UNIDADE 2: Encontro e desencontro entre fe religiosa e razao moderna
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II- Encontro e  desencontro entre fé religiosa e razão moderna
- A  Ciência nasceu da ânsia humana de interpretar os fenômenos naturais à luz da  razão.
- A  Religião tem sua origem no relacionamento sobrenatural do Transcendente com o  homem.
- A  Ciência, adotando os métodos da observação e experimentação, usa telescópios,  microscópios, termômetros, voltímetros etc.
- A  Religião adota os critérios da Fé, à luz da mensagem divina (para as religiões  reveladas) ou da iluminação (para as religiões místicas, que não possuem livros  sagrados).
- A  Ciência põe a serviço do homem suas descobertas, visando ao bem-estar temporal.
- A  Religião orienta o homem para a conquista da felicidade eterna prometida por  Deus.
- Uma  análise superficial e inconseqüente veria na relação entre a Ciência e a  Religião, uma relação de oposição ou antagonismo. Uma análise mais detida veria  que são dois conhecimentos essencialmente distintos, mas não opostos ou  antagônicos.
a)  História da convivência entre religião e ciência
-  Ptolomeu, respeitável geógrafo, matemático e astrônomo, assegurava, em nome da  Ciência, que o sistema geocêntrico (a terra no centro) era uma grande verdade  científica. Depois Copérnico e Galileu, também em nome da Ciência, desbancaram o  geocentrismo e entronizaram o sistema heliocêntrico (o sol no centro).
- É justo  que a Ciência corrija os erros dos cientistas. Isto significa que a Ciência não  é infalível e nem sempre nos dá certezas. O que nos é apresentado como certeza,  depois se verifica que estava errado.
- Para  Hugo ASMANN e Jung MO SUNG é preciso rejeitar a idéia arcaica de uma Ciência  como um conjunto de verdades que vão se acumulando e assumir uma concepção mais  adequada às últimas descobertas científicas, que mostram que as teorias  científicas vão se sucedendo na história e não passam de modelos explicativos  parciais e provisórios de determinados aspectos da realidade. Só assim estaremos  abertos/as ao novo (Competência e sensibilidade solidária. Educar para a  esperança. Petrópolis: Vozes, 2000, pp.97-8.).
- Isso  pode até nos ajudar a sermos mais solidários,  porque então estaremos abrindo  espaço para dúvidas na nossa maneira de conceber a realidade, pois sem duvidar  das nossas certezas culturais e dos rótulos sociais que estamos acostumados a  usar para classificar as pessoas, não há possibilidade para um novo tipo de  percepção das pessoas e do mundo. Isso significa que uma educação que dê lugar e  considere positivamente as dúvidas é um passo fundamental. Não somente a dúvida  de quem aprende e de quem ensina, mas a dúvida e a incerteza como uma parte  integrante do fazer ciência, do conhecer a realidade.
- Na época  de Laplace, e até há poucos anos atrás se acusava a Religião de que sua  "Cosmogonia bíblica" estava errada (o sol que girava em torno do terra, os  planetas em torno do sol). Laplace havia defendido a idéia de que os planetas  giravam em torno do sol, da mesma forma que sua experiência com uma gota de óleo  em movimento se desprenderam outras gotas menores que ficaram girando em redor  da maior, e das gotas menores se desgarraram outras ainda menores, como os  satélites. No entanto isso foi mera ilusão, porque uma experiência in vitro é muito diferente do que se passa no universo. Descobriu-se que os satélites de  Urano e Netuno são do contra. Os movimentos retrógrados desses satélites  desfecharam tremendo golpe contra a hipótese de Laplace.
- É  importante dizer que não há Cosmogonia bíblica. A Bíblia não ensina Ciência. A  revelação bíblica é mensagem religiosa, não científica.
- Não há uma contradição entre a Criação bíblica e a  teoria do big-bang da evolução. Vejamos as pretensas incompatibilidades:  certamente o mundo não foi organizado no curtíssimo espaço de 6 dias. A intenção  do redator do Gênesis foi o de apresentar Deus como exemplo ou modelo do  trabalhador que trabalha 6 dias e depois tem um dia de descanso. O termo "dia"  em hebraico não significa exatamente dia de 24 horas, pode ter também o sentido  de período, ou longo tempo. Provavelmente este termo não signifique 24 horas,  porque o dia era regulado pelo sol, que é criado apenas no 4º dia. Como poderiam  ser de 24 horas os 3 primeiros dias?
- Há pontos que a Ciência e a Bíblia concordam neste  relato da criação:
- os vegetais são mais antigos do que os  animais;
- os animais aquáticos são mais antigos do que  os terrestres;
- o homem é o menos antigo doa animais.
-  Aristóteles sustentava que a função da Ciência era a de responder à pergunta por quê? A partir de Galileu e Newton se diz que o papel da Ciência é apenas  responder à pergunta como? Muitíssimas vezes, porém, a Ciência não  responde a nenhuma das duas perguntas.
- Teria  havido fenômeno natural mais estudado pela Ciência do que a luz? Mas a verdade é  que a Ciência não sabe o que é a luz. Não sabe porque, nem como,  nem o que. Igualmente não sabe o que é eletricidade, o que é magnetismo e  muita coisa mais.
- No séc.  XVIII o diácono italiano Lázaro Spallanzani destruiu a balela da geração  espontânea. Dizia-se que a matéria gerava pequeninos seres vivos e até chegavam  os mais avançados a assegurar que a lama do rio Nilo gerava camundongos. Pelos  séculos XVI e XVII o pai da Fisiologia, Van Helmont, divulgou um processo de  fabricação de ratos: cobrir com uma camisola suja um vaso cheio de trigo. Um  fermento saído da camisola se mistura com o odor dos grãos de trigo e este se  transforma em ratos. O processo se prolonga por cerca de 21 dias, e os ratos  assim gerados são ?espantosamente robustos?.
- No séc.  XIX o grande Pasteur demonstrou com experiências rigorosamente científicas que  Spallanzani tinha razão: a geração espontânea é pura invencionice, a matéria não  pode gerar a vida. Todo ser vivo procede de outro vivo.
- E como  explicar o início da vida? A Ciência tem bastante dificuldades de expressar  isso, enquanto que a Bíblia oferece a resposta de um Deus criador da vida.
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