UNIDADE 2: Encontro e desencontro entre fe religiosa e razao moderna
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INTERDISCIPLINARIDADE - Um novo paradigma curricular
Rosamaria  Calaes de Andrade
1. INTRODU��O: - conceitos e reflex�es preliminares
A  Interdisciplinaridade refere-se a uma nova concep��o de ensino e de curr�culo,  baseada na interdepend�ncia entre os diversos ramos do conhecimento.
Paradigma  (modelo, padr�o) � um conceito atualmente usado para designar a forma de  estrutura��o e funcionamento do c�rebro humano. Neste sentido, paradigma � uma  estrutura-modelo, um modo de pensar.
Nossa  perspectiva � de que o atual curr�culo escolar deve sofrer algumas altera��es,  passando do modelo multidisciplinar para o interdisciplinar.
Pretendemos fazer uma an�lise hist�rica da institui��o escolar, buscando  entender porque a escola tem hoje um projeto pedag�gico multidisciplinar. A  proposta interdisciplinar ser� justificada por uma reflex�o te�rica que explique  porque a escola deve ter um curr�culo interdisciplinar. Finalmente ser�o  sugeridas algumas estrat�gias para uma transforma��o curricular, rumo a um novo  paradigma, mais din�mico e compat�vel com o avan�o acelerado que t�m hoje a  ci�ncia e a tecnologia, a partir das inven��es e descobertas que o ser humano  tem feito, cada vez com maior rapidez. � nossa inten��o analisar o atual  curr�culo escolar, para reorient�-lo rumo � nova proposta, a partir das  constata��es feitas. Esperamos, assim, deixar clara a necessidade da mudan�a,  antes de abordar a quest�o da operacionaliza��o, do como fazer esta passagem,  estas mudan�as.
A  fundamenta��o de nossa proposta � claramente construtivista. Acreditamos que,  neste final de s�culo, j� superamos tanto o modelo de estrutura escolar inatista  como o empirista. O modelo contrutivista, que faz uma s�ntese dos dois modelos  anteriores, � o mais adequado ao momento atual.
Segundo o  construtivismo, o ser humano nasce com potencial para aprender. Mas este  potencial - esta capacidade - s� se desenvolver� na intera��o com o mundo, na  experimenta��o com o objeto de conhecimento, na reflex�o sobre a a��o. A  aprendizagem se organiza, se estrutura num processo dial�tico de interlocu��o.  Por isto a escola utiliza hoje as din�micas de grupo, que possibilitam a  discuss�o, o di�logo. � preciso haver o elemento dialogante, para que o saber se  construa. Nossos pontos de vista e nossas id�ias se clareiam quando temos com  quem discuti-los. A intera��o social no grupo de sala de aula �, pois,  fundamental, para que a aprendizagem circule, movida pelas rela��es afetivas. A  organiza��o acad�mica tradicional, com os alunos fechados em si mesmos, pensando  e produzindo sozinhos, deve abrir espa�o para que aconte�a a polifonia, o  debate, o trabalho coletivo, a interlocu��o. Por outro lado, uma aprendizagem  significativa exige, al�m da interlocu��o e da experimenta��o, o movimento do  corpo no espa�o e a utiliza��o das estruturas mentais para relacionar os  est�mulos recebidos, formando conceitos claros. Conceituar �, para os fil�sofos  gregos antigos, a primeira opera��o da mente - o ato pelo qual o esp�rito produz  ou representa em si mesmo alguma coisa, compreendendo-lhe o significado.
Para  discutirmos o tema "interdisciplinaridade", come�aremos pela compreens�o de  alguns termos espec�ficos, conceituando-os com clareza.
INTER/DISCIPLINAR/IDADE deriva da palavra primitiva DISCIPLINAR (que diz  respeito � disciplina), por prefixa��o (INTER-a��o rec�proca, comum) e sufixa��o  (DADE - qualidade, estado ou resultado da a��o).
Disciplina  refere-se � ordem conveniente a um funcionamento regular. Originariamente  significa submiss�o ou subordina��o a um regulamento superior. Significa tamb�m  MAT�RIA (campo de conhecimento determinado que se destaca para fins de estudo)  tratada didaticamente, com �nfase na aquisi��o de conhecimentos e no  desenvolvimento de habilidades intelectuais. � uma palavra muito presente em  institui��es como o ex�rcito, a f�brica e a Igreja, que valorizam a disciplina  na forma��o de seu pessoal.
A  utiliza��o desta mesma palavra para denominar os conte�dos escolares refere-se  tanto � necessidade de submeter-se a mente � mesma ordem que controla o corpo  dos educandos, quanto ao tratamento did�tico que deve ser dado a cada mat�ria  escolar
De posse  destes conceitos b�sicos, vamos analisar os diversos tipos de composi��o  curricular:
�  MULTIDISCIPLINAR - modelo fragmentado em que h� justaposi��o de disciplinas  diversas, sem rela��o aparente entre si;
� PLURIDISCIPLINAR - quando se justap�em disciplinas mais ou menos vizinhas nos  dom�nios do conhecimento, formando-se �reas de estudo com conte�dos afins ou  coordena��o de �rea, com menor fragmenta��o;
� INTERDISCIPLINAR - com nova concep��o de divis�o do saber, frisando a  interdepend�ncia, a intera��o, a comunica��o existentes entre as disciplinas e  buscando a integra��o do conhecimento num todo harm�nico e significativo;
� TRANSDISCIPLINAR - quando h� coordena��o de todas as disciplinas num sistema  l�gico de conhecimentos, com livre tr�nsito de um campo de saber para outro.
O modelo  multidisciplinar, presente na escola ainda hoje, desconsidera as caracter�sticas  e necessidades do desenvolvimento cognitivo do aluno, dificultando a percep��o  da inteireza do saber e do ser humanos. Para resgatar esta inteireza perdida e  possibilitar uma vis�o da totalidade do conhecimento � que estamos propondo o  modelo interdisciplinar.
Quanto  mais se acelera a produ��o do saber humano, mais se faz necess�rio garantir que  n�o se perca a vis�o do todo. E hoje o acervo de conhecimentos da humanidade  dobra-se a cada quatro anos, havendo previs�o de que dobrar-se-� a cada dois  anos, a partir do ano 2000.
As  escolas, de modo geral, trabalham com coordena��o de �rea, numa tentativa de  superar as defici�ncias do curr�culo multidisciplinar. Mas, na pr�tica, o que  vemos acontecer � a simples "coordena��o de mat�ria" - (reuni�es de professores  que lecionam o mesmo conte�do em s�ries distintas), garantindo-se, assim, a  integra��o vertical - de uma s�rie para outra - mas n�o a supera��o do modelo  multidisciplinar. No entanto, a coordena��o de �rea, bem conduzida, poderia ser  o primeiro passo para a transforma��o curricular, rumo a um modelo  interdisciplinar. A verdadeira coordena��o de �rea consistiria em reunirem-se os  professores de conte�dos afins, para planejarem em conjunto seu programa, a  partir de um eixo comum, te�rico ou metodol�gico. Por exemplo, a coordena��o de  �rea de l�nguas poderia ser estabelecida a partir do eixo da ling��stica, que �  a base do ensino e da aprendizagem do Portugu�s e do Ingl�s, e/ou do eixo  metodol�gico, pela did�tica do texto. O que n�o � poss�vel � submetermos os  alunos a uma aprendizagem tradicional da l�ngua estrangeira, quando o professor  de Portugu�s j� avan�ou em sua proposta metodol�gica - ou vice-versa.
Na medida  em que garantimos a integra��o dos conte�dos, estamos garantindo tamb�m sua  significa��o para os alunos. Conseq�entemente, crescer� o interesse dos alunos  pela escola, que, cada dia mais, perde espa�o para a m�dia e para todos os  atrativos tecnol�gicos e eletr�nicos dos meios de comunica��o, computa��o e  divers�o.
Um grande  problema da transforma��o curricular � que a escola � hoje uma das institui��es  sociais mais resistentes � mudan�a. Talvez, em parte, isto se deva ao fato de  serem os professores os �nicos profissionais que "nunca saem da escola". Nela  eles se formam, como os demais profissionais, e nela eles permanecem atuando,  repetindo o mesmo modelo de seus antigos professores, enquanto os demais  profissionais deixam a escola para atuar em outros locais de trabalho.
O novo  modelo curricular, de base interdiscioplinar, exige uma nova vis�o de escola,  criativa, ousada e com uma nova concep��o de divis�o do saber. Pois a  especificidade de cada conte�do precisa ser garantida, paralelamente a sua  integra��o num todo harmonioso e significativo.
Num  curr�culo multidisciplinar os alunos recebem informa��es incompletas e t�m uma  vis�o fragmentada e deformada do mundo. Num curr�culo interdisciplinar as  informa��es, as percep��es e os conceitos comp�em uma totalidade de significa��o  completa e o mundo j� n�o � visto como um quebra - cabe�a desmontado.
A nossa  dificuldade em admitir a possibilidade de um modelo curricular diferente  prende-se � quest�o dos paradigmas (modelos de estruturas mentais), que nos  imobilizam, condicionando nossa maneira de ver as coisas. Tanto � assim, que as  grandes mudan�as costumam acontecer a partir de pessoas que atuam em outra �rea  de conhecimento, estando, portanto, de fora do paradigma em quest�o.
Se  quisermos avan�ar para um curr�culo interdisciplinar, temos que come�ar a pensar  interdisciplinarmente, isto �, ver o todo, n�o pela simples somat�ria das partes  que o comp�em, mas pela percep��o de que tudo sempre est� em tudo, tudo  repercute em tudo, permitindo que o pensamento ocorra com base no di�logo entre  as diversas �reas do saber. � este estabelecimento de rela��es que nos  possibilitar� analisar, entender e explicar os acontecimentos, fatos e fen�menos  passados e presentes, para que possamos projetar, prever e simular o futuro.
2.  PORQUE A ESCOLA � MULTIDISCIPLINAR
Segundo  Arist�teles, "nada melhor para compreendermos um tema em sua extens�o do que  historiciz�-lo".
Vamos,  pois, fazer uma retrospectiva hist�rica, para tentar descobrir a raz�o de ser do  atual modelo de sistema escolar. Usando o referencial de Alvin Toffler, autor  dos livros "O choque do futuro" e "A terceira onda", podemos dizer que a  hist�ria da humanidade evolui em "ondas", situando-se a primeira grande onda na  pr�-hist�ria, com o surgimento da agricultura e o poder centrado na posse da  terra. O advento da revolu��o industrial (idade moderna), marca a passagem para  a segunda onda, com o poder centrado no capital. � neste contexto que surge a  escola p�blica, n�o a servi�o do homem, mas da f�brica, com o objetivo de  preparar m�o de obra para a ind�stria, de treinar, disciplinar, subjugar o  homem, para torn�-lo oper�rio.
Enquanto  institui��o social, a escola � sempre orientada pelo tipo de homem que deseja  formar. Portanto, para o s�culo XVIII, este era o modelo de escola necess�ria.  Mas hoje, no limiar do s�culo XXI, quando vivemos a terceira onda, a era da  inform�tica, em que � a posse da informa��o que garante o poder, precisamos de  um novo modelo de escola.
Tendo  situado a g�nese da escola no tempo, podemos entender melhor as influ�ncias que  marcaram sua origem e evolu��o, determinando suas caracter�sticas estruturais e  funcionais. Seu curr�culo foi planejado para formar pessoas disciplinadas,  submissas, obedientes, organizadas, met�dicas, nada criativas ou questionadoras.  Da� o uso do uniforme, da fila , do hor�rio e da disciplina r�gidos, do sil�ncio  e da passividade em sala de aula, do trabalho individual e isolado.
Estas  influ�ncias se fazem sentir tamb�m na terminologia espec�fica do vocabul�rio  escolar, de seus instrumentos, usos e costumes, como: formatura, mat�ria,  sirene, c�pia de modelos, programas previamente determinados, aprendizagem  delimitada, caderneta escolar (cart�o de ponto), comportamento controlado,  carteiras fixas - e at� mesmo em sua arquitetura.
Paralelamente � revolu��o industrial, o s�culo XVIII � marcado tamb�m pelo  surgimento do Positivismo, corrente filos�fica iniciada com A. Comte, em  oposi��o � Filosofia cl�ssica, por ele considera da pr�-hist�rica e ?negativa?.  Reagindo �s tend�ncias iluministas, o Positivismo prega a objetividade, a  universalidade e a neutralidade como exig�ncias do conhecimento cient�fico. Para  os positivistas, s� � positivo o que � certo, real, verdadeiro, inquestion�vel,  que n�o admite d�vidas, que se fundamenta na experi�ncia, sendo, portanto,  pr�tico, �til, objetivo, direto, claro.
Foi na  escola que o impacto do Positivismo se fez sentir com maior for�a, em parte  devido � influ�ncia da Psicologia e da Sociologia - ci�ncias auxiliares da  educa��o e nascidas sob a �gide do Positivismo - gerando o pragmatismo e o  empirismo nas pr�ticas e institui��es escolares e atendendo aos interesses da  classe social dominante.
Na g�nese  deste modelo de escola, destacam-se ainda as influ�ncias marcantes da Igreja -  com seus dogmas e sacramentos, sobretudo a penit�ncia, determinando pr�ticas  como a avalia��o, as puni��es e proibi��es e a apresenta��o de verdades prontas  e definitivas - e da ideologia pol�tica dominante. Fragmentando-se o  conhecimento acumulado, atrav�s de um curr�culo multidisciplinar, fragmenta-se o  pr�prio homem (o aluno e o professor), que fica ent�o fragilizado e � facilmente  dominado.
3. PORQUE A ESCOLA DEVE SER INTERDISCIPLINAR
A proposta  de curr�culo interdisciplinar justifica-se a partir de raz�es hist�ricas,  filos�ficas, s�cio-pol�ticas e ideol�gicas, acrescidas das raz�es  psicopedag�gicas.
Historicamente falando, temos de considerar que vivemos hoje a era da  inform�tica, com suas contradi��es, seus paradoxos. Como j� afirmava Her�clito,  o fil�sofo grego pr�-socr�tico, ?no mundo tudo flui, tudo se transforma, pois a  ess�ncia da vida � a mutabilidade, e n�o a perman�ncia?. Assim, aquela escola,  que era boa para o momento da revolu��o industrial, j� n�o atende �s  necessidades do homem do final do s�culo XX. Nossa era � a da p�s-modernidade  (ou neo-modernidade, como querem alguns autores), em que � l�gica formal,  cl�ssica, normativa e manique�sta (bivalente), imp�e-se a l�gica dial�tica,  fundamentada na no��o de contradi��o, dial�gica. Paralelamente, a luta pela  igualdade de direitos, pela supremacia da liberdade, pelo resgate da democracia  e a revis�o do conceito de poder deram novo sentido � no��o de cidadania, de  coletividade, de valores c�vicos. Entre as raz�es que temos para buscar uma  transforma��o curricular, passa tamb�m uma raz�o pol�tica muito forte: hoje  vivemos numa democracia, e queremos formar pessoas criativas, questionadoras,  cr�ticas, comprometidas com as mudan�as, e n�o com a reprodu��o de modelos.
Quest�es  hist�rico-filos�ficas e s�cio-pol�tico-ideol�gicas v�m exigindo, h� muito tempo,  uma total revis�o na institui��o escolar.
Mais  recentemente, com a divulga��o dos trabalhos te�ricos sobre a psicologia  gen�tica e sua aplica��o ao campo da pedagogia, tornou-se imperiosa esta  necessidade de mudan�as na estrutura escolar, visando, sobretudo, o resgate da  inteireza do ser humano e da unidade do conhecimento.
A rapidez  das mudan�as em todos os setores da sociedade atual (cient�fico, cultural,  tecnol�gico ou pol�tico-econ�mico), o ac�mulo de conhecimentos, as novas  exig�ncias do mercado de trabalho, sobretudo no campo da pesquisa, da ger�ncia e  da produ��o, t�m provocado uma revis�o did�tico-pedag�gica do processo de  educa��o escolar.
Surge,  assim, uma nova concep��o de ensino e de curr�culo, baseada na interdepend�ncia  entre os diversos campos de conhecimento, superando-se o modelo fragmentado e  compartimentado de estrutura curricular fundamentada no isolamento dos  conte�dos.
Temos de  considerar ainda as raz�es psicopedag�gicas que nos levam a propor um curr�culo  interdisciplinar e que est�o relacionadas com os conhecimentos j� adquiridos  sobre o funcionamento do c�rebro humano e os processos de conhecimento e de  aprendizagem. Os avan�os significativos da Psicologia gen�tica nos permitem hoje  conceituar , com Piaget, intelig�ncia como a capacidade de estabelecer rela��es;  confrontar, com Vigotsky, o desenvolvimento de conceitos espont�neos e  cient�ficos; admitir, com Gardner, a id�ia de intelig�ncia m�ltipla, o que  implica em uma s�rie de compet�ncias a serem desenvolvidas pela escola:  compet�ncia lingu�stica, l�gico-matem�tica, espacial, cinest�sica, musical,  pict�rica, intrapessoal e interpessoal.
Ora, todos  estes avan�os exigem um repensar do curr�culo escolar, baseado na id�ia de rede  de rela��es , eliminando-se os ?redutos disciplinares?, em prol de uma proposta  interdisciplinar. Um curr�culo escolar atualizado n�o pode ignorar o modo de  funcionamento da mente humana, as necessidades da aprendizagem e as novas  tecnologias inform�ticas, diretamente associadas � concep��o de intelig�ncia. �  preciso hoje pensar o conhecimento (e o curr�culo) como uma ampla rede de  significa��es e a escola como lugar n�o apenas de transmiss�o do saber, mas  tamb�m de sua constru��o coletiva. Eis, pois, a grande raz�o para termos um  curr�culo interdisciplinar: � preciso resgatar a inteireza do ser e do saber e o  trabalho em parceria.
4 . COMO A ESCOLA PODE TORNAR-SE INTERDISCIPLINAR
O primeiro  passo rumo � nova proposta � a mudan�a do paradigma de escola e da postura dos  professores.
A fun��o  da escola j� n�o � integrar as novas gera��es ao tipo de sociedade  pr�-existente, pela modelagem do comportamento aos pap�is sociais prescritos e  ao acervo de conhecimentos acumulados. Segundo Caniato (1989), "O objetivo de  ensino fundamental � dar ao educando uma id�ia integrada da vida e das rela��es  dos seres vivos entre si e com a natureza.(...) O mundo n�o est� dividido em  F�sica, Qu�mica, Biologia. A forma��o de conceitos exige que se respeite a  unidade do conhecimento.(...) Ci�ncia � o conhecimento organizado, de modo  sistem�tico, sobre nossa intera��o com a natureza".
No novo  conceito de papel social da educa��o, a escola tem a fun��o de construir, pela  pr�xis, uma nova rela��o humana, revendo criticamente o acervo de conhecimentos  acumulados e tomando consci�ncia da participa��o pessoal na defini��o de pap�is  sociais.
Para que  este novo papel social da educa��o se cumpra, � preciso rever o funcionamento da  escola, n�o s� quanto a conte�dos, metodologias e atividades, mas tamb�m quanto  � maneira de tratar o aluno e aos comportamentos que deve estimular, como: a  auto-express�o (livre, cr�tica, criativa, consciente); a auto-valoriza��o  (reconhecimento da pr�pria dignidade); a co-responsabilidade (iniciativa,  participa��o, colabora��o); a curiosidade e a autonomia na constru��o do  conhecimento (estabelecendo rede de significa��o interdisciplinar), entre  outros.
A  qualidade da educa��o, grande preocupa��o dos administradores escolares hoje,  ser� alcan�ada via gest�o participativa, trabalho de equipe (parceria,  coopera��o) e curr�culo interdisciplinar - todos estes mecanismos que superam o  modelo individualista, fragmentado e centralizador de administra��o e de  produ��o do saber.
O segundo  passo rumo � operacionaliza��o do curr�culo interdisciplinar �, pois, a  administra��o participativa e a metodologia participativa.
Uma  pr�tica escolar interdisciplinar tem algumas caracter�sticas que podem ser  apontadas como fundamentos ou ?pistas? para uma transforma��o curricular e que  exigem mudan�as de atitude, procedimento, postura por parte dos educadores:
�  perceber-se interdisciplinar, sentir-se ?parte do universo e um universo �  parte? (Fazenda 1991)- (resgatar sua pr�pria inteireza, sua unidade);
�  historicizar e contextualizar os conte�dos (resgatar a mem�ria dos  acontecimentos, interessando-se por suas origens, causas, conseq��ncias e  significa��es; aprender a ler jornal e a discutir as not�cias);
�  valorizar o trabalho em parceria, em equipe interdisciplinar, integrada (tanto o  corpo docente como o corpo discente), estabelecendo pontos de contato entre as  diversas disciplinas e atividades do curr�culo;
�  desenvolver atitude de busca, de pesquisa, de transforma��o, constru��o,  investiga��o e descoberta;
� definir  uma base te�rica �nica como eixo norteador de todo o trabalho escolar, seja  ideol�gica (que tipo de homem queremos formar), psicopedag�gica (que teoria de  aprendizagem fundamenta o projeto escolar), ou relacional (como s�o as rela��es  interpessoais, a quest�o do poder, da autonomia e da centraliza��o decis�ria na  escola);
�  dinamizar a coordena��o de �rea (trabalho integrado com conte�dos afins,  evitando repeti��es in�teis e cansativas), come�ando pelo confronto dos planos  de curso das diversas disciplinas, analisando e refazendo os programas, em  conjunto, atualizando-os, enriquecendo-os ou "enxugando-os", iniciando-se,  assim, uma real revis�o curricular;
� resgatar  o sentido do humano, o mais profundo e significativo eixo da  interdisciplinaridade, perguntando-se a todo momento: - "o que h� de  profundamente humano neste novo conte�do?" ou - "em que este conte�do contribui  para que os alunos se tornem mais humanos?"
�  trabalhar com a pedagogia de projetos, que elimina a artificialidade da escola,  aproximando-a da vida real e estimula a iniciativa, a criatividade, a coopera��o  e a co-responsabilidade. Desenvolver projetos na escola �, seguramente, a melhor  maneira de garantir a integra��o de conte�dos pretendida pelo curr�culo  interdisciplinar. Um projeto surge de uma situa��o, de uma necessidade sentida  pela pr�pria turma e consta de um conjunto de tarefas planejadas e empreendidas  espontaneamente pelo grupo, em torno de um objetivo comum.
Para  Jolibert (1994), "a pedagogia de projetos permite viver numa escola alicer�ada  no real, aberta a m�ltiplas rela��es com o exterior: nela a crian�a trabalha  - pra valer - e disp�e dos meios para afirmar-se como agente de seus aprendizados,  produzindo algo que tem sentido e unidade.
Realiza-se, assim, a proposta da interdisciplinaridade de buscar o sentido e a  unidade do conhecimento e do ser.
BIBLIOGRAFIA
CANIATO, Rodolfo. Com ci�ncia na educa��o. S.P.: Papirus, 1989.
FAZENDA, Ivani C. A. (org.) Pr�ticas interdisciplinares na escola S.P.: Cortez,  1991. JOLIBERT, Josette. Formando crian�as leitoras. P. Alegre: Artes M�dicas.  1994.
TOFFLER,  Alvim. O choque do futuro. S.P.: Record, 1970.
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