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ANTIFONA DA SEMANA SANTA  ANTIFONA DO LEVITICO

QUATRO ESTAÇÕES
Primavera - Verão - Outono - Inverno

EPIGRAMAS ALQUÍMICOS ANÕNIMOS

FILOSOFIA DA ARTE      PALAVRA & MÚSICA

Lâminas do Rosarium Philosophorum   

Alegorias de abril   Deus é a centelha do raio

III.       OUTONO

O tempo produz a corrente que ao inovar sepulta

o estado nas cercanias tomadas por ervas e serradores

que ao pinheiiro abatem retirando tábuas a fim de construir

casas ao lado de olarias que produzem telhas

e outras construções.  Depredando propriedades jovens apropriam-se

de carneiros entre amigos e o dono a assistir

diante de espetos na brasa brilhante no buraco

próximo à tina de roupa.

 

As estações marcam o espaço de características

que têm no Fogo o núcleo gerador do movimento

das coisas. Carneiros são no fogo grelhados

para o repasto num tempo que perdura

com os vilões na estrada, os quais pedindo pouso

trucidam a família. Tocaias geram mortes. O Fogo

é o princípio e o fim. Acolhe os múltiplos aspectos

afeitos a um códice que os reúne animados de energia.

O tempo, pai dos deuses e dos homens,

corresponde à roda a conduzir o carro da aurora

que percorre o Dia iluminando a realidade

entrelaçada em cordões inapreensíveis

de uma tela de vidas que se cruzam

conduzidas pelo deus. Tudo é precário

à voracidade dos dentes que trituram a presa

exposta à sanha à mercê das vozes.

 

      As bromélias guardam o fulgor

das gotas da chuva

 

      O vento trazido pela tempestade 

arrasta as folhas desprendidas do carvalho

muitas vezes ouvido pelos ramos que balouçam

ocultando na grama a louçania de um outono de ouro

no bosque identificado em sua medida

com o ribeiro de prata a entrecortar o silêncio de asas

coloridas das borboletas às centenas num tumulto

sem igual pela frágil concentração do vôo

significando o ânimo sobre o rio que desce

indiferente ao alarido silencioso de uma festa

que tem na Natureza a aprovação como a da abelha

que desponta com o ouro novo da estação.

Quando o lábio de um deus toca  

mais adora o sabor dos corpos enredados

em amplexos intermináveis do divino dom.

Em sombra o carvalho surge ao longo do vale

e dele nos aproximamos certos dessa proteção

que há muito nos parece sem sentido como tudo

que escapa ao imediato, à alma altaneira

que à luz dos olhos falta na arrogância alegre

do curso em direção ao mar em sua carreira errante

e a mim retém  em minhas noites assustadas,

a mim, que fundo o dom destes vocábulos

que a palavra revestem e a fazem ressoar.

 

                             II

 

Nada justifica o virtual aprisionamento do Signo

que ao afrontar o tempo instala-se em seu curso

paralelo, carregado de sentido para o entendimento

ao redor, inapreensível em sua transitoriedade

feita de sutilezas que se enlaçam tal um selvagem

cipoal na cadeia do prado, no bosque, no concreto

da cidade, na verticalidade dos prédios invadidos pelas almas

foragidas do sonho ali precisamente instaladas até findar

o tempo sem que ao outro finde pois é no comntínuo

estado de cada um que se exerce inconsútil

o que Ixion transforma em ´página

de emanação mortífera à alma tímida do egresso.

Aniquilamento mortal é a máquina do tempo

que se desenrola devagar e ao filho abre as portas

  Um jorro de luz surge no centro com clarões

  a aprisionar o sonho de quem julga estar dormindo

  e assiste diante do outro o eco de uma idade  

  perpétua em sua semelhança intolerável.

 

 A primeira volta da roda é como a última,

 sem que se dêem conta do martírio tal a beleza em torno

 do maravilhoso que a roda não aplaca e ali está à espera

do próximo. Se o torturador julga não participar

do sofrimento equivoca-se pois de ninguém é a culpa,

ambos defrontam-se debaixo do tempo

 

Terrível surge a beleza das labaredas incendidas

Que se organizam na geometria que suplanta a dor

 e o entusiasmo impostos de forma a deixar-se admirar

no  incêndio apolinio de uma capela no monte

erguida junto ao promontório a quebrar embaixo

as ondas nas rochas milenares da Acrópole divina.

 

A fábula e o reconhecimento do nó têm seu desenlace

no coro. O destino é a reversão do drama

que ao Hades remete e do ínfero salta para o trágico

sentido de Ixion. Os espelhos cegos de mil faces

do antes e o depois Ixion persegue vivendo os desígnios

de um tempo a renovar-se. A lenda não finaliza

entre os criminosos com Tântalo e Sísifo.

A fábula do rancor é a mesma do amor.

Os cavalos não valem a filha de Dioneu. A cúpula com a deusa

Corresponde à mulher e a esperança abominável

do centauro preso a uma roda de fogo na eternidade.

A roda entre os astros e a água é a da morte que se bifurca

condenada ao passado, ao antitempo, à antimatéria,

onde a memória é imaginação. O recuo dos anos aos mortais

é uma roda que a serpente captura ao ser bicada pela águia

em pleno vôo. Imaginar Ixion entre demônios

é a plenitude do Dia que tem do homem o destino

a renovar-se em gira interminável com o genes

múltiplo e feroz a percorrer as veredas sombrias

de Perséfone dissimulada no abismo que se estende

e se impõe aos pés. O abismo da Noite, à qual um hino

é dedicado na esperança de encontrar a estrela,

dá ao pensamento o fundamento de um caminho

ao qual todos se voltam desejosos de reencontrar

os passos contornados pela sombra

atada aos pés a denunciar o velho abismo.

 

Não se dar a essa roda que a todos impõe

os seus desígnios, menos à linguagem,

corresponde ao poema cujas asas levantam

vôo sem que as detenham o entendimento

pois só ao tempo a roda obedece, ao poema

a eternidade lavra o vôo

aberto à claridade que ao ouvido distribui

o som e a palavra aprisiona ofertando à língua

os desígnios da deusa, à qual invoco

livre do código imposto e que ao grego

atormentava desejoso de transformar o mito

nos fastos e com isto perder sua grandeza

prisioneiro da metáfora com a qual

levanto vôo certo de pousar

neste outono de ouro e pedrarias de um brilho

que a coroa de Bizâncio não ofusca

nem os cabelos da rainha ornados

de pérolas entrelaçadas até os ombros

de uma deusa.

 

                               III

 

O espaço abre-se ao tempo para a viagem

Destituída de realidade. A espiritualidade é a prática

Sacralizada da libertação no deserto e conquista

da dimensão da alteridade no tempo. Mais forte

é o deserto a exigir despojamento a quem o percorre

à procura da realidade última e da contemplação

do eu identificado com a essência das coisas.

A redução do espaço no deserto lavra a geometria natural

de quadros uniformes cuja construção

são signos afeitos a uma arquitetura

no salto de um extremo a outro como ponte

pára a união dos contrários sem conflito

salvo o do labirinto de espelhos que se quer unido

ao diapasão original da pedra negra de Medina

de sacerdócio universal. O surgir nessa linha

e desenvolver o risco da imagem em sinais que se recolhem

ao discurso é aderir ao tempo no deserto onde a solidão possui

densidade que a lógica aprofunda capturando a essência

de escaravelhos nas rochas que se elevam aos astros

trazendo ao pensamento a lição da negra luz que preside o sonho

e é extensão da realidade. Tal latitude experimenta-se na grandeza

da alma cuja ascensão ao monte visa ao encontro com Deus e tem

no homem e seu limite o irrestrito conflito interminável

de grandeza comparável à do Altíssimo

do qual provém o pensamento.

Escrito de forma fragmentária, o Signo é partícula

do Dia que o demônio transforma em anotação diária

do Combate em frases de cenas interiorizadas no universo

indefinido em sua precária contingència de não-ser

e ser a representação. O caminho para o deserto

é uma porta ao Sagrado. O sacrifício constitui a sagração do que 

nega e eleva-se     

   à condição de brilho que o pensamento inscreve em símbolos tal

         a imagem                                    

sobranceira que a realidade reduz a órgão visível e a técnica

transforma em registro virtual. O destino da consciência

está voltado para o humano em sua material

condição animal da realidade. Qual o papel

dessa moldura transformada em quadro renovado

de um tempo que o animal exibe em seus olhos mudos

a nós que o amamos e sonha como nós e não diz, não sabe dizer

mas segue adiante?

 

                                                    IV

 

O deserto é a fonte metafísica da geometria

que busca sua latitude aao fertilizar o euj

à margem do cotidiano no sentido religioso

de reencontrar o divino, do qual o deserto

nos separa.

 

O deserto é o veio jugular da voz

a clamar por sentido ao som

sem resposta a não ser o eco qual miragem

de uma visão que se perde na distância

e se persegue sem que se encontre o fim.

 

Se o signo do deserto é a solidão,

ele sou eu perdido nas areias movediças

à procura de mim longe no espelho

que o deserto encarna na distância

e não me alcanço.

 

                                 V

 

Tudo é evasão na extensão dos passos

em direção ao Nada ou fundação da Forma

cuja medida é o real negado e que se impõe

como reduto derradeiro de uma arquitetura

levantada no deserto onde outrora a água

transformou-se em areia esvaziada da fonte

diluída após cristalizada em montículos de pó

resistente aos passos transformado em obstáculo

mirífico, que ao Dia impõe a espada flamejante

entre as asas do Arcanjo levantada.

A precária certeza de que o vento brando

do entardecer é viração movida pelo sopro

anódino de uma lufada sobre os ramos verdes

não modifica o desencanto que persiste

a despeito do impacto em direção ao vazio

dividido das estações, com a virente

certeza de que a primavera

perdura voltada para as delícias do Amor.

Onde quer que me encontre o sonho me acompanha

Entrelaçando-me aos eflúvios dos mais cálidos

Desejos, tendo como sinal o encontro prazeroso

e a certeza de que Deus é a vigorosa

centelha do Fogo em mim da energia.

A sucessão é uma constante

movida de transformações que se renovam

guardando o lastro primordial

em aspectos que se repetem refletindo

a matriz onde se vêem criaturas

com seus traços marcados pelas garras

de olhos ligeiros e a ambição de superar o espaço

e para tal convocam corredores

de uma gruta distribuída em buracos

que levam ao ponto de partida das sombras.

A concentração da energia tem como realce

o olhar que emite raios do Sol em sua ágil

miniatura recolhida a um ímpeto que desfere

o dardo acompanhado da sombra na extensão

da dualidade qual parelha do carro

da aurora conduzido pelo áuriga

imortal. A dualidade é o estigma

incontornável que nos move

em direção ao nada, tendo como máscara

o outro de uma matemática

onde o símbolo é a ponte a reunir

na linguagem o pensamento e a fala,

quais ferramentas de espírito e matéria

que ao fabricarem o tecido

em fogo o transformam.

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