Vikings

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As pessoas que viviam na Escandin�via por volta do ano 800 da nossa era at� cerca de 1100 s�o conhecidas como vikings. A antiga palavra escandinava v�kingr significava pirata e muitas pessoas pensam nos vikings apenas como invasores selvagens. Os vikings, por�m, tamb�m eram not�veis exploradores, conquistadores, fazendeiros, comerciantes e art�fices. Desenvolveram leis justas e um sistema de democracia.

O mundo Viking

Embora a mesma l�ngua (o escandinavo arcaico) fosse falada em toda a Escandin�via; os vikings nunca foram uma na��o. No in�cio da era viking a lealdade fundamental era para com o cl� (um grupo de fam�lias aparentadas) e havia muitas regi�es diferentes, cada uma com seu regente pr�prio. Gradualmente, durante os tempos vikings, os tr�s reinos que formam a moderna Escandin�via - Noruega, Su�cia e Dinamarca - foram formados.

Por contraste, no ano 800 da nossa era o resto da Europa foi dominado por tr�s poderosos imp�rios. 0 Sagrado Imp�rio Romano inclu�a a Fran�a, a It�lia e a Alemanha e era regido pelo Imperador Carlos Magno. No leste, a cidade de Biz�ncio (atual Istambul) era o centro do rico Imp�rio Bizantino. A sul e leste do Mar Mediterr�neo estendia-se o Imp�rio Mu�ulmano �rabe. Os vikings n�o tinham nenhum governo central ou pol�cia coordenada, ainda que por trezentos anos tenham sido capazes de aterrorizar esses tr�s grandes imp�rios.

Religiao e sagrificios

Os deuses vikings eram violentos e impiedosos. Odin, o deus da guerra, regia a Valhalla, a Sala dos Eleitos. Cavalgava pelos c�us em um cavalo de oito patas, acompanhado por lobos. Os guerreiros que morriam em batalha eram levados para a Valhalla pelas Valqu�rias (donzelas guerreiras). Nesse c�u viking eles lutavam o dia todo e festejavam a noite toda. Odin era tamb�m o deus da sabedoria e o pai da escrita e da poesia. N�o se podia confiar realmente em Odin.

Thor, o deus do trov�o, era o mais popular dos deuses. As pessoas comuns usavam talism�s da sorte feitos na forma do martelo que ele carregava. Thor defendia a lei e a justi�a, raz�o pela qual a Assembl�ia Islandesa abria sempre numa quinta-feira. (N.T. Em ingl�s, Thursday = Thors day = dia de Thor.)

Freir, o deus da colheita, e sua irm� Freyja, a deusa do amor, garantiam boas colheitas e fam�lias grandes. 0 pai deles, Njord, era o deus da riqueza, da pesca e da navega��o. Tanto Odin como Freir exigiam sacrif�cios � em raras ocasi�es, sacrif�cio humano. Inimigos capturados eram amarrados com os membros esticados. Fazia-se um corte ao longo da espinha, as costelas eram abertas dos lados e os pulm�es puxados para fora, como as asas de uma �guia. Um escritor alem�o do s�culo XI, Ad�o de Bremen, foi informado por um crist�o de um festival em Uppsala, na Su�cia, que acontecia de nove em nove anos e durava nove dias.

Se seu informante estava falando a verdade, nove machos de diversos tipos de criatura, inclusive o homem, eram abatidos e dependurados numa �rvore sagrada pelos gothis (sacerdotes). Eles mergulhavam varas de b�tula no sangue e borrifavam os adoradores. Os vikings acreditavam que Freir ficava mais satisfeito com o sacrif�cio de cavalos; por isso os crist�os da �poca eram proibidos de comer carne de cavalo.

0 maior sacrif�cio era oferecer um filho. Quando a guerra contra os vikings vizinhos estava indo mal, Hakon, regente da Noruega (965-95), prometeu sacrificar seu filhinho, Erling. Os neg�cios melhoraram imediatamente e Hakon deu o menino a seu criado para ser morto.

No inicio

Apesar de seus rituais religiosos, os vikings n�o eram b�rbaros incivilizados. No s�culo VIII seus ancestrais escandinavos j� tinham uma forma de democracia e extensas liga��es comerciais. Na ilha de Helg�, perto de Estocolmo, os arque�logos encontraram at� um Buda de bronze, proveniente da �ndia. Tesouros de moedas e j�ias foram descobertos, o que mostra que os suecos, particularmente, eram muito ricos. Mostram tamb�m que o s�culo antes de 800 da nossa era foi um tempo de guerra na Escandin�via - o tesouro era enterrado pelos donos, que n�o sobreviviam para recuper�-lo. Durante esse per�odo os vikings desenvolveram seu esp�rito de luta e t�ticas piratas, tornando-se h�beis navegadores. Viagens e invas�es tornaram-se parte do modo de vida escandinavo.

Ningu�m sabia realmente o que inspirava os vikings a atacar o resto da Europa, mas em 808 da nossa era Godofredo, Rei da Dinamarca, sentiu-se poderoso o bastante para declarar guerra ao Sagrado Imp�rio Romano. Embora fosse incapaz de derrotar Carlos Magno, destruiu a cidade comercial de Reric e persuadiu seus comerciantes a se mudarem para uma nova cidade que ele tinha constru�do na Dinamarca. Seu nome era Hedeby. Godofredo n�o era um assassino sem compaix�o. Ele estava usando o poder naval e militar viking para desenvolver o mercado e aumentar a riqueza de seu pa�s. Seguiram-se tr�s s�culos de invas�es, com�rcio e conquista viking.

Atividades de inverno

Nos tempos vikings, o clima na Escandin�via era mais quente do que � hoje. Os invernos por�m eram rigorosos, portanto o fazendeiro e sua fam�lia deixavam a choupana e voltavam para o baer. Eles faziam o sacrif�cio de inverno (14 de outubro) para pedir aos deuses um clima ameno. Em 12 de janeiro faziam o sacrif�cio de Yule. Durava tr�s dias, durante os quais os gothis sacrificavam o "porco do perd�o" e pediam a Freir, deus da fertilidade, prosperidade e paz.

Para os homens vikings o inverno era uma �poca de grande lazer. Eles consertavam suas ferramentas e armas. De acordo com um poeta viking, os filhos dos jarIs e dos homens livres aprendiam a "atirar flechas, cavalgar, ca�ar com c�es, brandir espadas e fazer feitos na nata��o", habilidades de que iriam precisar quando fossem para a guerra. 0 passatempo dos adultos inclu�a luta romana, um jogo de bola chamado knattleikr e truques com facas. Os homens desafiavam uns aos outros para escalar uma rocha �ngreme ou pular de um rochedo. Desse modo mantinham-se em forma, prontos para a batalha.

A viol�ncia era parte de tudo o que os vikings faziam. Eles gostavam de assistir a lutas de garanh�es at� um matar o outro. Nas competi��es de nata��o os competidores tentavam afogar seus oponentes. Lutas romanas e knattle�kr muitas vezes terminavam em morte. Mesmo o hnefatafl, um jogo de tabuleiro, podia acabar em discuss�o e em socos que faziam o sangue jorrar.

Batalha para pilhar

Um monge franc�s escreveu que depois de 800 da nossa era, invasores noruegueses e dinamarqueses "Ievavam a todos os lugares a f�ria do fogo e da espada, entregavam as pessoas � morte e � escravid�o, devastavam todos os mosteiros e deixavam todos cheios de terror".

De fato, muitas vezes os vikings eram derrotados mas todo ano eles voltavam. Gradualmente eles come�aram a se estabelecer nas ilhas de Shetland e Orkney, ao norte da Esc�cia, fazendo os habitantes de escravos. Constru�ram fortes na Isl�ndia e os usavam como bases, de onde atacavam os mosteiros irlandeses. Em 844 os vikings se estabeleceram nas ilhas ocidentais da Fran�a. Em 855 invasores vikings permaneceram na Inglaterra al�m do inverno pela primeira vez.

Os ataques se tornaram uma invas�o. Em 865 in�meros nobres vikings se juntaram para formar uma grande hoste (ex�rcito) que durante os 30 anos seguintes aterrorizou a Europa ocidental. 0 norte o leste da Inglaterra foram conquistados e tomaram-se subordinados � lei dinamarquesa. Em 6 de janeiro de 878 os dinamarqueses surpreenderam o rei ingl�s, Alfred, e devastaram Wessex, no sul da Inglaterra. Alfred e um pequeno grupo de guerrilha esconderam-se nos p�ntanos. Depois de uma s�rie de batalhas, for�aram a hoste a se render. 0 l�der dinamarqu�s e seus homens foram batizados como crist�os e estabeleceram-se no leste ingl�s.

TEXTO: VIKINGS de JOHN D. CLARE. MIR ASSESSORIA EDITORIAL LTDA. 1993

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