Cimento

 

Capítulo

12


Cimento

A

 técnica do concreto armado, que a partir do século XX superou a arquitetura tradicional em ferro e vidro, foi possível graças ao emprego do cimento.

Cimento é um material fabricado a partir da mistura de calcários e argilas que, submetida a elevadas temperaturas, libera água e gás carbônico e dá origem a compostos químicos muito resistentes.

História. Os primeiros materiais aglutinantes empregados em alvenaria foram argila, argamassa de cal e gesso vivo. Os egípcios usaram gesso nas pirâmides e os romanos fabricaram um ligante à base de cimentos naturais de lava vulcânica. No século I a.C., Vitrúvio já conhecia as propriedades aglutinantes das misturas de cal, areia e cascalho. Os cimentos hidráulicos, que endurecem em contato com a água, já eram conhecidos na antiguidade. Em 1756 o engenheiro britânico John Smeaton observou que os melhores cimentos hidráulicos eram obtidos de calcário impuro, ao contrário do minério puro usado até então. Em 1824 Joseph Aspdin, também britânico, descobriu que a escória dura, ou clínquer, moída e misturada com água, produzia cimento de melhor qualidade. A argamassa à base de cimento, areia e água apresentava características similares às das pedras extraídas da ilha de Portland, de onde veio essa denominação do cimento.

De endurecimento mais rápido, os cimentos de aluminato de cálcio começaram a ser usados antes da primeira guerra mundial, devido às características de cura (pega) em um ou dois dias e à resistência à corrosão por água com sulfato de cálcio e magnésio.

Cimento portland. A denominação portland se aplica aos cimentos hidráulicos cujos principais componentes são os silicatos dicálcico e tricálcico, juntamente com o aluminato tricálcico e o ferrito-aluminato tetracálcico. As matérias-primas mais usadas em sua produção são o calcário, a argila, as conchas marinhas e o carbonato de cálcio contido em certos rejeitos industriais.

Os materiais retirados das pedreiras são britados, moídos e misturados antes de entrar nos fornos, geralmente rotatórios. Aí a mistura é submetida a temperaturas entre 1.400 e 1.500º C e perde um terço da massa original. O calor funde de vinte a trinta por cento da mistura e nessa massa líquida se processam importantes reações químicas. A natureza e a intensidade dessas reações determinam a qualidade do cimento. O produto que sai do forno é o clínquer, posteriormente resfriado de forma controlada, para se obter uma cristalização adequada ao tipo de cimento desejado. O processamento final consiste na moagem do clínquer, com adição de um produto (geralmente gesso) destinado a controlar a velocidade de endurecimento do cimento, quando este é transformado em argamassa ou concreto. Também se adiciona, para determinado tipo de cimento, a escória dos altos-fornos siderúrgicos.

Quando se misturam cimento e água, a pasta resultante vai-se espessando gradualmente e passa da consistência de uma massa plástica para a de uma massa seca e dura. O processo de hidratação gera calor como resultado das reações de hidratação e da cristalização que se seguem. Em condições normais, o calor é dissipado rapidamente. Apesar disso, em grandes construções, como represas, o calor gerado pode causar dilatações perigosas para as estruturas.

O cimento portland resiste bem à ação das águas doces ou salgadas. Todavia, a filtração capilar de água com íons dissolvidos pode ocasionar a formação de sais que, ao se cristalizarem, aumentam de volume e provocam a desintegração das estruturas.

Cimento de aluminato de cálcio. Com maior proporção de alumina que o portland, o cimento de aluminato de cálcio tem como compostos ativos o óxido de cálcio e a alumina. Sua base cristalina predominante é o aluminato monocálcico e sua base amorfa contém ferro, óxido de cálcio, alumina e sílica. É fabricado a partir de bauxita e calcário. Ao ser hidratado, libera calor muito mais rapidamente que o portland. É resistente às águas sulfatadas e aos ácidos orgânicos de baixo poder de corrosão. Sua resistência máxima ocorre nas primeiras 24 horas.

 

Produtos de cimento.

 

O cimento misturado com outras substâncias dá origem ao concreto, à argamassa e à pasta. O concreto é um aglomerado artificial de pedra, areia, água e cimento; a argamassa é uma mistura de cimento, água e areia ou pedra bem fina; e a pasta se compõe apenas de cimento e água. Nessas combinações pode-se empregar portland, o mais comum na construção civil, ou outros tipos de cimento. O endurecimento dessas misturas é conseqüência de reações químicas e posterior cristalização, ao contrário do que ocorre com os aglutinantes, que endurecem por aquecimento. Os cimentos asfálticos, por sua vez, endurecem por resfriamento.


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