Cara
leitora, se j� entrou nesta fase da sua vida, regozije-se com isso. E sinal de que tem
assistido a todas estas �ltimas transforma��es do nosso planeta azul, boas ou m�s, �
certo, e que o rodar dos anos p�s nos seus olhos esse lampejo de serena experi�ncia que
� o segredo do seu encanto. Se a leitora � mais jovem e ainda n�o chegou aqui, mas �
uma pessoa que gosta de conhecer para prever as situa��es, n�o se assuste, porque a
menopausa � uma fase da vida como qualquer outra. Quem n�o se lembra dos problemas
fisiol�gicos e psicol�gicos que acompanham o in�cio da menstrua��o? Ou os conflitos
da adolesc�ncia?
Se
quem l� estas linhas � um leitor que acompanha uma mulher que entrou na menopausa,
preste aten��o pois vamos tentar desmitificar esta situa��o.

A
palavra menopausa, que deriva de duas palavras gregas que significam "m�s" e
"cessar", quer dizer cessa��o definitiva da menstrua��o, sendo tomada como
sin�nimo de climat�rio. Nesta situa��o, a defici�ncia de estrog�nio, hormona
feminina, � causa de significativas altera��es fisio-psicol�gicas a v�rios n�veis,
que conv�m referir. Digamos que o organismo perde determinadas defesas, e que a mulher se
sente mais desprotegida, mais vulner�vel. Sob o ponto de vista emocional, e como
reac��o ao fim da vida reprodutiva e aos sintomas f�sicos da menopausa, a mulher fica
muito perturbada. Nesta fase s�o comuns os estados de ansiedade e depress�o. Estas
situa��es necessitam de esclarecimento e apoio. No aspecto fisiol�gico as reac��es
mais evidentes s�o a atrofia dos �rg�os genitais e as irritantes "baforadas de
calor". Quando h� caracter�sticas f�sicas acentuadas de defici�ncia hormonal,
est� indicada a terap�utica com estrog�nios, que melhora as perturba��es
psiqui�tricas, os "afrontamentos" e a atrofia genital, esta �ltima causadora
de rela��es sexuais mais dif�ceis. Desta forma, n�o h� motivo para que a mulher n�o
continue uma vida sexual activa, durante e depois da menopausa.
Continuando
a desmitificar a menopausa, lembramos que o climat�rio n�o se faz acompanhar, de modo
algum, dos r�tulos de "doen�a" ou "defici�ncia". Representar�,
sim, o "meio da vida" da mulher e, talvez por isso a altura em que, olhando o
passado, a mulher poder� planear o futuro, assumindo a menopausa para melhor a
compreender. Com o advento da menopausa, e contrariando os mitos de que ainda est�
repleta, a mulher n�o vai ficar "maluca", n�o perde o apetite sexual, poder�,
se tiver cuidado, n�o engordar, n�o vai, por isso, ter mais cabelos brancos ou ser
garantidamente sujeita a opera��es ginecol�gicas.
O
que a mulher precisa de saber � que passar� a estar mais vulner�vel sob o ponto de
vista cardiovascular.
Se
� verdade que as doen�as cardiovasculares s�o a principal causa de morte nos dois
sexos, e que homens e mulheres t�m a mesma frequ�ncia de doen�a coron�ria, o certo �
que, em m�dia, esta aparece na mulher 10 a 15 anos mais tarde do que no homem. Nos
Estados Unidos metade das mulheres morrem por causas relacionadas com a aterosclerose,
nomeadamente o enfarte do mioc�rdio e o acidente vascular cerebral, sendo a doen�a
coron�ria respons�vel por 28% dessas mortes. Na Europa, 30 a 45% das mulheres morrem por
doen�as cardiovasculares. Embora a doen�a coron�ria seja relativamente rara na mulher
antes de atingir a menopausa, o risco coron�rio aumenta progressivamente depois dela,
sendo virtualmente igual ao dos homens nas idades mais avan�adas, o que sugere um papel
cardioprotector dos estrog�nios end�genos na mulher antes da menopausa. Os estrog�nios
s�o ent�o os respons�veis pelas diferen�as ben�ficas entre o perfil lip�dico da
mulher, antes e depois da menopausa. Contudo, o papel exacto da menopausa e das hormonas
femininas nas altera��es das gorduras e nas doen�as cardiovasculares, n�o est� ainda
perfeitamente elucidado.
A grande maioria dos
estudos efectuados p�e em foco a primazia ou exclusividade do risco das doen�as
vasculares no homem. Tais resultados n�o poder�o, sem reservas, ser extrapolados para a
mulher, se pensarmos que, para al�m dos factores de risco partilhados pelos dois, a
mulher enfrenta adicionalmente certos riscos espec�ficos do sexo. Inclu�mos nos factores
de risco comuns aos dois sexos os n�veis elevados de colesterol, um perfil adverso das
lipoprote�nas (aumento das consideradas aterog�nicas -"mau" colesterol - e
diminui��o das que representam um factor anti-risco - "bom" colesterol),
tabagismo, hipertens�o arterial, diabetes, obesidade, idade avan�ada e estilo de vida
sedent�rio. Os riscos adicionais, que podem afectar a mulher, incluem os n�veis elevados
de triglicer�deos, a menopausa natural, a menopausa cir�rgica (com perda da fun��o
ov�rica que para alguns autores � um factor chave), o uso de contraceptivos orais e
provavelmente a terap�utica hormonal substitutiva.
O
perfil lip�dico e das lipoprote�nas, na mulher, muda com a idade e a menopausa. Os
n�veis m�dios de colesterol e das lipoprote�nas aterog�nicas est�o mais altos no
homem do que na mulher antes da menopausa. Depois da menopausa, surge uma modifica��o, e
os n�veis m�dios referidos aumentam na mulher a ponto de exceder os dos homens.
De
acordo com o resultado de estudos epidemiol�gicos e cl�nicos em indiv�duos com mais de
20 anos, alguns determinantes major dos n�veis dos l�pidos e das lipoprote�nas s�o
semelhantes nos dois sexos, nomeadamente:
A
dieta, pois uma alta ingest�o de �cidos gordos saturados e dieta rica em
colesterol � a primeira causa da eleva��o das gorduras.
O
comportamento est� igualmente incriminado, pois o tabaco um factor de risco
independente de doen�a coron�ria e est� associado � descida do "bom" e
aumento do "mau" colesterol, e na mulher est� ainda associado tamb�m com
menopausa prematura e decl�nio secund�rio da secre��o de estrog�nios; o exerc�cio
f�sico regular pode, por sua vez, aumentar o "bom" colesterol, embora a
evid�ncia deste efeito na mulher seja inconsistente; o �lcool, n�o considerado como
agente cardioprotector por �bvias desvantagens m�dicas, poder�, em consumo moderado,
aumentar o "bom" colesterol.
Os
genes n�o poder�o ser esquecidos, pois os efeitos gen�ticos verificados na
s�ntese dos receptores-mediadores do colesterol, s�o respons�veis por uma pequena
percentagem de doen�as ligadas ao metabolismo das gorduras, tanto no homem como na
mulher.
Al�m
disso as concentra��es de gorduras na mulher podem estar sujeitas a outras vari�veis,
tais como:
Os
estrog�nios end�genos, cuja secre��o normal parece aumentar o "bom"
colesterol e baixar o "mau", durante os anos em que a mulher � menstruada,
enquanto que a perda da fun��o ov�rica tem um efeito contr�rio; as flutua��es
hormonais, com o ciclo menstrual, produzem insignificantes altera��es dos n�veis das
gorduras.
Os
contraceptivos orais em que as altas doses hormonais de algumas p�lulas t�m um
impacto adverso no perfil das gorduras, efeito que foi eliminado com formula��es de
doses mais baixas.
A
terapia de substitui��o hormonal � igualmente importante, pois os estrog�nios
administrados para al�vio dos sintomas da menopausa optimizam o perfil lip�dico.
A
menopausa, em que a cessa��o da secre��o de estrog�nios est� relacionada com
um moderado aumento do colesterol total e tamb�m do "mau" colesterol, � sem
d�vida uma vari�vel a n�o esquecer.
N�o
ser� perfeitamente claro mas, muito provavelmente, a menopausa por si pr�pria, o aumento
da idade e a soma de outros factores de risco, ser�o o agente causal destas altera��es
no metabolismo lip�dico. O facto da mulher apresentar a doen�a coron�ria em idade mais
avan�ada, n�o impede que a encaremos sob dois aspectos: a doen�a cardiovascular � o
principal assassino da mulher e o aumento das gorduras o principal agente causal. Por
estas raz�es � fundamental, na mulher, o estudo lip�dico, com an�lise das
lipoprote�nas, quando necess�rio; as altera��es lip�dicas encontradas dever�o ser
sujeitas �s medidas adequadas de controlo, nomeadamente modifica��es do comportamento,
dieta e, se necess�rio, f�rmacos redutores dos l�pidos. Na mulher, antes da menopausa,
estes medicamentos devem ser prescritos com redobrada precau��o. Mais vale prevenir do
que remediar...

Assim,
a mulher ao ver aproximar-se o climat�rio, ter� que se preparar psicologicamente para o
receber, porque o stress � tamb�m um grande factor de risco. Deve pensar tamb�m
que, se n�o pode lutar contra esse inevit�vel factor que se aproxima, pode atempadamente
evitar ou corrigir muitos outros, evitando assim a multiplica��o dos seus efeitos. H�
pois que cedo come�ar a pensar em n�o deixar aparecer a hipertens�o arterial,
evitando, por exemplo, entre outras coisas, o sal na comida; a impedir o aparecimento dos
n�veis elevados do colesterol, n�o comendo gorduras; em evitar o tabagismo,
pura e simplesmente n�o fumando, sob qualquer pretexto; em tentar impedir as
manifesta��es da diabetes, pelo corte dos a��cares, medida que poder� servir
tamb�m, juntamente com o exerc�cio f�sico, para evitar a obesidade. Deve al�m
disso, desde tenra idade, evitar o �lcool e a vida sedent�ria. Deve, portanto, ter
conhecimento dos factores de risco coron�rio e do efeito preventivo das altera��es do
estilo de vida, particularmente da import�ncia do deixar de fumar, recordando-se da sua
s� relativa imunidade contra a doen�a coron�ria. Deve, al�m disso, ter presente que
para al�m destas medidas precisa conhecer o seu potencial de risco cardiovascular em
todas as idades e, no momento pr�prio, ter presente que o tratamento hormonal optimiza o
seu perfil lip�dico.
Confrontada
com a idade "madura", a mulher que � para Balzac, nesta fase da vida, a melhor
em quase tudo, pela sua riqueza de conhecimentos e experi�ncia que ela sabe utilizar no
momento certo, cujo encanto ultrapassa a harmonia mais ou menos perfeita da forma f�sica,
ter� contudo que saber...

Como dizer n�o...
� menopausa!
Se
j� �s mulher madura
E
surgiram os calores
Est�s
em risco, est� na altura
Diz
n�o, aos outros factores!
Se
j� tens p�s de galinha
E se te
alarga a cintura
Trata
de manter a linha
Se
j� �s mulher madura.
Vigia
a circula��o
Mesmo
que n�o tenhas dores.
Se n�o
tens menstrua��o
E
surgiram os calores.
J�
perdeste a protec��o
Porque
o bem nem sempre dura.
Faz
depressa a preven��o
Est�s
em risco, est� na altura.
J�
que est� fora de causa
Dizer
que n�o aos calores
Dizer
n�o � menopausa
Diz
n�o, aos outros factores!