ANTIFONA DA SEMANA SANTA
ANTIFONA
DO LEVITICO
QUATRO
ESTAÇÕES:
Primavera - Verão - Outono
- Inverno
FILOSOFIA DA ARTE PALAVRA & MÚSICA
Lâminas do Rosarium Philosophorum
Alegorias
de abril
FILOSOFIA
DA ARTE – Livro oitavo
Fuga e Conquista
Como projeção do real o duplo é espelho da
Semelhança. Agente de reações que se delineiam na linguagem na categoria emblemática de Ícone, o duplo
corresponde a essência e Aparência. Como espelho, compartilhando o espaço do
imaginário, oscila entre a
fantasia e a razão, o visível e o invisível.
O duplo corresponde ao mito, tendo a lógica do
simbólico como fundamento. Representa
um arquétipo no universo da imaginação a interpor-se ao verdadeiro,
refletindo a ambígua relação de Semelhança tornada real nos atos.
A captura do duplo implica leitura do simbólico
a emergir das fímbrias da subjetividade como o verdadeiro. Amortalhado no
sonho, a vagar como sonâmbulo, títere de uma força poderosa, o Eu não se
move, é a sombra a acompanhar o duplo que se estende ao Semelhante. Tal um
duplo, a sombra como negação é o êmulo da representação do ser.
O duplo ajusta-se ao universo da representação
configurando o imaginário, de modo a construir uma realidade paralela. A ação
se volta para o duplo fundando o imaginário. Tempo e espaço se contrapõem em
relação ao Semelhante.
O duplo é simétrico ao real. Complemento
oracular da Noite, é herdeiro do caos a refletir como diferença
a Identidade.
Agenciando o mito, ao qual o Eu se volta como a
um imã no delírio da imaginação, o duplo é o corpo invisível
a adensar a linguagem, conferindo-lhe a dimensão supra-real de uma
alegoria.
A urdidura do imaginário se desfaz à medida
que o Eu adere à lógica da razão, voltado para as formas universais,
concretas, que o acolhem e nelas se refugia, despojando-se do lastro invisível
do fogo agregado ao duplo. o qual corresponde à sincronia poética da linguagem
que as matemáticas ordenam, transformando em leitura o mistério dessas
essencialidades.
A avaliação do duplo é uma fonte de saber e
do Conhecimento. O duplo agita-se recluso qual potência afastada a envolver
procedimentos que têm como estigma a dualidade do espelho preso às malhas da
Semelhança. Por outro lado, os
atos como projeções do pensamento, incorporam-se à representação,
possibilitando o afloramento do duplo que se manifesta na Semelhança compondo o
imaginário. Seus estratos correspondem a uma arquitetura que o pensamento
acompanha até esgotar-se como Identidade.
O acordo com o real é o reconhecimento do
verdadeiro. Se com o real
esgota-se o estigma da negação, a pulsão do espírito criador busca na lógica
do simbólico a essência do conflito projetado
na linguagem como experiência e invenção.
Fatores antagônicos da representação constituem o eixo do imaginário. O foco redutor do conflito coloca-se na linguagem, permanecendo o duplo dividido entre a razão e a imaginação. O referencial da linguagem, vivificado, se projeta como fenômeno na fonte racional da representação. A distribuição fantasmática culmina por esvaziar-se. A linguagem esvazia a carga opressora do imaginário. As deformações transparecem em palavras que ardem, crepitam, como a ferir os sentidos onde os sinais se confundem, perdendo-se o Eu no interior da própria máscara e seus espelhos.
Como componente da Identidade a diferença é o escalão derradeiro da negação e objeto da razão. Sua configuração mítica possui a distinção que a caracteriza em relação à Identidade, guardando em sua trama remanescentes arcaicos de uma Ordem votada ao real como salvaguardar à qual o sujeito se volta como celebração do sacrifício.
O duplo desdobra-se no imaginário viabilizando
o conflito da representação a uma prática a priori do saber. O Ser é a
diferença. Ao expor-se como um duplo o pensar
insinua-se carregado de
sentido, de maneira a sobrepor-se ao plano racional. Atravessando a simetria do
real, transgredindo a lógica configuradora do simbólico, a diferença cumpre
em sua verticalidade uma metafísica irretocável.
O duplo compõe o encadeamento do simbólico no
corpo da representação e ao real se volta como igualdade. Ao processar-se ao nível
da dualidade desdobra-se nos atos como identidade. Um é espelho do outro, a
partir de cuja distinção a graduação da imagem, deformada, subleva a diferença,
sobrepondo-se o imaginário à Identidade.
Com o duplo consuma-se o estigma da negação. O
duplo é o arcabouço mítico de uma arquitetura que culmina nos atos como
fundamento cultural da identidade. Deste modo o sujeito oscila entre o real e o
simbólico, paralelo ao continuum da representação.
Conciliar diferença e Semelhança é uma recriação
dramática que se projeta de maneira a nivelar os opostos à harmonia do
verdadeiro. Em tal recriação as coisas se condensam sob o crivo do simbólico
cuja ambivalência se mantém dialeticamente predispondo à fuga, ao afastamento
delirante do real, em cujo foco quer mergulhar como a fundir o relâmpago à
realidade. O pensamento percorre o abismo de luz e se detém, vê e compreende
que o real não confunde, pois na fuga ao encontro de si o real se estende,
paralelo ao pensamento, o qual como imagem lhe pertence e espraia-se na
realidade, simétrico ao raio.
O deslocamento na fuga
abre um espaço onde a luz se oferece à visão criadora do imaginário.
O ouro estendido no chão é a luminosidade do Fogo que se lança à frente na
conquista de um marco onde repousa a Pedra filosofal, o ovo, que a realidade
condensa. A fixação em tal domínio acelera a avaliação do real e a negação
implícita, sobre a qual estende-se a teia do prisioneiro artesão do fogo e
fabricante do próprio emblema e broquel. A linha mestra dessa teia norteia o trânsfuga
por corredores obscuros onde reencontra o fio invisível da luz que o conduz à
razão.
O artesão recolhe-se à
essência da negação e ali recomeça o imaginário, tal um marco a
perpetrar a realidade. Ali reside como um deus o cego, e vê, assiste à Noite
abissal, que o agasalha. Ao dispersar-se coloca à mostra o fulgor da visão a
iluminar a linguagem que lhe pertence e como um deus na fuga se volta como a um
refúgio noturno. Com a negação realiza-se a fundação do que fica, conclui Hölderlin:
WAS BLEIBET ABER, STIFFTEN DIE DICHTER.
Rumo à clareira rompe o bloqueio da negação
desdobrado na fuga. O real delineia-se ao atingir sua plenitude
mesclado a um círculo que se ilumina com o entendimento. Em seu limite o
real predispõe a visão ao reconhecimento do Aberto, o qual aoconvergir para a
realidade organiza-se através do registro meticuloso da linguagem.
Cronos é o deus fundador
e espelho ordenador da representação. A linguagem domina uma característica
pânica ao recriar o real, delineando seu limite na fuga e conquista.
O Fogo produz a realidade, assim como produz as coisas da razão, à qual a mente se recolhe, encontrando na simetria do raio o sentido da representação. Paradoxalmente a fuga é um retorno ao real. A visão produz a fulguração da imagem a emoldurar na fuga a realidade. Os elementos primordiais da negação transparecem compondo o conflito da representação. A fuga é um esvaziamento do duplo a impor-se como um espelho.
O real caracteriza a superação do conflito,
tendo como fundamento a razão. O
apaziguamento está em conciliar a visão voltada para o real, que o pensamento
nega e, paradoxalmente, produz afirmação.
O ser recria o nó da negação colocando como
espelho a Semelhança, de cuja distância quer libertar-se, tal uma Legião a
atravessar um labirinto de espelhos, objeto de elucidação das maquinações
do duplo no drama da
linguagem.
A fuga é o périplo do imaginário que, em função da linguagem, transforma o conflito em praxe do saber . Pensar o real é emergir do âmbito da negação onde o duplo se concentra. Da negatividade o sujeito recolhe a configuração especular da Semelhança elucidando o duplo na imaginação. O real é um referencial da Semelhança, desencadeia significados atrelados ao duplo, estreitando assim a rede de relações configuradoras do conflito da representação. Quer dizer, o aspecto obscuro da Semelhança espelha o conflito que o sujeito assume como Identidade. Neste sentido o imaginário atrela-se à linguagem, sobre a qual pesa o domínio sobre os atos que, em suma, correspondem a um Código. O domínio da razão implica clarificação do conflito e liberação da carga opressora das causas.
Ao tecer a rede do imaginário a linguagem
aprofunda nuanças fundamentadas na
distância a separar a dualidade que corresponde ao inapreensível na fuga. A
distância evidencia-se como um incêndio. A linguagem reflete tal universo,
tendo como signo sinais que se cruzam a encadear o conflito na ampla metáfora
do imaginário. Sensação e entendimento são dados correlatos. O imaginário
amplia-se a arder como uma parábola.
A defrontação sem tocar-se ou furar o bloqueio
da Semelhança, à margem do real, cujo desvelamento implica leitura de si
mesmo, constitui inesgotável paradoxo da negação. A projeção de si mesmo é
a Semelhança à procura de si na dualidade. Esta é uma posição crítica cuja
persperctiva se ajusta a uma relação fantasmática.
A negação se cumpre como necessidade de Conhecimento. O trauma delineia-se no simbólico e se recolhe à lógica da razão onde a contradição dos opostos se desata. O retorno ao real esvazia as maquinações do duplo cujos laços se estreitam ou se desfazem à medida que convergem para a Semelhança onde um se volta para o outro. Tal configuração formal constitui o eixo da linguagem e arquitetura do simbólico a religar o ser ao real.
Nos atos está o foco da afirmação do ser . A Forma é simétrica ao real. A negação é degrau de um drama que alcança nos atos sua plenitude. O pensamento urde a realidade. Como síntese de uma relação que se desdobra da negação nos atos o imaginário transmuda-se em realidade. Realidade e sonho são produtos do pensamento depositados nos atos.
Eco da memória, a linguagem
codifica os atos, recriando a Forma como
imitação da realidade. Emoldurando a representação o imaginário recria o
duplo tal uma urdidura cuja trama tem como mediação os sinais que a linguagem
comemora. O que transparece no espelho anima o pensamento a fundir o imaginário à linguagem onde
se condensa a Identidade. Condensar a Identidade implica a dialética do
pensamento transmudado em linguagem empírica. O paradoxo da negação está no
desdobramento da linguagem a refletir a Identidade, a qual representa a
dualidade a oscilar entre o pensamento e os atos.
No real a cripta do imaginário incorpora-se ao espetáculo somado aos gestos e à Fala. É um paradoxo conferir ao real dimensão mítica do pensamento que só produz realidade.
. A fuga conduz à origem da
negação que o raio recolhe e do qual o ser emerge como imitação. Tal um imã,
o raio funde o ser ao real, de maneira a retornar ao modelo que nega. A negação
é a substância da representação do ser.
A negação reúne o cordão
do pensamento condicionado ao duplo. No espelho o duplo prefigura o simbólico
condensado em sinais que refletem uma trama contendo o arcabouço mítico da
linguagem, implicando tal projeção a diferença, a qual adquire Identidade.
Que é o verdadeiro? Na fuga o
real é uma conquista. Na
negação o real é o duplo. A fuga é objeto da negação e fundação do
imaginário. O real retém o duplo ao dar corpo à realidade.
Heidegger diz n´A Sentença de Anaximandro: “O ser se retém com sua verdade. Este reter-se é o primeiro modo de seu desvelamento.” O real é o Acordo a transparecer na linguagem como desvelamento do ser. O ordenamento em cujo espelho o ser se reflete constitui a linguagem, a qual implica uma ética no sentido de Morada a espelhar o real, do qual o ser extrai a imagem, formalizando o Acordo, pois como imagem espelha o real, desatando-se de sua configuração o simbólico, o qual se perderia na mutabilidade da ação se não cuidasse de incorporar-se ao real como substância pensante.
O paradoxo da negação
constitui o Código da linguagem, em cujo âmbito o pensamento habita. O
pensamento produz com a negação o tempo. (Zeit
ist Geist).
O Acordo é o fundamento da
representação do ser. Corresponde a uma coincidentia oppositorum. Ao
recolher-se ao real o Acordo transparece como emulação da Justiça fundadora
do Diálogo. A afirmação contrapõe-se à negação no sentido de Igualdade e
Identidade.
O tempo é o ser no limite da negação. A lógica
do tempo está na viagem de Odisseus que, ao retornar a Ítaca, continua a esforçar-se
no afrontamento mítico que se impõe de maneira a estender a negação à dialética
da ação, constituindo tal disposição característica transformadora da
vontade em Lei, de modo a voltar-se o herói para si próprio e refletir o
saber. Em tal exercício desenvolve-se a arquitetura do saber-poder. A ação
tem a permeá-la o saber. A Justiça configura a ação na medida em que o herói
se dispõe a renovar o Acordo na simetria dos atos. O herói da teologia homérica,
o prudente, o engenhoso, o sensato Odisseus, corresponde a esse poder-saber, que
a Palavra (mito) representa. Hesíodo na Teogonia dá o epíteto de metieta (mêtis:
manha, sabedoria prática) a Zeus, expressão suprema do poder-saber. Homero
radicaliza o ser, colocando Zeus no seu antropocentrismo politeísta. O mito
possui o poder de desvelamento da Justiça, pois o Acordo é o Não-esquecimento.
Justiça corresponde à dialética dos atos, de maneira a exorcizar a liberdade. Tal questão se coloca na contravertida linhagem do ser e o não-ser a apontar o Não-esquecimento. O ser tem na Lei seu fundamento. A questão do ser está no universo da língua onde a Essência transparece como um duplo da linguagem.
O recolher-se como destino é o que se presenta, para tornar-se “o que é com”, na expressão lacrimosa de Heráclito, citada por Heidegger. A sensibilidade é antena a produzir o discurso que se ilumina, refletindo a forma, os contornos do real, marco inicial de uma relação mediatizadora do ser, que se renova na queda e subseqüente resgate do espírito criador desdobrado na linguagem, onde o conflito da semelhança se transmuda em Identidade. Tal é a diferença no plano concreto da razão: aberta ao saber cuja prática confere dimensão sobrenatural à Identidade.
A fuga constitui rebelião e queda do espírito em Combate. Ao instaurar-se a fuga, o mito vence o imaginário, reconstruindo as ruínas acumuladas na visão ordenadora da dualidade.
O espírito criador concentra-se na Semelhança que caracteriza o fundamento da diferença no espelho. O que nega cria, configurando tal paradoxo a projeção do duplo como espelho do “Outro”.
Na negação do real concentra-se o Outro, cuja relação de similitude é o fundamento do ser. É inesgotável a alternância de Essência e Aparência, Causalidade e Número. Empédocles atribuí o um a muitos. A síntese da diferença é a Semelhança. O desacordo é Acordo. Com a diferença instala-se a Semelhança sob a guarda dos sentidos, com os quais se renovam Verdade e Beleza.
A universalidade em si concreta do ser mantém em sua cripta a fulguração da imagem aberta ao real na Forma. A captura do duplo ocorre na Semelhança onde um e outro se fundem na linguagem. O Outro implica o reconhecimento do duplo, que o Sentido aprofunda, extraindo do ser a imagem, da ação a imaginação, a qual se elucida com o juízo analítico. Tal estratégia define a fronteira da realidade, a imagem como núcleo visível do fogo aceso aos sentidos e à imaginação.
No limite da razão a imaginação aprofunda a realidade. O duplo à medida que se insinua torna a velar-se. O real é o elo entre a razão e a imaginação. O real implica a cintilação do raio, de cuja configuração a linguagem se nutre em graus que refletem a realidade cuja réplica são os atos.
Na imaginação o vórtice do pensamento assola o movimento, iluminando a imaginação, que se funde à razão. A realidade emoldura a imaginação. O que vive espreita o fugaz, adormece, e a memória recolhe. Nos limites do imaginário o real é redimensionado, consolidando os sinais que incendeiam na fuga a realidade. A contradição dos opostos concentra-se na linguagem como medida do belo. O que a imaginação inventa inscreve-se como luz no acúmulo da negação tal um princípio de Identidade.
O sonho é a medida do pensamento.. A relação da Semelhança dinamiza a imagem, transformando a realidade em Acordo a associar o turbilhão do imaginário à linguagem. Os mesmos elementos compartilham da ardência de imagens que brotam das ruínas do tempo e se recolhem à memória.
A negação se cumpre como fenômeno a espelhar a energia criadora na proporção geométrica da imagem que o universo pluridimensional do pensamento produz como predicamento do ser.
Tal é a imagem que o pensamento produz. A mente tece a realidade, configurando o movimento a misturar imagem e imaginação desdobradas do conflito da semelhança em direção ao real. A contingência precária da razão tem no semelhante seu fundamento e aguilhão, pois ali vigora o inverossímil.
Na linguagem está o fulgor da imagem, cordão de luz da realidade. A imagem liga o movimento aos gestos, dando corpo ao pensamento. O pensamento é o deserto da Fala. O duplo assume a identidade do Mesmo o qual, na fuga, quer desvencilhar-se do real. A Aparência na negação é um eco. A linguagem é um duplo a impor projeção e refletir na crise o destinatário voltado para si próprio à procura de liberdade.
A linguagem mantém uma relação de semelhança a emergir do caos que o duplo espelha subjugado ao imaginário. O exercício do saber se cumpre aprofundando o objeto da imaginação. No imaginário se condensa a sincronia que fulgura na linguagem como Identidade. A passagem para a razão se processa com o imaginário a dar encadeamento ao ignoto. Os desígnios da fuga são frutos enganosos do verossímil.
Tal é o exercício do que se vê no espelho.
Os atos são projeções do real na Forma. Sua configuração espelha a síntese de um eu que não se toca e está na Forma como um duplo. Os atos retêm o tempo e cingem-se ao pensamento como a uma realidade a envolver o conflito da representação. Os atos dão forma ao périplo da negação. O Acordo emerge dos atos como o ser da linguagem. A Identidade aplica-se aos atos na medida em que neles habita o Acordo.
Hegel, citando Galileu, afirma que os espaços percorridos são o quadrado do tempo transcorrido. O axioma aplica-se ao exercício do espírito criador, cujo fim é acompanhar na diacronia do discurso a dimensão do imaginário que se inscreve nos espaços transcorridos. O desdobramento metafísico da negação tem como fundamento a “gravidade imanente ao corpo.” O Outro revela nos espaços percorridos o universo da subjetividade que se delineia como Identidade. A queda do ser em seu fundamento implica o quadrado do tempo transcorrido cujo espaço representa o simbólico como uma grandeza.
O universo em si concreto tem seu limite nos atos, correspondendo ao Acordo. Coincidindo com o raio o ser funde-se ao real, fazendo da negação o simulacro da representação. Aos gêneros se oferece o senso crítico da razão compondo modelos que se incorporam ao real. O pensamento é um foco a iluminar a realidade. Um prisma de luz se sobrepõe ao real, compondo o universo da linguagem. Enlaçando os objetivos da representação o ser desdobra-se na troca de gêneros que espelham a realidade e são normas do Código que se concentra na linguagem. Interminável desdobramento converge para o real, preso à ambivalência do espelho, que se mantém como ação e reação, o quente e o frio, o feio e o belo.
O Código, segundo Kant, é o eixo de uma relação primordial, a partir da qual a linguagem se desenrola. Kant adverte na Crítica existir uma antiga promessa de que se chegue algum dia à descoberta do princípio das leis, pois é ali que jaz o segredo da simplificação dos códigos. O simbólico encadeia-se ao discurso que o pensamento ilumina. A experiência é revelação a coroar o discurso, aprofundando a visão ordenadora da Identidade. O pensamento tem seu curso na liberdade dos sentidos a tecer o corpo da representação. O tempo projeta no espaço do duplo as formas que produz e oferece, trazendo em sua cripta cintilações do raio que se revelam na linguagem. A transposição da imagem traz implícita a substância do pensamento que se estende e transforma o significante em significado. O pensamento produz os sinais da linguagem. Todo sinal é uma chave. O cerco à realidade é a medida da linguagem. A negação é criadora. A linguagem recria o real. Sinais se movem com a imagem e transmudam-se no duplo da linguagem.
O tempo é um cordão a palpitar ao impulso do espírito criador, tal um sol noturno a estender seus raios. No âmago do ser está o Fogo a gerar com a imagem a imaginação.
Como objeto da negação a imagem se concentra no imaginário onde o real constitui imitação, estabelecendo-se uma relação de similitude a associar o real à luz, a imaginação à razão, a diferença à Identidade.
Aprofundando a negação, a Identidade é dualidade e Igualdade. O ser encaminha-se para um fim e reinício. No eterno retorno se cumpre a representação do espelho subjugado ao conflito da Semelhança .
O ser na fuga tece imagens que se incorporam à realidade onde encontra coesão na plenitude fugidia da razão. A fuga conduz ao real no sentido de união dos contrários. A harmonia que advém é igual ao eco que reúne e dispersa os sinais urdidos na imaginação. O ser avança a fim de unir-se ao real, cuja cintilação espelha a dualidade. O que se move compõe a realidade, o pensamento segue atrás, deixando os sinais que a memória recolhe.
Celebrar o real é o rito dos opostos. Evidencia-se o drama a espelhar a realidade. O ser contempla o real sem deter-se na linguagem. Corresponde ao real a fulguração do raio. A imagem que a linguagem reflete espelha o real. A fuga ao real é invenção do raio, belo à visão como um deus. O real é foco e visão do raio.
O que se move celebra a fuga em busca da Identidade. O real é a identidade. Na fuga a clareira se ilumina. O pensamento espelha o trânsito que faz mover a imagem concentrada na linguagem a unir os opostos. O real bane aflições, desfaz o aguilhão, verga-se à linguagem, permanecendo o ser ereto ao encontro do real. Identificar-se é permanecer inteiro. Observar a sombra acompanhando no ar a ave é assistir ao vôo do pensamento. A ave é o vôo aberto à fuga.
A realidade é um fim ao qual o Eu se encaminha acompanhando o raio. Identifica-se com o real o projeto de emergir com a revelação do que constitui o princípio, origem do pensamento, representação e revelação da realidade, em cuja rede um universo se oculta a produzir o tempo.
Atrelada ao pensamento a linguagem estende-se à consciência, atento o Eu ao pensamento, que produz a representação. A queda em seu fundamento produz a realidade, cuja trama entrelaça as máscaras de maneira a escapar o Eu ao duplo como representação. A sombra instaura-se com o pensamento, tendo a Aparência como causa.
Beleza é o drama da luz tornado real nos atos. Na negação o pensamento cria a realidade. O ser tem como síntese os atos que implicam a dualidade em sua dinâmica estrutural. O paradoxo da negação é a necessidade atrelada aos atos onde o pousar do Aberto funda a realidade. Em sua rebeldia o pensamento rompe a homogeneidade do real, produzindo a trágica dissimetria da Semelhança. O tempo desdobra-se na linguagem delineando a fulguração do pensamento como componente da Identidade. O simbólico corresponde à dualidade da luz em Combate. O ser atrela-se às coisas de maneira a conciliar os opostos e desfrutar a unidade do raio, ao qual se volta como síntese a emergir na linguagem onde o drama se desenvolve a ocultar a Legião aplacada na fuga pela linguagem. Virtude é a prática do saber. Soterrado em sua interioridade o Eu acumula distorções, insônia, alucinação, um rapto enfim que produz a ruptura refletida na máscara como metáfora enganosa da tragédia.
O pensamento é a supremacia de uma vontade sobre a outra. Uma relação de poder configura a representação. Tal é a carga dramática, a vis activa, onde a oposição transmuda-se em individuação. A liberdade em necessidade. Negando, o pensar se insinua como afirmação e necessidade das coisas.
O pousar do Aberto corresponde à revelação, de uma síntese discursiva. Condensando a realidade converte-se em símbolo na linguagem. Assim, o símbolo contém a revelação do pensamento. Tal um sinal a unir os opostos, no mesmo campo concentra-se a harmonia do arco.
Constitui um rito a representação do ser. Fundador do sacrifício, o Ícone celebra o universo da fala transformada no início em Canto. Na negação evidencia-se o rito tal um culto cujos vínculos possuem a mobilidade da luz que resplandece a prenunciar um deus. No eixo da representação o ser é um phantasma.
No limiar da linguagem cintila a imagem a configurar a denotata do duplo em sua fulguração verbal a encobrir o Eu como imagem e som, persona de um eu oculto na representação. Substância intemporal, o Eu é o descontínuo de uma relação que se transmuda em sucessividade.
Com o Eu converge para o real a linguagem. A fuga se processa no âmbito do imaginário, regulando a dualidade, que a língua ordena no universo da representação. A fuga cristaliza-se ao intensificar a pulsão natural do ser na linguagem.
A linha divisória da negação em sua fonte pertence ao imaginário que se distingue da razão ao desenvolver a lógica do simbólico. O Eu é o sujeito do discurso, incorporado aos estratos do imaginário e à lógica do deserto a ocultar na distância a dualidade.
Como contingência temporal a fuga condiciona o equilíbrio tal uma fortaleza que guarda o pensamento. A máscara portadora da luz é uma metáfora. A armadura projeta a Essência elevada à temporalidade da representação que se perpetua na linguagem. Sua praxe é a matematização de signos referenciais que se desatam como hieróglifos sacralizados pelo rito. Tal é a função da Máscara ao recompor a diferença. Deste modo, o signo espelha o Eu como configuração arquetípica transmudada em saber. No real o ser encontra a configuração racional da unidade como Identidade. Tal arquitetura é o universo da língua em sua extensão.
No conflito da Semelhança o duplo flui simétrico ao real, tendo como interação a rebeldia, a fuga e o retorno ao real como Identidade. A dualidade se reúne na linguagem como síntese da relação conflitante cujo desdobramento configura a interação temporal. Afeito à Identidade, o real é o sujeito da representação. Projeta-se em sinais que a realidade reflete ao concentrar a dualidade.
A praxe da língua é o rito a promover a passagem da Essência à Aparência onde o pensamento se reveste do que nega de modo a interpretar a representação. O emergir da Essência é a Identidade. O pensamento produz a imagem que se projeta na linguagem objetivando o reconhecimento de sinais que configuram a realidade. A sombra atravessa a realidade à procura de luz sem dar-se conta de que é a negra imagem a refletir na queda a dualidade.
A fuga é um regresso que escapa ao real na imaginação. A fuga contém níveis de realidade que variam segundo a contingência do ser e do saber e são uma alegoria da negação. A fuga reinventa o que o Eu pressente preso à imaginação e a Máscara representa como um duplo.