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omo no
entalhado da madeira, a técnica da escultura em pedra segue um método de
trabalho totalmente oposto ao da modelagem. Enquanto que na modelagem a figura
surge mediante um processo de adição de material sobre uma armação, na
escultura em pedra o processo é de subtração do material a partir de um bloco compacto. Esta técnica, entretanto, não permite a
improvisação, pois os erros são irreparáveis. Não se pode voltar a
começar, amassar de novo a argila ou a cera, seria necessário procurar um
bloco de pedra novo, intacto, e esquecer o que se estava trabalhando. Também
não se pode corrigir o gesto de uma mão, a posição de um pé que ao surgir
definitivamente da pedra parecem forçados. A escultura em pedra requer um
esboço prévio em argila, gesso ou cera que permita qualquer tipo de ensaio
até chegar a um resultado definitivo. Deste esboço se realiza uma maquete, através de um
sistema de ponteado se transporta ao bloco de pedra: as proporções, as
distâncias, os pontos mais sobressalentes. Não obstante, sempre existiram
escultores que desprezaram o ponteado por considerar que mecaniza a obra de arte
e esculpiram suas obras diretamente.
Há certa verdade nisso, embora na escultura em
pedra nunca se pode chegar ao grau de mecanização da escultura em bronze, na
qual o trabalho do artista pode ser considerado como finalizado uma vez que
tenha terminado o modelo em argila. Na escultura em pedra a utilização de um original prévio sempre é um trabalho complementar que facilita o escultor sem restringir sua liberdade; embora não nos esqueçamos que a modelagem de um modelo prévio e a transferência deste modelo mediante pontos a um bloco permite a cópia de estátuas, o que sempre se realizou e mais ainda em casos de forte demanda como no tempo do Império Romano. Esta utilização de modelos de argila não aparece documentado até o século V (A.C.). Antes desta data parece que os modelos gráficos eram realizados especialmente para baixos-relevos, passando depois a ser utilizado para vista.
O uso destes modelos pode nos proporcionar uma explicação do
bi-dimensionalidade das estátuas egípcias, mesopotâmicas e arcaicas gregas.
Por outro lado, o fato de partir de um modelo plástico, em cujo emprego parece
ter influenciado decisivamente a técnica da fundição em bronze, é uma causa
mais da tridimensionalidade da
estatuária clássica, com seus múltiplos pontos de vista. A partir
deste momento a técnica escultórica quase não varia ao longo da história,
com exceção da época medieval européia, quando parece que em algumas
ocasiões voltaram a entalhar diretamente no bloco. Durante o Renascimento e o Barroco, aperfeiçoa-se o
método de trabalho, já não fazem um único modelo da estátua, mas vários, e
o definitivo é executado do mesmo tamanho que a estátua a ser esculpida. O
método pelo qual o modelo se transporta ao bloco de pedra se denomina tirado de
pontos. Aparece documentado na Grécia no
século V ( A.C. ). Com um prumo eram situados os pontos mais salientes do
modelo, depois as distâncias entre os fios e a superfície eram marcados no
bloco de pedra através de orifícios perpendiculares, de acordo com a
profundidade assinalada pelo prumo. Estes pontos serviam de guia para o trabalho
de desgaste do bloco, até deixar descoberta a superfície desejada. Esta
técnica foi utilizada ao longo da história da escultura. Com este sistema a
estátua é esculpida como se fosse um baixo-relevo: em primeiro lugar surgem as
partes mais saliente e vai sendo aprofundado perpendicular ao plano do prumo; para lavrar a parte
posterior é necessário tirar os pontos desta parte e trabalhar da mesma
maneira. Um aperfeiçoamento deste sistema foi
a construção de armações quadradas, resultantes da união de quatro
esquadros, um para cada lado do paralelepípedo que forma o bloco de pedra; o
modelo e o bloco ficavam encerrados numa espécie de jaula por cujos alizares se
deslizavam os prumos. Um método mais científico que se baseava num
autêntico sistema de coordenadas espaciais foi o descrito por Alberti em seu tratado Della Pintura e della Estátua.
O utensílio utilizado para a tomada de pontos foi denominado de definitor. Consistia num círculo
graduado de cujo centro partia um braço giratório também graduado do qual
pendurava um prumo que podia se deslocar ao longo do mesmo. Para obter um ponto determinado o circulo era situado
no centro superior do modelo, a seguir se girava o braço com um prumo até
situá-lo sobre a vertical do ponto desejado. Deste modo era possível saber a
distancia do ponto com relação ao centro da estátua e a altura do solo
conforme o prumo, além do angulo em relação ao ponto central. No século XIX se impôs um novo método de
transferência de pontos que permitia uma maior aproximação ao original, já
que o número de pontos transferidos podia se elevar muito. Denominava-se
método das cruzetas. Este instrumento, de metal ou madeira, consta de três
pontas de ferro que se situam sobre três pontos sobressalentes escolhidos; leva
um braço articulado com uma Quarta ponta que pode deslizar sobre ele mediante
três parafusos. Com esta Quarta ponta se obtêm os novos pontos. Com este
método o artista se limitava a modelar a estátua em argila e a retocar o
mármore . Nos povos primitivos, nas civilizações antigas, as
estátuas eram coloridas, ou com aplicação direta da cor sobre a pedra ou
recobrindo-a com uma camada de gesso que absorvia a cor. Na Grécia também se coloriam as estátuas; elas
em principio não eram polidas, para que a superfície áspera fixasse melhor a
camada de gesso; já a partir do século V A. C. começaram a lustrar e polir as
estátuas, porém a partir desta época a camada de pintura era mais discreta e
a patina era dada com uma mistura a
base de cera que se espalhava sobre a cor: é a GÂNOSIS. É a partir do século IV A. C. quando se impõe a
escultura sem pintar. Este conceito se mantém durante o período Helenístico e o Império Romano. Mas na idade média
volta a policromia. |
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