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ANTIFONA DA SEMANA SANTA  ANTIFONA DO LEVITICO

QUATRO ESTAÇÕES
Primavera - Verão - Outono - Inverno

EPIGRAMAS ALQUÍMICOS ANÕNIMOS

FILOSOFIA DA ARTE      PALAVRA & MÚSICA

Lâminas do Rosarium Philosophorum   

Alegorias de abril   Deus é a centelha do raio

1.   PRIMAVERA

         Na Natureza o abismo do ser

Reflete as estrelas. Sua luz

anima a Geração. O movimento

possui a invisível consistência

da matéria no solo concentrada

onde o pensamento desenvolve-se

anterior ao tempo, o qual transforma

a realidade e a imaginação

em instrumentos férteis da linguagem

dividida entre astros e estações.

 

         Na planetária rotação o corpo  

celeste em círculos faz desenhar

a translação que cumpre a geometria

elementar do ser na metafísica

desdobrada em figuras retilíneas

enumeráveis como o triângulo

 

no Delta a dar passagem à unidade

do múltiplo que o espaço ao distribuir

recolhe nessa prática do Número

a delinear na luz a Forma, na Matéria o Espírito.

 

         A dualidade cósmica convoca

o eterno deus do Amor 

entre os seres qual manifestação

mineral iluminada, afeita

à Aparência, que tem em suas linhas

a divisão de cada estação, o clima

diverso, dentre os quais a idade

perene da existência, a Primavera,

sobre a qual a memória se volta.

 

         A implicação causal de espaço e tempo  

reúne em suas dobras invisíveis

o espelho sobre o qual o ser se mostra

e se vê desenvolvendo na linguagem

os sinais que recolhe à imagem

a emoldurar o imaginário

reduzido a realidade, paralela,

a nutrir o que se move

em direção ao real, que o ilumina,

sacralizando a contradição

do ser e o não-ser, Essência e Aparência,

a despontar no espelho em sintonia

com a palavra a conduzir na ação

o movimento concentrado

que a linguagem aprisiona e de sua grade

pula da negação a Forma qual estigma

que a mão não captura e o físico

não ignora.

 

                            II

 

         De dentro para fora, do interior

do mineral cordão do veio obscuro 

do sentimento e do entendimento,

a centelha de luz torna-se imagem

viva do pensamento em rotação

a debuxar em signos a unidade

do múltiplo que em fala se transforma

tal a linguagem animal, o chilro

dos pássaros, o silvo das serpentes:

 

O mugido da vaca é a fala

ornada pelo úbere formoso

do leite vespertino.

                                   A imagem 

do pensamento é lastro luminoso

transformado em palavra que o indivíduo

reduz a harmonia.

 

                            III

 

         O que subsiste na memória o tempo  

reordena projetando após o rito

do pensamento construtor do túnel

que em espiral o ignaro habitante

do planeta protege na caverna

cujo legado são fulgurações

da presa aos saltos que a consciência

retém em sua certeza formal

de dominar o movimento, a ação

da lebre contornada pelos vidros

do ar, em fuga. O que subsiste o tempo

transforma em substrato de um legado

em ruínas que a linguagem reinventa

tal a ação que dispara o movimento

da alma concentrada nas essências

de toda Aparência. O movimento

da alma é entusiasmo renovado

em cada ciclo ou estação, em cada

passo em direção à liberdade

do Espírito afeito ao rigor

da plenitude que o signo aprisiona

e rebelde reescreve a própria lenda

extraída dos fatos no diálogo

que funda com o símbolo na esfera

intemporal da representação

a reeditar após a fala atormentada

de Príamo na boca de Hécuba

as ruínas fumegantes de Tróia.

Menelau com a espada cravejada

Reivindica a posse de Helena.

 

                        IV

 

         Só a morte desfaz o que a roda

do tempo imprime com a sucessão

e o real, iluminado, ali espelha

 

qual fenômeno, a incorporar

o brilho fugidio da ave no ar

a desenhar no espaço que percorre

o arco que o morcego em seu negror

oculta como a alma a atravessar

as altas cumeeiras que protegem

entre paredes os seus habitantes.

 

                         V

 

         O instantâneo voltar-se da imagem 

pra o ser funda a realidade

intercalada à oposição em curso

espaço-temporal que se projeta

na Forma a reter e espelhar

o tempo no reduto da linguagem,

em seu múltiplo módulo, diverso

da permanente gestação a opor

na divisão a ação, o movimento,

em torno de um núcleo original

em  combustão. No espaço as estrelas

são corpos circulares em cadeia

dos planetas em torno de um astro

a operar transformações.

 

         A vida em tudo a um deus

assemelha-se e tem no indivíduo

a manifestação da dualidade

concentrada na face do Outro

de um eu oculto no abissal mistério

da diferença, o qual sendo matéria

de luz é mineral como o carvão, o ferro.

o diamante entre o escaravelho

e a  aranha.

 

         As verdes esmeraldas guardam 

em brilho permanente o obscuro sonho

das jazidas perdidas na floresta

de vento entre as frinchas

escarpadas das lavras que os insetos

percorrem descuidados e as lagartas

transitam na madeira, o mandorová,

as abelhas, as breves borboletas

a desenhar no ar os laços

 

de uma antiga primavera

que a juventude perpetua ao fogo

do Amor, longe da netra divindade

cegadora. Os abraços amorosos

são consagradas dádivas do Altíssimo

do qual o tempo desconhece o nardo

pois a beleza tem do Amor o brilho

que cega ao passar o carro da aurora

sob a roda de Cronos.

 

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