SOCRATES

  PAGINA INICIAL
  CARROS EX�TICOS
  MUSEU BOSTON

  TELEPORTAC�O
  ALQUIMIA
  ALBERT EINSTEIN
  ARCA DA ALIANCA
  AREA 51
  ASTECAS
  ASTROLOGIA
  TORRE DE BABEL
  BIG BANG
  BERMUDAS
  BOMBA ATOMICA
  QUEM FOI BUDA
  BURACO NEGRO
  CHUPA CABRA
  CAMELOT
  CRANIOS DE CRISTAL
  DINOSSAUROS
  EGITO
  ESFINGE
  ESPACO
  EXTRATERRESTRES
  EXORCISTA
  ALMAS GEMEAS
  SANTO GRAAL
  HALLOWEEN
  HAPA NUI
  LEMURIA
  NEIL ARMSTRONG
  MAIAS
  A CIDADE INCA
  MITOLOGIA
  MURALHA DA CHINA
  LAGO NESS
  NIAGARA
  A ARCA DE NOE
  MARAVILHAS
  NOSTRADAMUS
  PLATAO
  ROSWELL
  SALEM
  SANTOS DUMONT
  STONEHENGE
  U.S.A
  VIKINGS
  TEMPL�RIOS
  XADRES
  VAMPIROS

S�crates nasceu em Atenas em 470/469 a. C. e morreu na mesma cidade em 399 a.C., condenado devido a uma acusa��o de "impiedade": ele foi acusado de ate�smo e de corromper os jovens com a sua filosofia, mas, na realidade, estas acusa��es encobriam ressentimentos profundos contra S�crates por parte dos poderosos da �poca. Ele era filho de um escultor, chamado Sofronisco, e de uma parteira chamada Fenarete. Desde a juventude, S�crates tinha o h�bito de debater e dialogar com as pessoas de sua cidade. Ao contr�rio de seus predecessores, S�crates n�o fundou uma escola, preferindo tamb�m realizar seu trabalho em locais p�blicos (principalmente nas pra�as p�blicas e gin�sios), agindo de forma descontra�da e descompromissada (pelo menos na apar�ncia), dialogando com todas as pessoas, o que fascinava jovens, mulheres e pol�ticos de sua �poca.

Segundo Reale & Antiseri (1990), depois de algum tempo seguindo os ensinos dos naturalistas, S�crates passou a sentir uma crescente insatisfa��o com o legado desses fil�sofos, e passou a se concentrar na quest�o do que � o homem - ou seja, do grau de conhecimento que o homem pode ter sobre o pr�prio homem.

Enquanto os fil�sofos pr�-Socr�ticos, chamados de naturalistas, procuravam responder � quest�es do tipo: "O que � a natureza ou o fundamento �ltimo das coisas?" S�crates, por sua vez, procurava responder � quest�o: "O que � a natureza ou a realidade �ltima do homem?"

A resposta a que S�crates chegou � a de que o homem � a sua alma - psych�, por quanto � a sua alma que o distingue de qualquer outra coisa, dando-lhe, em virtude de sua hist�ria, uma personalidade �nica. E por psych� S�crates entende nossa sede racional, inteligente e eticamente operante, ou ainda, a consci�ncia e a personalidade intelectual e moral. Esta coloca��o de S�crates acabou por exercer uma influ�ncia profunda em toda a tradi��o europ�ia posterior, at� hoje.

Ensinar o homem a cuidar de sua pr�pria alma seria a principal tarefa a ser desempenhada por ele, S�crates, e por todos os fil�sofos aut�nticos. S�crates acreditava vivamente ter recebido essa tarefa por Deus, como podemos ler na Apologia de S�crates, de Plat�o: "(...) � a ordem de Deus. E estou persuadido de que n�o h� para v�s maior bem na cidade que esta minha obedi�ncia a Deus. Na verdade, n�o � outra coisa o que fa�o nestas minhas andan�as a n�o ser persuadir a v�s, jovens e velhos, de que n�o deveis cuidar s� do corpo, nem exclusivamente das riquezas, e nem de qualquer outra coisa antes e mais fortemente que da alma, de modo que ela se aperfei�oe sempre, pois n�o � do ac�mulo de riquezas que nasce a virtude, mas do aperfei�oamento da alma � que nascem as riquezas e tudo o que mais importa ao homem e ao Estado."

Segundo Reale & Antiseri (1990), um dos racioc�nios fundamentais feitos por S�crates para provar essa tese � o seguinte: uma coisa � o instrumento que se usa e a outra � o sujeito que usa o instrumento. Ora, o homem usa o seu corpo como instrumento, o que significa que a ess�ncia humana utiliza o instrumento, que � o corpo, n�o sendo, pois, o pr�prio corpo. Assim, � pergunta "o que � o homem?", n�o seria l�gico reponder que � o seu corpo, mas sim que � "aquilo que se serve do corpo", que � a psych�, a alma. Esta mesma alma seria imortal e fadada a reencarnar tantas vezes fosse necess�rias at� a alma se aperfei�oar de tal forma que n�o precisasse mais voltar a este planeta.

O "daimonion" socr�tico:

Entre as acusa��es contra S�crates estava a de que ele estava introduzindo novos daimonions, novas entidades divinas. Em sua Apologia, S�crates diz: "A raz�o (...) s�o aquelas acusa��es que muitas vezes e em diversas circunst�ncias ouvistes dizer, ou seja, que em mim se verifica algo de divino ou demon�aco (...) uma voz que se faz ouvir dentro de mim desde que eu era menino e que, quando se faz ouvir, sempre me det�m de fazer aquilo que � perigoso e que estou a ponto de fazer, mas que nunca me exortou a fazer nada". Ou seja, o daimonion socr�tico era "uma voz" que lhe vetava determinadas coisas, o que o salvou v�rias vezes de perigos e experi�ncias negativas (Reale & Antiseri, 1990, p. 95). Ela n�o lhe revelava nada, apenas vetava algumas coisas que lhe eram perigosas.

O daimonion socr�tico � algo muito espec�fico que diz respeito muito particularmente � excepcional personalidade de S�crates, colocando-se no mesmo plano de um tipo de mediunismo que se fazia presente em certos momentos de concentra��o muito intensa e em momentos de reflex�o bastante pr�ximos aos arrebatamentos de �xtase em que S�crates (assim como ocorria com Buda, Plotino, Joana D'Arc, etc) mergulhava algumas vezes e que duravam longamente, coisa da qual tanto Plat�o quanto Xenofonte falam expressamente.

Jostein Gaarder fala que as pessoas ainda hoje se perguntam por que S�crates teve de morrer. Ent�o ele faz um paralelo entre Jesus e S�crates: ambos eram pessoas carism�ticas e eram consideradas pessoas enigm�ticas ainda em vida. Nenhum dos dois deixou qualquer escrito, e precisamos confiar na imagem e impress�es que eles deixaram em seus disc�pulos e contepor�neos. Ambos eram mestres da ret�rica e tinham tanta autoconfian�a no que falavam que podiam tanto arrebatar quanto irritar seus ouvintes. E ambos acreditavam falar em nome de uma coisa que era maior do que eles mesmos. Ambos desafiavam agudamente os que detinham o poder na sociedade, apontando sem piedade as hipocrisias e falsos fundamentos em que se assentavam para cometer toda sorte de abusos e injusti�as. Foi isto que, no fim, lhes custou a vida. Afinal, os que questionam s�o sempre perigosos para os poderosos e pseudo-s�bios de todas as �pocas.

A maneira como S�crates fazia as pessoas conhecerem-se a si mesmas tamb�m estava ligada � sua descoberta de que o homem, em sua ess�ncia, � a sua psych�. Em seu m�todo, chamado de mai�utica, ele tendia a despojar a pessoa da sua falsa ilus�o do saber, fragilizando a sua vaidade e permitindo, assim, que a pessoa estivesse mais livre de falsas cren�as e mais suscept�vel � extrair a verdade l�gica que tamb�m estava dentro de si. Sendo filho de uma parteira, S�crates costumava comparar a sua atividade com a de trazer ao mundo a verdade que h� dentro de cada um. Ele nada ensinava, apenas ajudava as pessoas a tirarem de si mesmas opini�es pr�prias e limpas de falsos valores, pois o verdadeiro conhecimento tem de vir de dentro, de acordo com a consci�ncia, e que n�o se pode obter expremendo-se os outros. At� mesmo na atividade de aprender uma disciplina qualquer, o professor nada mais pode fazer que orientar e esclarecer d�vidas, como um lapidador tira o excesso de entulho do diamante, n�o fazendo o pr�prio diamante. O processo de aprender � um processo interno, e tanto mais eficaz quanto maior for o interesse de aprender.

S� o conhecimento que vem de dentro � capaz de revelar o verdadeiro discernimento. Em certo sentido, dizemos que quando uma pessoa "toma ju�zo", ela simplesmente traz � consci�ncia algo muito claro que j� estava "dentro" de si. Assim, as finalidades do di�logo socr�tico s�o a catarse e a educa��o para o autoconhecimento. Dialogar com S�crates era se submeter a uma "lavagem da alma" e a uma presta��o de contas da pr�pria vida. Como disse Plat�o: "quem quer que esteja pr�ximo a S�crates e, em contato com ele, p�e-se a raciocinar, qualquer que seja o assunto tratado, � arrastado pelas espirais do di�logo e inevitavelmente � for�ado a seguir adiante, at� que, surpreendentemente, ver-se a prestar contas de si mesmo e do modo como vive, pensa e viveu".

Em seu m�todo, ao iniciar uma conversa, S�crates sempre adotava a posi��o de uma pessoa ignorante, que apenas "sabe que nada sabe". E justamente por usar esta afirmativa, ele for�ava as pessoas a usarem a raz�o. Ele entrava de tal forma na conversa, e de tal forma a dominava, que era capaz de aparentar uma maior ignor�ncia ou de mostrar-se mais tolo do que realmente era. Seus disc�pulos mais fieis j� sabiam que quando o opositor caia nesta jogada, logo logo levaria um tombo tremendo quando o quadro se invertesse. E esta era a principal t�cnica do m�todo de S�crates: usar a ironia. Foi assim que le expos muito das fraquezas do pensamento ateniense. Um encontro com S�crates podia signifcar o risco de expor-se ao rid�culo. Mas as pessoas que passaram por isto e conseguiram superar o choque do orgulho ferido, indo at� o fim no processo cart�tico, acabavam por extrair de si mesmo a resposta em tudo l�gica e compat�vel com os problemas expostos, dando-lhe a solu��o. O resultado � que o indiv�duo sentia uma verdadeira sensa��o de ilumina��o, de descoberta, de der dado � luz algo de valioso que havia dentro de si, mas de que n�o tinha a m�nima consci�ncia. Foi assim que S�crates conquistou fervorosos disc�pulos. Mas se a pessoa entregava-se ao orgulho ferido, tornava-se um inimigo feroz. E esta foi a raz�o que lhe custou a vida.

Bibliografia sugerida:

"S�crates" - Cole��o Os Pensadores, Editora Abril, S�o Paulo, 1987.

"Plat�o" - Cole��o Os Pensadores, Editora Abril, S�o Paulo, 1988.

Gaarder, Jostein. - "O Mundo de Sofia", Companhia das Letras, S�o Paulo, 1995.

Reale, Giovanni & Antiseri, Dario. - "Hist�ria da Filosofia", Vol. I, Ed. Paulus, S�o Paulo, 1990.

Hosted by www.Geocities.ws

1 1