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Preven��o Vascular

 

ATEROSCLEROSE

FLAGELO UNIVERSAL


Coração

Numa das nossas habituais e quase rotineiras pesquisas, curiosamente depar�mos, em dois velhos e j� arquivados exemplares da Imprensa di�ria, e n�o obstante a dist�ncia no tempo da sua publica��o, com afirma��es e interroga��es que, mostrando j� o reconhecimento do p�blico em geral, traduzem igualmente a sua preocupa��o, que continua actual, sobre alguns aspectos de Sa�de P�blica. E o caso do j� amarelado vespertino onde lemos: "Doen�as da civiliza��o - arteriosclerose, hipertens�o, gota e diabetes aumentam de gravidade de dia para dia nas �reas urbanas. Esta consequ�ncia da vida moderna..." e da antiga Revista onde deparamos com estas perguntas: "Envelhecimento ou doen�a? O que � a arteriosclerose? Doen�a de difus�o universal, reduz em dez anos a vida m�dia do homem, tira-lhe for�a e vigor, torna-lhe infeliz e intoler�vel a velhice...".

Na realidade, e em rela��o � afirma��o do vespertino, continuamos a acreditar cada vez mais que a aterosclerose �, de facto, uma doen�a da civiliza��o, na medida em que os m�ltiplos factores que a condicionam s�o os dividendos colhidos duma presum�vel melhoria de vida, o p�o nosso de cada dia da civiliza��o industrial do Ocidente.

Para dizermos se � envelhecimento ou doen�a teremos que ter em conta o nome com que a baptizamos: se lhe chamamos arterio ou aterosclerose, que diferem quanto � dureza do vaso doente ou da sua infiltra��o em gorduras, estamos em presen�a de doen�a indiscut�vel, mas se a apelidamos de fisiosclerose, ent�o podemos dizer tratar-se de envelhecimento natural dos vasos, como que o tributo que, mais tarde ou mais cedo, teremos que pagar � idade.

Ficamos, portanto, com a ideia de que arterio ou aterosclerose n�o s�o a velhice. Acrescentamos que n�o s�o doen�as da velhice, mas doen�as que se adquirem antes da velhice; exactamente doen�as que n�o deixam chegar a velho.

Artéria coronáriaA aterosclerose, que se desenvolve gradualmente por fases, na parte interior dos vasos, provocando o seu engrossamento, depende do organismo considerado na sua totalidade, e � uma das afec��es que maior �ndice de mortalidade causa.

Constituindo, ainda, no momento actual, a raz�o mais frequente de morte repentina, parece existir, contudo, desde os mais remotos tempos, a ajuizar pelos resultados do exame da m�mia de Amenhotep II e dos estudos em m�mias eg�pcias e c�pticas de 1576 a.C..

A primeira descri��o conhecida da aterosclerose foi, provavelmente, feita por Edward Jenner, por volta de 1772. Referida, tamb�m, no s�c. XVIII, por Morgagni e, depois, por Virchow (1826) encontra mais tarde, em Lobstein (1833), aquele que lhe chama pela primeira vez arteriosclerose, para exprimir o endurecimento e espessamento da parede vascular, percept�vel ao tacto e � vista, qualidade f�sica ainda hoje reconhecida como caracter�stica da doen�a. Mais tarde Marchand (1904), para real�ar um determinado aspecto macrosc�pico da arteriosclerose, o ateroma-neologismo que quer dizer tumor (orna) mole (atero) -, introduz o termo aterosclerose (do grego "athere", que significa papa ou coisa mole).

Ilustração de Jorge R. SilvaN�o h� d�vida de que, podendo ser apelidada de doen�a c�rebro-reno-cardio-vascular, dados os m�ltiplos �rg�os nobres que pode mutilar, �, indiscutivelmente, sobre o cora��o, que a aterosclerose mais frequentemente actua, levando � doen�a coron�ria.

Sobre as coron�rias, art�rias que fornecem sangue �s paredes musculares do cora��o, a aterosclerose provoca gradual obstru��o, que arrasta a um menor fornecimento de sangue ao m�sculo card�aco, que fica em situa��o de car�ncia de oxig�nio, levando � doen�a isqu�mica do cora��o, em qualquer dos seus aspectos cl�nicos: angina de peito, enfarte do mioc�rdio e, em situa��es lentamente estabelecidas, insufici�ncia card�aca congestiva.

E � exactamente esta gradual obstru��o dos vasos que confere � aterosclerose a sua maior gravidade, o lugar de flagelo universal. Doen�a do "iceberg", exibindo rid�culas manifesta��es cl�nicas quando comparadas com a extens�o das les�es j� existentes na obscuridade, a aterosclerose vai, insidiosa e inexoravelmente, minando e obstruindo os vasos, durante d�cadas e sem qualquer sintomatologia, merc� da ac��o dos in�meros factores de risco, para depois, repentinamente, quando menos se espera, mostrar, em toda a sua plenitude, o horizonte cl�nico do acidente vascular cerebral, enfarte do mioc�rdio ou renal, aneurisma, gangrena ou claudica��o das extremidades, levando a curto ou m�dio prazo � morte ou incapacidade precoces, que tanto pesam na taxa obitu�ria e econ�mica dos povos.

Dada a grande incid�ncia da doen�a coron�ria, de base ateroscler�tica, nos pa�ses industrializados e a gravidade das suas repercuss�es, esta torna-se um magno problema de Sa�de P�blica, com cientistas e governantes interessados em identificar e tratar situa��es predisponentes ou facilitantes da doen�a isqu�mica do cora��o - diabetes, obesidade, stress, sedentarismo, alcoolismo, hereditariedade, menopausa, tabagismo, hipertens�o ou aumento do colesterol - numa tentativa de fazer a preven��o vascular. E nisto da aterosclerose, vale mais prevenir...

Como de poeta e louco todos temos um pouco, vejamos o que sobre o assunto o m�dico tamb�m pode dizer sob a forma de mensagem po�tica:

 

 

Flagelo Universal

Mortal

Doen�a do "iceberg"

Que � frente de todos ergue

Uma barreira de luto

Em cada minuto

Hora a hora, dia a dia

Mina, insidiosamente

E inexoravelmente

Sem sintomatologia

Os vasos de toda a gente

Para depois, de repente

Da noite para o dia

Mostrar o seu horizonte

Ponte

Entre a vida e a morte

Onde a pessoa sem norte

Num minuto, dia ou ano

Se torna um farrapo humano.

 

Uma tal complica��o

(Est� escrito em qualquer arquivo)

Vem da prolifera��o

Do tecido conectivo

Que � rico em colag�nio.

N�o � preciso ser g�nio

Para saber que o m�sculo liso

� preciso

Para tal prolifera��o.

Se a estria gorda � culpada

Desta emaranhada

� ainda uma nebulosa

Pois, segundo teoria

Que poderia ser correcta,

A progenitora directa

E a gota gelatinosa.

 

Mas na base do processo

Est� um trio travesso:

O endot�lio vascular

O macr�fago e a lipoprote�na

Que acabam por nos matar

Ou nos levar � ru�na.

E qual a atitude gravosa

Da placa fibrosa

Com a c�lula espumosa

E os linf�citos T

Levando ao ateroma

Que nos pode p�r em coma?

 

Mas para qu�

Valorizar tudo isto

Quando entram em cena

Com pujan�a plena

Os factores de risco?

Se o colesterol � um pap�o

E tamb�m a hipertens�o

Se o tabaco � tem�vel

A diabetes terr�vel

Bem como a obesidade

E a hereditariedade...

Se o �lcool � um cataclismo

Tal como o sedentarismo

E tamb�m a menopausa...

Se todos podem ser causa

Vamos fazer uma pausa

Se n�o a gente estremece

E padece

Por se agravar o stress!

 

Mas qual deles � afinal

O flagelo universal

Que � a todo o momento

M�e de luto e sofrimento?

 

Respons�vel pela trombose

Que t�o trai�oeiramente

Espera por toda a gente

S� a Aterosclerose!

 

 
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