UNIDADE 2: Encontro e desencontro entre fe religiosa e razao moderna
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O Poder da Prece
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O PODER  DA PRECE - Globo Repórter
Temos diante de nós uma  força muito eficaz, muito forte contra grandes partes de nossos problemas de  ordem espirituais e muitas vezes físicas. É desconhecida por aqueles que ainda  não buscaram por Jesus. É desacredita por aqueles que se diz acreditar em Deus,  mas apenas nos momentos de alegria e mansidão.
É duvidada muitas vezes por nós, que acreditamos que uma simples prece não irá pagar nossas dívidas, não  irá curar nossas doenças, não irá apaziguar nossos familiares enfim solucionar  nossa vida .
Erro que poderemos  carrega-lo para a imortalidade juntamente com nós, pois é o que acreditamos, é o  que pensamos; e nossos pensamento e ações são nossa passagem para o mundo  espiritual.
Não diremos que a prece irá  resolver todos nossos problemas, principalmente de ordem material, mas muitas  vezes não conseguimos enxergar que, aquela situação não solucionada, porém foi  amenizada, foi confortada, desviada até; é aí que entra nossos conhecimento  através do estudo constante que se não pode ser realizado e sim amenizada é que  de alguma forma temos esta dívida a ser quitada e é aqui, que entra em ação  nossa resignação e nossa fé de que um dia tudo se resolverá conforme a nossa  vontade e a vontade de Deus.
Podemos usar o auxilio da  prece para termos com aqueles que já se encontra em trabalho no plano  espiritual. A prece sincera poder chegar até nossos familiares desencarnados em  forma de carinho e de que nós nunca os esquecemos. Aqueles desencarnados que se  encontra em sofrimento, uma prece pode aliviar em muito suas dores.
Devemos então aprender a  colocar nossas aflições nas mãos de Deus, de Jesus e aprender a orar, orar de  coração com sentimento. Façamos pelo menos uma oração, um agradecimento pelo  novo dia, e começaremos a perceber que estaremos mais tranqüilos, mais pacientes  mais seguros, que teremos sempre braços abertos a nos aguardar na  espiritualidade. Equipe de redação: Caminho de luz.
Reportagem:  Programa Globo Reporter, exibido no dia 09/04/2004
No decorrer do programa foi exibido casos de pessoas com diversos problemas de  saúde, considerados de difícil tratamentos pela medicina e que foram  "resolvidos", com a preçe, oração e meditação nos momentos mais difíceis,  transformando completamente sua vidas. Junto a opinião dos médicos e estudiosos.
O psiquiatra Alexander  Moreira de Almeida coordena um núcleo, na Universidade de São Paulo, que estuda  as relações entre medicina e fé. Ele voltou dos Estados Unidos, onde visitou os  maiores centros mundiais de pesquisa sobre o assunto.
"Existe uma alteração bioquímica no corpo, provocada pelo ato de rezar e orar,  de entrar em estado de meditação. Isso produz algumas alterações cerebrais que,  a partir disso, vão gerar um melhor funcionamento do sistema imunológico, do  sistema hormonal, e, com isso, trazendo, de um modo geral, uma maior melhoria  nas questões de saúde", explica o psiquiatra.
Funciona assim: o cérebro  humano é formado por dois grandes núcleos: o sistema cortical comanda os  pensamentos, enquanto o sistema límbico é responsável pelas emoções. No momento  de oração, esses dois núcleos enviam comandos para o hipotálamo, e também para  várias glândulas espalhadas pelo corpo. Isso aumenta a produção de hormônios,  que criam uma sensação de bem-estar.
É claro que há situações,  há momentos em que a religião também pode trazer malefícios. Muitos pacientes  abandonam tratamentos graves, na área da psiquiatria, da oncologia, e têm os  seus quadros muito agravados, por crenças de que a fé em Deus geraria a cura e  que se ele se tratasse com os médicos estariam desacreditando do poder de Deus",  observa Alexander Moreira de Almeida
Apenas fé não resolve
No caso de Vera Beber, a fé teve um papel no mínimo controverso. Ela mostra os  exames: em 1998, Vera retirou um tumor da membrana que reveste o cérebro. Em  2000, o câncer reapareceu. Os médicos recomendaram remédios para prevenir  convulsões e dores. Vera preferiu outro caminho. "Não tomo medicação nenhuma. Só  recebo Johrei, ministro Johrei, me dedico à obra de Deus", conta.
A adesão de Vera ao Johrei é  total. Trata-se de uma técnica usada pelos adeptos da Igreja Messiânica, que  surgiu no Japão, há 70 anos. Eles acreditam que, pela imposição das mãos, seja  possível canalizar ondas de luz que têm força curativa. Os lideres da igreja  acham que Vera deveria também fazer o tratamento medico. Mas ela não se  convence.
"Conforme eu recebia o Johrei, as dores passaram. Eu não tive mais tontura,  porque no começo, eu tinha muita dor de cabeça. O tumor não pode avançar porque  eu tenho Johrei. Eu posso até fazer os exames, mas eu tenho certeza que até  acabou. Com todas as minhas dedicações, esse tumor não existe mais" revela.
Infelizmente, o tumor  continua lá. A equipe do Globo Repórter levou Vera para fazer um novo exame.  Olhando a imagem, o médico - que cuidou dela quatro anos atrás - não tem  dúvidas: o tumor está presente.
"Me sinto ótima,  maravilhosa. Isso está me mostrando que o Johrei funciona. Porque se não  funcionasse, eu estaria - e se ele aumentou - com mais dor de cabeça, com mais  tontura, e poderia estar convulsionando" constata Vera.
O médico não soube explicar  o que aconteceu."Pelo que conheço de outros casos, as convulsões normalmente  reapareceriam e as dores, eu acho que voltariam. Ela precisava, precisa dos  remédios. Mas o que a gente pode fazer? Não tem explicação. Tem que tomar o  remédio. A gente tem que indicar, o tratamento é esse" observa o neurocirurgião  Gilberto Ferreira de Paiva.
"Fé não é remédio. Quer  dizer, se um estudo americano mostra que ir a igreja pode melhorar o quadro da  sua saúde, você não pode prescrever para um paciente que está com pneumonia,  digamos, antibiótico e ir à igreja", adverte o oncologista Sérgio Simon.
O oncologista Sérgio Simon trata todos os dias de casos graves, como o da mulher  de Roberto Carlos. Nem a competência do médico, nem a fé do rei e de Maria Rita  foram capazes de salvá-la. O doutor Simon é cauteloso ao falar de religião, mas  reconhece um papel para ela.
"Por que uma pessoa jovem,  com filhos pequenos, vai ter que morrer daqui a seis meses? A religião dá um  sentido. Quem não tem religião fica perdido, realmente", declara.
O milagre de Norton  Nascimento
O ator Norton Nascimento se  encontrou na fé evangélica. A conversão aconteceu apenas três meses antes de o  ator enfrentar o momento mais difícil na vida dele. Hoje, Norton curte a  popularidade nas ruas. Por onde passa, aproveita para pregar a palavra de Deus.  Mas os fãs querem é ouvir como ele sobreviveu ao transplante de coração, em  situação tão adversa.
No dia 15 de dezembro,  Norton se internou para uma cirurgia cardíaca. O caso se complicou. Ele  precisava de um transplante. O coração chegou quando a vida de Norton estava por  um fio. Foi doado pela família do médico Ricardo de Oliveira, morto em um  acidente de carro. "Foi um milagre, porque eu não tinha nenhuma possibilidade de  vida", acredita o ator.
Milagre mesmo talvez tenha  acontecido um pouco antes, quando ele passou a freqüentar os cultos evangélicos.  Largou o cigarro e fez o que parecia impossível: abandonou o álcool. Tudo por  insistência da mulher Kelly. Quando o ator foi parar na UTI à espera do  transplante, ela permanecia ali em vigília, orando pelo marido.
"O ritmo cardíaco dele aumentava muito, a pressão dele aumentava. É como se ele  tentasse reagir a uma coisa que ele não podia, porque ele estava totalmente  sedado. Mas, pela aparelhagem, você via que ele estava sentindo as vibrações  dela como se ele tivesse acordado e sentido aquilo", lembra a técnica de saúde  Rosangela Xavier.
A reação não aconteceria sem o conhecimento técnico da equipe, comandada pelo  doutor José Pedro.
"É difícil de acontecer, mas  pode acontecer, por várias coincidências. Primeiro: achar um doador grande, do  tamanho do Norton; e achar rapidamente um paciente do mesmo tipo sangüíneo.  Depois, o fato de toda a cirurgia dar certo, de não ter nenhuma complicação, não  ter nenhuma rejeição. Então houve vários fatores favoráveis. Isso pode  acontecer, explicado apenas pela ciência", explica o cirurgião cardíaco José  Pedro da Silva.
"Eu, como cristão, não  acredito em coincidências. Eu não acredito que eu fui parar nesse hospital à  toa, com essas pessoas à toa. Eu não acredito que o Ricardo tenha morrido em  vão. Inclusive o pai do Ricardo disse, em uma entrevista, na Ana Maria Braga:  'esse coração não é do meu filho, Norton. Esse coração é teu, porque a gente não  leva nada'. Porque se fosse assim, o Ricardo teria levado o carro dele, teria  levado o apartamento dele, mas não levou nada. O Ricardo salvou seis vidas",  emociona-se Norton Nascimento.
Norton diz que foi milagre,  mas os médicos, que foi apenas um caso em que medicina e fé trabalharam juntas.  A vitória do ator virou um emblema: as doações de órgãos se multiplicaram nos  últimos meses. Norton afia o discurso para se transformar em pastor. "Quando eu  orei, eu falei assim: meu Pai, me dá um coração novo para eu voltar e pregar a  tua palavra", revela Norton Nascimento.
Recuperação na terceira  idade
Um carinho especial pela  vida que brota do cimento. Lúcida, aos 88 anos, a aposentada Carmen Gonçalves é  uma sobrevivente. Enfrentou com energia o tumor maligno que apareceu no abdômen.  "Mais ou menos seria um tumorzinho, mas aí começou a crescer e ficou grande",  conta.
O caso foi parar nas mãos do  doutor Ivan Sandoval. Ele tinha que tomar a difícil decisão: levar a paciente  com quase 90 anos, para a mesa de cirurgia.
"A dona Carmem era uma pessoa já de idade, portadora de um tumor abdominal, de  origem ainda indeterminada, de um volume já considerável. Então, era um caso  preocupante", observa o cirurgião Ivan Sandoval Vasconcellos.
"Quando o médico chegou e  disse que era um tumor, um câncer, eu me entreguei na mão de Deus. Seja lá o que  Deus quiser. Falei para a minha filha: filha, se eu morrer, todos temos que  morrer. Eu não tive medo, juro", lembra dona Carmem.
"O medo, na verdade, acaba deprimindo o indivíduo, e a depressão, que é séria na  vida do paciente com doenças como o câncer, que é tão grave, isso piora o  quadro", constata o médico Jorge Teixeira.
Quem diz isso é um médico  que passou três meses entrevistando idosos durante tratamento de câncer, no  Hospital do Servidor Público de São Paulo. A pesquisa, que virou tese de  doutorado na USP, avaliou a importância da fé na recuperação dos pacientes.
"Deus estando comigo e mais  a equipe médica me ajudando e me amparando, eu consigo andar mais do que o meu  vizinho, que acredita só na fé, ou acredita só no tratamento médico", explica  Jorge Teixeira.
A cirurgia de dona Carmem  foi um sucesso. Prevista para durar oito horas, terminou em duas. E a  recuperação também foi rápida. "Para mim, foi um milagre mesmo, com a graça de  Deus. Eu acho que depois de Deus, os médicos, né? Mas os médicos, eles ficaram  um pouquinho impressionados", declara dona Carmem.
"Já no momento da cirurgia,  a gente pôde observar que esse tumor estava livre de aderências, não comprometia  nenhuma estrutura, então ele saiu com facilidade. Isso é incomum. Pelo tamanho  do tumor, é incomum que ele saísse com tanta facilidade. É por isso ela diz que  foi um milagre. Eu digo que foi uma situação incomum", explica Ivan Sandoval  Vasconcellos.
Além de respeitar a fé da  paciente, o médico usou isso como uma ferramenta a mais contra a doença. Essa  parceria nem sempre acontece.
"O profissional da área de  saúde tende a ver, muitas vezes, a religião como um inimigo, algo que vai  atrapalhar o seu próprio tratamento. É esse tipo de conflito que precisa ser  sanado. Já que todos nós, na área de saúde, e os religiosos querem apenas uma  coisa: o bem-estar do paciente", garante o psiquiatra Alexander Moreita de  Almeida.
Tecnologia a serviço da  religião
Um caso clássico é o das  Testemunhas de Jeová. Todo mundo sabe que eles não aceitam cirurgia com  transfusão de sangue, por uma interpretação do que está na Bíblia. A equipe do  Globo Repórter pretendia mostrar isso no programa, como um exemplo de fé que  atrapalha o tratamento de saúde... Mas será que é simples assim?
Nos Estados Unidos - e também no Brasil - muitos médicos têm uma visão  diferente: aceitam os limites impostos pela religião e vão buscar técnicas  alternativas para evitar transfusões

Fé parceira da saúde
Enfrentar as ladeiras, sob o  sol quente do Ceará, não assusta essa mulher. Dona Augusta vem de uma longa  caminhada. Em Maranguape, ela é figura respeitada pelos adultos e adorada pelas  crianças. Quase todas já passaram pelas mãos dessa viúva de 72 anos, que  aprendeu há mais de meio século com a mãe o ofício de rezadeira.
"Eu sinto emoção quando estou rezando. Ontem foi um dos dias. A criança chegou  bem doente. Aí disse: 'minha filha sabe o que é? É gripe. Começou agora, a  garganta dela tá inflamada e tá com dor de ouvido'. Porque eu pressinto na  oração. Antes, eu não sabia, mas quando eu começo a oração, eu sinto. Não  preciso nem examinar";, explica a rezadeira Augusta de Lima.
A placa na parede é uma  espécie de selo de qualidade. Como em tantas partes do Brasil, em Maranguape, as  rezadeiras são uma instituição. Existe uma rezadeira para cada 108 crianças com  menos de 10 anos.
"Não tenho idéia de quantas  crianças já passaram aqui. Tem dia que o meu braço só falta de não arribar de  cansada de rezar. É muita gente", constata a rezadeira Dona Paizinha.
Será que funciona? Será que não seria melhor levar a criança para o médico? Em  Maranguape, fizeram diferente: levaram as rezadeiras para o posto de saúde. Dona  Paizinha tem uma sala só para ela. Não ganha nada para dar expediente dentro do  posto. A saúde é que ganhou a fé como parceira. Muitas mães passaram a visitar o  posto para ver a rezadeira e depois passam também pelo medico.
"Eu trago para o médico e  para a rezadeira, porque sempre que eu venho para o médico, eu passo na  rezadeira, e depois eu vou para o médico. Só o médico não resolve tudo, porque  questão assim de mau olhado, por exemplo, o médico não resolve. Aí, sendo a  reza, eu acho que resolve", conta Raquel Alves.
Se tira o mau olhado, não se sabe. Mas que acalma, isso está na cara do pequeno  Jefferson! Depois do treinamento recebido da Secretaria de Saúde, as rezadeiras  agora aproveitam a autoridade com as mães para ensinar a receita do soro  caseiro. "É reza, mas também precisa do remédio, precisa da médica também. Do  médico, se for preciso. Porque não é só a reza que cura, não", garante Dona  Paizinha.
A idéia de fazer da cultura popular uma aliada nos programas de saúde partiu  dessa professora da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Ela mora no  Ceará há 15 anos e foi lá que fez a pesquisa, mostrando que as rezadeiras podem  formar a linha de frente em favor da vida.
"O soro, quando vem desse  jeito, é melhor do que quando ele vem só pela mão do médico. Não tenho dúvida  disso. Quando ela pega aquele sal, água e açúcar - que é o soro caseiro -  abençoado pela rezadeira, ele vira água benta. Aí vem o poder da cura, a fé. É  alguém em quem ela acredita", observa Marilyn Nations.
"Eu tenho 28 anos de médica. A melhor experiência para recuperar as crianças  desidratadas é essa: a rezadeira dentro do posto de saúde", diz a médica do  posto de saúde, Antônia Sampaio.
Em Maranguape, foram  cadastradas 188 rezadeiras. A mortalidade infantil, que era de 30 para cada mil  crianças nascidas vivas, em 1999, caiu para 13 no ano passado.
"Na nossa área aqui - eu falo com muita segurança - nós não temos nenhuma morte  por desidratação. Em 2003, nenhuma. Em 2000, 2001, 2003, nenhuma, zero. É o  melhor zero que você pode receber", garante Antônia.
Reações cerebrais
Velas acesas para Buda, o  som puro do metal. É assim que Sophie entra no mundo da meditação. Ela sofre de  esclerose múltipla há 20 anos e estava condenada a viver em uma cadeira de  rodas. Mas, com a ajuda da meditação budista, leva uma vida normal. "Quando eu  medito, consigo aliviar os sintomas da doença", diz.
O que será que acontece no cérebro de quem medita? Será apenas uma fantasia, uma  ilusão? Os budistas descrevem um estado de êxtase, a que chamam nirvana - muito  semelhante à união mística com Deus, descrita por freiras e monges cristãos.
Na Universidade da Pensilvânia, o cientista Andrew Newberg colocou monges  budistas e freiras católicas em uma máquina e fez uma tomografia do cérebro  deles. Descobriu que no momento mais profundo da meditação, ou da oração, os  cérebros de budistas e de católicos têm a mesma atividade elétrica,  característica da experiência espiritual.
"O cérebro humano tem a capacidade inata de experimentar a presença de Deus ou  de algo que pode ser descrito como puro espírito", afirma o cientista.
Quando a pessoa se concentra para meditar ou rezar, a parte da frente do cérebro  - que fica atrás da testa - se torna muitoo ativa. É a área da consciência, da  atenção. Dali saem impulsos que ativam o centro do cérebro, que comandam as  reações involuntárias, inconscientes. Em seguida, são ativadas as áreas  responsáveis pela visão. E é desativada a região posterior do cérebro que  responde pela orientação espacial.
A pessoa tem a visão de um mundo sobrenatural e a sensação de perda de limites.  O "eu" se confunde com o universo. É a experiência de uma realidade espiritual  superior, descrita pelos místicos. Ao mesmo tempo, sinais são enviados para o  corpo para acalmar todo o sistema nervoso e criar uma sensação intensa de  prazer. Tudo isso acontece nos dois lados do cérebro.
Andrew Newberg é um dos pioneiros da neuroteologia - a ciência que estuda como o  cérebro experimenta Deus. Essa nova ciência prova o poder da mente sobre o corpo  e explica porquê a fé pode curar, ou pelo menos ajudar a medicina.
O médico Harold Koenig é o autor de dezenas de pesquisas sobre fé e medicina,  financiadas pelo governo americano. Todas mostram que as pessoas religiosas são  mais saudáveis e vivem mais do que as outras. Segundo o médico, nos Estados  Unidos, uma pessoa branca que assiste a pelo menos um serviço religioso por  semana, vive sete anos mais do que quem não é religioso. Se for negro, vive mais  14 anos.
Uma das razões da longevidade é o apoio da comunidade religiosa. Outra: pessoas  que têm fé levam uma vida mais regrada e saudável. "As pesquisas também mostram  que a fé reforça o sistema imunológico e a resistência às doenças", observa  Harold Koening.
Está crescendo o número de escolas de medicina que aderem à pregação do doutor  Koening. Uma delas é a Johns Hopkins, ligada ao hospital do mesmo nome, onde os  alunos são treinados para usar a fé no tratamento médico.
O hospital é considerado o  melhor dos Estados Unidos e é um dos centros médicos mais avançados do mundo.  Mas para muitos pacientes e médicos o coração do hospital fica em uma imagem de  Cristo colocada, há mais de 100 anos, na entrada do hospital. Muitos passam para  rezar, pedir, agradecer e meditar. Até quem não é cristão se diz reconfortado.
O capelão do hospital, o pastor Steven Mann, guarda os livros onde as pessoas  deixam mensagens. São mais de três mil páginas por mês, na maioria agradecendo  pelo conforto que a fé traz aos doentes. Há dez anos, o hospital foi o primeiro  nos Estados Unidos a incluir a espiritualidade no ensino da medicina.
Segundo a medica Jeanne  Mccauley, o uso da fé no tratamento é uma exigência dos próprios pacientes. Ela  já dirigiu dois vídeos para treinar médicos, mostrando como eles podem ajudar os  doentes a procurar apoio na religião. Em um deles, aparece a história de Joni,  uma tetraplégica que entrou no hospital de maca e viu a imagem de Cristo na  entrada. "Senti então que Deus me ama. A partir daí, passei a aceitar a  invalidez, e hoje sou uma pessoa inteira", conta.
"A fé pode não vencer a  doença". Mas, segundo a budista Sophie, é preciso acreditar em uma força  superior, seja Deus, Buda, ou o que for, mas algo que está dentro da gente. O  poder da fé está em você!
Mais fé, menos estresse.  Equipes para comandar. Números, metas a cumprir. Mulheres apaixonadas pelo  trabalho, mas atormentadas por tanta responsabilidade. "É imprevisível você  imaginar o que vai ser o seu dia amanhã. O máximo que você consegue é colocar na  sua agenda o que você precisa fazer", constata a executiva Samia Hannouche.
"É muita pressão por resultado. Você é cobrado diariamente, então, você não pode  perder tempo", observa a executiva Isabel Araújo. Samia, que é solteira e sem  filhos, consegue administrar o tempo para que duas noites por semana fiquem  livres. É quando atravessa a cidade para participar das sessões espíritas, que,  segundo ela, ajudam a aliviar o estresse. ";Dá um equilíbrio, porque eu acredito  que nós não estamos aqui nesta terra, ou nesta vida, só para produzir bens  materiais ou riquezas para o mundo", diz.
Casada, uma filha, às 6h, Isabel gerencia o dia da família. Católica de  formação, namora várias religiões, mas não pratica nenhuma. Quando parte para a  jornada de 14 horas, deixa de lado uma parte da vida, que, para ela, faz falta.  "A gente corre atrás do material o tempo todo, do profissional, só que na hora  do desespero, você sente falta desse espiritual, que você abandonou em algum  momento da tua vida", revela.
Elas ainda são minoria no mundo dos negócios. E, quando chegam lá, costumam ser  mais estressadas do que eles. Uma pesquisa com 1,5 mil executivos mostrou que  aqueles que praticam uma religião - e aí tanto faz homem ou mulher - lidam  melhor com o estresse. "Ambos têm níveis de estresse alto, porém faz uma grande  diferença se a pessoa tem uma religião e a pratica, ou não - exatamente por  causa do efeito que a fé, o ritual religioso exerce sobre a mente, sobre o  estado emocional, sobre o estado psicológico do indivíduo. E, em conseqüência,  também sobre o estado orgânico", explica o psicólogo Esdras de Vasconcelos.  Parece que ele é um líder religioso. Mas o doutor Esdras fala com a autoridade  de quem reuniu os números da pesquisa em um livro ainda inédito. As entrevistas  foram conduzidas por um grupo de psicólogas.
"As pessoas estão se vinculando a uma religião para fazer um enfrentamento do  seu estresse. Tanto é que as religiões estão crescendo, mundialmente cada vez  surgem mais religiões", declara a psicóloga e pesquisadora Samia Simurro. Para  Isabel, a falta de uma religião acabou virando uma fonte a mais de estresse. Ela  se sente culpada. "Na hora do desespero, você fala: 'pôxa, como é que eu vou  pedir ajuda agora a Deus? Não estou dando nada em troca'. Então tem isso também  de você só pedir, pedir, nunca agradecer. Realmente cria um conflito", comenta.  "Ter fé é vital. A religiosa é aquela que nós mais conhecemos, portanto, aquela  que mais se pratica. Mas é importante que nós tenhamos fé em nós próprios  também, e fé no outro. Enfim, nós precisamos ter sempre fé", conclui Esdras de  Vasconcelos.
Equipe
Direção: Denise Cunha; Reportagem: Rodrigo Vianna, Jorge Pontual; Produção:  Jorge Ghiaroni
Áudio: Adauto Vieira, Eduardo De Souza; Imagens: Aloísio Araújo, Sherman Costa
Edição de Imagens: Arnaldo Spetic, Susy Altman, Paulo Vinhas
Técnicos: Antonio Carlos, José Custódio.
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