UNIDADE 2: Encontro e desencontro entre fe religiosa e razao moderna
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Karl Popper
A Religiao da Ciencia
Ciencia e Religiao
Glossario
Transdisciplinaridade
Interdisciplinaridade
b) A atual visão da unidade do  saber e a superação do conceito de "ciência"
- Hoje em dia há uma convicção de que nenhuma força é tão  decisiva no futuro para a sociedade quanto as ciências e a tecnologia, ou seja,  nada leva a crer que a tecnociência perderá sua posição central no futuro  próximo.
- a  unidade do saber é estabelecida hoje pela interdiciplinaridade e a  transdisciplinaridade;
- A interdisciplinaridade  é considerada hoje como um novo paradigma do saber científico;
- Significa que nenhum conhecimento humano,  nenhuma ciência possui sozinha resposta para todos os problemas;
- Estabelece-se uma interdependência entre os  diversos ramos do conhecimento;
- A interdisciplinariedade veio para que as  ciências trabalhassem em cooperação.
- Há novos paradigmas (modelo, padrão), que é um  conceito atualmente usado para designar a forma de estruturação e funcionamento  do cérebro humano. Neste sentido, paradigma é uma estrutura-modelo, um modo de  pensar.
- A nova ciência está em direção a um novo  paradigma, mais dinâmico e compatível com o avanço acelerado que têm hoje a  ciência e a tecnologia, a partir das invenções e descobertas que o ser humano  tem feito, cada vez com maior rapidez.
- Hoje em dia há uma  convicção de que nenhuma força é tão decisiva no futuro para a sociedade quanto  as ciências e a tecnologia, ou seja, nada leva a crer que a tecnociência perderá  sua posição central no futuro próximo.
- Talvez seja esta uma preocupação de quase  todas as tradições religiosas em criar pontes entre a religião e a ciência.
- As características da  interdisciplinaridade exigem uma transformação e exigem mudanças de atitude,  procedimento, postura por parte dos pesquisadores:
- Perceber-se interdisciplinar, sentir-se "parte  do universo e um universo à parte" - resgatar sua própria inteireza, sua  unidade;
- Historicizar e contextualizar os conteúdos -  resgatar a memória dos acontecimentos, interessando-se por suas origens, causas,  conseqüências e significações; aprender a ler jornal e a discutir as notícias;
- Valorizar o trabalho em parceria, em equipe  interdisciplinar, integrada, estabelecendo pontos de contato entre as diversas  ciências;
- Desenvolver atitude de busca, de pesquisa, de  transformação, construção, investigação e descoberta;
- Definir uma base teórica única como eixo  norteador de todo o trabalho científico, como por exemplo o ideológico - que  tipo de homem ou sociedade se quer obter;
- Resgatar o sentido do humano, o mais profundo  e significativo eixo da interdisciplinaridade, perguntando-se a todo momento: -  "o que há de profundamente humano nesta nova descoberta?" ou - "em que esta  pesquisa contribui para que as pessoas se tornem mais humanas?"
- Trabalhar com a pedagogia de projetos no tempo  de formação dos futuros pesquisadores, para que possa ser eliminada a  artificialidade da escola, aproximando-a da vida real e estimula a iniciativa, a  criatividade, a cooperação e a co-responsabilidade. Desenvolver projetos na  escola é, seguramente, a melhor maneira de garantir a integração de conteúdos  pretendida pelo currículo interdisciplinar. Um projeto surge de uma situação, de  uma necessidade sentida pela própria turma e consta de um conjunto de tarefas  planejadas e empreendidas espontaneamente pelo grupo, em torno de um objetivo  comum.
- Junto com a interdisciplinaridade há também a  transdisciplinaridade, que também se tornou um paradigma da ciência na  pós-modernidade;
- A transdisciplinaridade acredita que é  possível adotar uma ciência transdisciplinar, a partir de uma mudança  epistemológica e da superação de entraves decorrentes da tradição disciplinar da  ciência moderna que fragmentou o conhecimento humano e o seu ensino.
- A maioria dos autores que estudam o  desenvolvimento científico acreditam que vivemos em uma época de  desestabilização do conhecimento fragmentado em disciplinas, cujo grau de  especialização chegou a tal ponto que engendrou a necessidade de sua superação.
- A fragmentação do saber científico reflete-se  no ensino compartimentado dos saberes compondo o que chamamos de estrutura  disciplinar, em que se distingue não só a divisão rígida entre as disciplinas,  como a hierarquia entre elas.
- E, embora desestabilizada, questionada e  combatida, é esta ainda a estrutura mais freqüente nos sistemas e instituições  de pesquisa. Dessa forma, o debate sobre inter ou transdisciplinaridade tem sido  feito sob o domínio da disciplina, considerada aqui tanto como estrutura de  produção e transmissão do conhecimento, quanto como uma estrutura de percepção  da realidade.
- Uma especialização crescente levou a uma  separação característica do que podemos chamar de modernidade e que só fez  concretizar a separação sujeito-objeto que se encontra na origem da ciência  moderna.
- Numa estrutura disciplinar não há a integração  de conteúdos ou objetivos e o  conhecimento é fragmentado. Nas palavras de  Japiassu (1992): "Chegamos ao ponto em que o especialista se reduz àquele que, à  custa de saber cada mais sobre menos, termina por saber tudo sobre o nada.  Torna-se uma ilha de saber, cercada por um oceano de ignorâncias".
- A multidisciplinaridade propõe uma  estrutura em que a solução de um problema utiliza informações de duas ou mais  especialidades sem que as disciplinas levadas a contribuir para aquelas que a  utilizam sejam modificadas ou enriquecidas. Estuda-se um objeto de estudo sob  vários ângulos mas sem que tenha havido antes um acordo prévio sobre os métodos  a seguir e os conceitos a serem utilizados.
- Nesse sistematem-se uma relação de reciprocidade, de mutualidade, em  regime de co-propriedade que possibilita um diálogo mais fecundo entre os vários  campos do saber, que leva a uma modificação e enriquecimento das ciências  envolvidas, na medida em que cada uma se conscientiza dos seus limites e acolhe  as contribuições de outras ciências.
- Ela provocaria trocas generalizadas de  informações e de críticas, ampliaria a formação geral e questionaria a  acomodação dos pressupostos implícitos em cada área, fortalecendo o trabalho de  equipe e buscando superar a fragmentação do conhecimento própria da estrutura  científica.
- A  transdisciplinaridade eliminaria as fronteiras rígidas entre as disciplinas.  Isso não significa eliminar as disciplinas, mas abrir-se para aquilo que vai  através e além delas, possibilitando uma nova visão da realidade.
- Numa estrutura  transdisciplinar não há o domínio de uma disciplina sobre as outras, mas uma  abertura para o diálogo, não só das disciplinas entre si, como entre as áreas da  ciência e, mais ainda, da ciência com outros campos como a arte, a literatura, a  religião.
- Talvez seja esta uma preocupação de quase todas as  tradições religiosas em criar pontes entre a religião e a ciência. Tais pontes  podem criar modelos de relação entre ambas:
1) conflito: caracteriza pelo não entendimento entre elas,  gerando inclui oposição entre seus pressupostos;
2) independência: sua característica é de total separação  entre os dois campos do conhecimento, chegando mesmo à indiferença sobre temas  que poderiam ser debatidos;
3) diálogo: caracteriza-se pela troca mútua de interesses,  que nem sempre confluem para resultados comuns e convincentes;
4) integração: a característica é a ideal, porque há troca  de informações, clareza na diferença dos campos de conhecimentos, complementação  dos estudos.
- Neste  processo de diálogo entre ciência e religião sempre se correm riscos, porque  entre ambas se estabelecem uma relação de crítica mútua.
- Durante  um vasto período da história a relação passou de uma submissão da ciência à  teologia (Idade Média), passando pelos conflitos que se agravaram na modernidade  e por uma seguinte etapa intermédia de harmonização apologética até chegar a  ruptura radical com o positivismo da ciência. Hoje se tenta superar tal momento  com uma compreensão hermenêutico-crítica de ambas as partes.
- As  ciências criticam a religião. Continuarão seu papel de desmitizar, de purificar  as religiões de resquícios animistas, mágicos ou de uma visão pré-científica da  realidade. (LIBANIO, João Batista. A religião no início do milênio. São  Paulo: Loyola, 2002).
http://www.suigeneris.pro.br/edvariedade_interdisciplin1.htm acesso em 20/03/2005 às 16h45.
http://www.divinopolis.uemg.br/revista/revista-eletronica2/artigo7-7.htm acesso em 20/03/2005 às 16h45.
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