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| UNIDADE 2: Encontro e desencontro entre fe religiosa e razao moderna | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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| INTERDISCIPLINARIDADE - Um novo paradigma curricular | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Rosamaria Calaes de Andrade 1. INTRODU��O: - conceitos e reflex�es preliminares |
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| A Interdisciplinaridade refere-se a uma nova concep��o de ensino e de curr�culo, baseada na interdepend�ncia entre os diversos ramos do conhecimento. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Paradigma (modelo, padr�o) � um conceito atualmente usado para designar a forma de estrutura��o e funcionamento do c�rebro humano. Neste sentido, paradigma � uma estrutura-modelo, um modo de pensar. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Nossa perspectiva � de que o atual curr�culo escolar deve sofrer algumas altera��es, passando do modelo multidisciplinar para o interdisciplinar. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Pretendemos fazer uma an�lise hist�rica da institui��o escolar, buscando entender porque a escola tem hoje um projeto pedag�gico multidisciplinar. A proposta interdisciplinar ser� justificada por uma reflex�o te�rica que explique porque a escola deve ter um curr�culo interdisciplinar. Finalmente ser�o sugeridas algumas estrat�gias para uma transforma��o curricular, rumo a um novo paradigma, mais din�mico e compat�vel com o avan�o acelerado que t�m hoje a ci�ncia e a tecnologia, a partir das inven��es e descobertas que o ser humano tem feito, cada vez com maior rapidez. � nossa inten��o analisar o atual curr�culo escolar, para reorient�-lo rumo � nova proposta, a partir das constata��es feitas. Esperamos, assim, deixar clara a necessidade da mudan�a, antes de abordar a quest�o da operacionaliza��o, do como fazer esta passagem, estas mudan�as. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| A fundamenta��o de nossa proposta � claramente construtivista. Acreditamos que, neste final de s�culo, j� superamos tanto o modelo de estrutura escolar inatista como o empirista. O modelo contrutivista, que faz uma s�ntese dos dois modelos anteriores, � o mais adequado ao momento atual. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Segundo o construtivismo, o ser humano nasce com potencial para aprender. Mas este potencial - esta capacidade - s� se desenvolver� na intera��o com o mundo, na experimenta��o com o objeto de conhecimento, na reflex�o sobre a a��o. A aprendizagem se organiza, se estrutura num processo dial�tico de interlocu��o. Por isto a escola utiliza hoje as din�micas de grupo, que possibilitam a discuss�o, o di�logo. � preciso haver o elemento dialogante, para que o saber se construa. Nossos pontos de vista e nossas id�ias se clareiam quando temos com quem discuti-los. A intera��o social no grupo de sala de aula �, pois, fundamental, para que a aprendizagem circule, movida pelas rela��es afetivas. A organiza��o acad�mica tradicional, com os alunos fechados em si mesmos, pensando e produzindo sozinhos, deve abrir espa�o para que aconte�a a polifonia, o debate, o trabalho coletivo, a interlocu��o. Por outro lado, uma aprendizagem significativa exige, al�m da interlocu��o e da experimenta��o, o movimento do corpo no espa�o e a utiliza��o das estruturas mentais para relacionar os est�mulos recebidos, formando conceitos claros. Conceituar �, para os fil�sofos gregos antigos, a primeira opera��o da mente - o ato pelo qual o esp�rito produz ou representa em si mesmo alguma coisa, compreendendo-lhe o significado. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Para discutirmos o tema "interdisciplinaridade", come�aremos pela compreens�o de alguns termos espec�ficos, conceituando-os com clareza. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| INTER/DISCIPLINAR/IDADE deriva da palavra primitiva DISCIPLINAR (que diz respeito � disciplina), por prefixa��o (INTER-a��o rec�proca, comum) e sufixa��o (DADE - qualidade, estado ou resultado da a��o). | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Disciplina refere-se � ordem conveniente a um funcionamento regular. Originariamente significa submiss�o ou subordina��o a um regulamento superior. Significa tamb�m MAT�RIA (campo de conhecimento determinado que se destaca para fins de estudo) tratada didaticamente, com �nfase na aquisi��o de conhecimentos e no desenvolvimento de habilidades intelectuais. � uma palavra muito presente em institui��es como o ex�rcito, a f�brica e a Igreja, que valorizam a disciplina na forma��o de seu pessoal. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| A utiliza��o desta mesma palavra para denominar os conte�dos escolares refere-se tanto � necessidade de submeter-se a mente � mesma ordem que controla o corpo dos educandos, quanto ao tratamento did�tico que deve ser dado a cada mat�ria escolar | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| De posse destes conceitos b�sicos, vamos analisar os diversos tipos de composi��o curricular: | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| � MULTIDISCIPLINAR - modelo fragmentado em que h� justaposi��o de disciplinas diversas, sem rela��o aparente entre si; � PLURIDISCIPLINAR - quando se justap�em disciplinas mais ou menos vizinhas nos dom�nios do conhecimento, formando-se �reas de estudo com conte�dos afins ou coordena��o de �rea, com menor fragmenta��o; � INTERDISCIPLINAR - com nova concep��o de divis�o do saber, frisando a interdepend�ncia, a intera��o, a comunica��o existentes entre as disciplinas e buscando a integra��o do conhecimento num todo harm�nico e significativo; � TRANSDISCIPLINAR - quando h� coordena��o de todas as disciplinas num sistema l�gico de conhecimentos, com livre tr�nsito de um campo de saber para outro. |
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| O modelo multidisciplinar, presente na escola ainda hoje, desconsidera as caracter�sticas e necessidades do desenvolvimento cognitivo do aluno, dificultando a percep��o da inteireza do saber e do ser humanos. Para resgatar esta inteireza perdida e possibilitar uma vis�o da totalidade do conhecimento � que estamos propondo o modelo interdisciplinar. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Quanto mais se acelera a produ��o do saber humano, mais se faz necess�rio garantir que n�o se perca a vis�o do todo. E hoje o acervo de conhecimentos da humanidade dobra-se a cada quatro anos, havendo previs�o de que dobrar-se-� a cada dois anos, a partir do ano 2000. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| As escolas, de modo geral, trabalham com coordena��o de �rea, numa tentativa de superar as defici�ncias do curr�culo multidisciplinar. Mas, na pr�tica, o que vemos acontecer � a simples "coordena��o de mat�ria" - (reuni�es de professores que lecionam o mesmo conte�do em s�ries distintas), garantindo-se, assim, a integra��o vertical - de uma s�rie para outra - mas n�o a supera��o do modelo multidisciplinar. No entanto, a coordena��o de �rea, bem conduzida, poderia ser o primeiro passo para a transforma��o curricular, rumo a um modelo interdisciplinar. A verdadeira coordena��o de �rea consistiria em reunirem-se os professores de conte�dos afins, para planejarem em conjunto seu programa, a partir de um eixo comum, te�rico ou metodol�gico. Por exemplo, a coordena��o de �rea de l�nguas poderia ser estabelecida a partir do eixo da ling��stica, que � a base do ensino e da aprendizagem do Portugu�s e do Ingl�s, e/ou do eixo metodol�gico, pela did�tica do texto. O que n�o � poss�vel � submetermos os alunos a uma aprendizagem tradicional da l�ngua estrangeira, quando o professor de Portugu�s j� avan�ou em sua proposta metodol�gica - ou vice-versa. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Na medida em que garantimos a integra��o dos conte�dos, estamos garantindo tamb�m sua significa��o para os alunos. Conseq�entemente, crescer� o interesse dos alunos pela escola, que, cada dia mais, perde espa�o para a m�dia e para todos os atrativos tecnol�gicos e eletr�nicos dos meios de comunica��o, computa��o e divers�o. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Um grande problema da transforma��o curricular � que a escola � hoje uma das institui��es sociais mais resistentes � mudan�a. Talvez, em parte, isto se deva ao fato de serem os professores os �nicos profissionais que "nunca saem da escola". Nela eles se formam, como os demais profissionais, e nela eles permanecem atuando, repetindo o mesmo modelo de seus antigos professores, enquanto os demais profissionais deixam a escola para atuar em outros locais de trabalho. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| O novo modelo curricular, de base interdiscioplinar, exige uma nova vis�o de escola, criativa, ousada e com uma nova concep��o de divis�o do saber. Pois a especificidade de cada conte�do precisa ser garantida, paralelamente a sua integra��o num todo harmonioso e significativo. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Num curr�culo multidisciplinar os alunos recebem informa��es incompletas e t�m uma vis�o fragmentada e deformada do mundo. Num curr�culo interdisciplinar as informa��es, as percep��es e os conceitos comp�em uma totalidade de significa��o completa e o mundo j� n�o � visto como um quebra - cabe�a desmontado. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| A nossa dificuldade em admitir a possibilidade de um modelo curricular diferente prende-se � quest�o dos paradigmas (modelos de estruturas mentais), que nos imobilizam, condicionando nossa maneira de ver as coisas. Tanto � assim, que as grandes mudan�as costumam acontecer a partir de pessoas que atuam em outra �rea de conhecimento, estando, portanto, de fora do paradigma em quest�o. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Se quisermos avan�ar para um curr�culo interdisciplinar, temos que come�ar a pensar interdisciplinarmente, isto �, ver o todo, n�o pela simples somat�ria das partes que o comp�em, mas pela percep��o de que tudo sempre est� em tudo, tudo repercute em tudo, permitindo que o pensamento ocorra com base no di�logo entre as diversas �reas do saber. � este estabelecimento de rela��es que nos possibilitar� analisar, entender e explicar os acontecimentos, fatos e fen�menos passados e presentes, para que possamos projetar, prever e simular o futuro. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| 2. PORQUE A ESCOLA � MULTIDISCIPLINAR | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Segundo Arist�teles, "nada melhor para compreendermos um tema em sua extens�o do que historiciz�-lo". | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Vamos, pois, fazer uma retrospectiva hist�rica, para tentar descobrir a raz�o de ser do atual modelo de sistema escolar. Usando o referencial de Alvin Toffler, autor dos livros "O choque do futuro" e "A terceira onda", podemos dizer que a hist�ria da humanidade evolui em "ondas", situando-se a primeira grande onda na pr�-hist�ria, com o surgimento da agricultura e o poder centrado na posse da terra. O advento da revolu��o industrial (idade moderna), marca a passagem para a segunda onda, com o poder centrado no capital. � neste contexto que surge a escola p�blica, n�o a servi�o do homem, mas da f�brica, com o objetivo de preparar m�o de obra para a ind�stria, de treinar, disciplinar, subjugar o homem, para torn�-lo oper�rio. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Enquanto institui��o social, a escola � sempre orientada pelo tipo de homem que deseja formar. Portanto, para o s�culo XVIII, este era o modelo de escola necess�ria. Mas hoje, no limiar do s�culo XXI, quando vivemos a terceira onda, a era da inform�tica, em que � a posse da informa��o que garante o poder, precisamos de um novo modelo de escola. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Tendo situado a g�nese da escola no tempo, podemos entender melhor as influ�ncias que marcaram sua origem e evolu��o, determinando suas caracter�sticas estruturais e funcionais. Seu curr�culo foi planejado para formar pessoas disciplinadas, submissas, obedientes, organizadas, met�dicas, nada criativas ou questionadoras. Da� o uso do uniforme, da fila , do hor�rio e da disciplina r�gidos, do sil�ncio e da passividade em sala de aula, do trabalho individual e isolado. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Estas influ�ncias se fazem sentir tamb�m na terminologia espec�fica do vocabul�rio escolar, de seus instrumentos, usos e costumes, como: formatura, mat�ria, sirene, c�pia de modelos, programas previamente determinados, aprendizagem delimitada, caderneta escolar (cart�o de ponto), comportamento controlado, carteiras fixas - e at� mesmo em sua arquitetura. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Paralelamente � revolu��o industrial, o s�culo XVIII � marcado tamb�m pelo surgimento do Positivismo, corrente filos�fica iniciada com A. Comte, em oposi��o � Filosofia cl�ssica, por ele considera da pr�-hist�rica e ?negativa?. Reagindo �s tend�ncias iluministas, o Positivismo prega a objetividade, a universalidade e a neutralidade como exig�ncias do conhecimento cient�fico. Para os positivistas, s� � positivo o que � certo, real, verdadeiro, inquestion�vel, que n�o admite d�vidas, que se fundamenta na experi�ncia, sendo, portanto, pr�tico, �til, objetivo, direto, claro. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Foi na escola que o impacto do Positivismo se fez sentir com maior for�a, em parte devido � influ�ncia da Psicologia e da Sociologia - ci�ncias auxiliares da educa��o e nascidas sob a �gide do Positivismo - gerando o pragmatismo e o empirismo nas pr�ticas e institui��es escolares e atendendo aos interesses da classe social dominante. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Na g�nese deste modelo de escola, destacam-se ainda as influ�ncias marcantes da Igreja - com seus dogmas e sacramentos, sobretudo a penit�ncia, determinando pr�ticas como a avalia��o, as puni��es e proibi��es e a apresenta��o de verdades prontas e definitivas - e da ideologia pol�tica dominante. Fragmentando-se o conhecimento acumulado, atrav�s de um curr�culo multidisciplinar, fragmenta-se o pr�prio homem (o aluno e o professor), que fica ent�o fragilizado e � facilmente dominado. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| 3. PORQUE A ESCOLA DEVE SER INTERDISCIPLINAR | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| A proposta de curr�culo interdisciplinar justifica-se a partir de raz�es hist�ricas, filos�ficas, s�cio-pol�ticas e ideol�gicas, acrescidas das raz�es psicopedag�gicas. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Historicamente falando, temos de considerar que vivemos hoje a era da inform�tica, com suas contradi��es, seus paradoxos. Como j� afirmava Her�clito, o fil�sofo grego pr�-socr�tico, ?no mundo tudo flui, tudo se transforma, pois a ess�ncia da vida � a mutabilidade, e n�o a perman�ncia?. Assim, aquela escola, que era boa para o momento da revolu��o industrial, j� n�o atende �s necessidades do homem do final do s�culo XX. Nossa era � a da p�s-modernidade (ou neo-modernidade, como querem alguns autores), em que � l�gica formal, cl�ssica, normativa e manique�sta (bivalente), imp�e-se a l�gica dial�tica, fundamentada na no��o de contradi��o, dial�gica. Paralelamente, a luta pela igualdade de direitos, pela supremacia da liberdade, pelo resgate da democracia e a revis�o do conceito de poder deram novo sentido � no��o de cidadania, de coletividade, de valores c�vicos. Entre as raz�es que temos para buscar uma transforma��o curricular, passa tamb�m uma raz�o pol�tica muito forte: hoje vivemos numa democracia, e queremos formar pessoas criativas, questionadoras, cr�ticas, comprometidas com as mudan�as, e n�o com a reprodu��o de modelos. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Quest�es hist�rico-filos�ficas e s�cio-pol�tico-ideol�gicas v�m exigindo, h� muito tempo, uma total revis�o na institui��o escolar. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Mais recentemente, com a divulga��o dos trabalhos te�ricos sobre a psicologia gen�tica e sua aplica��o ao campo da pedagogia, tornou-se imperiosa esta necessidade de mudan�as na estrutura escolar, visando, sobretudo, o resgate da inteireza do ser humano e da unidade do conhecimento. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| A rapidez das mudan�as em todos os setores da sociedade atual (cient�fico, cultural, tecnol�gico ou pol�tico-econ�mico), o ac�mulo de conhecimentos, as novas exig�ncias do mercado de trabalho, sobretudo no campo da pesquisa, da ger�ncia e da produ��o, t�m provocado uma revis�o did�tico-pedag�gica do processo de educa��o escolar. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Surge, assim, uma nova concep��o de ensino e de curr�culo, baseada na interdepend�ncia entre os diversos campos de conhecimento, superando-se o modelo fragmentado e compartimentado de estrutura curricular fundamentada no isolamento dos conte�dos. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Temos de considerar ainda as raz�es psicopedag�gicas que nos levam a propor um curr�culo interdisciplinar e que est�o relacionadas com os conhecimentos j� adquiridos sobre o funcionamento do c�rebro humano e os processos de conhecimento e de aprendizagem. Os avan�os significativos da Psicologia gen�tica nos permitem hoje conceituar , com Piaget, intelig�ncia como a capacidade de estabelecer rela��es; confrontar, com Vigotsky, o desenvolvimento de conceitos espont�neos e cient�ficos; admitir, com Gardner, a id�ia de intelig�ncia m�ltipla, o que implica em uma s�rie de compet�ncias a serem desenvolvidas pela escola: compet�ncia lingu�stica, l�gico-matem�tica, espacial, cinest�sica, musical, pict�rica, intrapessoal e interpessoal. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Ora, todos estes avan�os exigem um repensar do curr�culo escolar, baseado na id�ia de rede de rela��es , eliminando-se os ?redutos disciplinares?, em prol de uma proposta interdisciplinar. Um curr�culo escolar atualizado n�o pode ignorar o modo de funcionamento da mente humana, as necessidades da aprendizagem e as novas tecnologias inform�ticas, diretamente associadas � concep��o de intelig�ncia. � preciso hoje pensar o conhecimento (e o curr�culo) como uma ampla rede de significa��es e a escola como lugar n�o apenas de transmiss�o do saber, mas tamb�m de sua constru��o coletiva. Eis, pois, a grande raz�o para termos um curr�culo interdisciplinar: � preciso resgatar a inteireza do ser e do saber e o trabalho em parceria. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| 4 . COMO A ESCOLA PODE TORNAR-SE INTERDISCIPLINAR | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| O primeiro passo rumo � nova proposta � a mudan�a do paradigma de escola e da postura dos professores. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| A fun��o da escola j� n�o � integrar as novas gera��es ao tipo de sociedade pr�-existente, pela modelagem do comportamento aos pap�is sociais prescritos e ao acervo de conhecimentos acumulados. Segundo Caniato (1989), "O objetivo de ensino fundamental � dar ao educando uma id�ia integrada da vida e das rela��es dos seres vivos entre si e com a natureza.(...) O mundo n�o est� dividido em F�sica, Qu�mica, Biologia. A forma��o de conceitos exige que se respeite a unidade do conhecimento.(...) Ci�ncia � o conhecimento organizado, de modo sistem�tico, sobre nossa intera��o com a natureza". | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| No novo conceito de papel social da educa��o, a escola tem a fun��o de construir, pela pr�xis, uma nova rela��o humana, revendo criticamente o acervo de conhecimentos acumulados e tomando consci�ncia da participa��o pessoal na defini��o de pap�is sociais. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Para que este novo papel social da educa��o se cumpra, � preciso rever o funcionamento da escola, n�o s� quanto a conte�dos, metodologias e atividades, mas tamb�m quanto � maneira de tratar o aluno e aos comportamentos que deve estimular, como: a auto-express�o (livre, cr�tica, criativa, consciente); a auto-valoriza��o (reconhecimento da pr�pria dignidade); a co-responsabilidade (iniciativa, participa��o, colabora��o); a curiosidade e a autonomia na constru��o do conhecimento (estabelecendo rede de significa��o interdisciplinar), entre outros. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| A qualidade da educa��o, grande preocupa��o dos administradores escolares hoje, ser� alcan�ada via gest�o participativa, trabalho de equipe (parceria, coopera��o) e curr�culo interdisciplinar - todos estes mecanismos que superam o modelo individualista, fragmentado e centralizador de administra��o e de produ��o do saber. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| O segundo passo rumo � operacionaliza��o do curr�culo interdisciplinar �, pois, a administra��o participativa e a metodologia participativa. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Uma pr�tica escolar interdisciplinar tem algumas caracter�sticas que podem ser apontadas como fundamentos ou ?pistas? para uma transforma��o curricular e que exigem mudan�as de atitude, procedimento, postura por parte dos educadores: | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| � perceber-se interdisciplinar, sentir-se ?parte do universo e um universo � parte? (Fazenda 1991)- (resgatar sua pr�pria inteireza, sua unidade); | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| � historicizar e contextualizar os conte�dos (resgatar a mem�ria dos acontecimentos, interessando-se por suas origens, causas, conseq��ncias e significa��es; aprender a ler jornal e a discutir as not�cias); | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| � valorizar o trabalho em parceria, em equipe interdisciplinar, integrada (tanto o corpo docente como o corpo discente), estabelecendo pontos de contato entre as diversas disciplinas e atividades do curr�culo; | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| � desenvolver atitude de busca, de pesquisa, de transforma��o, constru��o, investiga��o e descoberta; | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| � definir uma base te�rica �nica como eixo norteador de todo o trabalho escolar, seja ideol�gica (que tipo de homem queremos formar), psicopedag�gica (que teoria de aprendizagem fundamenta o projeto escolar), ou relacional (como s�o as rela��es interpessoais, a quest�o do poder, da autonomia e da centraliza��o decis�ria na escola); | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| � dinamizar a coordena��o de �rea (trabalho integrado com conte�dos afins, evitando repeti��es in�teis e cansativas), come�ando pelo confronto dos planos de curso das diversas disciplinas, analisando e refazendo os programas, em conjunto, atualizando-os, enriquecendo-os ou "enxugando-os", iniciando-se, assim, uma real revis�o curricular; | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| � resgatar o sentido do humano, o mais profundo e significativo eixo da interdisciplinaridade, perguntando-se a todo momento: - "o que h� de profundamente humano neste novo conte�do?" ou - "em que este conte�do contribui para que os alunos se tornem mais humanos?" | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| � trabalhar com a pedagogia de projetos, que elimina a artificialidade da escola, aproximando-a da vida real e estimula a iniciativa, a criatividade, a coopera��o e a co-responsabilidade. Desenvolver projetos na escola �, seguramente, a melhor maneira de garantir a integra��o de conte�dos pretendida pelo curr�culo interdisciplinar. Um projeto surge de uma situa��o, de uma necessidade sentida pela pr�pria turma e consta de um conjunto de tarefas planejadas e empreendidas espontaneamente pelo grupo, em torno de um objetivo comum. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Para Jolibert (1994), "a pedagogia de projetos permite viver numa escola alicer�ada no real, aberta a m�ltiplas rela��es com o exterior: nela a crian�a trabalha - pra valer - e disp�e dos meios para afirmar-se como agente de seus aprendizados, produzindo algo que tem sentido e unidade. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Realiza-se, assim, a proposta da interdisciplinaridade de buscar o sentido e a unidade do conhecimento e do ser. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| BIBLIOGRAFIA CANIATO, Rodolfo. Com ci�ncia na educa��o. S.P.: Papirus, 1989. FAZENDA, Ivani C. A. (org.) Pr�ticas interdisciplinares na escola S.P.: Cortez, 1991. JOLIBERT, Josette. Formando crian�as leitoras. P. Alegre: Artes M�dicas. 1994. |
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| TOFFLER, Alvim. O choque do futuro. S.P.: Record, 1970. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||