Formas e Técnicas

 

Capítulo

5


Título            3

Formas e técnicas

F

ormas. A mais rudimentar de todas as esculturas é a incisão, tão próxima do desenho que com ele se pode confundir. O artista simplesmente delimita os contornos da figura. São duas as formas básicas da escultura: em redondo e em relevo. Uma escultura executada em redondo pode ser contornada; o espaço a envolve inteiramente. Já a escultura em relevo se desenvolve, à maneira de uma pintura, contra uma superfície lisa. Existe o alto e o baixo-relevo (neste, a figura sobreleva bem pouco o plano que lhe serve de fundo).

Decoração normal da arquitetura, os relevos são gênero próprio, com tradição na história da arte. No Egito eram gravados em oco na pedra (intalho) e estavam mais próximos da pintura e do desenho do que da estatuária. Na Grécia surgiram os primeiros relevos propriamente ditos.

Modelagem e talha direta. Na modelagem, a figura é construída de dentro para fora. Forma-se de fragmentos de argila (ou outra matéria de plasticidade semelhante), acumulados em torno de uma haste de ferro. Pequenas "borboletas" de madeira, penduradas a fios de arame, reforçam a estrutura interna. Os pedaços de argila, uma vez postos no lugar desejado, são achatados com a ferramenta. A argila tem de ser mantida úmida e, por isso, os originais são envoltos em panos molhados. Terminada a obra, a escultura é posta a secar. Pode ir, também, ao forno. Chama-se, então, terracota (do italiano terracotta, "terra cozida"). Só a argila homogênea pode ser cozida sem risco de rachar. Cumpre eliminar, preliminarmente, o ar que o material contenha, sovando-o longamente e cortando-o repetidas vezes.

A maior parte das esculturas modeladas destina-se à fundição. Para isso, faz-se da peça um molde de gesso, reforçado por ferro de construção. Uma vez limpa de toda a argila, essa forma contém o negativo do original e pode ser reproduzido em gesso. Para isso, unta-se a forma por dentro com vaselina, enchendo-a, depois, de gesso fresco. Uma vez seco o gesso, quebra-se a forma. Para que a peça final fique leve, isto é, oca, basta girar a forma enquanto o gesso se acomoda dentro dela. Formará, então, apenas uma camada, da espessura que o operador desejar.

A moldagem em metal ou liga - bronze, tradicionalmente - exige maiores cuidados. Na fundição com cera (cire perdue), a peça é recoberta de uma fina camada de cera - e a cera por uma crosta espessa de areia refratária. Submetida ao calor, a cera derrete e no espaço que deixou vaza-se o metal derretido. Na fundição só com areia, a espessura desejada é obtida por meio de raspagem, o conjunto é enterrado, e o metal toma o lugar do esboço em areia. Exige um certo acabamento, depois que começa pela eliminação das rebarbas.

Na talha direta desbasta-se um bloco (granito, mármore, pedra-sabão, madeira), e a figura, esboçada grosseiramente a giz na superfície, se vai formando de fora para dentro. O gesso pode ser trabalhado também diretamente, sem prévia modelagem, sobre uma armação de tela. Como seca depressa, há que construir rapidamente os volumes principais para acabamento posterior. Da madeira tiram-se "unhas" a formão e goiva, que é um formão côncavo, em meia-cana. A estátua em madeira pode ser retocada a gesso e pintada (ou dourada), como fazem os santeiros. Podem-se trabalhar diretamente placas de ferro, cobre, metal dourado, alumínio e aço inoxidável. O metal é, então, cortado pelo artista e soldado a maçarico.

A talha de pedra e de mármore, laboriosa, exige ponteiro (para desbastar), cinzel, buril (biselado ou em losango) e gradim (cinzel denteado), que desbasta as asperezas deixadas pelo ponteiro. A última fase do trabalho é o polimento. Estátuas inacabadas, como o "Brutus", de Michelangelo, ou sua "Pietà" florentina, exibem marcas de gradim. O ataque simultâneo do bloco por todos os lados é excepcional. Os escultores arcaicos preferiam a abordagem frontal que permitia modificações no curso da execução.

A estatuária com vários pontos de vista também se praticou na antiguidade. Quando os escultores clássicos do século V, como Policleto, aperfeiçoaram a figura de pé, inventando a postura conhecida como contrapposto (cópia romana do "Doríforo", no museu de Nápoles), criaram um corpo capaz de girar sobre seu próprio eixo. Tal estatuária, redonda, era feita em bronze, com a ajuda de modelos em barro. O "Doríforo" tem ainda composição frontal. Só ao tempo de Alexandre o Grande, os artistas, como Lisipo, conceberam a idéia dos contornos vistos de mais de um ponto, obrigando o observador a deslocar-se do plano frontal tradicional.

A comunicação entre a obra e o público e a penetração do espaço e da alma do observador pela obra de arte seriam características do barroco, no século XVII, sobretudo características de Bernini, malgrado sua frontalidade. Giambologna, ao contrário, desejava que se desse a volta a sua obra, para descobrir-lhe os desdobramentos sucessivos


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