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"Escuro e nebuloso � o in�cio de todas as coisas,
mas n�o o seu fim."
A transmuta��o de qualquer metal em ouro, o elixir da longa vida s�o na realidade coisas min�sculas diante da compreens�o do que somos. A Alquimia � a busca do entendimento da natureza, a busca da sabedoria, dos grandes conhecimentos e o estudante de alquimia � um andarilho a percorrer as estradas da vida.
O verdadeiro alquimista � um iluminado, um s�bio que compreende a simplicidade do nada absoluto. � capaz de realizar coisas que a ci�ncia e tecnologias atuais jamais conseguir�o, pois a Alquimia est� pautada na energia espiritual e n�o somente no materialismo e a ci�ncia a muito tempo perdeu este caminho.
A Alquimia � o conhecimento m�ximo, por�m � muito dif�cil de ser aprendida ou descoberta. Podemos levar anos at� come�armos a perceber que nada sabemos, vamos ent�o come�ar imediatamente pois o pr�mio para os que conseguirem � o mais alto de todos.
Introdu��o:
O ideal alquimista n�o constitui a descoberta de novos fen�menos, ao contr�rio do que procura cada vez mais intensamente a ci�ncia moderna, mas sim reencontrar um antigo segredo, que ainda � inacess�vel e inexplicado para a maioria. Ela n�o � constitu�da somente de um caminho material, como por exemplo a transmuta��o de qualquer metal em ouro. Antes de tudo a alquimia � uma arte filos�fica, uma maneira diferente de ver o mundo. N�o podemos, no entanto, separar o material do espiritual, uma vez que na Terra estamos encarnados em um corpo, onde um sofre influ�ncia do outro, pois na realidade tudo � uma coisa s�, uma unidade, o ser humano. Na alquimia ocorre a transmuta��o da mat�ria e do esp�rito ao mesmo tempo.
O alquimista adquire conhecimentos irrestritos da natureza, se pondo em um ponto especial de observa��o, vendo tudo de maneira diferente. Seria como se uma pessoa pudesse ver tanto o aspecto f�sico nos m�nimos detalhes bem como as energias associadas a este corpo. O alquimista estaria em contato total com o universo, enquanto que para todos n�s este contato � apenas superficial.
Na realiza��o da Grande Obra, o alquimista consegue obter a pedra filosofal e modificar sua aura eliminando a cobi�a e a avidez. Descobre que o ouro material n�o tem grande valor quando comparado ao ouro interno, ou seja, o caminho espiritual � infinitamente mais importante que as coisas materiais. Todos deveriam se contentar com o b�sico para sobreviv�ncia do corpo e se dedicar por inteiro a busca de um aperfei�oamento espiritual.
Somente os homens de cora��o puro e inten��es elevadas ser�o capazes de realizar a Grande Obra.
A corrida at�mica se intensificou durante a Segunda guerra mundial, onde v�rios cientistas desenvolveram a bomba at�mica que viria a ser a maior amea�a para a sobreviv�ncia da Terra. Se os alem�es tivessem tido acesso a estes conhecimentos antes, n�o teria sobrado muita coisa em nosso planeta. Portanto se os cientistas tivessem mais consci�ncia e um maior conhecimento das conseq��ncias de suas descobertas, n�o teriam divulgado muitas coisas. Os alquimistas j� conheciam o poder e os perigos da energia at�mica a muito tempo e n�o divulgaram em fun��o dos riscos inerentes de uma m� utiliza��o destes conhecimentos. Por isso existe um grande segredo em torno da alquimia.
A ci�ncia na atualidade se especializou tanto que cada vez mais os cientistas estudam uma parte menor de determinada �rea. Acreditam que com isso podem avan�ar muito mais em determinada dire��o. Assim, perdem a vis�o do todo, tornando-se menos conscientes da utiliza��o de tais pesquisas, quer seja para o bem ou para mal.
Os cientistas est�o mais preocupados com a fama e dinheiro do que com o pr�prio sentido da ci�ncia. Eles podem ser comparados a empres�rios capitalistas pois para a maioria o caminho � unicamente material. Quando pensam no aspecto espiritual este se encontra dissociado de tudo o quanto mais acreditam. Eles s�o os sopradores modernos.
O alquimista � o estudante ass�duo da alquimia, aquele que busca o caminho para a ilumina��o. O soprador � um mercen�rio que s� se interessa pelo ouro que ele poder� produzir e o Adepto � o alquimista que realizou a Grande Obra, ou seja um iluminado.
A alquimia � a mais antiga das ci�ncias e influenciou todas as demais. Tem como principal objetivo compreender a natureza e reproduzir seus fen�menos para conseguir uma ascens�o a um estado superior de consci�ncia.
Os alquimistas, em suas pr�ticas de laborat�rio, tentavam reproduzir a pedra filosofal a partir da mat�ria prima primordial. Com uma pequena parte desta pedra � poss�vel obter o controle sobre a mat�ria, transformando metais inferiores em ouro e tamb�m o Elixir da Longa Vida, que � capaz de prolongar a vida indefinidamente.
O ouro � considerado o mais perfeito dos metais pois dificilmente se oxida, n�o perde o brilho e acredita-se que todos os outros metais evoluem naturalmente at� ele no interior da terra. Portanto, a transmuta��o � considerada um processo natural. Os alquimistas somente aceleram este processo, realizando as transmuta��es em seus laborat�rios. Este tipo de conhecimento ficou sendo o mais cobi�ado, n�o pelos alquimistas, mas pelos n�o iniciados, os sopradores como eram chamados. Eles buscavam a pedra filosofal, que lhes confeririam poderes como a invisibilidade, viagens astrais, curas milagrosas, etc. Esta pedra filosofal n�o se constitu�a necessariamente de um objeto, mas sim energia que pode ser adquirida e controlada. Este conjunto pedra e alquimista s�o respons�veis dos poderes alcan�ados. Um n�o iniciado poderia possuir a pedra e dela n�o desfrutar toda a sua potencialidade conseguindo, quando muito transformar uma pequena quantidade de chumbo em ouro. A transforma��o da mat�ria-prima na pedra filosofal, juntamente com a transforma��o do indiv�duo constitui a Grande Obra.
No laborat�rio, com experimentos e constantes leituras e releituras, o alquimista nas v�rias etapas da transforma��o da mat�ria, vai gradativamente transformando a pr�pria consci�ncia. Antes do ouro metal, o alquimista dever� encontrar o ouro espiritual dentro de si.
Os ideais e poderes pretendidos pelos alquimistas, nos faz correlacion�-los aos poderes de Cristo, que foi capaz de transmutar �gua em vinho, multiplicar os p�es, andar sobre a �gua, curar milagrosamente, dentre outros. Ele sempre dizia: "aquele que cr� em mim, far� tudo que eu fa�o e ainda far� coisas maiores". Os alquimistas buscavam esta pureza e compreens�o espiritual, conseguindo assim, realizar estas obras. Portanto, o exemplo de Cristo, al�m do exemplo espiritual, constitui-se em um meio de descobrir o poder sobre a mat�ria. Muitos alquimistas consideram Cristo a pedra filosofal.
Encontrar a pedra filosofal significa descobrir o segredo da exist�ncia, um estado de perfeita harmonia f�sica, mental e espiritual, a felicidade perfeita, descobrir os processos da natureza, da vida, e com isso recuperar a pureza primordial do homem, que tanto se degradou na Terra. Portanto, a Grande Obra eleva o ser a mais alta perfei��o: purifica o corpo, ilumina o esp�rito, desenvolve a intelig�ncia a um ponto extraordin�rio e repara o temperamento. A pedra filosofal era gerada a partir da mat�ria prima primordial, al�m de outros compostos, no Ovo Filos�fico que � um recipiente redondo de cristal onde todos estes compostos v�o sendo transformados, em v�rias etapas, sempre utilizando o forno. Este processo freq�entemente � comparado a uma gesta��o da pedra filosofal. Isto seria como reproduzir o que a Natureza fez no princ�pio, quando s� existia o caos, por�m de maneira mais r�pida, dando melhores condi��es para que ocorram as transforma��es.
Portanto, a conclus�o da Grande Obra, ou seja, o entendimento dos segredos alqu�micos, significa adquirir os conhecimentos das leis universais e penetrar em uma dimens�o espa�o-tempo sagrada, diferente da do cotidiano de todos.
Origem:
A origem da alquimia se perde no tempo, sendo mais antiga do que a hist�ria da humanidade. Seu verdadeiro in�cio � desconhecido e envolto em obscuridade e mist�rio. Assim, seu surgimento confunde-se com a origem e evolu��o do homem sobre a Terra.
A utiliza��o e o controle do fogo separou o animal irracional do ser humano. Nos prim�rdios, n�o se produzia o fogo, por�m ele era controlado e utilizado para aquecer, iluminar, assar alimentos, al�m de servir para manejar alguns materiais, como a madeira. Bem mais tarde conseguiu-se produzir e manufaturar materiais com metal, a partir de metais encontrados na forma livre e posteriormente partindo dos min�rios.
Muitos associam a origem da alquimia a heran�a de conhecimentos de uma antiga civiliza��o que teria sido extinta. Na Terra, j� teriam existido in�meras outras civiliza��es em diversas �pocas remotas, dentre elas v�rias eram mais evolu�das que a nossa. Estas civiliza��es tiveram uma exist�ncia c�clica, com o nascimento, desenvolvimento e morte ocorrida provavelmente por meio de grandes cat�strofes, como a queda de um grande meteoro, inunda��es, erup��es vulc�nicas, dentre outras que acabavam por reduzir grandes civiliza��es a um n�mero �nfimo de sobreviventes ou mesmo por dizim�-las, fazendo com que uma nova civiliza��o brotasse das cinzas. Os conhecimentos sobre a alquimia estariam impregnados no inconsciente coletivo de todas as civiliza��es at� hoje ou poderiam ter sido transmitidos pelos poucos sobreviventes, desta maneira a alquimia teria resistido ao tempo.
Os textos chineses antigos se referem as "ilhas dos bem aventurados" que eram habitadas por imortais. Acreditava-se que ervas contidas nestas tr�s ilhas ap�s sofrerem um preparo poderiam produzir a juventude eterna, seria como o elixir da longa vida da alquimia.
No ocidente, o Egito � considerado o criador da alquimia. O pr�prio nome � de origem �rabe (Al corresponde ao artigo o), com raiz grega (elkimy�). Kimy� deriva de Khen (ou chem), que significa "o pa�s negro", nome dado ao Egito na antig�idade. Outros acham que se relaciona ao voc�bulo grego derivado de chyma, que se relaciona com a fundi��o de metais.
Os alquimistas relacionam a sua origem ao deus eg�pcio Tote, que os gregos chamavam de Hermes (Hermes Trimegisto). Alguns alquimistas o considerava como um rei antigo que realmente teria existido, sendo o primeiro s�bio e inventor das ci�ncias e do alfabeto. Por causa de Hermes a alquimia tamb�m ficou conhecida como arte herm�tica ou ci�ncia herm�tica.
Os relatos mais remotos de doutrinas que utilizavam os preceitos alqu�micos, remontam de uma lenda que menciona o seu uso pelos chineses em 4.500 a.C. Ao que parece ela teria aflorado do tao�smo cl�ssico (Tao Chia) e do tao�smo popular, religioso e m�gico (Tao Chiao). Por�m os textos alqu�micos come�aram a surgir na dinastia T'ang, por volta de 600 a.C. Na China, o mais famoso alquimista foi Ko Hung (cujo nome verdadeiro era Pao Pu-tzu, viveu de 249-330 d.C.) que acreditava que com a alquimia poderia superar a mortalidade. Atribui-se a ele a autoria de mais de cem livros sobre o assunto, dos quais o mais famoso � "O Mestre que Preserva sua Simplicidade Primitiva". Teria aprendido a alquimia por volta de 220 d.C com Tso Tzu. O tratado de Ko Hung, al�m da alquimia trata tamb�m da ci�ncia da alma e das ci�ncias naturais. Sua obra trata tanto do elixir da longa vida bem como da transmuta��o dos metais. At� ent�o a alquimia chinesa era puramente espiritual e foi Ko Hung que introduziu o materialismo, provavelmente devido a influ�ncias externas. Ela foi influenciada tamb�m pelo I Ching "O livro das Muta��es". Posteriormente seguiu a escola dos cinco elementos, que mesmo assim permaneceu quase que completamente mental-espiritual.
Na China a alquimia tamb�m ficou vinculada � prepara��o artificial do cin�brio (min�rio do qual se extra�a o merc�rio - sulfeto de merc�rio), que era considerado uma subst�ncia talism�nica associada a manuten��o da sa�de e a imortalidade. A metalurgia, principalmente o ato da fundi��o, era um trabalho que deveria ser realizado por homens puros conhecedores dos ritos e do of�cio. A transforma��o espiritual era simbolizada pelo "novo nascimento", associada a obten��o do metal a partir do min�rio (cin�brio e merc�rio).
A filosofia hindu de 1000 a.C. apresentava algumas semelhan�as com a alquimia chinesa, como por exemplo o soma cujo conceito assemelhava-se ao do elixir da longa vida.
No Egito a alquimia teria surgido no s�culo III d.C. e demonstrava uma influ�ncia do sistema filos�fico-religioso da �poca helen�stica misturando conhecimentos m�dicos com metal�rgicos. A cidade de Alexandria era o reduto dos alquimistas. O alquimista grego mais famoso foi Z�zimo (s�culo IV), que nasceu em Pan�polis e viveu em Alexandria, escreveu uma grande quantidade de obras. Nesta �poca, v�rias mulheres dedicavam-se a alquimia, como por exemplo Maria, a judia, que inventou o um banho t�rmico com �gua muito utilizado nos laborat�rios atualmente, o "banho-maria", Kleopatra que possivelmente n�o seria a Rainha Cle�patra, Copta e Teos�bia. Os persas conheciam a medicina, magia e alquimia. A alquimia possu�a um pouco da imagem da popula��o de Alexandria, era uma mistura das pr�ticas helen�sticas, caldaicas, eg�pcias e judaicas.
Alexandre "o Grande" foi quem teria disseminado a alquimia durante suas conquistas aos povos Bizantinos e posteriormente aos �rabes. Os �rabes, sob a influ�ncia dos eg�pcios e chineses, trouxeram a alquimia para o ocidente ao redor do ano de 950, inicialmente para a Espanha. Constru�ram-se escolas e bibliotecas que atraiam in�meros estudiosos. Conta-se que o primeiro europeu a conhecer a alquimia foi o te�logo e matem�tico monge Gerbert que mais tarde tornou-se papa, no per�odo de 999/1003, com o nome de Silvestre II. Na It�lia Miguel Scott, astr�logo, escreveu uma obra intitulada De Secretis em que a alquimia estava constantemente presente.
No s�culo X, a alquimia chinesa renunciou a prepara��o de ouro e se concentrou mais na parte espiritual. Ao inv�s de fazerem opera��es alqu�micas com metais, a maioria dos alquimistas realizavam experimentos diretamente sobre seu corpo e esp�rito. Esta retomada a uma ci�ncia espiritual teve como ponto culminante no s�culo XIII com o tao�smo budaizante, com as pr�ticas da escola Zen.
A alquimia deixou muitas contribui��es para a qu�mica, como subproduto de seus estudos, dentre eles podemos citar: a p�lvora, a porcelana, v�rios �cidos (�cido sulf�rico), gases (cloro), metais (antim�nio), t�cnicas f�sico-qu�micas (destila��o, precipita��o e sublima��o), al�m de v�rios equipamentos de laborat�rio. Na China produzia-se alum�nio no s�culo II e a eletricidade era conhecida pelos alquimistas de Bagd� desde o s�culo II a.C.
Como aprender:
"Ora, lege, lege, relege, labora et invenier" (ore, l�, l�, rel�, trabalhe e encontrar�s). Esta era uma das primeiras grandes li��es que o mestre alquimista ensinava a seus disc�pulos.
A literatura alqu�mica produzida pelos iniciados � bastante complexa por estar em linguagem herm�tica de dif�cil compreens�o. Portanto para aqueles que pretendem se aprofundar na alquimia, o primeiro passo � ler os livros gerais para compreender os fundamentos e come�ar a familiarizar-se com a interpreta��o dos textos herm�ticos. Cada livro deve ser relido at� a obten��o de uma compreens�o mais profunda, sendo que as releituras devem ser intercaladas entre os v�rios textos. O �ltimo livro lido ou relido mostrar� o conhecimento de todos os demais, assim como os primeiros ir�o ajudar a entender o �ltimo. O estudante deve se fixar principalmente nos livros que mais lhe agrada.
Apesar de tanto estudo, a maior parte do conhecimento ainda ficar� incompreendida e s� clarear� na pr�tica di�ria, ou seja, fazendo experi�ncias em laborat�rio.
A paci�ncia � uma grande virtude a ser desenvolvida, pois v�rios anos de estudo te�ricos e pr�ticos s�o necess�rios para alcan�ar uma melhor compreens�o e posteriormente a conclus�o da Grande Obra, sendo que no caminho muitos fracassos ocorrer�o. A maior parte dos que se dedicam a alquimia desistem e muitos, apesar de n�o desistirem, n�o a compreendem mesmo durante toda uma vida. Dos poucos que conseguem concluir a Grande Obra, a maior parte leva mais da metade de sua exist�ncia para alcan�ar.
A inicia��o talvez seja um processo semelhante ao da cria��o da pr�pria pedra filosofal. Ela � considerada como um novo nascimento, a g�nese para aquele que recebeu a luz e agora pode direcionar-se a caminho de um novo come�o, com uma outra consci�ncia. Constitui a morte dos conceitos err�neos e o renascimento das coisas puras e verdadeiras.
A alquimia � de dif�cil compreens�o porque seus ensinamentos referem-se, ao mesmo tempo, �s opera��es de laborat�rio e ao caminho de uma evolu��o ps�quica e espiritual. Portanto os ensinamentos devem ser interpretados em todos os aspectos.
A observa��o mais acurada da natureza de todos os seus fen�menos e manifesta��es deve fazer parte do dia-a-dia do estudante, ou seja, ele deve sempre estar atento as transforma��es, aos ciclos astrol�gicos (do sol, da lua, dos planetas) e terrestres ( da �gua e dos nutrientes) e aos pequenos detalhes (dos animais, vegetais e minerais), pois todo o conhecimento alqu�mico, inclusive sua linguagem, prov�m destas observa��es e sabendo interpret�-las fica mais f�cil compreender a alquimia.
A dica de alguns alquimistas � que o estudante fa�a seu laborat�rio em local isolado, n�o divulgue para ningu�m suas inten��es devendo ser perseverante, dedicado, calmo, paciente, honesto, caridoso, acredite em Deus e principalmente que consiga um capital para poder dedicar-se totalmente aos estudos, incluindo al�m das despesas b�sicas, livros e equipamentos para o laborat�rio, ou que consiga uma atividade que possibilite uma grande disponibilidade para a dedica��o ao estudo. Cada um deve procurar o melhor caminho para obter tempo e recursos para uma total dedica��o.
O encontro com o mestre:
Apesar do estudante ter lido in�meros livros dos iniciados, realizado experimentos em laborat�rio e possua intelig�ncia suficiente, ainda n�o ser� capaz de atingir o cerne dos segredos "sozinho". A literatura herm�tica � uma d�diva para aqueles que conhecem os segredos e uma tortura para aqueles que n�o o conhecem. "Ao que tem, lhe ser� dado; e, ao que n�o tem, at� o que tem lhe ser� tirado".
Quando o estudioso de alquimia estiver preparado, ou seja, quando esgotarem suas possibilidades de estudos te�ricos e pr�ticos e os conhecimentos estiverem presentes em seu consciente e inconsciente, ele encontrar� a figura de um mestre que o conduzir� ao caminho da sabedoria e ilumina��o, tornando-o um iniciado na arte sagrada podendo assim concluir a Grande Obra. Este mestre pode se revelar na forma de anjo ou esp�rito. Poucos foram os que encontraram um mestre vivo que lhes passasse os grandes conhecimentos, pois os alquimistas n�o revelavam seus segredos nem para seus pr�prios filhos, somente para os puros de esp�rito que estiverem preparados. O estado de semiconsci�ncia, necess�rio para obter o sonho ou vis�o � normalmente atingido ap�s longas horas de concentra��o, meditando sobre os livros ou quando parado no laborat�rio esperando e observando as transforma��es dentro dos recipientes alqu�micos.
Nos relatos do encontro com um mestre, normalmente este � um homem de meia idade, veste roupas simples, t�m cabelos lisos e negros, estatura mediana, magro, rosto pequeno e comprido e n�o tem barba. Estas s�o as caracter�sticas de Saturno, que � o "sujeito dos S�bios", o velho, o planeta mais longe da Terra. Podendo designar tamb�m a mat�ria-prima.
Linguagem herm�tica:
Animais normalmente tem um significado especial, como por exemplo, a representa��o dos quatro elementos. O unic�rnio ou o veado representam a terra, peixes a �gua, p�ssaros o ar e a salamandra o fogo.
O corvo simboliza a fase de putrefa��o do processo, que fica da cor negra. Enquanto que um tonel de vinho representa a fermenta��o.
A caverna representa a fase de dissolu��o, quando a mat�ria se aprofunda, se racha e se abre.
Em muitos textos os metais est�o representados pelos planetas correspondentes (veja os sete metais) pois eram preparados elixires de outros metais, al�m do ouro e da prata.
A balan�a representa o ar, a sublima��o, as propor��es naturais.
A figura de um andr�gino ou de Ad�o e Eva, representam a mat�ria prima, composta do merc�rio e do enxofre.
O anjo simboliza a �gua - "Esp�rito da Pedra"
A mat�ria-prima, bem como o pr�prio alquimista, podem ser representados pelo bobo, pelo peregrino ou pelo viajante.
A imagem de uma rocha, cavernas, montanhas e outras representa��es de grandes blocos de pedra, sob o qual encontram-se tesouros. A cena ainda pode conter uma �rvore, uma nascente, um drag�o montando guarda, mineiros trabalhando, isto tudo evoca a mat�ria-prima, que tamb�m � comparada � virgem, pois ainda n�o recebeu o princ�pio masculino, ou com uma prostituta que � capaz de receber todos os princ�pios masculinos, comparando assim a mat�ria-prima com a facilidade de unir-se aos metais. � capaz de abrigar dentro de si todos os metais, apesar de n�o ser met�lica. Os alquimistas tamb�m chamavam a mat�ria-prima de lobo cinzento.
Uma mendiga ou uma velha representa o aspecto desprez�vel e repulsivo da mat�ria-prima ou raiz met�lica.
O leite da virgem designa o merc�rio comum ou primeiro merc�rio por fluir sem cessar de uma coisa a outra, alimentar tudo e passando de um ser a outro, at� mesmo da vida para a morte e vice-versa.
O eixo do mundo ou o eixo do trabalho do alquimista � representado pela �rvore em que a mat�ria-prima constitui a raiz.
Uma luta entre o drag�o alado contra o drag�o �ptero, de um c�o com uma cadela ou da salamandra com a r�mora, representam o combate entre o vol�til e o fixo, o feminino e o masculino, ou o merc�rio e o enxofre, os dois princ�pios que est�o contidos na mat�ria. Enquanto que a uni�o entre estes dois princ�pios � representada pelo casamento do rei e da rainha, do homem de vermelho com a mulher de branco, do irm�o com a irm� (pois eles prov�m de uma mesma mat�ria m�e), de Apolo e Diana, do sol e da lua ou juntar a vida � vida. Normalmente a este casamento precede morte e tristeza.
Apanhar um p�ssaro significa fixar o vol�til.
O le�o verde normalmente � associado ao sal.
A pessoa inici�vel ou a subst�ncia inicial (mat�ria-prima) pode ser representada pelo filho mais jovem de uma vi�va (que representa �sis) ou de um rei, um soldado que j� cumpriu o servi�o militar, um aprendiz de ferreiro, um jovem pastor, o filho de um rei em idade de se casar e outros casos semelhantes.
O abismo, um recife e outros perigos de uma viagem representam os cuidados ou os perigos que o fogo conduzido inadequadamente podem causar.
O dissolvente universal tanto � associado ao sal como ao merc�rio normalmente � representado por uma fonte, le�o verde, �gua da vida ou da morte, �gua �gnea, fogo aquoso, �gua que n�o molha as m�os, �gua benta, vento, espada, lanterna, cervo, um velho, um servidor, o peregrino, o louco, m�e louca, drag�o, serpente, Diana, c�o, dentre outros.
Os alquimistas utilizam tamb�m alfabetos secretos, codificados, anagramas e criptografia. Al�m de simples sinais que identificam uma opera��o, subst�ncia ou objeto.
Princ�pios:
Os quatro elementos e os tr�s princ�pios:
A alquimia al�m do aspecto espiritual, constitu� uma verdadeira ci�ncia que tem como finalidade compreender a mat�ria e o cosmo, ou seja, o microcosmo e o macrocosmo, al�m de tentar reproduzir de forma mais r�pida o que a natureza leva mil�nios para conseguir. Como em qualquer �rea de conhecimento, a alquimia possu�a uma linguagem pr�pria. Para tentar transmitir conhecimentos que n�o haviam palavras espec�ficas para expressar eles utilizaram termos conhecidos, que transmitia uma id�ia rudimentar de algum evento. Assim utilizavam os termos �gua, Terra, Ar e Fogo para explicar os quatro elementos, correlacionando-os respectivamente com o estados l�quido, s�lido, gasoso e a energia. O fogo simbolizava todos os tipos de energia, inclusive a energia imaterial dos corpos, o "�ter", ou estado "et�reo". O conceito de estado gasoso n�o ficou conhecido pelo ocidente at� o s�culo XVIII com as pesquisas de Lavoisier. Isto demonstra o quanto os Alquimistas estavam adiantados em rela��o aos s�bios de seu tempo.
�gua - penetrante, dissolvente e nutritiva
Terra - solidez que estabiliza a mat�ria, suporte para o l�quido
Ar - gasoso, expansivo, vol�til
Fogo - energia que acelera o processo, aquece, ilumina
A Quintess�ncia - �ter - equilibra e penetra nos corpos, � a for�a viva
A terra e a �gua constituem estados vis�veis, enquanto o fogo e o ar s�o estados invis�veis.
Os quatro elementos por�m n�o eram suficientes para expressar todas as caracter�sticas e assim os alquimistas adotaram os termos Enxofre, Merc�rio e o Sal para expressar os tr�s princ�pios e, da mesma maneira que os quatro elementos, n�o representavam as subst�ncias mencionadas em si, mas sim as suas propriedades materiais que poderiam ser retiradas ou acrescentadas as subst�ncias, possivelmente por rea��es qu�micas ou transmuta��es.
Enxofre - princ�pio fixo - representa as propriedades ativas - combustibilidade, a a��o corrosiva, o poder de atacar os metais, e tamb�m o princ�pio ativo ou masculino, o movimento, a forma, o quente. � considerado o embri�o da pedra e alimentado pelo merc�rio, pois est� contido em seu ventre. Tamb�m � considerado a energia animadora e constitui o objetivo da Grande Obra.
Merc�rio - princ�pio vol�til - representava as propriedades passivas - maleabilidade, brilho, fusibilidade, a fraca tens�o de vapor, o escorregadio que toma v�rias formas e o fugidio. Al�m de designar a mat�ria, designa tamb�m outros aspectos como: o princ�pio passivo ou feminino, o inerte, o frio.
O merc�rio tamb�m pode designar a mat�ria-prima, � considerado a m�e dos metais ou a �gua primitiva que deu origem a todos eles. Este � o merc�rio segundo, merc�rio filos�fico ou merc�rio duplo que cont�m os dois princ�pios, o merc�rio e o enxofre.
O primeiro merc�rio ou merc�rio comum tamb�m � chamado de dissolvente universal.
O merc�rio � ao mesmo tempo o caminho e o andarilho, com a Grande Obra representando uma viagem.
Estes dois princ�pios possuem as propriedades contr�rias e a mistura de propriedades contr�rias � muito importante na alquimia, ou seja, o dualismo enxofre-merc�rio de todas as coisas.
O merc�rio tamb�m � chamado de sal dos metais. Na realidade o merc�rio no final da obra adquire a tr�plice qualidade.
Sal - tamb�m conhecido por ars�nico - � o meio de uni�o entre as propriedades do Merc�rio e as do Enxofre, como uma for�a de intera��o, muitas vezes associado a energia vital, que une a alma ao corpo. No ser humano, o enxofre seria o corpo f�sico; o merc�rio, a alma e o sal, o esp�rito mediador.
Esse sal normalmente � relatado como sendo um fogo aquoso ou uma �gua �gnea e � obtido a partir do merc�rio comum em conjun��o com o fogo, obtendo assim a chamada "�gua que n�o molha as m�os". Assim como o merc�rio, o sal tamb�m � relatado como sendo o dissolvente universal. Na verdade o fixo e o vol�til nunca podem estar separados, n�o existe merc�rio que n�o contenha o enxofre, por isso, as vezes o sal aparece com o nome de um deles dependendo da fase da opera��o.
O sal protege os metais para que no processo n�o sejam totalmente destru�dos e reste assim a semente, que por seu interm�dio nascer� algo novo.
Os sete metais:
Na natureza, a terra cont�m "sementes" que d�o origem aos metais por um processo de evolu��o e aperfei�oamento. Todos os metais, com o tempo, transformar-se-�o em ouro que cont�m o equil�brio perfeito dos quatro elementos. Na alquimia n�o existe mat�ria morta e todas as subst�ncias, animal, vegetal ou mineral, s�o dotadas de vida e movimento, ou seja, possuem suas energias caracter�sticas.
Ouro - representado pelo Sol.
Prata - representado pela Lua.
Merc�rio - representado pelo planeta Merc�rio.
Estanho - representado por J�pter.
Chumbo - representado por Saturno, por ser considerado pesado e lento.
Cobre - representado por V�nus, maleabilidade, sossego, beleza e prazer.
Ferro - representado por Marte.
A unidade da mat�ria e do universo:
O mundo � como um grande organismo (macrocosmo), enquanto que o homem � um pequeno mundo (microcosmo), esta � uma das interpreta��es da frase: "O que est� em cima � como o que est� em baixo". O pr�prio laborat�rio do alquimista � um microcosmo onde ele tenta reproduzir de maneira mais acelerada um processo semelhante ao da cria��o do mundo.
Toda mat�ria (por mat�ria fica entendido tudo que existe no universo, at� mesmo a energia pode estar revestida pela mat�ria) � constitu�da de uma mesma unidade comum a todas as subst�ncias. A partir desta "semente" pode-se produzir infinitas combina��es e infinitas subst�ncias. O s�mbolo alqu�mico do ouroboros, que � a figura de uma serpente mordendo a pr�pria calda formando um c�rculo, representa estas constantes transforma��es em que nada desaparece nem � criado, tudo � transformado como o princ�pio da conserva��o de energia, ou primeira lei da termodin�mica, postulado muito tempo depois.
Portanto, esta unidade da mat�ria � �nica e a mesma para todas as coisas, podendo combinar-se produzindo uma variedade infinita de subst�ncias e energias. Mat�ria e energia prov�m de uma mesma entidade. Einstein unificou a interconvers�o entre mat�ria e energia, na equa��o E=m.c2 (E = energia liberada; m = mat�ria transformada e c = velocidade da luz).
Os alquimistas procuram reduzir a mat�ria � unidade comum, que n�o s�o os �tomos, para assim poderem reestrutur�-la, tornando poss�vel a transmuta��o. Esta unidade da mat�ria constitui tudo que existe, desde os �tomos que se combinam para formar as mol�culas e estas ir�o formar outras subst�ncias mais complexas, os organismos at� os planetas que formam os sistemas e gal�xias. Portanto, todas as coisas possuem a mesma unidade fundamental, este � o postulado fundamental da alquimia "Omnia in unum" (Tudo em Um).
O caos primordial que deu origem ao universo � comparado no reino mineral � mat�ria-prima, que � uma massa em estado de desordem que dar� origem � pedra filosofal.
Deus - o mundo celeste e o terreno:
Tudo o que existe material ou espiritual constitui uma �nica unidade. O divino � expresso como sendo "o c�rculo cujo centro est� em toda parte e a circunfer�ncia em parte alguma". Portanto, todas as coisas surgiram do mesmo Criador, o mundo terreno � constitu�do pelos mesmos componentes que o mundo celeste.
Um dos grandes problemas de compreens�o dos fundamentos da alquimia consiste na interpreta��o do esp�rito que s� pode ser compreendido remontando a uma mem�ria muito antiga, da �poca em que todos os seres do mundo celeste e do mundo terreno se comunicavam e o esp�rito circulava livremente entre todos os seres.
Muitos alquimistas foram grandes profetas como Nostradamos, Paracelso, dentre outros e todos eles acreditavam que em breve, no fim de mais um ciclo terrestre, haveria uma grande cat�strofe que seria um novo come�o para a humanidade. Restaria uma consci�ncia coletiva, a mesma que deu origem a alquimia em outros ciclos.
O dualismo sexual:
A energia original � criada pela jun��o dos princ�pios masculino e feminino (sol e lua). Muitos alquimistas constituem casais na busca da Grande Obra, por�m para que ocorra uma perfeita uni�o alqu�mica este casal, ou seja, estas duas metades devem ser complementares formando um �nico ser (como a figura alqu�mica do andr�gino). Contudo � muito dif�cil encontrar um par que produza uma uni�o t�o perfeita.
O Cosmo:
O cosmo � visto como um ser vivo sendo que seus constituintes tem esp�rito e prop�sito definido. As estrelas exalam um campo de energia que pode ser sentido e utilizado pelo homem e assim obter as transforma��es.
A vida:
Existe uma cren�a na alquimia da cria��o artificial de um ser humano, o hom�nculo ou Golem, por�m estes relatos de alguns alquimistas c�lebres poderia referir-se de forma figurada ao processo de fabrica��o da pedra filosofal, onde o hom�nculo representaria a mat�ria prima para a fabrica��o da pedra ou ent�o uma fase da inicia��o em que o homem ressurge ap�s a morte do outro j� degradado.
Na concep��o alqu�mica tudo o que existe � vivo, at� mesmo os minerais. Os metais vivem, crescem, reproduzem-se e evoluem. Portanto qualquer met�fora sobre seres vivos podem estar referindo-se tamb�m ao reino mineral.
A natureza e todos os seus constituintes devem ser respeitados para que a harmonia perfeita possa ser mantida. Esta consci�ncia op�e-se claramente a forma de encarar a natureza at� hoje, em que esta deve ser explorada o m�ximo poss�vel e ainda consideram isto a evolu��o da humanidade. Reaprender a ver, sentir e ouvir a natureza, significa incorporar-se a ela, para relembrar o remoto passado quando faz�amos parte dela integralmente.
O amor:
Todo o conhecimento alqu�mico est� alicer�ado no amor e por isso inacess�vel aos processos cient�ficos atuais.
A uni�o pelo amor est� sempre presente em qualquer obra alqu�mica representando uma energia que une dois princ�pios ou dois materiais, tornado-os um s�. De forma figurada � descrita como o casamento do Sol e da Lua, do enxofre e do merc�rio, do Rei e da Rainha, do C�u e da Terra ou do irm�o e da irm�, por terem vindo da mesma raiz ou mesma subst�ncia.
Astrologia:
Na alquimia a astrologia exerce um papel fundamental desde a escolha do momento certo para o in�cio da obra, da colheita dos materiais utilizados, at� o momento mais prop�cio para o alquimista trabalhar.
Laboratorio:
A pr�tica alqu�mica, de maneira extremamente resumida, consiste em pegar a prima materia (mat�ria-prima primordial) eliminar as suas impurezas (morte e renascimento), separar seus componentes (merc�rio e enxofre) e reuni-los novamente (por interm�dio do sal) fixando os elementos vol�teis, formando assim a pedra filosofal. Seria como "libertar o esp�rito por meio da mat�ria e a pr�pria mat�ria por meio do esp�rito", ou ainda, fazer do fixo, vol�til e do vol�til,o fixo, onde n�o se pode fazer cada etapa independentemente.
O alquimista � uma pe�a fundamental nos experimentos e n�o somente um simples observador. O experimento e o experimentador constituem uma �nica coisa na alquimia. Este ponto de vista do experimentador como participante est� agora sendo retomado pela f�sica qu�ntica, alterando o termo observador para participante. Portanto, mesmo tendo o conhecimento pr�tico do processo, se tiver perdido a pureza do esp�rito, a Grande Obra n�o poder� ser conclu�da.
V�rios alquimistas relatam doze processos, em tr�s etapas ou tr�s obras, para a realiza��o da Grande Obra que, contudo, n�o correspondem literalmente aos nomes conhecidos. S�o eles:
Calcina��o - constitui a purifica��o do primeiro material pelo fogo, sem contudo diminuir seu teor de �gua.
Solu��o ou dissolu��o - a parte s�lida � dissolvida na �gua, por�m � relatado que esta �gua n�o molha a m�o. A �gua pode ser o pr�prio merc�rio. Esta � uma "dissolu��o filos�fica" em que o solvente mata os metais, portanto esta fase � um s�mbolo da morte para os tr�s reinos.
Separa��o - o merc�rio � separado do enxofre. Fornecendo um calor externo adequado, o merc�rio que cont�m o enxofre interno coagula a si mesmo gra�as a um artificio que constitui um segredo, o secretum secretorum, que � uma marca divis�ria entre a alquimia e a qu�mica. Este artif�cio consiste, metaforicamente, em capturar um raio de sol, condens�-lo, aprision�-lo em um frasco hermeticamente fechado e aliment�-lo com o fogo. A terra fica em baixo enquanto o esp�rito sobe. Esta etapa completa a primeira obra e quando conclu�da corretamente pode se ver a forma��o de uma estrela dentro do frasco.
Conjun��o - o merc�rio e o enxofre s�o novamente unidos. Toda a opera��o deve ser realizada no mesmo recipiente, sendo que nesta fase o frasco � hermeticamente fechado.
Putrefa��o - o calor mata os corpos e a putrefa��o ocorre. Aparece uma colora��o escura, enegrecida.
Congelamento - nesta fase aparece uma colora��o esbranqui�ada, um calor brando � quem promove esta mudan�a.
Ciba��o - � mat�ria seca deve ser adicionado os componentes necess�rios para aliment�-la.
Sublima��o - fase em que o corpo torna-se espiritual e o esp�rito corporal, ou seja, volatilizar o fixo e fixar o vol�til, sendo que um processo depende do outro e n�o � poss�vel fixar um sem volatilizar o outro. Para esta fase � relatado uma dura��o de quarenta dias. Por�m, todo esse processo que se encerra com a sublima��o teve in�cio na conjun��o e constitui a segunda obra.
Fermenta��o - adiciona-se ouro para tornar o j� existente mais ativo.
Exalta��o - processo semelhante a sublima��o, seria uma ressublima��o.
Multiplica��o - uma quantidade maior de energia � acrescida nesta etapa, por�m n�o � necessariamente a mat�ria que aumenta.
Proje��o - teste final da pedra em seus usos normais, como a transmuta��o.
O agente da dissolu��o � convertido em paciente que sofre a opera��o na fase da coagula��o. Por isso a opera��o � comparada a brincadeira de crian�a de "pular carni�a" em que ora um pula o outro e ora � pulado.
A mat�ria-prima:
Esta primeira mat�ria que dar� origem a pedra filosofal constitui um dos grandes segredos da alquimia. Normalmente � descrita como algo desprezado, inferior e sem valor. Pode ser encontrado em todos os lugares, � conhecido por todos, � varrido para fora de casa, as crian�as brincam com ele, por�m possui o poder de derrubar soberanos.
Dentre os n�o iniciados, cada um aposta em um tipo de material tanto do reino animal, vegetal como mineral. �rios utilizaram min�rios (especialmente os de chumbo, o cinabre que cont�m enxofre e merc�rio, o stibine um raro mineral sulfuroso, a galena que � magn�tica), cinzas, fezes, barro, sangue, cabelos. A maioria deles emprega a pr�pria terra, recolhida em local preservado. A terra estaria impregnada de energia c�smica, com a �gua que cont�m.
Esta mat�ria n�o est� somente no reino do psiquismo, como afirmava Jung, ela tem tamb�m sua express�o no reino material atrav�s de um mineral que possui propriedades vegetativas.
Descobrir a mat�ria-prima n�o � o principal, mas sim ergu�-la a um ponto privilegiado para as opera��es subseq�entes. Esta abordagem s� ser� conseguida quando o alquimista deixa de lado a fronteira fict�cia entre os elementos constitutivos de sua personalidade (f�sica e espiritual) e o universo.
Ela normalmente � relacionada ao caos da g�nese, a base de todo o processo, que tanto � material como imaterial.
Para descobrir a mat�ria-prima mineral o operador e o objeto, observador e o observado, devem estar unidos. Isto significa se abstrair da vis�o l�gica e desenvolver uma vis�o intuitiva. Esta vis�o pode aparecer ap�s um longo per�odo de reflex�o sobre os impasses insol�veis da alquimia, ap�s um est�mulo externo como o barulho do vento, das ondas do mar, do trov�o e outros. Caso contr�rio ela permanecer� escondida por uma roupagem ou uma casca como o ovo.
O orvalho:
O orvalho normalmente � utilizado para umedecer (banhar e nutrir) a mat�ria-prima. Como se condensa lentamente e desce da atmosfera est� impregnado da energia c�smica. A melhor �poca de recolher o orvalho vai do equin�cio de primavera ao solst�cio de ver�o, pois possui uma maior energia. Normalmente � recolhido com len��is estendidos sobre vegeta��o rasteira sem, no entanto, toc�-la.
As cores da Grande Obra:
Nas v�rias etapas do processo a mat�ria vai mudando de cor, primeiro aparecendo uma massa enegrecida, que passa a esbranqui�ada e finalmente avermelhada.
A cor negra seria a cor da fase da putrefa��o, a cor branca se inicia na fase de dissolu��o e a cor vermelha constitui a fase final do processo, ou seja, a pedra filosofal. Podem tamb�m aparecer cores intermedi�rias como o amarelo e mesmo as cores do arco-�ris, tamb�m chamadas de cores da cauda do pav�o. A observa��o destas cores � muito importante para saber se a obra est� evoluindo de maneira correta.
Outro ind�cio da conclus�o constitui na jun��o de cristais em forma de estrela na superf�cie do l�quido, ou um som parecido com o canto de cisnes.
A Temperatura:
A temperatura do forno em cada etapa do trabalho deve ser rigorosamente controlada. O aquecimento deve ser aumentado de forma gradual e bem lenta. A primeira etapa (putrefa��o) pode durar quarenta dias e a temperatura desta � compara a do ventre ou do seio materno. Aquecendo-se muito corre o risco de fracasso ou mesmo de explos�o.
Os dois caminhos:
Via �mida:
A via �mida, como o pr�prio nome j� indica, � realizada com �gua (do orvalho). Esta via � muito lenta, podendo durar meses ou anos e oferece menores riscos. As temperaturas nas v�rias etapas s�o consideravelmente menores, tendo em vista que a �gua ferve a 100 oC. O recipiente utilizado � um bal�o de vidro ou cristal (tamb�m chamado de ovo filos�fico, por seu formato) que suporta bem as temperaturas requeridas nesta via. Nunca se deve deixar ferver, pois pode haver uma explos�o devido ao aprisionamento de gases no recipiente hermeticamente fechado.
Via seca:
Esta via � bem mais r�pida, dura apenas sete dias, por�m � bem mais perigosa pois pode haver explos�o. Tudo � feito em um cadinho, pequeno recipiente de porcelana aberto em cima com a apar�ncia de um copo, que resiste a alt�ssimas temperaturas. N�o h� adi��o de �gua. � raramente relatada e praticada, por�m os alquimistas que a praticaram a consideram com muito mais chances de obter sucesso.
Uma outra via seca tamb�m relatada � a diret�ssima, que seria quase instant�nea durando apenas tr�s dias. Esta seria realizada a partir da emana��o de um tipo de energia na forma de raio diretamente no cadinho e no corpo do alquimista. Por�m seria extremamente perigosa podendo at� mesmo fazer desaparecer o corpo do alquimista.
Os Alquimistas:
Flamel:
Nicolas Flamel nasceu em 1330 em Pontoise. Ap�s a morte de seus pais, ainda jovem foi trabalhar em Paris como escriv�o. Aos vinte e oito anos compra um antigo livro de autoria de Abraham, o Judeu, que continha textos intercalados com desenhos de serpentes, virgens, desertos e fontes d'�gua. Achou muito intrigante o livro e passou a estud�-lo, descobrindo que se tratava de cabala e alquimia. Nesta �poca, ele nem sabia o que realmente significava a alquimia. Estudou anos a fio e descobriu que o livro relatava diretamente a Grande Obra, sem contudo indicar a mat�ria-prima.
Casou-se com Dame Perrenelle, que era vi�va, por volta de 1364 e a partir de ent�o consegue uma pequena quantia de dinheiro para se dedicar totalmente a alquimia, quantia esta que a vi�va havia herdado do falecido marido. Percorre o caminho de Santiago de Compostela, padroeiro dos alquimistas, e encontra um mestre que lhe passa ensinamentos sobre a mat�ria-prima. Flamel, a partir de 1380, come�a a se dedicar a experimentos alqu�micos, consegue produzir prata em torno de 1382 e depois finalmente a transmuta��o em ouro. Cerca de dez anos mais tarde ao in�cio dos experimentos, come�a a realizar um grande n�mero de obras de caridade como a constru��o de hospitais, igrejas, abrigos e cemit�rios e os descora com pinturas e esculturas contendo s�mbolos alqu�micos.
Flamel, apesar de sua s�bita fortuna, possu�a uma modesta resid�ncia e usava roupas humildes. Mas suas vultuosas doa��es levantaram suspeitas do rei Carlos V que havia proibido, j� em 1379, todas as pr�ticas alqu�micas mandando inclusive, destruir todos os laborat�rios que supostamente fabricasse ouro alqu�mico. O rei enviou o chefe das finan�as para investigar a origem de sua fortuna. Acredita-se que Flamel tenha sido franco com o emiss�rio do rei, tendo inclusive lhe dado um pouco da pedra filosofal. Este voltou sensibilizado com dignidade de Flamel, nada relatando ao rei e durante muitas gera��es a pedra ficou guardada em sua fam�lia.
Escreveu "O Livro das Figuras Hierogl�ficas" em 1399, "O Sum�rio Filos�fico" em 1409 e "Salt�rio Qu�mico" em 1414 .
Relatos mencionam que o casal, aos 60 anos de idade, possu�a um aspecto jovem n�o condizente com as pessoas da mesma faixa et�ria da �poca. Flamel faleceu em 1417, por�m alguns viajantes relatam terem o encontrado no oriente com sua esposa , ap�s sua suposta morte. Ele teria sido um ser iluminado que quis viver entre os homens.
Acredita-se que todo o relato de Flamel desde o encontro do livro at� a peregrina��o a Santiago de Compostela e seu encontro com o mestre s�o alegorias para explicar a mat�ria-prima e o conhecimento adquirido atrav�s do estudo da alquimia.
Paracelso:
Paracelso (Aureolus Phillippus Teophrastus Bombast von Hohenheim), que assim se intitulava por se considerar "al�m de Celso", nasceu a 10 de novembro de 1493, em Einsiedeln, um vilarejo nas montanhas da Su��a alem�. Seu pai Wilhelm Bombast era m�dico e o ensina desde cedo, utilizando sua biblioteca particular, os segredos da medicina. Seu av� foi o Gr�o Mestre da Ordem dos Cavaleiros de S�o Jo�o, Georg Bombast von Hohenheim, do qual seu pai era filho bastardo. A ordem dos Cavaleiros de S�o Jo�o recebeu todo o acervo da Ordem dos Templ�rios, quando estes foram perseguidos pela Igreja. Os Templ�rios eram uma ordem mon�stico-militar, que tinham o objetivo de defender a Terra Santa dos mu�ulmanos e possu�am o conhecimento do esoterismo isl�mico, sendo famosos pelo uso da Alquimia e por, supostamente, utilizarem poderes sobrenaturais. Provavelmente, Paracelso teria se iniciado na Alquimia com o seu av� por interm�dio da heran�a dos Templ�rios. Posteriormente teria feito parte de uma irmandade de alquimistas, da qual teria recebido a tarefa de passar seus conhecimentos para a Medicina, pois na �poca esta se encontrava nas trevas da ignor�ncia.
Ainda mo�o foi morar na �ustria, pa�s no qual seu pai foi trabalhar, podendo assim observar as doen�as que mais assolavam os trabalhadores das minas de Fuggers (o dono destas minas era o alquimista tirol�s Segismundo Fugger). Frequentou as Universidades da Alemanha, Fran�a e It�lia, estudando Medicina em Viena com Nicolo e em Ferrara, com Trithemius (alquimista e c�lebre abade do convento de S�o Jorge, em Wurzburg) e Leoniceno, obtendo seu grau de doutor em 1515. H� ind�cios de que tamb�m tenha estudado em Bolonha como aluno de Bereng�rio de Capri, respons�vel pela cadeira de Anatomia. No per�odo 1517 a 1524, viajou como m�dico em v�rios ex�rcitos, pela Holanda, Escandin�via, Pr�ssia, Tart�rea, e possivelmente no Oriente pr�ximo, adquirindo assim, grande pr�tica no tratamento de diversas enfermidades. Logo depois, retornou para as minas de Fuggers onde estudou as condi��es de sa�de dos mineiros.
Neste contexto, surgem as revolucion�rias id�ias de Paracelso - durante o estudo da Medicina, Paracelso se rebela contra os conhecimentos ortodoxos - apresentando uma vis�o totalmente oposta a vigente, considerando o ser humano como um todo integrado e harm�nico constitu�do de mente e corpo. Acreditava que a anima - conceito semelhante ao princ�pio vital, posteriormente introduzido pelos homeopatas - governava o organismo. Criou uma filosofia qu�mica para interpretar o mundo, considerando a Cria��o como um grande processo qu�mico divino e acreditando que as doen�as eram fruto de rea��es qu�micas produzidas pelo organismo.
Suas id�ias revolucion�rias, eram fruto de uma importante forma��o alqu�mica (Paracelso � considerado um dos mais controversos alquimistas de todos os tempos). A Alquimia, para ele, n�o tinha o intuito de transformar metais em ouro, mas sim servir como instrumento auxiliar no restabelecimento da sa�de, sendo utilizada como base para o preparo dos medicamentos minerais, atrav�s de t�cnicas alqu�micas de separa��o e purifica��o.
Paracelso combateu os princ�pios da medicina tradicional - considerados por ele obscuros e sem fundamento, nas universidades eram ensinados: magia e ocultismo - propondo uma terap�utica qu�mica. Percebeu a possibilidade de utiliza��o dos conhecimentos da Alquimia na medicina, na formula��o e descobrimento de novos medicamentos, sendo o precursor da Iatroqu�mica - que mais tarde deu origem � Qu�mica - al�m de antecipar v�rios fundamentos da homeopatia, farmacologia, medicina psicossom�tica, psicologia e bioenerg�tica.
Ensinou suas id�ias em uma universidade na Basil�ia por volta de 1527 e chegou a queimar em pra�a p�blica os livros escritos por Galeno e Avicena, em sinal de protesto contra os conceitos contidos nestas obras. Entretanto, a Basil�ia era uma cidade em que os estudiosos cultuavam as ci�ncias e filosofias antigas e, portanto, Paracelso foi duramente criticado, fazendo tantos inimigos, que precisou fugir da cidade. Assim iniciou-se uma longa e triste luta em prol do bom senso na medicina, que tinha reflexos ostensivos sobre sua fama e condi��o financeira - alternava entre fortuna e mis�ria. Outros locais nos quais lecionou foram Colmar (1528), Nuremberg (1529), Saint-Gall (1531), Pfeffer (1535), Augsburgo (1936), e Villach (1538).
Rebelou-se tamb�m contra o sistema de ensino das ci�ncias. Nesta �poca, a l�ngua cient�fica escrita e falada era o latim e Paracelso acreditava que isto prejudicava a difus�o do saber, pois somente poucos eruditos tinham acesso as universidades e podiam usufruir do conhecimento. Neste contexto, tentou introduzir uma l�ngua mais acess�vel ao povo - o alem�o - em seus escritos e aulas, fato que foi seguido, posteriormente, por v�rios outros s�bios.
Paracelso foi, por tudo isto, denominado o "m�dico maldito" e sua doutrina constantemente veiculada ao ocultismo - por conta de crer em "influ�ncias astrais". Apesar disto, hoje podemos perceber suas grandes contribui��es para o desenvolvimento da Qu�mica e Medicina.
A maior parte de suas obras foram publicadas ap�s sua morte, sendo que entre 1589-1591, apareceram as primeiras edi��es de seus trabalhos, quase completos, que versam sobre cl�nica m�dica, diagn�stico, farmacologia, filosofia, teologia, Alquimia, influ�ncia dos astros, magia, formula��o e prescri��o dos medicamentos. S�o, na realidade, uma mistura de contribui��es originais e afirma��es ing�nuas. Suas obras consideradas como mais importantes s�o Suas principais obras o Tratado Sobre as Feridas Abertas (1528), Paramirum (1530-1531). Chirurgia Magna (1536), De Gradibus (1568), Tratado Sobre as Enfermidades dos Mineiros (1576), Opu�sculo sobre os Banhos Minerais (1576) e De generatione stultorum (tratado no qual correlaciona o cretinismo com o b�cio end�mico). Escreveu tamb�m um livro de profecias Os Progn�sticos, que n�o conseguiu igualar as Centurias escrito por Nostradamus - este, como Paracelso, era m�dico, astr�logo e alquimista.
No ano de 1538 abandonou a vida p�blica, possivelmente por problemas de sa�de. Relatos indicam que tenha sido por conta de uma doen�a que permanece desconhecida at� a atualidade. Retirou-se para Mindelheim, cuidando de sua sa�de e colocando em ordem suas obras. Em 1540 foi para Salzburgo, com intuito de desfrutar um melhor clima. Deste per�odo at� sua morte, dedicou-se profundamente a espiritualidade, quando escreveu seus trabalhos mais m�sticos, dentre eles, alguns coment�rios sobre a B�blia Sagrada.
A descri��o de sua morte constitui um assunto controverso, para o qual existem v�rias hip�teses. ficou internado no Hospital de S�o Estev�o e, tempos depois, mudou-se para a Estalagem do Cavalo Branco, em Kaygasse, esperando pelo fim de sua laboriosa jornada. Morreu aos 48 anos, em 1541, sendo enterrado na Igreja de S�o Estev�o. Aproximadamente em 1590 foi transferido para um local de honra no pr�prio cemit�rio da Igreja e, em seu t�mulo foi colocada uma inscri��o de m�rmore com os dizeres: "Aqui jaz Philippus Teophrastus von Hohenheim. Famoso doutor em medicina que curou toda a esp�cie de feridas, a lepra, a gota, a hidropisia e outras enfermidades do corpo com ci�ncia maravilhosa. Morreu em 24 de Setembro do ano da gra�a de 1541."
Entretanto, para Jung, Paracelso teria morrido em Salzburgo e enterrado junto com os pobres do Asilo de Velhos no cemit�rio de S�o Sebasti�o e que, no s�culo XIX, seus restos mortais foram exumados, havendo o intrigante achado de um esqueleto com uma pelve feminina. Este relato, sugere que Paracelso poderia ter simulado a pr�pria morte, para fugir da persegui��o incessante comandada por v�rios m�dicos ortodoxos. Seu pedido de que fossem executados os salmos I, VII e XXX em seu funeral, pode-se constituir num ind�cio desta hip�tese:
"Eu te exaltarei, � Senhor, porque tu me livraste e n�o permitiste que os meus inimigos se regozijassem contra mim.
"Senhor, meu Deus, clamei a ti por socorro e tu me saraste.
"Da cova fizeste subir a minha alma; preservaste-me a vida para que n�o descesse � sepultura."
(Salmo XXX)
H� ind�cios de que Nostradamus, teria se encontrado com Paracelso na Alemanha, alguns anos ap�s a data da suposta morte deste �ltimo.
Nostradamus:
Suas profecias ficaram t�o conhecidas que chegam a ofuscar o restante de sua obra. Ele foi m�dico, alquimista e astr�logo. Michel de Notre-Dame nasceu em 14 de Dezembro de 1503 em St. Remy, seu pai era tabeli�o e seus dois av�s m�dicos. Foi seu av�, que tamb�m era cabalista, que ficou respons�vel por sua educa��o, ensinando-lhe desde cedo astrologia. Diplomou-se em Avignon como mestre em Artes, estudando literatura, hist�ria, filosofia, gram�tica e ret�rica. Sua fam�lia era judia e Nostradamus teve que se converter ao catolicismo para fugir da inquisi��o.
Cursou medicina em Montpellier, onde ingressou com dezoito anos, em 1523. Tornou-se amigo de Fran�ois Rabelais. Recebeu o t�tulo de doutor em 1533 e latinizou seu nome para Miguel de Nostradamus. Passou algum tempo viajando pela Europa, onde combateu a peste com m�todos contr�rios aos empregados em seu tempo. Foi convidado por um alquimista, Julius C�sar Scalinger para conhecer suas pesquisas em Tolouse e permaneceu por algum tempo em sua casa. Casou-se com Marie Auberligne, que era uma grande estudiosa e auxiliava Scalinger em seus experimentos. Foi a� que aprofundou seus conhecimentos em Alquimia utilizando a biblioteca escondida, por serem obras proibidas pela Igreja, na casa de Scalinger.
Mudou-se para Ange, pr�ximo a Toulose, atuando como m�dico. A noite, constantemente ia para a biblioteca de seu amigo estudar as obras proibidas. Teve dois filhos e um tr�gico desfecho, sua mulher e filhos contra�ram a peste e faleceram. Nostradamus ficou desolado e recluso na Bretanha, na floresta de Brocel�ndia, conhecida como a resid�ncia do Mago Merlin. Ap�s isso passou um per�odo de intensas viagens.
Em 1546 combateu novamente a peste, desta vez em Provence onde residia o seu irm�o que era prefeito da cidade, obtendo �timos resultados, utilizou t�cnicas e conhecimentos que anteciparam em 300 anos as descobertas de Pasteur. Associando a transmiss�o da peste a microrganismos, desinfetou ruas e casas, queimou os mortos e suas roupas, al�m de desenvolver medicamentos de animais e vegetais. Casou-se com Anne Posard uma vi�va de 27 anos e tiveram seis filhos. Trabalhava durante o dia como m�dico e durante as noites escrevia as suas professias. Ensinou sua mulher e cunhada a fazerem perfumes que ficaram famosos.
Publicou a primeira edi��o das Centurias em 1555 e a previs�o que o tornou famoso, o an�ncio da morte do rei da Fran�a Henrique II em um duelo a cavalo, que se concretizou tr�s anos depois. Conquistou a admira��o da rainha Catarina de M�dicis esposa de Enrique II, obtendo assim sua prote��o, conseguindo escapar da inquisi��o.
Newton:
Isaac Newton (1642-1727). F�sico e matem�tico Ingl�s, um dos maiores g�nios de todos os tempos. Nasceu prematuramente, j� �rf�o de pai, no ano de 1642.
Desde cedo demonstrou ser dono de uma intelig�ncia prodigiosa, tal a facilidade com que resolvia problemas e criava engenhos. Aos doze anos, entrou para a escola p�blica. Entretanto, por decis�o de sua m�e, foi posto a trabalhar como lavrador. Mas, Newton era um obstinado por seus livros e por fim, foi-lhe dado um voto de confian�a, sendo permitida a volta aos estudos, prosseguindo no Trinity College em Cambridge. Formou-se e gra�as a seus estudos vitoriosos sobre a natureza da luz branca (que descobriu ser a combina��o de todas as cores do espectro), foi eleito membro da Real Academia Brit�nica de Ci�ncias. Aos vinte e sete anos foi eleito Professor Titular de Matem�tica da Universidade de Cambridge. Por essa �poca elaborou o c�lculo infinitesimal. Algum tempo depois, Newton formulou sua explica��o para o universo, baseada na atra��o da mat�ria, mas, relutou durante muito tempo em publicar suas id�ias. Finalmente foi convencido pelos amigos a expor ao mundo a beleza e a precis�o de sua teoria, publicando ent�o sua obra Philosophiae Naturalis Principia Mathematica.
Ap�s a publica��o dos Principia - que permaneceu incompreens�vel e rejeitado pelos cientistas de sua gera��o -, Newton entrou para a pol�tica. Foi nomeado, por influ�ncia de amigos da c�rte, Superintendente da Casa da Moeda. O grande c�rebro do f�sico e matem�tico subjugava-se a um simples trabalho burocr�tico, o que lhe valeu um papel de rid�culo na sociedade.
Em uma carta que escreveu em 1676, Newton relata: "Existem outros segredos al�m da transmuta��o dos metais, e os grandes mestres s�o os �nicos a compreend�-los". Newton era um iniciado, que acreditava que a Alquimia deveria permanecer secreta e por isso nunca publicou os resultados de seus experimentos alqu�micos, apesar de possivelmente ter obtido �xito em alguns deles. Por este motivo este lado de Newton � pouco conhecido, por�m toda a sua obra foi gerada a partir destes conhecimentos, ele dava uma interpreta��o materialista ao esoterismo, tanto, que em um de seus livros, seus opositores afirmavam que as for�as de Newton eram for�as ocultas. Na realidade, estas for�as eram muito semelhantes as tradi��es herm�ticas.
Em 1940, Dobbs estudou os in�meros manuscritos alqu�micos escritos por Newton e escreveu um livro intitulado "Os Fundamentos da Alquimia de Newton". Newton buscava na Alquimia encontrar a estrutura do microcosmo. Apesar de seus intensos estudos sobre o assunto, que duraram de 1668-1696, ele n�o conseguiu explicar as for�as que governam os corpos pequenos.
Newton consumiu seus dias numa velhice tranq�ila, distante de pol�micas ou disputas. Queria apenas a tranq�ilidade das horas passadas em seu solar, meditando acerca das obras alqu�micas. Faleceu a 28 de mar�o de 1727.
Roger Bacon:
Foi um dos maiores s�bios da �poca e estudou a Alquimia, realizando inclusive experimentos com transmuta��o de metais. Nasceu em 1214 na Inglaterra. Estudou em Oxford e Montpelier. Foi professor de Filosofia na Universidade de Paris. Em 1250 abandonou a cadeira para tornar-se monge da Ordem de S�o Francisco de Assis. Roger Bacon tencionava uma vida tranq�ila, onde pudesse contemplar o mundo e extrair-lhe a verdade, sem precisar decorar os Dogmas Aristot�licos.
Bacon trabalhou na corre��o do Calend�rio Juliano, aperfei�oou instrumentos de �ptica e aproximou-se bastante dos princ�pios que permitiram a confec��o de �culos e telesc�pios (constru�dos s�culos mais tarde). Fabricou p�lvora mas ocultou a f�rmula pois temia que esta perigosa inven��o ca�sse em m�os de homens inescrupulosos. Com sua mente iluminada, anteviu v�rias inven��es modernas, tais como telesc�pios, microsc�pios, avi�es, entre outras.
Foi no seio da ordem onde procurava recolhimento que caiu em desgra�a. Os Franciscanos n�o toleraram os freq�entes questionamentos do frade e suas experi�ncias e ap�s uma s�rie de advert�ncias, resolveram encarcer�-lo na pris�o. No entanto ele gozava da simpatia do Papa Clemente IV, que ordenou sua soltura. Por�m em 1282, ap�s a morte de Clemente IV, seus escritos foram condenados e ele novamente preso. Bacon permaneceu preso por dez anos, sendo solto, cansado e desgostoso, morreu dois anos depois, em 1294. Entretanto, sua vida no c�rcere foi rica em reflex�es. Escreveu v�rias obras, entre as quais figura como grande trabalho de sua vida o livro Opus Majus, manuscrito de car�ter enciclop�dico que ficou perdido por cerca de 450 anos (foi encontrado e publicado em 1733). Sua obra alqu�mica foi reunida no s�culo XVII com o nome Tesouro Qu�mico de Roger Bacon e era composta dos seguintes livos: Alquimia Maior, O Espelho da Alquimia, Sobre o Le�o Verde, Brevi�rio do dom de Deus, Os Segredos dos Segredos, al�m de outras anota��es.
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