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Preven��o Vascular

 

II - COLESTEROL

 

- Senhor Dr., tenho colesterol!

A este alerta do doente, frequentemente acompanhado por uma express�o de p�nico, costumamos responder: "- Ainda bem que tem colesterol!" � que algumas pessoas n�o sabem que o colesterol � uma gordura, um l�pido, constituinte fundamental do organismo, representando a principal fonte de energia e n�o tanto um veneno que � preciso a todo o custo expulsar do nosso organismo, como por vezes os �rg�os de informa��o nos fazem crer.

Ainda bem que tem colesterol, mas porqu�? Porque sem ele todo o edif�cio que � o nosso corpo ruiria, na medida em que o colesterol � o cimento que liga todas as pedras que o comp�em, que entra na composi��o de todas as paredes ou membranas de todas as c�lulas quer sejam dos nervos ou c�rebro. Da cabe�a aos p�s, do cora��o aos ov�rios ou test�culos, todas as c�lulas do nosso corpo (� volta de um trili�o) s�o feitas de colesterol. Se somos homem � porque os nossos test�culos s�o capazes, a partir do colesterol, de produzir a hormona masculina, chamada testosterona. Nas mulheres, os ov�rios s�o capazes de produzir, tamb�m a partir do colesterol, a hormona feminina, denominada estrog�nio. O colesterol � a mat�ria prima com que as nossas c�lulas "fabricam" (sintetizam), para al�m destas e outras hormonas, tamb�m os sais biliares e vitaminas. Os sais biliares s�o absolutamente necess�rios para os movimentos intestinais e reabsor��o normal dos alimentos. A vitamina D � precisa para o metabolismo dos nossos ossos e a vitamina E est� ligada � nossa vida sexual.

Uma das fontes de colesterol s�o os alimentos, mas a maior quantidade � produzida pelo pr6prio organismo, no f�gado e na parede intestinal, enquanto que h� outras gorduras, talvez n�o t�o importantes mas que n�o poderemos deixar de referir, nomeadamente os triglicer�deos, que s�o as gorduras que existem em maior quantidade na alimenta��o e no tecido adiposo (gordura) do corpo humano

.HDL

N�o h� d�vidas, portanto, que sem colesterol n�o pode haver vida. Mas sem �gua, sem a��car e sem sal, tamb�m n�o pode haver vida. E, contudo, colesterol a mais, �gua em demasia, a��car em excesso no sangue e demasiado sal na comida, podem conduzir � morte.

Mas antes de falarmos dos inconvenientes, e s�o muitos, do excesso de colesterol e triglicer�deos, vamos analisar como � que estes circulam, sabendo n�s que a parte l�quida do sangue, o plasma, � um meio aquoso e que o colesterol e os triglicer�deos s�o gorduras e portanto n�o sol�veis na �gua.

De facto, se no momento duma refei��o rica em gorduras fizermos uma colheita de sangue a um indiv�duo normal e se depois, por centrifuga��o, separarmos a parte s�lida do sangue da sua parte l�quida, verificamos que o plasma se apresenta turvo, por vezes mesmo com aspecto de leite. Se passadas tr�s horas, a esse mesmo indiv�duo, fizermos nova colheita de sangue e o separarmos de modo semelhante verificamos que o plasma, agora, tem um aspecto l�mpido. O que se passou durante este per�odo da digest�o? O colesterol e os triglicer�deos (l�pidos) ligaram-se a compostos chamados prote�nas (apoprote�nas), resultando dessa liga��o (l�pido + apoprote�na) um complexo sol�vel que se chama lipoprote�na, forma de transporte das gorduras que s� s�o libertadas quando se encontram em contacto com as c�lulas destinat�rias que t�m receptores espec�ficos a que as lipoprote�nas se ligam.

LDL

Ora as perturba��es neste conjunto de transforma��es qu�micas sofridas pelas gorduras desde que s�o absorvidas at� � sua expuls�o, constituem um importante factor de risco da aterosclerose precoce das art�rias coron�rias e perif�ricas. Mas a maior parte das vezes, o excesso de colesterol no sangue (hipercolesterolemias) e o excesso de triglicer�deos (hipertrigliceridemias) evoluem sem sintomas durante muitos anos e s� s�o diagnosticados quando o doente procura o m�dico por perturba��es da circula��o coron�ria, cerebral ou perif�rica. � que s� um pequeno n�mero de doentes apresenta sinais precoces de eleva��o do colesterol e triglicer�deos, como sejam placas ou n�dulos localizados na pele ou tend�es (xantomas), "papos" amarelados localizados nas p�lpebras (xantelasmas), opacidade amarelada da parte anterior do olho (arco senil da c�rnea), turva��o leitosa do plasma ou c�licas abdominais.

Da� a necessidade de t�o cedo quanto poss�vel dever fazer-se o estudo laboratorial dos l�pidos, e sempre que nos antecedentes familiares h� casos de morte card�aca precoce, enfarte do mioc�rdio, angina de peito ou aumento do colesterol ou triglicer�deos em pais ou irm�os, sempre que haja altera��es renais ou diabetes, no caso de alcoolismo, doen�as do p�ncreas, ou c�licas abdominais de causa n�o esclarecida, quando existe gota, obesidade ou aumento do f�gado e do ba�o e ainda em presen�a dum plasma leitoso ou turvo, ou dos referidos arco senil, xantelasmas ou xantomas, podendo estes ser procurados nas palmas das m�os, cotovelo, joelho, n�dega, dorso das m�os e p�s, tuberosidades pr�-tibiais e tend�o de Aquiles.

Ilustração de Jorge R. SilvaAs doen�as provocadas por aumento das gorduras no sangue (hiperlipoproteinemias) podem ser prim�rias ou secund�rias. S�o consideradas prim�rias quando n�o se encontra uma causa desencadeante. S�o frequentemente de incid�ncia familiar (gen�ticas) e o seu diagn�stico faz-se por exclus�o. As secund�rias s�o causadas por outras doen�as e s�o revers�veis quando se eliminam as causas que as provocam. S�o causas de hiperlipoproteinemia secund�ria determinadas altera��es hormonais (gravidez, "p�lula", hipotireoidismo), algumas doen�as renais, intoxica��o pelo �lcool, certas doen�as do metabolismo (diabetes, gota, obesidade, etc.), doen�a obstructiva do f�gado e ainda alguns medicamentos, nomeadamente diur�ticos, betabloqueantes e corticoster�ides.

N�o sendo poss�vel eliminar a doen�a b�sica ou as causas desencadeantes, as hiperlipoproteinemias secund�rias ser�o tratadas como as prim�rias.

A base do tratamento de todas as perturba��es prim�rias do metabolismo das gorduras � uma dieta espec�fica para cada quadro patol�gico. Os doentes obesos devem procurar atingir o peso ideal com uma alimenta��o de baixas calorias. Naturalmente que a dieta depende do tipo de l�pido que estiver aumentado. Ora fazer dieta ou � uma ma�ada ou n�o passa de declara��o de inten��es. No entanto j� reparou quanta gordura ingere sem necessidade? Quantos alimentos pode substituir por outros tamb�m apaladados e menos perigosos?

O objectivo da dieta ser� baixar o colesterol para valores iguais ou inferiores a 200 mg/dl, na medida em que h� forte evid�ncia de que o risco de doen�a coron�ria sobe progressivamente com a colesterolemia a partir dos 200 mg/dl, pensando alguns investigadores que ser� desej�vel que o colesterol n�o ultrapasse os 180 mg/dl. No que respeita aos triglicer�deos, embora a sua import�ncia seja menos uniformemente valorizada, h� actualmente raz�es bastantes para acreditar tamb�m na sua ac��o agressiva sobre a parede arterial, portanto na sua ac��o como factor de risco da aterosclerose, quando os seus valores s�o superiores a 150 mg/dl. Como conseguir este objectivo?

Duma maneira geral, quando o colesterol est� elevado, devem cortar-se drasticamente as carnes verdes e os fritos e reduzir a ingest�o de gorduras animais, e quando est�o elevados os triglicer�deos, cortar drasticamente o a��car refinado e o �lcool e reduzir a ingest�o de batata, arroz, massa e p�o.

Um regime alimentar equilibrado ser� o "mediterr�neo tradicional" que considera os legumes e frutos como constituintes importantes; como mat�ria gorda de tempero elege o azeite cru como a forma mais agrad�vel de consumir determinados �cidos gordos; sugere a limita��o das gorduras animais, excepto peixe, na medida em que determinado "peixe adequado", nomeadamente a cavala, o arenque, a sardinha e o atum, reduzem os triglicer�deos de uma maneira not�ria.

S� depois de seis meses de dieta com simult�neo combate aos factores de risco associados, sem que os n�veis do colesterol e triglicer�deos des�am para os valores desejados, poderemos pensar no tratamento medicamentoso. Poder�, contudo, haver necessidade de encurtar este per�odo de dieta em presen�a de valores de colesterol superiores a 350 mg/dl ou com valores mais baixos se estiverem associados outros factores de risco. Em qualquer dos casos, o regime diet�tico dever� ser mantido mesmo durante a administra��o dos medicamentos. Em determinadas circunst�ncias, quando dieta e medicamentos n�o resultam, h� que fazer uma terap�utica radical que vai desde a remo��o extracorporal das lipoprote�nas, por meio de m�quinas, at� � modifica��o gen�tica, passando por processos cir�rgicos que incluem a transplanta��o do f�gado.

A terminar e � guisa de recomenda��o a resposta a duas perguntas:Fumegando!

 

Quem deve mandar fazer a an�lise das suas gorduras do sangue?

 

Se � verdade que toda a gente o deve fazer, tal atitude ser� obrigat�ria para:

1.   Todos quantos tenham ascendentes com doen�a coron�ria prematura.

2.   Irm�os e filhos de doentes coron�rios e de indiv�duos com hipercolesterolemia familiar.

3.   Indiv�duos com v�rios factores de risco como hipertens�o arterial, tabagismo, obesidade e diabetes.

 

Na pr�tica, como reduzir as gorduras da alimenta��o?

 

1.   Coma menos carne e menos gemas de ovos.

2.   Prefira carne magra e tire a gordura vis�vel.

3.   Coma mais cria��o e mais peixe.

4.   Use manteiga em pequena quantidade.

5.   Evite o creme e nata do leite.

6.    Evite margarinas ou banha.

7.   Prefira grelhar a fritar.

8.   Utilize, para cozinhar, �leos de milho, girassol ou a�afr�o e, principalmente, o azeite.

9.   Coma mais vegetais e frutos.

 

 

Se o colesterol em excesso pode conduzir � morte, vamos todos dizer n�o...

                                                                                                      a esse colesterol:

 

No Ver�o, ou no Inverno,

Tira as gorduras do rol,

N�o fa�as da vida inferno,

Diz n�o, ao colesterol!

 

Toma aten��o � trombose,

N�o julgues que �s eterno,

Evita que o enfarte goze,

No Ver�o ou no Inverno.

 

Come azeite de oliveira,

Ou �leo de girassol,

Mas nunca da frigideira.

Tira as gorduras do rol.

 

Pensa em fibras no teu trato,

Carnes verdes, com governo;

O enfarte est� no prato,

N�o fa�as da vida inferno.

 

Come peixe e vegetais,

Corta a��car e o "tintol",

Come fruta, cereais,

Diz n�o ao colesterol!

 

 

 
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