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Preven��o Vascular

 

X – MENOPAUSA

 

Cara leitora, se j� entrou nesta fase da sua vida, regozije-se com isso. E sinal de que tem assistido a todas estas �ltimas transforma��es do nosso planeta azul, boas ou m�s, � certo, e que o rodar dos anos p�s nos seus olhos esse lampejo de serena experi�ncia que � o segredo do seu encanto. Se a leitora � mais jovem e ainda n�o chegou aqui, mas � uma pessoa que gosta de conhecer para prever as situa��es, n�o se assuste, porque a menopausa � uma fase da vida como qualquer outra. Quem n�o se lembra dos problemas fisiol�gicos e psicol�gicos que acompanham o in�cio da menstrua��o? Ou os conflitos da adolesc�ncia?

Se quem l� estas linhas � um leitor que acompanha uma mulher que entrou na menopausa, preste aten��o pois vamos tentar desmitificar esta situa��o.

Socorro!...

A palavra menopausa, que deriva de duas palavras gregas que significam "m�s" e "cessar", quer dizer cessa��o definitiva da menstrua��o, sendo tomada como sin�nimo de climat�rio. Nesta situa��o, a defici�ncia de estrog�nio, hormona feminina, � causa de significativas altera��es fisio-psicol�gicas a v�rios n�veis, que conv�m referir. Digamos que o organismo perde determinadas defesas, e que a mulher se sente mais desprotegida, mais vulner�vel. Sob o ponto de vista emocional, e como reac��o ao fim da vida reprodutiva e aos sintomas f�sicos da menopausa, a mulher fica muito perturbada. Nesta fase s�o comuns os estados de ansiedade e depress�o. Estas situa��es necessitam de esclarecimento e apoio. No aspecto fisiol�gico as reac��es mais evidentes s�o a atrofia dos �rg�os genitais e as irritantes "baforadas de calor". Quando h� caracter�sticas f�sicas acentuadas de defici�ncia hormonal, est� indicada a terap�utica com estrog�nios, que melhora as perturba��es psiqui�tricas, os "afrontamentos" e a atrofia genital, esta �ltima causadora de rela��es sexuais mais dif�ceis. Desta forma, n�o h� motivo para que a mulher n�o continue uma vida sexual activa, durante e depois da menopausa.

Continuando a desmitificar a menopausa, lembramos que o climat�rio n�o se faz acompanhar, de modo algum, dos r�tulos de "doen�a" ou "defici�ncia". Representar�, sim, o "meio da vida" da mulher e, talvez por isso a altura em que, olhando o passado, a mulher poder� planear o futuro, assumindo a menopausa para melhor a compreender. Com o advento da menopausa, e contrariando os mitos de que ainda est� repleta, a mulher n�o vai ficar "maluca", n�o perde o apetite sexual, poder�, se tiver cuidado, n�o engordar, n�o vai, por isso, ter mais cabelos brancos ou ser garantidamente sujeita a opera��es ginecol�gicas.

O que a mulher precisa de saber � que passar� a estar mais vulner�vel sob o ponto de vista cardiovascular.

Se � verdade que as doen�as cardiovasculares s�o a principal causa de morte nos dois sexos, e que homens e mulheres t�m a mesma frequ�ncia de doen�a coron�ria, o certo � que, em m�dia, esta aparece na mulher 10 a 15 anos mais tarde do que no homem. Nos Estados Unidos metade das mulheres morrem por causas relacionadas com a aterosclerose, nomeadamente o enfarte do mioc�rdio e o acidente vascular cerebral, sendo a doen�a coron�ria respons�vel por 28% dessas mortes. Na Europa, 30 a 45% das mulheres morrem por doen�as cardiovasculares. Embora a doen�a coron�ria seja relativamente rara na mulher antes de atingir a menopausa, o risco coron�rio aumenta progressivamente depois dela, sendo virtualmente igual ao dos homens nas idades mais avan�adas, o que sugere um papel cardioprotector dos estrog�nios end�genos na mulher antes da menopausa. Os estrog�nios s�o ent�o os respons�veis pelas diferen�as ben�ficas entre o perfil lip�dico da mulher, antes e depois da menopausa. Contudo, o papel exacto da menopausa e das hormonas femininas nas altera��es das gorduras e nas doen�as cardiovasculares, n�o est� ainda perfeitamente elucidado.

VidasA grande maioria dos estudos efectuados p�e em foco a primazia ou exclusividade do risco das doen�as vasculares no homem. Tais resultados n�o poder�o, sem reservas, ser extrapolados para a mulher, se pensarmos que, para al�m dos factores de risco partilhados pelos dois, a mulher enfrenta adicionalmente certos riscos espec�ficos do sexo. Inclu�mos nos factores de risco comuns aos dois sexos os n�veis elevados de colesterol, um perfil adverso das lipoprote�nas (aumento das consideradas aterog�nicas -"mau" colesterol - e diminui��o das que representam um factor anti-risco - "bom" colesterol), tabagismo, hipertens�o arterial, diabetes, obesidade, idade avan�ada e estilo de vida sedent�rio. Os riscos adicionais, que podem afectar a mulher, incluem os n�veis elevados de triglicer�deos, a menopausa natural, a menopausa cir�rgica (com perda da fun��o ov�rica que para alguns autores � um factor chave), o uso de contraceptivos orais e provavelmente a terap�utica hormonal substitutiva.

O perfil lip�dico e das lipoprote�nas, na mulher, muda com a idade e a menopausa. Os n�veis m�dios de colesterol e das lipoprote�nas aterog�nicas est�o mais altos no homem do que na mulher antes da menopausa. Depois da menopausa, surge uma modifica��o, e os n�veis m�dios referidos aumentam na mulher a ponto de exceder os dos homens.

De acordo com o resultado de estudos epidemiol�gicos e cl�nicos em indiv�duos com mais de 20 anos, alguns determinantes major dos n�veis dos l�pidos e das lipoprote�nas s�o semelhantes nos dois sexos, nomeadamente:

Ilustração de Jorge R. SilvaA dieta, pois uma alta ingest�o de �cidos gordos saturados e dieta rica em colesterol � a primeira causa da eleva��o das gorduras.

O comportamento est� igualmente incriminado, pois o tabaco um factor de risco independente de doen�a coron�ria e est� associado � descida do "bom" e aumento do "mau" colesterol, e na mulher est� ainda associado tamb�m com menopausa prematura e decl�nio secund�rio da secre��o de estrog�nios; o exerc�cio f�sico regular pode, por sua vez, aumentar o "bom" colesterol, embora a evid�ncia deste efeito na mulher seja inconsistente; o �lcool, n�o considerado como agente cardioprotector por �bvias desvantagens m�dicas, poder�, em consumo moderado, aumentar o "bom" colesterol.

Os genes n�o poder�o ser esquecidos, pois os efeitos gen�ticos verificados na s�ntese dos receptores-mediadores do colesterol, s�o respons�veis por uma pequena percentagem de doen�as ligadas ao metabolismo das gorduras, tanto no homem como na mulher.

Al�m disso as concentra��es de gorduras na mulher podem estar sujeitas a outras vari�veis, tais como:

Os estrog�nios end�genos, cuja secre��o normal parece aumentar o "bom" colesterol e baixar o "mau", durante os anos em que a mulher � menstruada, enquanto que a perda da fun��o ov�rica tem um efeito contr�rio; as flutua��es hormonais, com o ciclo menstrual, produzem insignificantes altera��es dos n�veis das gorduras.

Os contraceptivos orais em que as altas doses hormonais de algumas p�lulas t�m um impacto adverso no perfil das gorduras, efeito que foi eliminado com formula��es de doses mais baixas.

A terapia de substitui��o hormonal � igualmente importante, pois os estrog�nios administrados para al�vio dos sintomas da menopausa optimizam o perfil lip�dico.

A menopausa, em que a cessa��o da secre��o de estrog�nios est� relacionada com um moderado aumento do colesterol total e tamb�m do "mau" colesterol, � sem d�vida uma vari�vel a n�o esquecer.

N�o ser� perfeitamente claro mas, muito provavelmente, a menopausa por si pr�pria, o aumento da idade e a soma de outros factores de risco, ser�o o agente causal destas altera��es no metabolismo lip�dico. O facto da mulher apresentar a doen�a coron�ria em idade mais avan�ada, n�o impede que a encaremos sob dois aspectos: a doen�a cardiovascular � o principal assassino da mulher e o aumento das gorduras o principal agente causal. Por estas raz�es � fundamental, na mulher, o estudo lip�dico, com an�lise das lipoprote�nas, quando necess�rio; as altera��es lip�dicas encontradas dever�o ser sujeitas �s medidas adequadas de controlo, nomeadamente modifica��es do comportamento, dieta e, se necess�rio, f�rmacos redutores dos l�pidos. Na mulher, antes da menopausa, estes medicamentos devem ser prescritos com redobrada precau��o. Mais vale prevenir do que remediar...

Ar-livre

Assim, a mulher ao ver aproximar-se o climat�rio, ter� que se preparar psicologicamente para o receber, porque o stress � tamb�m um grande factor de risco. Deve pensar tamb�m que, se n�o pode lutar contra esse inevit�vel factor que se aproxima, pode atempadamente evitar ou corrigir muitos outros, evitando assim a multiplica��o dos seus efeitos. H� pois que cedo come�ar a pensar em n�o deixar aparecer a hipertens�o arterial, evitando, por exemplo, entre outras coisas, o sal na comida; a impedir o aparecimento dos n�veis elevados do colesterol, n�o comendo gorduras; em evitar o tabagismo, pura e simplesmente n�o fumando, sob qualquer pretexto; em tentar impedir as manifesta��es da diabetes, pelo corte dos a��cares, medida que poder� servir tamb�m, juntamente com o exerc�cio f�sico, para evitar a obesidade. Deve al�m disso, desde tenra idade, evitar o �lcool e a vida sedent�ria. Deve, portanto, ter conhecimento dos factores de risco coron�rio e do efeito preventivo das altera��es do estilo de vida, particularmente da import�ncia do deixar de fumar, recordando-se da sua s� relativa imunidade contra a doen�a coron�ria. Deve, al�m disso, ter presente que para al�m destas medidas precisa conhecer o seu potencial de risco cardiovascular em todas as idades e, no momento pr�prio, ter presente que o tratamento hormonal optimiza o seu perfil lip�dico.

Confrontada com a idade "madura", a mulher que � para Balzac, nesta fase da vida, a melhor em quase tudo, pela sua riqueza de conhecimentos e experi�ncia que ela sabe utilizar no momento certo, cujo encanto ultrapassa a harmonia mais ou menos perfeita da forma f�sica, ter� contudo que saber...

 

 

Como dizer n�o...

                            � menopausa!

 

Se j� �s mulher madura

E surgiram os calores

Est�s em risco, est� na altura

Diz n�o, aos outros factores!

 

Se j� tens p�s de galinha

E se te alarga a cintura

Trata de manter a linha

Se j� �s mulher madura.

 

Vigia a circula��o

Mesmo que n�o tenhas dores.

Se n�o tens menstrua��o

E surgiram os calores.

 

J� perdeste a protec��o

Porque o bem nem sempre dura.

Faz depressa a preven��o

Est�s em risco, est� na altura.

 

J� que est� fora de causa

Dizer que n�o aos calores

Dizer n�o � menopausa

Diz n�o, aos outros factores!

 

 

 

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