O Lavrado da Pedra

 

Capítulo

1

 

 

O lavrado da pedra

C

omo no entalhado da madeira, a técnica da escultura em pedra segue um método de trabalho totalmente oposto ao da modelagem. Enquanto que na modelagem a figura surge mediante um processo de adição de material sobre uma armação, na escultura em pedra o processo é de subtração do material a partir de  um bloco compacto.

Esta técnica, entretanto, não permite a improvisação, pois os erros são irreparáveis. Não se pode voltar a começar, amassar de novo a argila ou a cera, seria necessário procurar um bloco de pedra novo, intacto, e esquecer o que se estava trabalhando. Também não se pode corrigir o gesto de uma mão, a posição de um pé que ao surgir definitivamente da pedra parecem forçados. A escultura em pedra requer um esboço prévio em argila, gesso ou cera que permita qualquer tipo de ensaio até chegar a um resultado definitivo.

Deste esboço se realiza uma maquete, através de um sistema de ponteado se transporta ao bloco de pedra: as proporções, as distâncias, os pontos mais sobressalentes. Não obstante, sempre existiram escultores que desprezaram o ponteado por considerar que mecaniza a obra de arte e esculpiram suas obras diretamente.

Há certa verdade nisso, embora na escultura em pedra nunca se pode chegar ao grau de mecanização da escultura em bronze, na qual o trabalho do artista pode ser considerado como finalizado uma vez que tenha terminado o modelo em argila.

Na escultura em pedra a utilização de um original prévio sempre é um trabalho complementar que facilita o escultor sem restringir sua liberdade; embora não nos esqueçamos que a modelagem de um modelo prévio e a transferência deste modelo mediante pontos a um bloco permite a cópia de estátuas, o que sempre se realizou e mais ainda em casos de forte demanda como no tempo do Império  Romano. Esta utilização de modelos de argila não aparece documentado até o século V (A.C.). Antes desta data parece que os modelos gráficos eram realizados especialmente para baixos-relevos, passando depois a ser utilizado para vista.  

image002.jpg (5465 bytes)Marinheiro com guitarra(Pedra)

O uso destes modelos pode nos proporcionar uma explicação do bi-dimensionalidade das estátuas egípcias, mesopotâmicas e arcaicas gregas. Por outro lado, o fato de partir de um modelo plástico, em cujo emprego parece ter influenciado decisivamente a técnica da fundição em bronze, é uma causa mais da  tridimensionalidade da estatuária clássica, com seus múltiplos pontos de vista.

 A partir deste momento a técnica escultórica quase não varia ao longo da história, com exceção da época medieval européia, quando parece que em algumas ocasiões voltaram a entalhar diretamente no bloco.

Durante o Renascimento e o Barroco, aperfeiçoa-se o método de trabalho, já não fazem um único modelo da estátua, mas vários, e o definitivo é executado do mesmo tamanho que a estátua a ser esculpida. O método pelo qual o modelo se transporta ao bloco de pedra se denomina tirado de pontos. Aparece documentado na Grécia  no século V ( A.C. ). Com um prumo eram situados os pontos mais salientes do modelo, depois as distâncias entre os fios e a superfície eram marcados no bloco de pedra através de orifícios perpendiculares, de acordo com a profundidade assinalada pelo prumo. Estes pontos serviam de guia para o trabalho de desgaste do bloco, até deixar descoberta a superfície desejada. Esta técnica foi utilizada ao longo da história da escultura. Com este sistema a estátua é esculpida como se fosse um baixo-relevo: em primeiro lugar surgem as partes mais saliente e vai sendo aprofundado  perpendicular ao plano do prumo; para lavrar a parte posterior é necessário tirar os pontos desta parte e trabalhar da mesma maneira. Um aperfeiçoamento deste sistema foi  a construção de armações quadradas, resultantes da união de quatro esquadros, um para cada lado do paralelepípedo que forma o bloco de pedra; o modelo e o bloco ficavam encerrados numa espécie de jaula por cujos alizares se deslizavam os prumos.

Um método mais científico que se baseava num autêntico sistema de coordenadas espaciais foi o descrito por Alberti em seu tratado Della Pintura e della Estátua. O utensílio utilizado para a tomada de pontos foi denominado de definitor. Consistia num círculo graduado de cujo centro partia um braço giratório também graduado do qual pendurava um prumo que podia se deslocar ao longo do mesmo.

Para obter um ponto determinado o circulo era situado no centro superior do modelo, a seguir se girava o braço com um prumo até situá-lo sobre a vertical do ponto desejado. Deste modo era possível saber a distancia do ponto com relação ao centro da estátua e a altura do solo conforme o prumo, além do angulo em relação ao ponto central.

No século XIX se impôs um novo método de transferência de pontos que permitia uma maior aproximação ao original, já que o número de pontos transferidos podia se elevar muito. Denominava-se método das cruzetas. Este instrumento, de metal ou madeira, consta de três pontas de ferro que se situam sobre três pontos sobressalentes escolhidos; leva um braço articulado com uma Quarta ponta que pode deslizar sobre ele mediante três parafusos. Com esta Quarta ponta se obtêm os novos pontos. Com este método o artista se limitava a modelar a estátua em argila e a retocar o mármore .

Nos povos primitivos, nas civilizações antigas, as estátuas eram coloridas, ou com aplicação direta da cor sobre a pedra ou recobrindo-a com uma camada de gesso que absorvia a cor. Na Grécia  também se coloriam as estátuas; elas em principio não eram polidas, para que a superfície áspera fixasse melhor a camada de gesso; já a partir do século V A. C. começaram a lustrar e polir as estátuas, porém a partir desta época a camada de pintura era mais discreta e a patina  era dada com uma mistura a base de cera que se espalhava sobre a cor: é a GÂNOSIS.

É a partir do século IV A. C. quando se impõe a escultura sem pintar. Este conceito se mantém durante o período Helenístico  e o Império Romano. Mas na idade média volta a policromia.


Home ] Introdução ] [ O Lavrado da Pedra ] A Arte do Metal ] A Talha em Madeira ] O Vazado do Bronze ] Técnicas de Vanguarda ] Resumo Histórico ] Formas e Técnicas ] Argila ] Acrílico ] Alumínio ] Alabastro ] Bronze ] Cera ] Cimento ] Cerâmica ] Cobre ] Concreto Armado ] Ferro ] Gesso ] Látex ] Madeira ] Mármore ] Metal ] Plástico ] Polímero ] Pedra Sabão ] Resina ] Silicone ] Terracota ]

Hosted by www.Geocities.ws

1