Entre a fé e a pós-modernidade

Entrevista exclusiva de Karl Marx para Limite XXI

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Fundamentos Ontológicos, Fé e Pós-Modernidade:
Problematizando o Natural

Emilio Enrique Dellasoppa /UERJ

Criminologia positivista Século XIX

Adchss

Caracteriza-se pelo seu método

Caracteriza-se por seu método : reivindica “o método de Marx”

Abordagem positivista

Abordagem positivista, com roupagens “dialéticas”. Totalidade como categoria chave para o processo de conhecimento. Defesa de verdades objetivas sobre os fenômenos.

Considera seu método o único método cient’fico

Considera seu método como o único método cientfico nas ciências sociais

Toma como modelo as ciências naturais. Episteme moderna.

Toma como modelo o marxismo do século XIX. Episteme moderna

A verdade científica poderá ser atingida pelo método:
qualquer um pode usar. Reivindica a neutralidade científica,

A verdade científica só poderá ser atingida pelo método marxista como definido pela Adchss e pelo ponto de vista de classe do proletariado (Existe um mirante privilegiado, não há neutralidade científica)

O ponto de vista da neutralidade está baseado na razão cartesiana-positivista

O ponto de vista do proletariado está baseado nafé dos já convencidos. Constitui uma aposta histórica.

Interpretação mecanicista da sociedade

Uma das interpretações marxistas da sociedade

Acredita no determinismo social: interpretação causal da ação humana

Acredita no determinismo social interpretação causal da ação humana

Torna-se doutrina não criticável, instrumentalizada para a defesa do status quo na sociedade capitalista de finais do século XIX

Toma-se doutrina não criticável, instrumentalizada para a defesa do status quo em favor do grupo da pequena burguesia dominante no campo acadêmico e corporativo

Normaliza um modelo explicativo desqualificando todos os outros

Normaliza um modelo explicativo desqualificando todos os outros

O processo político usa o critério de aceitação da teoria para outorgar poder (reconhecimento acadêmico, postos na hierarquias burocráticas e/ou corporativas, financiamentos, etc.)

O processo político usa o critério de aceitação da teoria para outorgar poder (reconhecimento acadêmico, postos na hierarquias burocráticas e/ou corporativas, financiamentos, etc.). Endogamia extrema na reprodução social do grupo.

Como objeto, ofenômeno criminal é analisado a partir do paradigma etiológico, apenas quando fenômeno definido por uma norma,

Como objeto, todo discurso ou ação é analisado a partir do Projeto Etico-político (PEPO), para determinar sua verdade/falsidade e sua adequação política.

A ação do criminoso é ininteligível

A dissidência (acadêmica e/ou política) é ininteligível porque “não se entende o que quer dizer” ou “onde está querendo chegar”

Os proletários são úteis, os excluídos, perigosos.

Os que concordam, são “construtivos”, os que ousam discordar, “destrutivos”

Os excluídos não tem voz, discurso.

Os discursos dos dissidentes são falsos, ou estéreis, porque não pertencem ao paradigma hegemônico.

Os atos violentos das classes perigosas não podem ser ignorados.

Os discursos dos dissidentes devem ser ignorados tanto quanto possível, para “não dar palco a quem não merece. “. Aplicação sistemática da “lógica da censura”

Questão criminal identificada biologicamente no criminal

“Questão da dissidência” identificada biologicamente no dissidente.

Existe um consenso social da maioria, hegemonizado pela classe dominante

Existe um consenso social da maioria expresso na hegemonia da Adchss

O consenso social é um fato social, sociologicamente verificável

O consenso social, na forma da hegemonia da Adchss é um fato social, sociologicamente verificável

Toda sociedade expressa valores e crenças aceitas pela maioria: isto é um fato natural

Os diversos âmbitos acadêmicos e profissionais devem aceitar/expressar valores e crenças aceitas pela maioria, na figura da Adchss

Classificação: A violação do consenso pelo fato criminal só poderá ser obra de quem, precisamente por ser minoria, é alguma coisa diferente da maioria

Classificação: A violação do consenso pela dissidência só poderá ser obra de quem, precisamente por ser minoria, é alguma coisa diferente da maioria

A diversidade criminal tem um fundamento ontológico-natural

A diversidade tem como fundamento um projeto político diferente, com realidade ontológica

Investigam-se as causas e fatores (individuais e sociais) que levam ao comportamento criminoso

Investigam-se as causas e fatores (individuais e sociais) que levam ao comportamento dissidente

A diferença deve ser procurada na pessoa do criminoso, na sua natureza bio-psíquica, no seu caráter, na sua história pessoal, suas circunstâncias

A diferença é procurada na pessoa do dissidente, na sua natureza bio-psíquica, no seu caráter, na sua história pessoal, suas circunstâncias.

Exclue-se a investigação sobre as razões políticas do processo de definição que define um comportamento como criminoso

Exclue-se a investigação sobre as razões políticas do processo de definição que define um comportamento como criminoso (dissidente)

Construe-se uma explicação biológica para um problema essencialmente político

Construe-se uma explicação biológica para um problema essencialmente político/acadêmico e nega- se toda possibilidade de que o pluralismo se expresse

Naturalização: E natural que a maioria reaja neutralizando os que violam seus valores

É natural que a maioria reaja neutralizando os que violam seus valores

A questão criminal é temida por ser considerada um sintoma de um problema social

A questão da dissidência é temida porque expõe as fragilidades e erros teóricos e expõe o projeto particular de um grupo

Os resultados da criminologia são universais. Episteme moderna.

Os resultados da produção teórica da ADCHSS são universais, a-históricos e estão acima de qualquer análise de classe. Episteme moderna.

A questão criminal deve ser enfrentada pelo sistema jurídico e pela repressão: 1

A questão dos indivíduos dissidentes deve ser enfrentada pelo silêncio, pelo isolamento, e pela repressão utilizando-se dos mecanismos burocráticos disponíveis. (Lógica da censura)

A questão criminal deve ser enfrentada pelo sistema jurídico e pela repressão: II

A mediação polítca esta fundamentada em um
conjunto de políticas patrimonialistas, clientelistas,
de “ação entre amigos” que se baseia na endogamia e
é legitimada como defesa social (natural) do grupo
hegemônico

Representação: a limitação da cidadania das classes subaltemas e das mulheres está justificada
teoricamente e naturalizada

Representação: Democracia formal, democracia “delegativa” ( O ‘Donnell). Utilização de diversos mecanismos (tipo Lei Saraiva) para fabricar representações favorecendo minorias partidárias. Naturalização fragmentária e/ou precária, quando há questionamento.

Discurso claro e preciso

Psitacismo sistemático no discurso. Pleonasmo.

Coerência teórica com o modelo.

Fragilidade teórica. Erros de interpretação por falta de acesso às fontes originais e/ou comentários.

A “plebe” não é destinatária do discurso da criminologia, apenas objeto.

A “plebe” é a destinatária fundamental do discurso da Adchss.

Alguns pontos colocados acima estão exagerados em demasia ( Massimo Pavarini)

Os pontos colocados acima são uma versão diluída da realidade (E. Dellasoppa)

 

Para a Adchss os pontos da coluna à esquerda não existem, porque, segundo o que é ensinado em relação à criminologia marxista “..ainda não existe bibliografia suficiente sobre o tema.” (sic)

Fonte dos pontos da coluna acima: Adaptados pelo autor de: Pavarini, Massimo: Controly dominación. Teorías criminológicas burguesas y proyecto hegemônico. Buenos Aires. Siglo XXI Editores Argentina. 2002.

 

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