N�o podemos
ignorar tamb�m as despesas crescentes que resultam da patologia arterial, relacionadas
com a hospitaliza��o, consultas, exames, tratamentos ambulat�rios e readapta��o,
todos muito onerosos. A estes custos m�dicos juntam-se, tornando-se proibitivos, os
custos sociais na depend�ncia das pens�es de invalidez e do absentismo profissional.
Vemos, pois, quanto a aterosclerose desequilibra as balan�as da taxa obitu�ria e da
economia dos povos ocidentais.
Com os artigos
anteriormente publicados pretendemos igualmente, fazer sentir que o modo de vida tem um
papel predominante na precocidade e gravidade dos acidentes vasculares, e que entre os
comportamentos individuais, o tabagismo e os h�bitos alimentares t�m um lugar da maior
import�ncia.
O tabagismo,
atrav�s do mon�xido de carbono e da nicotina, embora com interpreta��es diversas, �
um dos menos discutidos comportamentos aterog�nicos.
Os erros
alimentares contribuem indiscutivelmente para a aterog�nese, nomeadamente pelo
excesso de gorduras, caracter�stica dominante da alimenta��o ocidental. Tamb�m pelo
excesso de a��cares, pois a maior frequ�ncia da aterosclerose coincide muitas vezes com
o super-consumo de a��cares simples. Da mesma forma pelo excesso de �gua e sal, pois a
dureza da �gua pode, pelo seu teor em sais de c�lcio e magn�sio, influenciara
aterog�nese, e o sal alimentar, n�o aterog�nico em si, � suscept�vel de exercer um
efeito nocivo sobre a tens�o arterial.
O �lcool,
profundamente enraizado nos h�bitos alimentares ocidentais, n�o sendo em si mesmo
aterog�nico, poder� s�-lo atrav�s das hiperlipidemias a que pode conduzir.
Testemunho tamb�m
duma sobrecarga nutricional, constituem indicadores de risco da aterosclerose a diabetes,
o excesso de peso e o aumento do �cido �rico.
Os acidentes
arteriais s�o respons�veis por tr�s quartos das mortes dos diab�ticos.
A obesidade
aumenta o risco de doen�a coron�ria e duplica o do acidente vascular cerebral.
Mais de um ter�o
dos indiv�duos coronarianos e cerebrovasculares t�m aumento do �cido �rico que
habitualmente est� associado � obesidade, diabetes, aumento das gorduras do sangue e
hipertens�o arterial.
Naturalmente que o
sedentarismo, recordamo-lo uma vez mais, fruto da urbaniza��o, da mecaniza��o
dos transportes e da automatiza��o do trabalho, � prejudicial �s art�rias.
Igualmente o stress,
com os traumatismos psicol�gicos repetidos que o acompanham, insepar�veis do modo de
vida urbano, � respons�vel por um maior n�mero de mortes por doen�a coron�ria, em
indiv�duos ocupando altos cargos de chefia e nas profiss�es liberais.
Uma chamada de
aten��o tamb�m para os perigos da contracep��o hormonal t�o em voga numa
sociedade de libera��o sexual.
Sem
sombra de d�vida que a tensa o arterial elevada � tamb�m um indicador de risco
aterog�nico.

O
car�cter multidiscplinar e polifactorial da aterosclerose leva-nos a pensar que a luta
contra tal flagelo s� � poss�vel com uma estrat�gia preventiva orientada em todas as
direc��es, com perseveran�a, para que se elabore progressivamente um modelo de vida
higi�nico que seja a realidade do amanh�, em toda a gente mas, principalmente, em certos
grupos de indiv�duos mais amea�ados que requerem uma aten��o priorit�ria.
Acab�mos portanto de fazer uma
"revis�o da mat�ria dada", o leitor est� um bocadinho assustado, n�o s� com
algumas das palavras arrevesadas que pressup�em negros press�gios, como pelo complemento
art�stico-caricatural, ali�s da autoria do nosso querido irm�o Fernando Jorge, e
pergunta-se:
- Ent�o e agora?
Eu n�o me sinto doente, l� fumo o meu cigarrito, � certo, l� bebo o meu copito, l�
vou � Mealhada, ao leit�o, de vez em quando ... ser� que isto � suficiente para me
acontecer uma daquelas coisas t�o terr�veis?
Ora bem, meu caro
leitor, necessita efectivamente de aprender a viver com os factores de risco, alguns deles
que s�o uma verdadeira tenta��o, n�o podemos negar. L� dizem os brasileiros:
"tudo o que � bom na vida ou engorda, ou faz mal, ou � pecado". Mas como
nestas coisas da Sa�de, como em quase tudo, vale mais prevenir, o senhor precisa
sobretudo de informa��o. O que leu n�o invalida, muito pelo contr�rio, o contacto com
o seu m�dico ou com um Servi�o de Medicina vocacionado para o efeito, que lhe desfa�a
todas as d�vidas, o informe concretamente sobre o seu caso, e ...porque n�o, lhe permita
dormir mais sossegado.
Assim, e porque
h� mais de tr�s d�cadas, tem sido grande a nossa preocupa��o por esta �rea da
Medicina, tal preocupa��o tornou-se mais evidente na Consulta Externa de Profilaxia da
Aterosclerose e das Dislipidemias que organiz�mos em Fevereiro de 1975, nos Hospitais da
Universidade de Coimbra.
Como se torna
indispens�vel a informa��o a que aludimos, em qualquer das estruturas especializadas da
medicina preventiva, por meios escritos, falados ou audiovisuais, pois ningu�m ignora o
impacto que tal informa��o tem no grande p�blico, regularmente, cada dois anos, temos
dado � classe m�dica a informa��o da experi�ncia que vamos adquirindo nesta Consulta
Externa. A�, para al�m do trabalho assistencial de rotina, em que pessoal especializado
faz o diagn�stico, o aconselhamento e o tratamento do doente, faz-se tamb�m muita
investiga��o, por meio de Rastreios a toda a popula��o, com incid�ncia especial na
adolesc�ncia, e estudam-se novos f�rmacos.
E porque n�o
estender essa informa��o �s Escolas, como neste momento j� fazemos, numa campanha de
educa��o de docentes e discentes?
Voltando �
Consulta acima referida devemos acrescentar que milhares de doentes j� a� foram
orientados de forma a aprender a viver saudavelmente pois a ignor�ncia � talvez a mais
respons�vel pelo modo de vida aterog�nico.
Acabando embora
esta s�rie de artigos sobre preven��o vascular, n�o nos despedimos de si. Quem sabe se
n�o viremos a encontrar-nos na nossa Consulta
de Preven��o Vascular ?!
N�s, m�dicos,
existimos para lhe dar mais anos � vida, e sobretudo mais vida aos anos.
Ficamos com a
esperan�a de que esta nossa incurs�o no universo jornal�stico, a que sacrific�mos
algumas horas de sono e a paci�ncia e disponibilidade do nosso secret�rio Fernando
Nunes, mas que dedic�mos, especialmente a si, adulto ou jovem em risco de doen�a
vascular, tenha sido proveitosa. Se as nossas recomenda��es determinaram em algum de
v�s uma tomada de consci�ncia, isso, por si s�, constitui uma grata compensa��o.
E n�o � que no
vosso jornal, neste nosso "Jornal de Coimbra", existe agora uma sala para os
ainda fumadores (aqueles que n�o nos leram, por certo), que assim n�o obrigam os colegas
a fumar passivamente? Se o m�rito � nosso, que � agrad�vel de ver, l� isso �.
S�o atitudes
deste teor que ajudam a prevenir. Se ainda n�o est� convencido, vamos, numa contiguidade
da ci�ncia e da poesia, refor�ar a sua disponibilidade para a...

Preven��o Vascular!
Dissemos que a aterosclerose
Respons�vel pela trombose
E um assassino
Que muda o destino
De qualquer mortal
Atacando o cora��o
O rim, o p� e a m�o
E a n�vel cerebral.
� tal
A sua pujan�a
Que desequilibra a balan�a
Da taxa obitu�ria
Com a casa mortu�ria
Sempre a abarrotar
Ou ent�o, por sua vez
Muita invalidez
A lamentar.
� um processo muito arisco
Desencadeado
Ou agravado
Pelos factores de risco
E a todo o momento
Para impedir sua ac��o
Bem melhor que o tratamento
� a preven��o.
Portanto, e quanto antes
Trata j� de dizer n�o
Aos factores agravantes.
Faz uma vida salutar
Faz Preven��o Vascular !

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