A Oitava Cruzada (1270)
A Morte de São Luis

A partida de Luis da Terra Santa, quase leva Outremer ao colapso. Disputas internas entre nobres, a fraqueza do rei Conrado e por fim a ferrenha rivalidade entre os representantes das cidades-estados italianas, fizeram eclodir uma guerra civil. Os reinos latinos só não foram atacados e destruídos neste momento de extrema vulnerabilidade, por Cairo ou Damasco, pois estes além de ainda lutarem entre si, tinham a crescente ameaça dos mongóis. Eles voltavam a avançar mais e mais pelos territórios muçulmanos e em 1258, deram o maior golpe jamais dado ao islã: a destruição de Bagdá a sede do califado, destruindo de vez a unidade do mundo islâmico.Este fato junto a queda de Constantinopla em 1204, pôs fim à velha e equilibrada diarquia entre Bizâncio e o califado, pelo qual prosperava o oriente Próximo, que nunca mais voltaria a dominar a civilização.

Este impacto deu tempo a Outremer de se recuperar da guerra civil dando a ele mais cinco décadas de existência. Mas não salvou uma das nações criadas pelos cruzados: o Império Latino, que cambaleante só sobrevivia graças a ajuda de Veneza. Mas, em 1261, o Imperador grego de Nicéia, Miguel Paleólogo, com o apoio de Genova, entra em Constantinopla em 25 de julho, pondo fim ao Império Latino. Mesmo com a recuperação de sua capital, Bizâncio não era mais o Império ecumênico que fora até o século XII. Agora era só mais um estado entre muitos, sem a menor esperança de desalojar os invasores Turcos. Era agora uma nação na defensiva.

E, pouco antes em 2 de setembro de 1260, ocorreu uma das mais decisivas batalhas da história: a de Ain Jalud, onde o exército mameluco comandado por Baybars destruiu o mongol que invadira a Síria e ameaçava o Egito. Esta batalha salvou o islã dos mongóis. Com a ameaça mongol e Damasco e Cairo novamente unificadas, Baybars volta-se para o pequeno estado franco, e em 1265 avança e captura as cidades de Jaffa, Nazaré, Haifa, Toron, Cesárea e Arsuf.Apenas a chegada de reforços franceses e ataques mongóis na Armênia, salvam Acre. Mas em maio de 1268, Outremer recebe um violento golpe a destruição do principado de Antioquia por Baybars, o primeiro estado franco criado pelas cruzadas cai e sua população é massacrada.

Esses fatos não escaparam da atenção de Luis, que nunca se esquecera da Terra Santa e sempre enviava mensageiros e quando possível, tropas. Mas problemas internos o impediram de embarcar em uma outra cruzada. Só em 1267 que, mesmo casado e enfermo, conclamou uma nova cruzada e começou os preparativos e em 1270 estava pronto.
Seu plano era novamente atacar o Egito. Só que desta vez a situação era outra e Luis contava com pouca ajuda mesmos seus irmãos se recusaram a ir. E o único que se dispôs desfigurou e arruinou o plano: Carlos I, de Anjou, convenceu seu irmão a atacar Tunis, com o argumento de que assim teriam uma forte base para atacar o Egito. Na verdade Carlos era Rei de Nápoles e tinha a ambição de criar um império no mediterrâneo.

Mustansir Emir de Tunis, era conhecido por sua boa disposição com os cristãos, mas enfurecera Carlos quando deu refugio a rebeldes sicilianos. E segundo o que Carlos contara a Luis iría se converter ao cristianismo bastava apenas uma manifestação de força que surgiria mais um estado cristão. Por causa da doença, que provavelmente nublava seu julgamento, Luis concordou, e em 1º de julho partiu do porto de Aigues-Mortes. No dia 18 de julho, em pleno verão africano, desembargam perto Tunis, mas o Emir não demonstrou o menor desejo pela conversão e tinha reforçado as defesas da capital. Mas não chegou a haver combate. O clima intenso e a insalubridade da águas foram os maiores aliados do Emir. Doenças se propagaram rapidamente pelo acampamento francês. Milhares caíram enfermos, inclusive o rei, que foi um dos primeiros a falecer em 25 de agosto, pouco antes de chegada de Carlos, cujo vigor poupou a expedição do desastre. Em 30 de outubro o emir e Carlos chegaram a um acordo, onde além de se pagar uma indenização a Carlos, foi garantido o livre comércio de mercadores cristãos e fixada a residência de monges e padres na cidade. Fora isto a cruzada, como um todo, fora um desperdício.

A noticia do desastre em Tunis foi recebida com grande pesar entre os cristãos e grande alivio pelos muçulmanos, pois nunca mais um rei deixaria sua pátria para resgatar Outremer. O Rei Luis XI foi um grande e bom rei para a França, mas para a Palestina que tanto amava ainda mais do que a seu pais, só trouxe decepção e prejuízo. De todos os comandantes cruzados ele provavelmente fora o único que era realmente guiado pela fé. Fora o mais pio dos cruzados, em seu leito de morte pensou na cidade Santa que tanto empenhara em salvar, mas nunca sequer a avistara, suas últimas palavras foram: “Jerusalém, Jerusalém”.

 
O Domo da Rocha em Jerusalém a cidade pela qual Luis tanto lutou mas jamais viu

E pelos seus feitos e grande devoção ao cristianismo, em 1297 o papa Bonifácio VII proclamou sua canonização, Luis foi o único monarca francês a ser canonizado. Ele é considerado o modelo ideal de monarca cristão e várias cidades como São Luis do Maranhão são homenagens ao rei-santo.

O movimento pela conquista da Terra Santa estava chegando ao fim, ainda haveria a Cruzada do Príncipe Eduardo da Inglaterra (que muitos historiadores consideram uma parte da oitava).





























 
Hosted by www.Geocities.ws

1