|
|
|
s
singulares propriedades físicas, químicas e mecânicas da madeira tornaram-na
de emprego obrigatório em diversos campos. Utilizada desde sempre como
combustível e na construção de moradias, móveis, embarcações e outros
veículos, a madeira atende assim a três necessidades primordiais do homem:
combustível, casa e transporte. Posteriormente ela se converteu também em
matéria-prima para a indústria química, na produção de celulose e pastas
hidráulicas, mecânicas, físico-químicas e químicas. Madeira é a matéria fibrosa, de natureza
celulósica, que constitui o tronco, os ramos e as raízes das árvores,
arbustos e demais tipos de plantas lenhosas. O tronco arbóreo compõe-se de
duas porções fundamentais, uma viva e externa, o alburno, outra morta e
interna, o cerne. Do ponto de vista prático e comercial, porém, a madeira
propriamente dita é apenas o cerne, muito mais procurado que o alburno, para os
trabalhos de carpintaria e marcenaria, por sua resistência, durabilidade e
beleza.
Estrutura.
As plantas formadoras de madeira são perenes, de
caules permanentes dotados da propriedade de sofrer espessamento secundário
ininterrupto. O tronco de uma planta lenhosa compõe-se de dois tecidos
condutores especializados: lenho ou xilema e floema. O primeiro, por sua riqueza
em componentes mecânicos lenhificados, converte-se em madeira. O crescimento em
altura do tronco e ramos de uma planta lenhosa ocorre apenas nas extremidades.
Quando parte do tronco ou ramo cessa de alongar-se, conserva a capacidade de
espessar-se pela produção de novas camadas de madeira. Essa aptidão é mantida pela atividade de uma camada
geradora própria, o câmbio vascular, situado entre a casca e o lenho, que
deposita novas capas de elementos lenhificados por fora da madeira preexistente.
Nos climas frios e temperados, o câmbio só produz madeira durante a primavera
e parte do verão, de modo que permanece inativo no restante do ano. O corte
transversal do tronco revela uma nítida anelação concêntrica. O número de
anéis corresponde à idade do tronco, pois cada um equivale a um ano de
crescimento. Com base nessa verificação, pesquisam-se as variações
climáticas de épocas muito remotas, graças ao exame dos troncos de árvores
milenares. Tais estudos constituem a dendrocronologia. As espécies tropicais arbóreas de copa perene
(sempre verdes) em geral não exibem anéis de crescimento distintos. Várias
espécies de árvores apresentam, depois de certa idade, nítidas diferenças de colorido em suas partes. A interna, que já
não se presta à circulação da seiva, torna-se escura e constitui o cerne ou
durame, enquanto a parte externa, o alburno, é mais clara. Só o alburno, ou
seja, a madeira que está junto à casca, participa diretamente da vida da
árvore. É através dele que ascende a seiva mineral absorvida do solo pelas
raízes. O centro do tronco, o cerne, serve apenas para sustentar a árvore e
dar-lhe solidez.
Composição
química.
Distinguem-se na substância lenhosa, responsável
pelas paredes dos elementos estruturais ocos que se unem para dar à madeira sua
textura sólida, dois constituintes básicos: a lignina e a celulose. Em menor
concentração, há outras substâncias, como óleos, resinas, taninos,
gorduras, corantes, glicídios, substâncias minerais e gomas. A lignina, apesar do grande número de pesquisas
dedicadas ao esclarecimento de sua natureza química, continua insuficientemente
conhecida. A celulose é de natureza glicídica e pode ser convertida em
glicídios de composição simples, como a glicose. Sob tratamento adequado com
ácido nítrico ou acético, a celulose produz compostos solúveis que,
precipitados, servem ao preparo da seda artificial, colódio e explosivos. A
lignina pode ser removida da madeira por ação do vapor ou soluções ácidas a
quente (processo da indústria de papel), e a celulose permanece.
Classificação.
As madeiras classificam-se em dois grandes grupos:
brandas e duras. As brandas provêm de árvores da ordem das coníferas (da
divisão das gimnospermas) e as duras provêm da classe das dicotiledôneas (da
divisão das angiospermas). As coníferas possuem folhas em forma de agulha,
escamiformes ou em fita estreitada, e ocorrem, na maioria, em regiões
temperadas e frias. São coníferas produtoras de madeiras os pinheiros
verdadeiros (do gênero Pinus), os cedros verdadeiros (do gênero Cedrus), os
abetos, lariços, ciprestes e araucárias. As árvores de madeira dura costumam ter folhas
largas, que nos trópicos duram o ano todo (árvores perenifólias) mas, nas
zonas temperadas, caem durante o inverno (árvores caducifólias). São
espécies típicas de madeira dura das zonas temperadas: carvalho, faia, bordo,
pinho, nogueira e álamo. Entre as importantes espécies de madeiras tropicais
duras figuram: mogno, angelim, aroeira, cedro, cerejeira, freijó,
gonçalo-alves, imbuia, jacarandá e louro. Essa classificação indica mais os tipos de estrutura
do que as qualidades mecânicas, pois certas madeiras ditas brandas podem
apresentar dureza superior a de madeiras do grupo das duras. Examinadas ao
microscópio, nota-se que as madeiras brandas são formadas por elementos
alongados, fusiformes, chamados "fibras" (do ponto de vista anatômico
não são fibras e sim traqueídes, com funções ao mesmo tempo de suporte e
condução), cujos eixos são paralelos ao eixo vertical do tronco ou ramo. Suas
paredes exibem uma série de acidentes denominados pontuações, através dos
quais a seiva caminha de fibra a fibra. Certas madeiras brandas, como a dos
pinheiros, têm canais ou dutos resinosos, que correm paralelamente às fibras. A principal diferença entre as madeiras duras e as
brandas está em que as primeiras possuem vãos condutores resultantes da
fusão, pelo desaparecimento dos septos intermediários, de séries
longitudinais de elementos vasculares. Assim se formam longos tubos contínuos,
cujo comprimento pode alcançar vários metros. Oferecem uma resistência muito
menor à circulação da seiva e no corte transversal são descritos como poros,
freqüentemente visíveis a olho nu. Além dos vasos, as madeiras duras contêm
outros elementos, entre eles fibras de várias formas. Ambos os tipos de madeira
mostram ainda os chamados raios medulares, que são estruturas orientadas em
ângulo reto com a direção das fibras, em forma de fita ou de cordão, que se
dirigem de fora para dentro, em direção à medula. Esses raios, nas madeiras
brandas, são muito menos notáveis do que nas duras.
Indústria da
madeira.
A indústria da madeira abrange três grandes tipos de
operações: beneficiamento, processamento e incorporação da madeira para
diversos fins. No beneficiamento, realizam-se os processos de falquejamento (em
que as toras são desbastadas), desdobramento (divisão em tábuas) e
compensação (em que finas camadas -- lâminas -- são superpostas e coladas).
No processamento, a madeira é usada química ou físico-quimicamente como
matéria-prima; na incorporação, fabricam-se
peças e estruturas, material de embalagem ou de enchimento e mobiliário. Durante as três etapas do beneficiamento, variados
fins são contemplados: o falquejamento pode ter em vista a preparação de
lenha ou de peças lavradas e serradas (para dormentes, postes, pranchões,
componentes de caixotes, engradados e congêneres); o desdobramento destina-se,
em geral, à construção civil (tábuas, barrotes, caibros, sarrafos, ripas,
tacos para assoalho), enquanto a compensação da madeira -- que também pode
ser folheada, aglutinada ou concrecionada por prensagem -- pode ser voltada para
a marcenaria ou para a indústria de mobiliário. No processamento, a madeira é empregada como
matéria-prima na produção de celulose e de diversas pastas (hidráulicas,
mecânicas, físico-químicas e químicas), corantes, vários tipos de látex,
carvões vegetais, gases combustíveis e outros produtos. É nas operações de incorporação que se criam bens
ou artefatos que utilizam as propriedades essencialmente mecânicas da madeira
(dureza e maciez, densidade e leveza, elasticidade e rigidez, plasticidade):
cabos de ferramentas, carretéis, roldanas, fôrmas trabalhadas, embalagens
comuns e especiais, artigos de palha e cortiça, móveis de todo tipo com
predomínio ou participação da madeira, composições arquitetônicas e
decorativas, armações e outros sistemas de utilização composta.
Madeiras no
Brasil.
Cerca de metade do território nacional é coberta de
florestas. A área florestada, apesar do contínuo desmatamento nos últimos
dois séculos, compreende mais de um quarto da área de florestas tropicais no
mundo. O Brasil é grande produtor de madeiras úteis,
originárias das chamadas árvores euxilóforas e nem sempre, necessariamente,
madeiras de lei (madeiras duras e rijas, próprias para construção e
exposição às intempéries). São mais de 200 essas árvores nativas cuja
madeira é utilizável na indústria. A indústria madeireira é regulada e
controlada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama). Para esse instituto confluem as reclamações e trabalhos
dos meios conservacionistas, a que deve atender sem deixar de levar em conta a
importância da produção e aproveitamento da madeira, mediante uma política
racional de reflorestamento -- sobretudo em função da demanda por parte das
indústrias de construção civil, ferroviária, de mobiliário, embalagem e
decoração. |
|
|