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Preven��o Vascular

 

VII - SEDENTARISMO

 

Movimento � vida. O sangue que "corre" nas nossas veias, o cora��o que o impulsiona, as c�lulas que se multiplicam infatigavelmente, os neur�nios que "fabricam" os nossos pensamentos, os nossos sonhos, a nossa vontade, este microcosmos movimentando-se no imenso macrocosmos que nos envolve, tudo o que vive faz parte dum processo din�mico, nunca est�vel, um movimento cont�nuo do qual n�s somos, refer�ncia humana, uma pequena parte. Por isso, se a vida � sempre movimento, o contr�rio, o repouso absoluto, � necessariamente a morte.

no-stressVejamos. O meu caro leitor n�o tem tempo para fazer exerc�cio. Depois de engolir um pequeno-almo�o, bem pequeno, � pressa (lembra-se do stress ?) vai de carro para o emprego. E regressa de carro, claro. E depois de jantar est� t�o cansado que fica sentado a ler o jornal ou a ver televis�o. Ou vai de carro ao cinema, onde fica duas horas sentado, naturalmente. Ao s�bado e ao domingo vai de carro dar um passeio com a fam�lia.

O leitor tem uma vida sedent�ria. Ora as pessoas que sofrem das coron�rias t�m, habitualmente, uma vida sedent�ria. � por isso que nos �ltimos anos tem havido um interesse aumentado no estudo da influ�ncia da vida sedent�ria no desenvolvimento da coronariopatia, tendo sido confirmado, por diversos inqu�ritos epidemiol�gicos, que a urbaniza��o, a mecaniza��o dos transportes e a automatiza��o do trabalho, levando a uma relativa inactividade f�sica, s�o prejudiciais �s art�rias.

A sedentariedade contribui, por si mesmo, para a aterog�nese, mas, para que se verifique uma protec��o arterial, � necess�rio que a actividade muscular seja grande. A comprov�-lo est� um estudo relativamente recente, sobre a actividade no trabalho e a mortalidade por doen�a coron�ria, efectuado nos EUA, em 3686 trabalhadores das docas, que foram classificados em trabalhadores com alto, m�dio e baixo disp�ndio de calorias, e observados durante 22 anos, isto �, at� falecerem ou atingiremos 75 anos. Anualmente foram reclassificados de acordo com as mudan�as do tipo de trabalho. Ora os resultados finais mostraram que os trabalhadores, que se encontravam nas categorias de m�dia e inferior actividade, tiveram taxas de mortalidade coron�ria quase dupla dos que estavam sujeitos a grande esfor�o f�sico, independentemente do grupo et�rio. A morte s�bita foi tr�s vezes mais frequente nas categorias de trabalhadores moderados e ligeiros. A diferen�a na mortalidade coron�ria, entre os grupos de trabalho pesado e ligeiro persistiu, quando foram tomados em considera��o os efeitos de outros factores de risco, como o tabaco, a hipertens�o arterial, a obesidade, a doen�a card�aca pr�via e a diabetes. Em inqu�rito efectuado pela Organiza��o Mundial de Sa�de, a actividade f�sica profissional aparece, tamb�m, como protectora das coron�rias.

Nos nossos dias j� poucas pessoas se dedicam a actividades ocupacionais vigorosas e, nas sociedades mais avan�adas, o trabalho � cada vez mais ligeiro e sedent�rio. O homem cedeu o lugar � m�quina. Da� a necessidade de ocupa��o dos tempos livres que ser�o, num futuro pr�ximo, sen�o a �nica, pelo menos a principal fonte de exerc�cio. Acontece, no entanto, que a percentagem de homens e mulheres que mant�m um recreio f�sico regular, como fonte principal de actividade no tempo livre, � extremamente reduzida. Resultado: homens sedent�rios e de meia idade t�m uma incid�ncia de doen�a coron�ria tr�s vezes maior do que aqueles que nos tempos livres praticam exerc�cio f�sico!

Vejamos agora as vantagens do exerc�cio f�sico regular e como poderemos explicar o efeito protector da actividade f�sica.

Sabe-se que o exerc�cio f�sico compensa, em certa medida, a redu��o do calibre arterial. Al�m disso, pode objectivamente reduzir a obesidade, a osteoporose dos idosos, mantendo uma razo�vel forma cardio-respirat�ria e osteoarticular. Subjectivamente, facto n�o menos importante, produz um certo bem estar com concomitante al�vio das tens�es emocionais.

A actividade muscular age, sem d�vida, de maneira complexa: todo o exerc�cio f�sico regular, especialmente se vigoroso, aumenta o d�bito card�aco e o das art�rias coron�rias, e desenvolve a circula��o colateral, contribuindo assim para uma melhor irriga��o do mioc�rdio (m�sculo card�aco), e duma maneira geral, de todos os m�sculos. Determinados efeitos ligados �s oxida��es musculares podem igualmente desempenhar um importante papel, baixando o colesterol e os �cidos gordos saturados, e reduzindo a agregabilidade das plaquetas. O treino pode, por sua vez, reduzir as respostas da tens�o arterial e da frequ�ncia card�aca ao exerc�cio, tendo como resultado, tamb�m, uma diminui��o do trabalho ventricular. As arter�olas do m�sculo card�aco aumentam de tamanho. Parece, portanto, que a hipertens�o, a hiperlipidemia, a taquicardia e a obesidade, bem como a fun��o das plaquetas, poder�o ser beneficamente influenciadas pela actividade f�sica.

Em face do exposto, julgamos que o desenvolvimento duma actividade f�sica regular deve ser o comportamento normal desde crian�a, com a quantidade e tipo de exerc�cio determinados individualmente. No entanto, todas as pessoas de meia idade devem fazer o rastreio dos factores de risco de doen�a coron�ria antes de iniciar programas regulares de exerc�cio f�sico, que n�o �, neste grupo et�rio, naturalmente, isento de riscos, se n�o for convenientemente controlado por t�cnicos competentes. N�o obstante tal risco, sabe-se, contudo, que a morte s�bita de causa card�aca � mais frequente nos sedent�rios do que na popula��o activa.

Qual a rela��o entre o regular exerc�cio f�sico e os factores de risco de doen�a coron�ria?

L�pidos plasm�ticos - se � verdade haver pouca rela��o entre a actividade f�sica e os n�veis de colesterol, parece que sobre os triglicer�deos ela tem um efeito favor�vel.

Obesidade - Como j� tivemos oportunidade de referir, se a ingest�o cal�rica permanecer constante, o exerc�cio f�sico facilita a redu��o do peso.

Tabaco - O exerc�cio aumenta a elimina��o do mon�xido de carbono, habitualmente menor nos que d�o valor � forma f�sica que, por norma, n�o s�o grandes fumadores.

Ilustração de Jorge R. Silva

S�o t�o importantes estes factores, que a actividade f�sica, mesmo vigorosa, n�o � protectora da doen�a coron�ria, quando eles se encontram associados e em n�veis muito elevados. Da� a necessidade de, simultaneamente como exerc�cio, fazer dieta e suspender o tabaco!

Uma vez que � dif�cil, no nosso meio, onde as ocupa��es se est�o tornando cada vez mais sedent�rias, praticar exerc�cio f�sico em circunst�ncias agrad�veis e convenientes, � necess�rio encontrar uma forte motiva��o para utilizar saudavelmente os tempos livres com vista a um aumento do bem estar f�sico e mental. Da�, algumas conclus�es e recomenda��es:

1.    Na medida em que o sedentarismo � um factor de risco para as doen�as vasculares, e embora na incerteza de quanta e que grau de actividade f�sica S�o necess�rios para uma preven��o da doen�a coron�ria, justifica-se encorajar jovens e adultos de todas as idades e sexos a manterem ou adquirirem h�bitos de exerc�cio f�sico.

2.   S�o ben�ficos a marcha r�pida, subir escadas ou colinas, a corrida, o "jogging", a nata��o, o ciclismo, o t�nis, o "badmington" ou o "squash", por serem exerc�cios r�tmicos, din�micos e en�rgicos.

3.    O levantamento de pesos ou o transporte de cargas pesadas, de pouco valor para aumentar a forma cardiopulmonar, podem at�, em certos indiv�duos e algumas ocasi�es, ser prejudiciais pela hipertens�o arterial a que podem conduzir.

4.    Uma vez que o exerc�cio din�mico regular �, em princ�pio, destitu�do de risco, quando executado lenta e gradualmente, na grande maioria das pessoas n�o h� necessidade de exame m�dico pr�vio, sendo, contudo, mandat�ria essa atitude em pessoas idosas, obesos e indiv�duos com hist�ria de doen�a vascular, bem como nos que, com o exerc�cio, apresentarem inesperadamente sintomatologia desagrad�vel.

5.    Se n�o houver contra-indica��o, na sequ�ncia dum enfarte do mioc�rdio, o doente deve retomar a sua actividade profissional, e recome�ar ou iniciar, sob vigil�ncia m�dica, um exerc�cio f�sico gradual, para tirar proveito dos seus benef�cios f�sicos e psicol�gicos.

Upa! Upa!

6.   CComo e quem deve fazer exerc�cio?

Toda a gente, naturalmente, deve fazer exerc�cio.

N�o vamos aqui abordar a falta de condi��es nos estabelecimentos de ensino para o in�cio, t�o cedo quanto poss�vel, da pr�tica do exerc�cio f�sico das nossas crian�as e jovens. No entanto todos sabemos que o movimento � fundamental para um desenvolvimento harmonioso de todo o ser humano, e que muitos problemas de delinqu�ncia seriam minimizados se as escolas proporcionassem verdadeiros espa�os de utiliza��o saud�vel da energia inesgot�vel da gente nova.

Quanto �s pessoas de meia-idade, se j� est�o h� muitos anos a fazer exerc�cio regular, desde que aumentem gradualmente o vigor do exerc�cio, podem continuar, mesmo sem exame m�dico, os exerc�cios din�micos.

As pessoas mais idosas, obesos ou com hist�ria de doen�a cardiovascular, devem fazer exerc�cio, mas sujeitar-se a pr�vio exame m�dico.

As pessoas que inesperadamente apresentem sintomas desagrad�veis, durante o exerc�cio, devem igualmente sujeitar-se a observa��o m�dica.

Lembramos finalmente que S�o t�o in�meras e diversificadas as "receitas" de como fazer exerc�cio f�sico, quanto o tipo de pessoa e as motiva��es que impelem a faz�-lo. Nos nossos dias, sobretudo nos meios urbanos, os Centros de Gin�stica, vulgarmente chamados Gin�sios, s�o uma das respostas para os que dificilmente encontram forma de se disciplinar e utilizar meia-hora, em casa, de manh� ou � noite, exercitando os m�sculos, no sentido de relaxar a tens�o di�ria e eliminar as toxinas.

Ent�o, a senhora vai ao Gin�sio e inscreve-se numa classe de gin�stica de manuten��o; a juventude geralmente faz gin�stica aer�bica e o cavalheiro tamb�m tem por onde escolher, desde a gin�stica de manuten��o at� aos pesos e halteres. Sem falar nas saunas, massagens, duche escoc�s, etc.

N�o sendo esta a forma mais econ�mica de fazer exerc�cio f�sico, pode optar pela corrida, a marcha, o ciclismo, que at� lhe permitem estabelecer o seu pr�prio hor�rio.

Ternos vindo a assistir, hoje em dia, a uma verdadeira explos�o de revistas, vincadamente dirigidas ao consumo do sexo feminino. Ao folhe�-las todas, encontramos invariavelmente an�ncios de produtos para o emagrecimento e conselhos para manter a forma com exerc�cios f�sicos de todo o tipo. Na televis�o, a publicidade a qualquer produto, seja um autom�vel ou um chocolate, � veiculada por corpos atraentes, saud�veis, cheios de for�a e de vigor. Ora o conceito de beleza � muito relativo. Beleza pode ser t�o somente sa�de mental e f�sica. E olhe que o movimento, no sentido espec�fico do exerc�cio f�sico, pode ajud�-lo muito a evitar a doen�a ou a recuperar a for�a, a sa�de do corpo ou do esp�rito.

Vamos, mexa-se! Levante-se j� da cadeira e v� dar um longo passeio a p�...

Estamos em Maio, m�s do cora��o. Se ainda n�o estabeleceu o seu "programa de comemora��es" fa�a-o hoje mesmo com o juramento de que, se ainda n�o come�ou, vai come�ar a fazer exerc�cio f�sico. Ouvimos, h� poucos dias, o Professor Manuel Carrageta, Presidente da Funda��o Portuguesa de Cardiologia, dizer que em termos de preven��o cardiol�gica, numa �poca em que as doen�as do cora��o se est�o a tornar uma verdadeira epidemia, o m�dico � o professor, o conselheiro, e o doente o m�dico de si pr�prio. Siga o conselho. Procure o seu m�dico de fam�lia, informe-se como deve proceder no seu caso particular, e seja um bom m�dico do doente que mais deve prezar, isto �, voc� mesmo: motive-o, aconselhe-o, repreenda-o quando ele prevaricar. N�o espere pelas complica��es para recorrer ao m�dico, porque mais vale prevenir...

Olhe que a morte s�bita � muito frequente, e depois dela acontecer, nem o m�dico lhe poder� valer.

 

 

Vamos dizer n�o...

                        ao sedentarismo!

 

N�o colhas da vida o v�cio,

Podes cair no abismo,

Faz dieta e exerc�cio,

Diz n�o, ao sedentarismo!

 

Ergue-te de madrugada,

Que tarde � um desperd�cio,

N�o fa�as muita noitada,

N�o colhas da vida o v�cio...

 

Faz um pouco de corrida,

Faz vela e montanhismo,

Mas s� parco na comida

Podes cair no abismo.

 

Da temperan�a faz gui�o,

Da gin�stica o teu v�cio,

Vigia o teu cora��o,

Faz dieta e exerc�cio.

 

N�o vivas p'r� televis�o,

Anda a p�, faz ciclismo,

Deita fora o cadeir�o,

Diz n�o, ao sedentarismo!

 

 

 

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