salem

BRUXAS DE SALEM

  PAGINA INICIAL
  CARROS EX�TICOS
  MUSEU BOSTON

  TELEPORTAC�O
  ALQUIMIA
  ALBERT EINSTEIN
  ARCA DA ALIANCA
  AREA 51
  ASTECAS
  ASTROLOGIA
  TORRE DE BABEL
  BIG BANG
  BERMUDAS
  BOMBA ATOMICA
  QUEM FOI BUDA
  BURACO NEGRO
  CHUPA CABRA
  CAMELOT
  CRANIOS DE CRISTAL
  DINOSSAUROS
  EGITO
  ESFINGE
  ESPACO
  EXTRATERRESTRES
  EXORCISTA
  ALMAS GEMEAS
  SANTO GRAAL
  HALLOWEEN
  HAPA NUI
  LEMURIA
  NEIL ARMSTRONG
  MAIAS
  A CIDADE INCA
  MITOLOGIA
  MURALHA DA CHINA
  LAGO NESS
  NIAGARA
  A ARCA DE NOE
  MARAVILHAS
  NOSTRADAMUS
  PLATAO
  ROSWELL
  SANTOS DUMONT
  SOCRATES
  STONEHENGE
  U.S.A
  VIKINGS
  TEMPL�RIOS
  XADRES
  VAMPIROS

H� tr�s s�culos, o vilarejo de Salem, na col�nia americana da Nova Inglaterra, foi tomado de assalto por uma onda de intoler�ncia e de fanatismo religioso, vitimando quase vinte pessoas. Esse infeliz incidente, e a ca�a �s feiticeiras que ent�o se desencadeou, serviu como um alerta para que os princ�pios de liberdade religiosa fossem assegurados na hist�ria dos Estados Unidos.

Salem � visitada por Satan�s:

"� uma certeza que o dem�nio apresenta-se por vezes na forma de pessoas n�o apenas inocentes, mas tamb�m muito virtuosas." Rev. John Richards, s�culo XV.

O inqu�rito de Salem:

Atr�s de sinas das bruxas Mister Parris, o pobre reverendo de Salem, estava exasperado. Betty, a sua �nica filha de apenas nove anos, acometida por uma s�rie de estranhos espasmos, jogou-se petrificada sobre o leito, negando-se a comer. Naquela perdida cidadezinha, ao norte de Boston, n�o existiam muitos recursos al�m de um velho m�dico que por l� se perdera. Chamado para diagnosticar a doen�a, atestou para o aterrado pai que a menina estava era enfeiti�ada e que nada lhes restava a fazer al�m de uma boa e sincera reza. A conclus�o do doutor correu de boca em boca e em pouco tempo os pacatos habitantes do pequeno porto tomaram conhecimento de que Satan�s resolvera coabitar com eles.

Simultaneamente outras garotas, as amiguinhas de Betty, come�aram a apresentar sintomas semelhantes aos da filha do cl�rigo. Rolavam pelo ch�o, imprecavam, salivavam, grunhiam e latiam. Foi um pandem�nio. Pressionado a tomar medidas, Parris resolveu chamar um exorcista, um ca�ador de feiticeiras, que prontamente come�ou sua investiga��o.

No s�culo XVII, poucos punham em d�vida a exist�ncia de bruxas ou de feiticeiras porque uma das m�ximas daqueles tempos � de que "� uma pol�tica do Diabo persuadir-nos que n�o h� nenhum Diabo".

A inquisi��o:

Cotton Mather, bruxas em toda a parte Inquiridas por Cotton Mather, que iria se revelar uma esp�cie de Torquermada americano, as garotas contaram que o que havia desencadeado aquela desordem toda fora uns rituais de vodu que elas viram Tituba fazer. Essa era uma escrava negra que viera das �ndias Ocidentais, e que iniciara algumas delas no conhecimento da magia negra. Durante o �ltimo longo inverno da Nova Inglaterra, ela apresentara v�rias vezes os feiti�os para uma plat�ia de garotas impression�veis. Educadas no estreito moralismo calvinista e no �dio ao sexo que o puritanismo devota, aquele cerimonial animista deve ter despertado as fantasias er�ticas nelas. Provavelmente culpadas por terem cedido � libido ou apavoradas por sonhos er�ticos, as garotas entraram em choque hist�rico. Seja como for o caso, merecia ser ouvido num tribunal. Toda a Salem se fez ent�o presente no sal�o comunit�rio.

O tribunal:

Quando colocadas num tribunal especial, presidido pelo juiz S. Sewall, e inquiridas pelos ju�zes Corwin e Hathorne, as meninas come�aram a apontar indistintamente para v�rias pessoas que estavam na sala apenas como curiosas. O depoimento mais sensacional foi o da escrava Tituba, que n�o s� confessou suas estranhas pr�ticas como afirmou que v�rias outras pessoas da comunidade tamb�m o faziam.

A partir daquele momento, a cidadezinha que j� estava sob forte tens�o se transformou. Um comportamento obsessivo Roger Conant, fundador de Salem tomou conta dos moradores.

Uma onda de acusa��es devastou o lugarejo. Vizinhos se denunciavam, maridos suspeitavam das suas mulheres e vice-versa, amigos de longa data viravam inimigos. Praticamente ningu�m escapou de passar por suspeito, de ser um poss�vel agente do dem�nio. N�o demorou para que mais de 300 pessoas fossem acusadas de pr�ticas infames. O tribunal que entrou em fun��o em junho de 1692 somente parou em outubro. Resultou que dezenove pessoas foram enforcadas.

A luta contra a bruxaria:

Apesar de existirem disposi��es papais que datam do s�culo XV, como a Summis desiderantes affectibus, de Inoc�ncio VIII, e o volumoso tratado dos dominicanos (o Malleus Maleficarum, de 1486), que orientavam na luta contra a bruxaria, o mundo anglo-sax�o aderiu a ela muito mais tarde.

Na Inglaterra, os procedimentos jur�dicos antifeiti�aria somente foram fixados em 1664, com os Suffolk Assizes, de sir Mathew Hale, mas nunca chegaram �s tr�gicas dimens�es que a ca�a �s bruxas dos pa�ses cat�licos. A explica��o para isso deve-se a que n�o existia entre os protestantes uma institui��o t�o poderosa como a Igreja Cat�lica, que via na heresia a marca da subvers�o. Tamb�m n�o parece acertado o argumento de Rossell Hope Robbins, autor da Encyclopedia of witchcraft and demonology, (Enciclop�dia de feiti�aria e demonologia), de 1959, de que a ca�a �s bruxas, "nunca foi do povo", mas sim um h�bil instrumento de padres e advogados para enriquecer por meio do seq�estro dos bens dos denunciados.

O povo e a bruxaria:

� certo que feiti�os e envolvimentos com bruxas se perdem nos tempos imemoriais da humanidade, mas somente no s�culo XV � que passou a ser considerado her�tico. N�o parece ser poss�vel acreditar que tal sentimento n�o correspondesse aos anseios mais profundos do povo, �s fobias tenebrosas do homem comum. Keith Thomas, no seu monumental Religi�o e o decl�nio da magia, refuta existirem interesses econ�micos nas persegui��es, eis que a maioria das v�timas das ca�adas era extremamente pobre, o que George Tindall confirma no seu cap�tulo sobre os acontecimentos de Salem.

Reuni�o de feiticeiras � inquestion�vel que o povo acreditava sinceramente no maleficium, isto �, no dano causado pelas bruxas. Por um ou outro motivo, ele acumpliciava-se com as autoridades nas medidas tomadas para persegui-las e julg�-las. Na sociedade pr�-iluminista, a exist�ncia do dem�nio era coletivamente aceita porque servia como uma explica��o conveniente para acontecimentos estranhos, para as agress�es injustificadas ao que lhes parecia inusitado, ao inesperado. Por outro lado, socorrer-se de feiticeiras e de bruxas sempre foi uma maneira de tentar influenciar pessoas ou coisas sobre as quais se tinha escasso poder.

A tenta��o do anonimato:

� uma tenta��o irresist�vel poder fazer o mal a algu�m sem correr riscos de ser descoberto. Arma do impotente, do covarde ou do fraco, o feiti�o era uma maneira astuta de causar preju�zos a algu�m odiado. A v�tima, por sua vez, n�o tinha a m�nima prova do que ou quem a mandou atingir. O malef�cio lan�ado contra algu�m atuava igualmente como um poderoso instrumento de compensa��o ps�quica largamente recorrido pelos desgra�ados da vida. � uma forma, ainda que bem primitiva, de se alcan�ar a justi�a. Os atos m�gicos ou as se��es endemoniadas, por sua vez, agem como anestesia aos padecimentos sofridos.

De alguma forma, a possibilidade de ser atingido por um feiti�o qualquer atua como um fator dissuasivo entre os poderosos. Um mand�o, um prepotente, um d�spota, poderia temer ser atingido por um "mau olhado" ou cair vitimado por po��o encantada qualquer. Afinal eram as �nicas coisas que os poderiam atemorizar, j� que a justi�a comum e mesmo Deus pareciam sempre estar do seu lado.

� sintom�tico esse medo das elites aos poss�veis efeitos da bruxaria. O fato de que no influente Grande Catecismo do jesu�ta Pedro Can�sio, editado no s�culo XVI, o nome de Sat� aparecer 67 vezes, bem superior �s dedicadas a Jesus. Mas deve-se a essas mesmas elites por�m um freio �s persegui��es. Montaigne nos ensaios, de 1580, j� ridicularizava esse tipo de coisa e na Inglaterra observou-se um n�mero crescente de ju�zes que come�aram a desconsiderar as sucessivas den�ncias de bruxarias que chegavam �s cortes, apesar de a legisla��o contra aquelas pr�ticas s� ter sido revogada em 1736. A perda do medo �s bruxas tamb�m pode ser creditada � crescente expans�o das luzes, aos avan�os da raz�o, da educa��o e da l�gica cient�fica que culminaram na m�xima "se n�o h� diabo, n�o h� Deus."

O fim da ca�ada:

Deteve-se a matan�a em Salem quando as den�ncias envolveram figuras eminentes da col�nia, tal como a esposa do governador de Massachusetts e o pastor Samuel Willard, presidente do Harvard College.

Enquanto a arraia-mi�da foi enclausurada, acusada de pr�ticas escusas, poucos se indignaram. O basta naquilo tudo foi dado quando os dedos dos fan�ticos ousaram apontar para a elite local.

Ainda em oito de outubro de 1692, circulou uma carta redigida por um intelectual da regi�o, Thomas Brattle, que se horrorizara com os enforcamentos, revelando a loucura coletiva que tomara conta dos alde�os. Segundo Perry Miller, que estudou as id�ias que circulavam pelas col�nias americanas daquele s�culo, a letter de Brattle teria sido o primeiro documento iluminista produzido na Am�rica do Norte, pois criticou veementemente os preju�zos do fanatismo religioso.

Entre outras coisas, Battle escreveu: "temo que os anos n�o apagar�o essa desgra�a, esta n�doa que essas coisas lan�aram sobre nossa terra." E os processos dos endemoniados de Salem assim como come�aram, num repente terminaram.

O macartismo:

As persegui��es �s bruxas de Salem serviram, dois s�culos e meio depois, como tema para que o teatr�logo Arthur Miller - sofrendo as intimida��es feitas pelo Comit� de Atividades Anti-Americanas do senador MacCarthy -, escrevesse a pe�a The Crucible (traduzida por n�s como As bruxas de Salem). Encenada no in�cio dos anos de 1950, eram evidentes as analogias que Miller fez entre os padecimentos da esquerda americana na �poca da Guerra Fria, com os tormentos sofridos pelos injustamente acusados em Salem.

Hosted by www.Geocities.ws

1
1