Introdu��o ] P�gina Superior ] Aterosclerose ] I Hipertens�o Arterial ] II Colesterol ] III Tabaco ] IV Diabetes ] [ V Obesidade ] VI Stress ] VII Sedentarismo ] VIII Alcoolismo ] IX Hereditariedade ] X Menopausa ] Consulta Externa ]

 

Preven��o Vascular

 

V – OBESIDADE

 

Na hora de convidar os leitores a encarar este magno problema das sociedades ocidentais, ocorre-nos a frase de Freud: "Todos os prazeres da vida se iniciam atrav�s da boca".

DinoN�o pretendemos reduzir ou deturpar a afirma��o do fil�sofo, mas convenhamos que � atrav�s de um prazer da boca - a comida - que nos vemos a bra�os com uma doen�a - a obesidade - a mais antiga doen�a metab�lica, em termos de registo hist�rico. Que o digam as m�mias eg�pcias ou as esculturas da Antiga Gr�cia.

A obesidade �, tamb�m, o dist�rbio do metabolismo mais comum no homem, pois na popula��o adulta a sua preval�ncia varia entre 20 e 50%. Esta varia��o depende do pa�s, ra�a, sexo e da pr�pria defini��o de obesidade, ou dos m�todos utilizados para a sua avalia��o. Pouco ainda se conhece das suas causas, como tamb�m n�o t�m ainda explica��o alguns dos aspectos fundamentais relacionados com a obesidade: ser� esta uma enfermidade ou uma manifesta��o cl�nica comum a um grupo de dist�rbios?  Ser� nela mais importante o meio ambiente ou a predisposi��o heredit�ria? A obesidade da crian�a, do adolescente, do adulto e do velho ser�o a mesma doen�a? As altera��es psicol�gicas ser�o causa, ou sintomas da obesidade? Os obesos aumentam de peso porque comem todos os tipos de alimentos ou s� selectivamente alguns? Estas, como muitas outras, s�o as quest�es com que ainda se debatem endocrinologistas, nutricionistas, dietistas, bem como psiquiatras e psic�logos.

No mar imenso de tanta interroga��o, uma certeza: h� diferentes obesidades dependentes de m�ltiplos factores que se estendem desde o excesso de ingest�o de alimentos, por aumento do apetite, at� � incapacidade do organismo em gastar calorias, passando pela altera��o da saciedade, defeito na escolha dos alimentos e excesso de dep�sito de calorias no tecido adiposo. Digamos que a obesidade se desenvolve sempre que h� um balan�o positivo de energia, nuns casos porque a energia ingerida � superior � dispendida e noutros por excesso de ingest�o alimentar ou por incapacidade de adapta��o do organismo � energia. Na sua origem podem estar um defeito metab�lico heredit�rio, o meio ambiente s�cio-cultural e as altera��es dos neuromediadores, estes respons�veis pela fome, pela saciedade e pela escolha dos diversos alimentos.

O facto de n�o haver uma fronteira distinta entre os obesos e os magros torna naturalmente arbitr�ria a defini��o de obesidade. Poderia esta ser facilitada se existisse uma barreira a partir da qual se tornasse n�tida a influ�ncia da obesidade sobre a morbilidade e mortalidade, o que n�o acontece, pois, com uma subida do peso acima de 30% se verifica um aumento de mortalidade continuamente progressivo.Perú

O excesso cal�rico e os h�bitos sedent�rios modernos t�m levado ao aumento da frequ�ncia da obesidade, bem como das suas consequ�ncias metab�licas, fisiol�gicas ou fisiopatol�gicas que parecem aumentar progressivamente com o grau do desvio acima do peso m�dio.

Poderemos ent�o definir a obesidade como excesso de tecido adiposo - gordura, que pode ser ligeiro, a que se chama excesso de peso (grau 1), a obesidade propriamente dita (grau II) e o grau extremo, a superobesidade ou obesidade m�rbida (grau III).

� f�cil verificar, com uma olhadela ao espelho, que estamos a engordar mas � bastante dif�cil saber quanto devemos pesar. Advogamos a tese de que se deve manter, ao longo da vida, o peso correcto dos vinte ou vinte cinco anos, n�o aceitando que, sem preju�zo para a sa�de, se possa pesar mais, � medida que sobre n�s cai o peso dos anos. O peso ideal ser� o que d� vida aos anos e anos � vida, isto �, o que d� uma vida mais longa com mais sa�de, muito embora sem necessidade de criar a "psicose do peso ideal". Portanto, na pr�tica, o peso aconselh�vel ser� o do final da puberdade, n�o sendo o mais importante atingir o peso ideal, que uma tabela nos indique, mas sim conseguir um peso equilibrado que n�o obrigue a uma dieta cr�nica.

Claro est� que o excesso de peso por acumula��o de gordura encurta a vida, aumenta a incapacidade, e eleva o risco de muitas doen�as, afirma��o j� feita por Hip�crates h� 2400 anos: "as pessoas cheias morrem mais cedo do que as magras porque expostas a mais doen�as". De facto os obesos t�m uma esperan�a de vida inferior � dos n�o obesos. Se � verdade que uma massa adiposa adequada assegura o carburante necess�rio ao m�sculo durante a juventude e permite uma reserva de glicog�nio e portanto de glicose exigida pelo volumoso c�rebro do homem, o excesso de massa gorda tem consequ�ncias patol�gicas de duas ordens: mec�nicas e metab�licas. Estas �ltimas est�o relacionadas com os metabolismos da glicose, l�pidos e purinas e com as diferentes vias que conduzem � hipertens�o arterial e � aterosclerose. De facto a obesidade parece ser um factor de risco muito importante de doen�a coron�ria; contudo, certos dados epidemiol�gicos mostram que tal risco � relativamente modesto quando comparado com o risco de outros factores, a que j� nos referimos, como o colesterol, hipertens�o arterial e tabagismo. Mas o certo � que o peso ideal �, presumivelmente, o que se associa � menor taxa de mortalidade; por outro lado as pessoas que t�m 20% ou mais de excesso de peso, em compara��o com o peso desej�vel, s�o consideradas obesas; julga-se tamb�m que h� um excesso de mortalidade por doen�a coron�ria, de 35%, para os homens com 20% ou mais acima do peso m�dio. Parece ser mais evidente a rela��o da obesidade com a angina de peito e morte s�bita, do que como enfarte n�o fatal. Ilustração de Jorge R. SilvaSe � verdade que a rela��o entre a obesidade e a doen�a coron�ria parece ser inconsistente, o facto � que a obesidade est� habitualmente associada a indiscut�veis factores de risco, como a hipertens�o arterial, intoler�ncia � glicose ou diabetes, inactividade f�sica e aumento do colesterol, triglicer�deos e �cido �rico. Isto leva-nos a crer que, se a obesidade aumenta a doen�a coron�ria, actuar� atrav�s destes factores associados, o que implica que a obesidade deva ser tomada devidamente em considera��o. A obesidade com distribui��o de tipo andr�ide, t�pica do homem, que predomina na parte superior do corpo, acima do umbigo, � o subgrupo de maior risco diabet�geno e aterog�nico, que pode ser multiplicado por 6 ou 20. Este tipo de obesidade � constitu�do por adip�citos particularmente sens�veis a est�mulos lipol�ticos que, em situa��es de stress, podem levar ao aparecimento de n�veis elevados de �cidos gordos livres que poder�o, em �ltima an�lise, levar ao aparecimento de v�rios factores de risco para a doen�a coron�ria. Em rela��o � popula��o em geral, nos obesos a preval�ncia da hiperlipidemia � 5 a 8 vezes mais elevada e o risco de mortalidade associado com a hiperlipidemia � 1,5 vezes maior. A obesidade gin�ide, t�pica da mulher, com distribui��o da gordura nos segmentos inferiores - anca e coxas - n�o apresenta estes inconvenientes.

 

Poderemos, portanto, concluir:

1.    A obesidade est� associada a um aumento de mortalidade geral.

2.    Quando associada � hipertens�o, diabetes e n�veis elevados de colesterol e triglicer�deos, a que habitualmente est� ligada, a obesidade torna-se um factor de risco de doen�a coron�ria.

3.    A correc��o da obesidade afecta beneficamente os factores referidos, particularmente os triglicer�deos, o que nos leva a crer que, mesmo na falta de evid�ncia directa, a redu��o do peso, por si s�, reduz o risco de doen�a coron�ria.

 

De tais conclus�es decorrem naturalmente as seguintes recomenda��es:

 

1.    Nas pessoas obesas devem ser procurados outros factores de risco.

2.    A necessidade de redu��o do peso do obeso depende consideravelmente da presen�a ou aus�ncia de outros factores de risco de doen�a coron�ria.

3.    Na pr�tica n�o se deve exceder o peso desej�vel.

4.    O exerc�cio f�sico di�rio, regular, � fundamental para uma redu��o satisfat�ria do peso.

5.    As dietas para a redu��o do peso devem promover redu��o de todos os componentes da dieta, privilegiando a redu��o do a��car, �lcool e gorduras.

 

O tratamento da obesidade vai desde as dietas at� ao bal�o intrag�strico e sutura dos maxilares, passando pelo exerc�cio f�sico, terapia comportamental e medicamentos - anorex�genos e sedativos.

AlimentosAs dietas de emagrecimento devem ter um valor cal�rico-proteico equilibrado, em vitaminas, sais minerais e fibra diet�tica - parte dos legumes, cereais, frutos e outros vegetais que n�o � diger�vel pelo est�mago nem pelas enzimas digestivas intestinais, podendo algumas delas serem digeridas pelas bact�rias. Com as fibras diet�ticas a absor��o de a��car no intestino � menos eficaz e reduz-se a propor��o de enteroglucagon, hormona do intestino que "avisa" o p�ncreas que se est� a ingerir a��car para que o p�ncreas responda segregando insulina; assim o a��car entra mais lentamente no sangue e os n�veis de insulina n�o aumentam tanto como sem a presen�a da fibra. A absor��o mais lenta do a��car, juntamente com respostas menores de insulina provoca uma convers�o menor de a��car em gordura, um n�vel mais baixo de gordura sangu�nea e um menor armazenamento de gordura. Naturalmente que se torna dif�cil, se n�o imposs�vel, no pouco espa�o de que dispomos, enumerar todos os tipos de dieta que ter�o que ser adaptados a cada indiv�duo e de acordo com o tempo dispon�vel de cada um, o n�mero de refei��es que costuma fazer diariamente, os seus gostos e local onde toma as refei��es e ainda os seus h�bitos alimentares, sociais e culturais. S� o m�dico est� autorizado a estabelecer a dieta especifica de cada doente. N�o obstante essa dificuldade sempre referimos que, qualquer que seja a dieta de emagrecimento, � importante saber:

 

1.    Que n�o � restritivo o consumo de hortali�as, legumes, saladas e sopas sem farin�ceos nem gorduras.

2.    Que o n�mero de refei��es di�rias varia de 5 a 7.

3.    Que S�o aconselhados os grelhados, estufados, assados e cozidos.

4.    Que na confec��o dos alimentos se deve utilizar o m�nimo de sal.

5.    Que a gordura � proporcional ao valor cal�rico da dieta.

6.    Que s�o poss�veis saborosas confec��es em tacho, sem necessidade de juntar gordura, escolhendo carnes e peixes magros expurgados da pele.

7.    Que qualquer destes alimentos se pode cozinhar em vinho, numa marinada.

8.    Que se podem usar especiarias e ervas arom�ticas como condimento.

9.    Que para temperar saladas e cozidos se podem preparar molhos com valor cal�rico aceit�vel � base de iogurte batido, vinagre, pimenta, tomate, alho e cebola.

 

O valor cal�rico das diversas dietas hipocal�ricas varia habitualmente de 850 a 1800 Kcal. Da dieta com 1200 Kcal, talvez a mais indicada pelos especialistas e aquela com que � obtido mais sucesso, damos uma Ementa-Tipo:

 

      Pequeno Almo�o

    - 1,5 dl de leite magro

    - meio papo-seco com manteiga (uma colher de caf� rasa)

    - ou queijo magro ou fresco

 

                            Meio da manh�:

    - uma pe�a de fruta mais uma bolacha Maria 1 �gua e sal/torrada

 

                             Almo�o / jantar:

    - Sopa sem gordura e sem farin�ceos

    - Carne / peixe (100 gr) com uma batata pequena

    - ou 3 colheres de sopa de arroz ou massa

    - Hortali�as, legumes, saladas

 

                             Uma hora depois:

    - Uma pe�a de fruta

 

                              Merenda:

    - Um iogurte natural mais tr�s tostas com manteiga (uma colher de caf�)

 

                               Ceia:

    - 1,5 dl de leite magro mais duas bolachas Maria / �gua e sal / torrada.

 

O tipo de exerc�cio f�sico est� muito condicionado pelo estilo de vida do doente; a marcha r�pida, a nata��o, a gin�stica de manuten��o e o saltar� corda S�o os exerc�cios mais indicados que dever�o ser efectuados regularmente e de forma progressiva. Os desportos de fim de semana ou os esfor�os mais violentos n�o t�m qualquer vantagem, podendo mesmo ser perigosos.

A administra��o de anorex�genos (medicamentos que reduzem o apetite) ter� que ser efectuada sempre sob vigil�ncia e orienta��o m�dicas, s� num n�mero limitado de doentes e nunca durante mais de tr�s meses. Os sedativos, em pequenas doses poder�o, em alguns casos, diminuir a ansiedade e a tens�o emocional, permitindo uma melhor ades�o �s dietas.

A finalidade da terapia comportamental � a correc��o dos erros alimentares, a realiza��o de testes alimentares e psicol�gicos para individualiza��o terap�utica e a psicoterapia de apoio.

O bal�o intrag�strico e a sutura dos maxilares poder�o estar indicados nos obesos de grau II grave, depois da fal�ncia de todas as outras alternativas terap�uticas.Sensibilidade

Para prevenir a obesidade h� que efectuar um regime alimentar saud�vel e um estilo de vida com maior actividade f�sica o que n�o s� reduz a preval�ncia da obesidade como de todas as doen�as metab�licas e degenerativas dela dependentes que se tornaram um flagelo universal. Entendemos por alimenta��o saud�vel a que privilegia os produtos hort�colas e frutos, bem como cereais e leguminosas, a que restringe os �leos e gorduras, sendo ainda mais exigente na restri��o do �lcool e a��car e a que aconselha o consumo modesto de carne e peixe (m�ximo:150 gr 1 dia). Por estilo de vida com maior actividade f�sica entendemos andar mais a p�, subir e descer escadas, movimentar e usar os m�sculos, na impossibilidade de praticar gin�stica ou desporto.

� decerto muito dif�cil prevenir a obesidade numa sociedade de consumo onde s�o muito eficazes os apelos para usar certos produtos alimentares e certas bebidas, nutricionalmente inadequadas, e onde o autom�vel e a televis�o convidam ao sedentarismo.

Dif�cil, mas talvez n�o imposs�vel, a preven��o da obesidade � sobretudo mandat�ria em determinados indiv�duos: os filhos de diab�ticos n�o-insulino-dependentes e os seus parentes em primeiro grau, os filhos de um e, principalmente, de dois progenitores obesos, os familiares de doentes com hipertrigliceridemia, beb�s com peso excessivo nos primeiros seis meses, adolescentes com demasiado peso e os que recuperam o peso normal por dieta de emagrecimento.

Como nota final queremos refor�ar:

 

A obesidade precisa de ser evitada na inf�ncia.

O progn�stico da obesidade � reservado, na medida em que � dif�cil obter-se o emagrecimento bem sucedido e duradouro.

A pessoa obesa, que j� teve muitos fracassos no emagrecimento, necessita mais de simpatia do que de condena��o.

 

Comer n�o custa...

                           custa � saber comer.

 

 

Vamos dizer n�o...

� obesidade!

 

A barriga a arredondar,

E regueifas na cintura,

� altura de pensar,

Em dizer n�o, � gordura!

 

N�o deves mais permitir,

O prato a abarrotar,

Se come�as a sentir,

A barriga a arredondar.

 

Co' as do�uras tem cautela,

Come bastante verdura,

Se te aparece a barbeIa,

E regueifas na cintura.

 

Se pesas mais que em solteiro,

E j� n�o podes saltar,

Em cortar com o saleiro,

� altura de pensar.

 

Como magreza � beleza,

Gordura n�o formosura,

Pensa, quando est�s � mesa,

Em dizer n�o, � gordura!

 

 

 
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